terça-feira, 31 de janeiro de 2006

Mãos a cheirar a alho

"Sentas-te ao lume e arranjas estes alhos. Tiras-lhes o grelinho, fazes favor."
"Porque é que se tem de tirar o grelo aos alhos?"
"Para as linguiças não rançarem."
(vinte minutos depois)
"Mãe, como é que sabes que as linguiças rançam se não se tirar o grelo aos alhos?"
"Ora, filha, sei lá. Deve ter sido a tua avó que me disse."

domingo, 29 de janeiro de 2006

A moominmamma...


... está para durar!

Neva na aldeia

"Só é preciso acreditar", disse o amigo ao Reboliço. Tinha passado o dia inteiro à janela, a ver cair a chuva. Na aldeia, a última vez que fizera um frio assim havia já mais de cinquenta anos. As notícias da hora do almoço diziam que nevara até em lugares perto do mar. Mantinha-se quieto, de focinho encostado à janela, que embaciava de cada vez que o ar quente saía de si. Na cozinha, a tratar das carnes que seriam para a salga do ano, as mulheres passavam com alguidares, travessas e baldes de água quente. Alguns homens estavam lá fora, no casão, de roda do fogo onde grelhavam as febras das refeições e a contar exemplos acontecidos com outros também da aldeia (o João Casca-Grossa e o Lua, dois dos que tinham passado temporadas no Júlio de Matos, protagonizavam o mais hilariante!). À tardinha, o Reboliço ainda não desarmava – a Luísa telefonara a contar como, a meio da tarde, caíra sobre a capital um nevãozinho. "Se está em Lisboa, vem por aí," pensava. Alguém telefonou, já depois do sol-pôr, que nevava em Serpa. O Reboliço agitou-se, armou-se de gorro, cachecol e luvas, e ia de saída, quando o tio chegou e lhe disse "Não precisas de ir a Serpa, já neva na Base de Beja. Não tarda nada, está aqui." Voltou a sentar-se à janela. "Só é preciso acreditar", lembravam-lhe as palavras do amigo. Pois, se era só isso, estava já feito desde manhãzinha. Os outros, na sala, gozavam-no, riam-se da obstinação daquele olhar para a janela, daquele vidro embaciado. Quando a neve caiu, nada mansa, o Reboliço foi ao quintal, deu três ou quatro voltas sobre a cauda, riu-se a mostrar os dentes todos e depois voltou, descansado, para a sala quente e para junto do lume.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2006

Amanhã


(Foto: Reboliço.
Ou não?)

quinta-feira, 26 de janeiro de 2006

Céu branco, da cor das amendoeiras

Este ano, as amendoeiras não se manifestam em bloco: esparsamente, florescem à bruta ou ruborescem entre outras de ramos vazios. O Reboliço deita-se por cima da terra já não gretada, cor escura de tijolo, e olha para cima. Vê os tronquinhos finos a terminarem em botões quase pontiagudos, verdes no começo e brancos ou rosas no extremo. Vira o focinho para o lado e alcança outra árvore, espampanante, com folhas verdes a substituirem já algumas pétalas. De vez em quando, em repentes de doidice, foge-lhe ao lado a flecha negra da Luca. Inspira fundo, pensa que a juventude é mesmo assim, desesperada e tola, descansa o focinho sobre o cheiro da terra e, enquanto suspira, fecha os olhos pequeninos. Para a semana - para a semana estarão todas da mesma cor. Recordará alguém o que sentiu a moura* quando olhou para a terra florida de branco?

