sábado, 30 de setembro de 2006

sexta-feira, 29 de setembro de 2006

Caeiro e o americano

A propósito de leituras de Caeiro, o Reboliço pensou mais um pouco sobre a poesia do Mestre. Não é possível que Caeiro seja mais do que os seus versos. Em momento algum da sua existência pôde ser verdade uma proposição como a de Henry David Thoreau, quando escreveu que "A minha vida seria o poema por mim escrito, / Mas não poderia ao mesmo tempo tê-la vivido e viver para o exprimir".

É só um bocadinho...

terça-feira, 26 de setembro de 2006

Esquina de vida

Conheci-a nos idos de 1981 (pobrezita, nem ela se deve lembrar...). Era tal e qual o que é hoje, sem tirar, só pôr, só melhorar. Parabéns, Gracinha!

Thinking ahead

Ouvi hoje a notícia, mas parece que a novidade não é bem nova: gatos hipoalérgicos, ou hipoalergénicos, ou anti-alérgicos, ou o Diabo a sete (que isto em se falando de gatos, vem logo o Diabo à baila, que o diga o Mestre da Margarita...). Não poderá haver prenda melhor para o Mano, que tosse, espirra, fica sem ar, lacrimeja, pragueja, dá cambalhotas, etc, só por estar perto da Tiaga ou de gente da espécie dela. Como o preço anunciado na rádio por cada felino me dá a mim uma brotoeja desgraçada, aceitam-se contribuições.

Reactivação

"Tiaga, Tiaga, Tiaga, Tiaga!" "Que desassossego! O que foi agora?", pergunta a gata, a espreguiçar-se e a afastar-se da fonte daquela inquietação. "O moinho já moeu, ontem à noite!" "À noite?" "Pois. Foi quando chegou o vento. Diz lá, não é fixe?" "Hum... Sim, é." O Reboliço nota-lhe a indiferença e remata: "Pois quando a mãe fizer as papas do milho branco que ontem moeu, acompanhado de achegãs assadinhas no carvão, bem quero ver quem se chegará primeiro ao prato!..."

segunda-feira, 25 de setembro de 2006

Já isto foi mais custoso de fazer

Escrever "[R.I.P.]" a seguir ao título do linque para "A Memória Inventada".

Novo linque

Depois de um fim-de-semana a moinhar e a ter a paciência moidinha pelo vento irregular do início de Outono, o Reboliço sentou-se a navegar em águas mais calmas. Descobriu um blogue novo (obrigada pela dica, Paulo!), do Rui. Tem o título de um filme que o Reboliço não viu e fala de filmes e de música.

domingo, 24 de setembro de 2006

Look again...

Estão a ver a foto a preto e branco ali em cima, à direita, no meu perfil [que agora está ainda à direita mas em baixo]? Olhem de novo. Esta é uns cinquenta anos mais recente, tirei-a ontem. O moinho é o mesmo. O moinho não é o mesmo.

(Foto: Reboliço)

quinta-feira, 21 de setembro de 2006

Na foz do Congo

"Subir o rio era o mesmo que viajar para trás, até às primeiras idades do mundo, quando a vegetação transbordava da terra e as árvores reinavam. Uma torrente deserta, um grande silêncio, a floresta impenetrável. O ar era quente, espesso, muito pesado e mole. A luz solar não tinha alegria. Longos troços de rio deserto perdiam-se por lonjuras de enorme sombra. Nas margens de areia prateada, hipopótamos e crocodilos tomavam lado a lado banhos de sol. As águas largas corriam entre uma confusão de ilhas arborizadas: uma pessoa perdia-se naquele rio como num deserto, e todo o dia tropeçava em baixios, tentava encontrar um canal navegável e acabava por julgar-se vítima de um feitiço, isolada para sempre do que até ali conhecera - sei lá onde - muito longe - talvez noutra vida."
(Joseph Conrad, O Coração das Trevas, na versão que me ensinou a amar Conrad, que Aníbal Fernandes publicou em 1983 na editorial Estampa, p. 69.)

