Estou de volta a NYC. Ontem a noite cozinhei carne de porco a alentejana, para dois espanhois e uma dominicana (alem de mim e do meu hospedeiro, claro). Fizemos as compras na Ferry Street em Newark, que ainda se chama Portugal Avenue. A maior surpresa foi a massa de pimentao da Novalisboa. A mousse de chocolate da sobremesa era Pantagruel. So nao havia acucar tuga. Nem ovos. Nem manteiga. Aguente-se...
domingo, 31 de julho de 2005
sábado, 30 de julho de 2005
As pontes
Da varanda ve-se a ponte de Brooklyn, logo aqui. Mais acima, a Williamsburg. Viajei de Ithaca na sexta. Cinco num SUV (chamam assim aos carros grandes, quase jipe, com lugar para 7 passageiros): duas portuguesas, um judeu que mora na parte fina do Bronx, um recem habitante de NYC, que se mudou ha uns meses para Williamsburg e tem razoes para estar feliz, e um argentino de pai sueco, que estuda na NYU. Custa-me acreditar como conseguimos enfiar a bagagem desta gente toda (quantos sacos com livros, senhores!, ai um autozinho de fe...) na bagageira do Chrisler. Mas funcionou. Viemos por ai abaixo, eu a guiar mais a melhor navegadora do mundo (alo, Angelita!). 96b, 96, 17, 87, todas as estradas sem errar. Ainda na 17, cruzamos tres vezes o mesmo rio, com distancias consideraveis entre cada uma delas. Seria o Oquaga?
quinta-feira, 28 de julho de 2005
Caderno da Escola, sem acentos nem cedilhas (13)
Stanley Fish. Veio fechar as honras da escola. E, em honra dele, na recepcao serviu-se peixe. Ah, sobre o que disse: nothing new. E foi excelente.
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Caderno da Escola, sem acentos nem cedilhas (12)
Vi esta noite o Mondovino, filme sobre a globalizacao e os produtores de vinho (de Franca, Italia, Argentina, da California e do Brasil). A imagem inicial e de Pernambuco; banda sonora, Amalia Rodrigues. A sala estava (como quase todas aqui em Cornell) a escaldar e a unica maneira de suportar aquele calor era com duas ventoinhas gigantescas, uma de cada lado do ecran. Um zunido tremendo. Um calor horrivel. E eu toda arrepiada a ouvir a Amalia e a ter saudades, saudades de casa (alo, Zabelinha...).
O filme poderia ter menos uns vinte minutos (as ultimas vezes que fui ao cinema sai da sala com esta sensacao. Nao e bom...), mas tem um elemento muito curioso: a camara deixa-se seduzir por todos os caes (alo, Luquinha!...) que aparecam na cena. O cao e, portanto, um elemento de raccord e, ao mesmo tempo, de destronizacao do tema principal. Fiquei sem saber (mesmo!) se o filme era (mesmo) sobre vinhos ou nao seria antes sobre a paixao de Nossiter pelos canitos (assim mesmo). Bem, na verdade, pode ser ate sobre muitas outras coisas, nomeadamente (e isto pode ser visto como a minha ultima grande personificacao do argumento americano) a expressao de afirmacoes politicas e a interrogacao sobre o sentido da recusa do sistema capitalista. Haveria muito (mesmo muito) a dizer sobre esta recusa, ou sobre o tom de inevitabilidade com que o filme tinge o monopolio dos Mondavi. Mas se calhar isso passara para outro blog.
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segunda-feira, 25 de julho de 2005
Caderno da Escola (intervalo)
(Foto: Ângela Emídio)
À esquerda está um senhor. Foi chef nos melhores restaurantes de Londres e de São Francisco, durante vinte e cinco anos. Foi cozinheiro particular de Elton John. É das poucas pessoas que conhece a fundo o trabalho de David Wojnarowicz. Tem um coração tamanho do mundo. Todd Thorpe, ladies and gentlemen!
domingo, 24 de julho de 2005
Caderno da Escola, sem acentos nem cedilhas (11)
Entro na ultima semana de aulas. O momento alto destes dias sera a comunicacao de Stanley Fish. Ha 11 anos atras, foi o seminario dele q frequentei na minha estreia na Escola. Dizem que quanto mais velho melhor. Veremos. Ha uns dias, saiu uma cronica sua no NYTimes, sobre as duvidas que pairam nas ideias dos americanos a proposito da nomeacao de um dos juizes do Supremo Tribunal. Se fosse so sobre isso, nem sequer o referiria.
quinta-feira, 21 de julho de 2005
terça-feira, 19 de julho de 2005
Caderno da Escola, sem acentos nem cedilhas (10)
E isto e para a Lagarta.
Entro hoje na fase Peer Gynt. E, tenha eu tempo bastante e saude, hei-de aprender o diabo daquela lingua!
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Caderno da Escola, sem acentos nem cedilhas (9)
Este agora e para a Mulher do Lado (ola!), que gosta de poemas e (muito!) da vida. Tambem e do Cavell, da Introducao a Pursuits... e segue o argumento em que o autor justifica a escolha de Ibsen e de algumas comedias de re-casamento (inventou ele este genero) dos anos 30 em Hollywood para reflectir sobre problemas filosoficos. Le-lo tem sido uma verdadeira experiencia de extase. Entendam-no (o extase) como quiserem. Vai tambem em portugues (o melhor que consigo).