*Afterthought: Seria uma princesa nórdica, segundo a lenda. Já nem o Reboliço tem a memória segura...

terça-feira, 24 de janeiro de 2006

Calasso

"O mundo - chegou a altura de o dizer, embora a notícia vá ser desagradável para muitos - não tem nenhuma intenção de se desencantar por completo, porque, se conseguisse, iria aborrecer-se demasiado." (p.27)

Às vezes, Rilke sossega-me

A necessidade de vida é o mesmo que... a vida? Não, a vida é qualquer coisa de calmo, de vasto, de simples. A necessidade de vida é precipitação e busca. É a necessidade de ter a vida toda, de imediato, na hora.
(em O Livro da Pobreza e da Morte, tradução de Ana Diogo e Rui Caeiro, Lisboa, & etc, 1996, p.11)

segunda-feira, 23 de janeiro de 2006

Lição moral de Woody Allen

A pior forma de azar é ter boa memória.
("Say your number, just SAY your number, please.")

sábado, 21 de janeiro de 2006

Às vezes, Rilke assusta-me

Sem Cessar

SEM CESSAR, ainda que conheçamos a paisagem do amor
e o pequeno cemitério com seus nomes plangentes
e o desfiladeiro que tremendamente cala os que nele
caem: sem cessar saimos dois a dois
passamos sob as antigas árvores, deitamo-nos sem cessar
entre as flores, frente ao céu.

(em Rainer Maria Rilke: Guia Bibliográfico Multilingue - Com uma breve antologia poética, org. e trad. de Maria Teresa Dias Furtado, Edições Cosmos e Livraria Arco-Íris, Lisboa, 1996)

sexta-feira, 20 de janeiro de 2006

A primeira vez que o Reboliço foi sozinho à casa de banho, à noite, na aldeia.

A casa da aldeia da mãe tinha a casa de banho no quintal. O quarto onde dormia o Reboliço era o mais distante da porta do quintal, ao fundo do corredor comprido. Uma noite, quis ir à casa de banho. Era inverno e a casa estava em silêncio. A aldeia toda estava em silêncio. Levantou-se devagarinho da cama, com cuidado para não acordar a mana, e enfiou as patinhas nos chinelos frios. Cerrou os dentes com medo do barulho, quando o trinco da porta chiou. Fora do quarto, o corredor estava iluminado pela luz da lua, que entrava através das telhas de vidro. Uns passos adiante, ouvia o resto do fogo a crepitar, já só brasas. Eram uns estalidos abafados, mas naquele silêncio ouviam-se como foguetes que rebentassem. O Reboliço seguiu - e, quanto mais devagar seguiam as patinhas, mais depressa lhe fugia o coração. Quando chegou à segunda metade do corredor, depois da cozinha, parou em frente ao quarto do avô. Naquele quarto quase nunca entrava: havia um certo resguardo pelo espaço onde se lembrava vagamente da avó, que morrera havia poucos anos. No lado oposto do corredor, ficava o quarto dos pais. Não queria, por nada, que acordassem. Talvez por querer provar que conseguia ir sozinho, ou talvez porque durante o dia fizera alguma traquinice e não se sentia no direito de pedir que o acompanhassem. Teria de ir sozinho, não poderia ser de outra maneira.
Chegou-se à porta grande de madeira grossa e correu o ferrolho pesado, mais os gatos de cima e os de baixo. O ruído dos ferros nos ferros fazia eco pelo corredor vazio e parecia-lhe o desmoronar de montanhas cheias de pedras e metal. Fazia um gesto de cada vez, para deixar que o silêncio se interpusesse e acalmasse aquela zanga de ferros. O coração batia-lhe mais depressa, mais depressa, mais depressa a cada pequeno e maior ruído. Quando deu aberta a porta, escapuliu-se num segundo para o outro lado - e estacou.
O silêncio era aquilo tudo: a noite de céu cinzento escuro, as estrelas de brilho esbatido, ofuscadas pelo halo da lua. As árvores tinham folhas quase verde-escuras, mas ainda no negro. Não se ouvia um animal, ninguém, nem um bulir de vento. O Reboliço ficou contaminado pela imobilidade e pela ausência de ruídos. Depois de um tempo estendido, o sinal do seu corpo relembrou-lhe a razão por que estava ali: entrou na casinha, aliviou-se e voltou para dentro da casa. De novo lá dentro, correu em bicos de patas para o quarto, entrou, fechou atrás de si a porta e saltou, num salto mudo, para dentro dos lençóis. A mana respirava ao seu lado, o mano na cama pequena. Não conseguiu fechar os olhos e fitou a telha de vidro, por cima de onde só imaginava a lua. Em vez de acalmar, o coração excitava-se, entre duvidoso ainda e feliz com a descoberta que fizera: não estava lá fora nenhum papão!