No original, as sombras mantêm-se, mas há outra luminosidade:

"Going up that river was like travelling back to the earliest beginnings of the world, when vegetation rioted [pois, verbo impossível e lindíssimo, aqui] on the earth and the big trees were kings [que é diverso de "reinavam", enfim]. An empty stream, a great silence, an impenetrable forest. The air was warm, thick, heavy, sluggish. There was no joy in the brilliance of sunshine ["there was no", mas o que fica da frase é o "brilliance of sunshine", e não tanto a ausência de "alegria" do português]. The long streches of the waterway [não é bem "rio", é "caminho de água"; entendo que não o possa ser em português, mas "waterway" tem a magia das epopeias antigas] ran on, deserted, into the gloom [de quantas palavras em português se fará o conradiano "gloom"? Aqui, de nenhuma.] of overshadowed distances. On silvery sandbanks hippos and alligators sunned themselves side by side. The broadening waters flowed through a mob of wooded islands; you ["uma pessoa" é o correcto, mas "you" atinge com tanto mais poder quem lê: é connosco que estão a falar] lost your way on that river as you would in a desert, and butted all day long against shoals, trying to find the channel, till you thought yourself [de novo] bewitched and cut off for ever from everything you had known once - somewhere - far away - in another existence [que diferença, de "another life"!] perhaps.
(Isto está na página 59 da edição da Penguin de Heart of Darkness, preparada em 1995 por Robert Hampson.)

quarta-feira, 20 de setembro de 2006

Camas de flores

Linquei um blogue - sobre jardinagem. Porque este Outono que começa mais parece uma Primavera.

terça-feira, 19 de setembro de 2006

Achado

No metro de Paris, sua Excelência, o flâneur:

Final de Verão

O Reboliço afasta-se um bocadinho, para observar melhor, depois de se ter roçado pela pelagem branca, cinzenta e cor de mel. "Tens o pêlo mais sedoso, Tiaga." "Hum-hum," responde a gata. "E estás mais gordinha, fica-te bem." Ela suspira. "Cresceste, estás mesmo maior." "Fez-me bem o Verão," responde a bicha, entre um bocejo e uma espreguiçadela.

segunda-feira, 18 de setembro de 2006

Epígrafes

Ao longo dos anos (já conto mais de dez, credo...) tenho escolhido, alternadamente, duas epígrafes para acrescentar às bibliografias das disciplinas de Literatura que ensino. Pensei muito nelas quando as escolhi a primeira vez, mas depois interiorizei-as, ou seja, passaram para uma espécie de esquecimento que me permite agir com elas entranhadas e tê-las, afinal, sempre presentes. Uma é de Francis Bacon, num ensaio que escreveu sobre o estudo, e diz assim: "A leitura faz o homem completo; a conversa, o homem preparado; a escrita, o homem preciso." A outra epígrafe é de Stanley Cavell, num dos livros em que anda à procura da felicidade, e diz: "Gostaria de sublinhar que a maneira de ultrapassar correctamente, filosoficamente, a teoria é deixar que o objecto ou a obra que nos interessa nos ensine como havemos de a considerar."
Ambas as frases me deixam perplexa, isto é, silenciosa a pensar e a estranhar que não se reflicta mais ainda sobre as questões que levantam. Até na diferença de estilos que estabelecem: a primeira, típica de uma viragem de século (o XVI para o XVII) ansiosa pelo assentar da poeira de novas e admiráveis descobertas (Bacon é contemporâneo de Shakespeare, que, por volta de 1611, haveria de escrever na sua peça derradeira, pela boca de Miranda, a frase que ainda hoje ressoa, "O brave new world / That has such people in't!"), é um aforismo. Assertiva, sem dúvidas aparentes. Orientadora dos novos seres do novo mundo. Um pilar de sabedoria, pois.
Na segunda, Cavell já conta parte da longa história do conhecimento humano. Introduz a frase com uma proposição da sua vontade individual; pretende chamar a atenção para um aspecto (entre vários) da maneira de conhecer. Mas, no fundo, não deixa de ser assertivo. E de vincar com precisão (a mesma precisão que Bacon dizia que se atingiria pela escrita) a solução para uma dúvida (Como abordar um objecto de estudo?). Ora, como é característico dos nossos tempos epistemológicos, a solução passa pelo enredar de interrogações - o que quer Cavell dizer com "ultrapassar a teoria"? Em que é que essa ultrapassagem é necessária? O que é uma ultrapassagem "correcta" da teoria? E como é que "correcta" é um sinónimo tão transparente de "filosófica"? Tudo isto ainda antes de se pensar no que significa "deixar que o objecto" decida, nos mostre, como se há-de olhar para ele. Mais do que incómodas, são perguntas estimulantes. E é esse estímulo que gosto de encontrar no primeiro dia de aulas. É hoje.