"The Ibsen, and these films, declare that our lives are poems, their actions and words the content of a dream, working on webs of significance we cannot or will not survey but simply spin further. In everyday life the poems often seem composed by demons who curse us, wish us ill; in art by an angel who wishes us well, and blesses us."
Pt: "Ibsen, assim como estes filmes, declaram que as nossas vidas sao poemas, que nelas as accoes e as palavras sao o conteudo de um sonho a laborar em novelos de sentido que nao podemos nem queremos deslindar mas enrolamos cada vez mais. Na vida do dia-a-dia, os poemas parecem feitos por demonios que nos amaldicoam, que nos querem mal; na arte, por um anjo que nos quer bem e nos abencoa."
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Caderno da Escola, sem acentos nem cedilhas (8)
Este e, antes de mais, para a Anabela. Do Cavell para a Anabela, simplesmente porque foi de ti que me lembrei quando li esta passagem. Esta na Introducao a Pursuits of Happiness. E vai bilingue, para ficar clarinho. O italico aparece no livro.
"A work one cares about is not something one has read as something one is a reader of; connection with it goes on, as with any relation one cares about. (Thoreau's copy of Homer is open on his table at Walden. So far as philosophy is a matter of caring about texts, meditation is its work before argumentation, since the end of the caring cannot be expressed in a conclusion which you might take away from the text.)"
Pt (ok, um bocadinho macarronico...): "Uma obra de que se gosta nao e tanto uma coisa que ja lemos, mas mais uma coisa de que somos leitores; a ligacao com ela continua, assim como com uma relacao de que gostamos. (Sobre a mesa de Thoreau, em Walden, esta aberto o seu exemplar de Homero. Na medida em que a filosofia e uma questao de se gostar de textos, a meditacao aparece antes da argumentacao: nao e possivel exprimir numa conclusao, que pudesse ser retirada do texto, o fim desse gostar.)"
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sábado, 16 de julho de 2005
Caderno da Escola, sem acentos nem cedilhas (7)
O caminho para a residencia e ladeado pelo Centro de Artes Performativas da Universidade de Cornell, projecto de James Stirling. Do lado das arvores passa o Cascadilla Creek, com quedas de agua que tem do melhor (e fresco nas tardes quentes, o unico sitio onde se consegue estar) e do pior (faz uma barulheira que nao deixa dormir ninguem!).
(Foto: Reboliço)
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Fotos,
Onde andei,
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domingo, 10 de julho de 2005
Caderno da Escola, sem acentos nem cedilhas (6)
Daqui deste lado (ia dizer do Atlantico, mas nem sei ja se ainda existe, de tanto o nao ver...) do mundo, pois, os melhores momentos de leitura sobre o que se passa na Europa tenho-os a ler as vozes do Casmurro. Acho muito sensata a ideia de fazer um referendo sobre a independencia de Portugal.
Por ca, Cavell foi de ferias e deixou a substitui-lo um homem sisudo e gorducho chamado Ibsen (mais eficaz, no meu entender). Quando este acaba o turno, entram uns seres estranhos que nascem de sementes gigantes, chamados "body-snatchers". Ontem a noite estava o domitorio sem nenhum destes guardas e, para nos esquecermos do desconsolo de nao termos vigias, atiramos uma festa (e o que dizem aqui, "throw a party", como se a lancassem para longe). "We had great fun. I can't believe it lasted until 3a.m.!" Pois e, onde haja tugas e outros latinos (duas exemplares dos primeiros e uns cinco dos segundos), uma festa nao e a brincar...
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quarta-feira, 6 de julho de 2005
Caderno da Escola, sem acentos nem cedilhas (5)
(Ou: A segunda ilusao, mas com final feliz.)
No final do lanche que a Escola oferece semanalmente, Dominick LaCapra, cioso da sua regiao e das tarefas do bom anfitriao, levou o grupo a ver a mais alta queda de agua dos EUA - uns 35 pes mais alta do que as de Niagara, mas de corrente bem menos impressionante, um fio grosso de agua a derramar-se do fundo de um V gigantesco e verde num lugar chamado Taughannock. Entre a conversa com Sepp Gumbrecht, as tropelias do filho pequenino de um colega do Sri-Lanka (qual e a palavra para "habitante do Sri-Lanka"?), as perguntas sobre o sentido das palavras portuguesas que tinham ficado pelas linguas de paragens sul-asiaticas, a noite foi caindo. No caminho de regresso, fatigada da caminhada, olhei para o trilho encoberto pelas arvores altas, que escureciam a paisagem com maior rapidez que a viagem do sol, e pareceu-me ver, por momentos muito fugidios, uma serie de pequenas luzinhas. ("Ok, esta na hora de diminuir as leituras, ja dei cabo dos olhos!") Continuava a conversa, ficava mais negra a estrada, e as luzes persistiam, cada vez mais reais - mas ninguem no grupo falava delas, parecia que era eu a unica a ve-las, e o meu susto aumentava. Acabei por perder o medo e a vergonha: "Estao a ver umas luzinhas?" "Os pirilampos? Sim, por aqui sao muito poucos. No Sri-Lanka chegam para iluminar as clareiras." O relvado junto ao pavilhao onde tinha sido servido o lanche era um tapete de luzes. Moscas-de-fogo, e como lhes chamam.
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SCT
segunda-feira, 4 de julho de 2005
Ameijoas e mexihao
Tudo regado com limanito, a saber a alho e a deixar os dedos molhados antes do pao. No Leao d'Ouro, restaurante na College Avenue em Toronto. Com direito a empregado com sotaque minhoto e tudo! A gloria da diaspora...
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