quarta-feira, 18 de janeiro de 2006

Tenho ali um saco de palavras para te entregar. Queria que as deixasses na lavandaria e pedisses que depois mas levassem a casa. Pode ser?

terça-feira, 17 de janeiro de 2006

Diário (de Pasolini)

Adulto? Nunca - nunca, como a existência
que não amadurece - fica sempre acerba,
de dia esplêndido para dia esplêndido -
não posso senão ser fiel
à estupenda monotonia do mistério.
É por isso que, à felicidade,
nunca me abandonei - é por isso
que na ânsia das minhas culpas
nunca tocou verdadeiro remorso.
Igual, sempre igual ao inexprimível,
à origem daquilo que sou.

(Tradução: AIS. Da pág. 9.)

segunda-feira, 16 de janeiro de 2006

Ando nos cineastas...

... e dou com isto!

[Um soneto]

Esse Freud que vos diverte não explica -
não explica o que na verdade desejo -
viestes, repito-o - nada vos liga
ao que é - e agora decide-se

que partais. Quem vos pede
sem pudor que fiqueis no seu ninho
desolado de solteiro talvez negue
que possais fazê-lo; e o seu grito

não será por vós, mas pelas suas mágoas.
Viestes dar-me a conhecer
coisas que eu não sabia: mas o anjo

como vem, assim depois se vai. De resto, nenhum saber
serve. A vossa alegria suspende a minha angústia:
mas soube sempre que depois o lamentaria.

(Soneto traduzido a partir do italiano, com a ajuda amável e silenciosa de Hervé Joubert-Laurencin, que me fez chegar às mãos o livrinho.
p. 120)

sábado, 14 de janeiro de 2006

Confirmação

A mana do Reboliço vai adiante, acender a lanterna para se poder encontrar o caminho até ao carro no meio das pedras, das escadas novas ainda em bruto e da terra solta. Abre a porta, dá uma risadinha e desliga a lanterna. O Reboliço alegra-se também: luar de Janeiro não tem parceiro.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2006

Avatara aos pés de Cristo

Saltei dos Blasted para Antonio Caldara. Não existe diferença, ambos me maravilham.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2006

Moinhos na poesia (5)

Contribuição da Lagarta, sempre muito simpática. Parabéns pela nova casa, Lagartinha!

XLV

El sueño bajo el sol que aturde y ciega,
tórrido sueño en la hora de arrebol;
el río luminoso el aire surca;
esplende la montaña;
la tarde es polvo y sol.
El sibilante caracol del viento
ronco dormita en el remoto alcor;
emerge el sueño ingrave en la palmera,
luego se enciende en el naranjo en flor.
La estúpida cigüeña
su garabato escribe en el sopor
del molino parado; el toro abate
sobre la hierba la testuz feroz.
La verde, quieta espuma del ramaje
efunde sobre el blanco paredón,
lejano, inerte, del jardín sombrío,
dormido bajo el cielo fanfarrón.
……………………………………….
Lejos, enfrente de la tarde roja,
Refulge el ventanal del torreón.

Antonio Machado, «Canción XLV», in Poesías Completas, 38ª ed., Madrid, 2004

Palavras de sonho

Às vezes, o Reboliço acorda a sonhar. Sabe que só se recordará do que sonhou se o verbalizar, a escrever ou a dizer em voz alta. Na outra noite, teve preguiça de acender a luz e escrever. Disse as palavras do sonho em voz alta. Já de dia, quis recordar-se delas. Não tem a certeza do que eram. Não eram nome de ninguém: lisinsky - ou karposky - lessing. Assim, sem mais nada, foi o que sonhou.

Moinhos na poesia (4)

O inevitável, "Impressão Digital", de António Gedeão. Gosto dos dois últimos versos, acho as rimas dos outros por demais pobres. Por isso só cá deixo esses. Não é muito simpático, mas paciência.