quinta-feira, 14 de setembro de 2006

Para que serve a arquitectura? E quanto pesa um tijolo?

As respostas - ai de nós se forem completas e definitivas! - hão-de fazer-se ouvir em Guimarães, primeiro, depois noutros lugares.

quarta-feira, 13 de setembro de 2006

Quando uma leitora se torna autora...

... dá nisto. Bem-vinda, Senhora Sócrates!

segunda-feira, 11 de setembro de 2006

Nuno Júdice

Não li todos estes poemas, mas é bom ter actualizações poéticas à mão. Para mais, quando se trata de poesia que olha para o espelho da pintura. Fica linkado.

As melhores memórias

O Reboliço lembra-se de um 11 de Setembro muito bom. Fixa a memória nesse dia e faz convergir nele os tempos todos que reapareceram: entretanto, antes, então, durante, depois, sempre, quando, até.

sexta-feira, 8 de setembro de 2006

("Ui...")

Pensa o Reboliço, ao reler os últimos posts. "Passou-se! Tenho de ir outra vez ao cinema, a ver se me deixo de intelectualidades."

Ontem à noite, uma descoberta!

Era o dia da Cidade, foi feriado. Houve majoretes na Avenida e tudo. Parecia Loulé! À noite, a Orquestra abriu a temporada com um bom concerto. Tocaram três peças (antes dos encores); a do meio encantou-me: Concerto nº 1 em Dó Menor para piano, trompete (que trompetista!) e cordas, a Opus 35 de Schostakovich. Nunca o ouvira (ou talvez, sem dar por isso, nalgum filme). Ficou-me no ouvido.

terça-feira, 5 de setembro de 2006

Acordar

O Reboliço espreguiçou-se longamente (aprendeu com a Tiaga), saiu do quarto sem calçar os chinelos e, mesmo antes de beber água, pôs-se a ouvir as teclas de um Ignace Pleyel de 1836 sob o peso das pontas dos dedos do Arthur Schoonderwoerd. Foi um despertar pianinho.

segunda-feira, 4 de setembro de 2006

Trabalhos no moinho - as vigas

Fica aqui um cheirinho do registo - visual - da colocação das vigas. Se quiserem ver as imagens mais crescidas, têm de "clicar-lhes" em cima. Obrigada à prima Luísa pelas fotos e à mana pelo arranjo delas.

sexta-feira, 1 de setembro de 2006

Trabalhos no moinho - actualização

(Foto do senhor Zito, temerário, no topo do telhado: Luísa Apolónia. O senhor Zito substitui o carpinteiro Joaquim enquanto este convalesce de um pé em má hora partido. Só lhe falta a égua, para ser o Rafael.)

Back in business

A Tiaga fartou-se de miar à chegada do Reboliço. Durante dois minutos. Com certeza, reclamava do abandono, fazia queixas dos vizinhos, pedia explicações sobre o paradeiro do bicho nos últimos dias. Depois disso, deu-lhe o tal olhar de indiferença e, assim que pôde, safou-se para a varanda da D. Mimi. Uma carga de trabalhos, portanto.