Vê moinhos? São moinhos!
Vê gigantes? São gigantes!
in "Movimento Perpétuo", 1956

quarta-feira, 11 de janeiro de 2006

Moinhos na poesia (3)

Vejo, outra vez, as fotografias que tirei em Trás‑os‑Montes. Quase
todas mentem. Nenhuma dor intolerável delas ficou. Nenhuma esperança.
Qualquer raiz.

Trás‑os‑Montes seria para Paul Strand ou Van Gogh, que chegavam
a terras de fogo sem pressa, e só partiam exangues, com os sentidos
destruídos. Seria para Miguel Torga, que foi criado por uma águia e nunca
esqueceu o gosto de uma cebola com sal.

... porque contemplei fragas e a amplidão deixei.
Vi queimar florestas e as razões oculto.
Ouvi cantar as aves e o cristal perdi.

Fermentava o feno.
Voltavam os ramos e os engaços.
O linho era erva, a amêndoa silêncio.

Como quem parte de uma sombra para um poema, e de uma folha
guardada para a memória, parto de imagens fluídas para uma província perdida.

Nove meses de inverno. Três de inferno.
E a primavera?

Bato a porta [sic] abertas. Ninguém responde.
Há colmo caído no chão de sobrado. Azeite vertido, manhuços
intactos.
Corro à fronteira seca e grito. Clamo. Nomes com geada.
Ninguém responde...

E os arados? Os arados deixados às portas das vossas casas, gravados à navalha nas portas das vossas casas?

Se me queres algo
Sal-me al camino.


Ao caminho? Só vejo penedia de chumbo, tresmalhada, estalada,
oh mirandeses !

Corvos. Corvos e águias. Águias e lobos.
E longe, o som de lã de um tamboril... pastora muda chamando o
seu rebanho.

Quedos, quedos, cavaleiros!
El‑rei vos manda contar...


Somos vultos e estamos longe num cavalo tremedal.

Anda daí, se queres benir,
‘garra la capa e bamos.
El camino ié de todos,
la capa ié de nós ambos
.

Mas a terra... quem vai fabricar a terra?
E ainda esta manhã ouvi, em Cércio, a Alvorada!

Tu não ouviste, em Cércio, a Alvorada...
ou cantigas de abaular ; a cantilena da pedra.
Ouviste falar de erva no trigo,
a trovoada
e as pedras dos moínhos a cairem na água.

Deixais só, D. Filomena, com um pente de oiro na mão !

Sonhas...

a D. Filomena é uma nuvem, um polvorinho de folhas.
Quem vês com pentes de oiro na mão? As mulheres vestidas de
negro ? as suas mãos pousadas no regaço têm cartas vindas de França.

Azedões em muralhas. Estevas cobrindo os castros.
Cerâmicas neolíticas na escuridão das grutas.

Em vão os juncos esperam ser cestos. Em vão as ribeiras esperam
as moiras.
Nos olmos cavados não há tentações.

Talvez nos pombais haja amor ainda,
a cal seja um ovo
e o ovo uma ave...

........................
........................
........................

É xisto de casas que apanho do chão. É uma tábua que prego e
uma candeia que acendo. É uma talha que lavo, uma azeitona que corto.
Um vento que estendo.

É um baldio que escavo. Uma gadanha que afio. Uma encosta
que subo e um tempêro [sic] que lembro.

É uma trança que solto.
Um escano que fecho,
que não vendo,

e uma roca que fio...

ANTÓNIO REIS
Trás‑os‑Montes – Junho de 1969.

[edição no Boletim da Casa Guérin, s.d., facsimilada em
António Reis e Margarida Cordeiro: A Poesia da Terra, Cineclube de Faro, 1997, pp.37‑43]

De McSweeney

Muito bom.

As luzes da cidade

É de manhãzinha e o Reboliço põe-se à janela. De rabo no chão e as patas da frente erguidas, esticadas. Arrebita as orelhas e levanta o focinho para a frente, para a cidade. Fica entre a cortina e o vidro da varanda. Fecha os olhos e deixa-se estar assim, com o sol a dar-lhe nos olhos fechados e no corpo todo. Quando os abre, vê o reflexo do sol da cortina no vidro tingir toda a cidade de fiozinhos reluzentes. A ria, a estrada, as pessoas, os carros. Lembra-se da vida do sol.

terça-feira, 10 de janeiro de 2006

Moinhos na poesia (2)

Este é de Sarah Cleghorn, escrito em 1917. Dei com ele num post dos muitos em que João Luís Barreto Guimarães fala sobre poemas, poetas e poesia. A tradução para português é dele.

THE GOLF LINKS

The golf links lie so near the mill
That almost every day
The labouring children can look out
And see the men at play.


(OS CAMPOS DE GOLFE

O moinho está tão rente ao golfe
Que as crianças, ao trabalhar,
De cada vez que olham para fora
Podem ver os homens a jogar.)

Moinhos na poesia (1)

A propósito de uma batalha com um amigo, o Reboliço teve a ideia de transcrever poemas em que encontrasse a palavra ou referências a "moinho": de vento, de água, literais ou metafóricos. Não os buscará. Se vierem ter com ele, deixa-os aqui nas Cartas.
O primeiro é um Neruda, achado numa belíssima antologia de poesia sobre cinema (imagine-se!), chamada - com justeza - O Bosque Sagrado.

ODE A UM CINEMA DE BAIRRO

Meu amor,
vamos
ao cinema de bairro

A noite transparente
gira
como um moinho
silencioso, elaborando
estrelas.
Tu e eu entramos
no cinema
do bairro, cheio de meninos
e aroma de maçãs.
São as antigas fitas
os sonhos já gastos,
na pantalha
da cor das pedras
ou das chuvas.
A bela prisioneira
do vilão
tem olhos de lagoa
e voz de cisne.
Correm
os mais vertiginosos
cavalos
da terra.

Os vaqueiros
perfuram
com os seus tiros
a perigosa lua
do Arizona
Com a alma
num fio
atravessamos
estes ciclones
de violência
a formidável
luta
dos espadachins na torre, certeiros como vespas
a avalanche emplumada
dos índios
abrindo um leque na pradaria.
Muitos dos rapazes
do bairro
adormeceram,
fatigados do dia na farmácia,
cansados de esfregar as cozinhas.

Nós
não, meu amor.
Tão pouco vamos perder
estes sonhos:
enquanto estivermos
vivos
faremos nossa
toda
a vida verdadeira.
Os sonhos também:
todos
os sonhos
sonharemos.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2006

Oh! semana venturosa, que começas com notícias boas!

O orgulho é um dos pecados mortais. Quando estamos orgulhosos dos nossos amigos também é?

sexta-feira, 6 de janeiro de 2006

Aula de Ioga

"Agora, concentrem-se no exercício e esqueçam a vossa vida normal."
O Reboliço distrai-se do desconforto das costas direitas, ajeita as patinhas da frente em posição de saudação e abre os olhos, subitamente espantado: Vida normal? Que vida normal?

quinta-feira, 5 de janeiro de 2006

Contra os males da estação

Chá, mel e limão.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2006

Experimentar a luz.

Lisboa

Nasci em Lisboa. Tenho uma única memória da infância lá: nas traseiras do prédio onde morávamos, que na altura era um baldio. De mão dada com o meu pai, não sei se em silêncio na minha cabeça ou pelas nossas vozes, ouvia uma canção. É só isso, o som quase sussurrado e as ervas altas à passada dele e aos meus passos pequenos. Só voltei a amar Lisboa quando me rendi às dezenas de vezes, depois centenas, em que o regresso, a chegada à ponte e a vista do rio me aproximavam das lágrimas. Lisboa comove-me. Acredito em tudo o que se escreve sobre ela, o mal e o bem.

terça-feira, 3 de janeiro de 2006

Sabe-la toda...


(Foto: Reboliço.
Ou não?)

Mudança de calendário

Sai Rothko, entram os Moomin. Em vez de January, o Reboliço está em Tammikuu. É bem, é bem.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2006

Ok. Let's get on with it.