segunda-feira, 30 de abril de 2007
sábado, 28 de abril de 2007
Estilhaços
Às vezes, faz bem ver um filmezinho deprimente com umas quantas décadas em cima. Para me lembrar que os anos 60 foram já há um bom par de anos. Ah, e para reconhecer o valor de um tipo com tanto nome sonante.
quarta-feira, 25 de abril de 2007
"Francisco, levar-te-ei cravos vermelhos"
O título é de um poema* de Philip Levine sobre Francisco Ascaso; as flores seriam para deixar na tumba do revolucionário. Procuro mais informação sobre este anarco-sindicalista da Guerra Civil de Espanha e a maioria das páginas online vem emoldurada em anúncios de voos baratos para as capitais europeias.
*Não está disponivel na net. Já vejo se o encontro na Harper's Bazaar. Se for alguma coisa de jeito, ainda cometo a ilegalidade de o transcrever.
segunda-feira, 23 de abril de 2007
sábado, 21 de abril de 2007
sexta-feira, 20 de abril de 2007
O dia da heresia
Registe-se o "momento herético, impensável e prenunciador do Fim dos Tempos: a entrada da BD, de pés descalços e nariz ranhoso, no Imaculado e Imarcescível Templo da Sabedoria Académica. Hoje a BD, amanhã o cartoon, depois as hordas bárbaras e ignaras"*. Foi ontem na Faculdade de Letras de Lisboa (que na FCSH da Nova já a BD entrou há mais tempo), e o objecto maldito, impertinente, muito bem-amado e lido chama-se As Aventuras do Barão Wrangel. Do eremita mais famoso da serra algarvia.
*Palavras do próprio JCF ao saber da notícia.
terça-feira, 17 de abril de 2007
Dafne
Na mitologia, a história de Dafne fala do amor do deus Apolo, da fuga e da beleza que subsiste a todas as transformações (Dafne ferida com a plúmbea e fria flecha de Eros foge das invectivas de Apolo, magoado pela flecha áurea do amor). Além de explicar a razão por que as folhas de louro enfeitam a testa do deus, o mito sublinha como "só a brilhante beleza fica", mesmo das mais brutais e definitivas metamorfoses. (Ovídio, Metamorfoses, Livro I, 525-552)
Deve ser em nome da beleza, das transformações e do amor ao que é belo que existe a editora Dafne. A última notícia dela dá conta de um quarto opúsculo - todos os quatro estão disponíveis para "desembarque", na expressão muito feliz dos editores, aqui. E por aí se vai também a outros lugares.
Deve ser em nome da beleza, das transformações e do amor ao que é belo que existe a editora Dafne. A última notícia dela dá conta de um quarto opúsculo - todos os quatro estão disponíveis para "desembarque", na expressão muito feliz dos editores, aqui. E por aí se vai também a outros lugares.
segunda-feira, 16 de abril de 2007
Para acabar de vez com os chats
O fim da conversa é sempre longo - dez ou doze linhas de beijos, atão vás, adeuses, olha espera aís, e tolices parecidas. É como com toda a gente, imagino. Desta vez foi completo:
tchau final
over and out
roger
ok
talk
by
end
Ficou bonito. Gostei mais que tudo do "by". É poético.
Canito q.b.
O primo António recordou este episódio.
Um dia, finais da década de 70, algum tempo depois de o avô ter em casa o Reboliço, o tio Luís (o "mano velho") levou para o moinho um cão grande. Há-de ter-lhe dito que o moinho precisava de guarda mais robusto, mais visível. O avô terá olhado para o bicho de alto a baixo (o que, estando sentado à porta com o cão parado à sua frente, teria sido mais de baixo a baixo), terá olhado para longe e respondido: "Isso é cão demais p'ra mim. Tem avondo com o meu Reboliço." Depois desta conversa, ergueu-se e entrou no moinho. Atrás dele seguiu, fiel, a esquila do canito.
sábado, 14 de abril de 2007
A avenida do pôr-do-sol
Sunset Boulevard é o nome de um dos meus filmes favoritos da década de 50 (alô, Gracinha!). Mais favorito do que o filme, com o mesmo nome, só a avenida longa, da parte oeste de Los Angeles, por onde caminharam ao luar as almas destrambelhadas de James Douglas Morrison e Ray Manzarek, onde decidiram o nome da banda e alguns dos sons que viriam a aparecer no primeiro disco, fez este princípio de Abril 40 anos.
Ouço as canções naquela voz, as teclas de Manzarek, o baixo de Krieger e a bateria de John Densmore. Lembro-me que poderia, sim, poderia - ter aqui nas Cartas um daqueles quadrinhos com sinal de play para as pôr a tocar. Sim, poderia. Mas prefiro pintar em palavras vagas e pequeninas a música dos Doors. Prefiro, aqui, indecidir-me sobre se haveria de chamar a este post "A malta é estranha", ou "O fim [de tudo]", "Têm-te visto, os meu olhos", ou "À espera do sol", ou "Sim, o rio sabe", ou "Não tocar a terra" - "Uma oração americana", ou "Mocinha, estás perdida". Prefiro não deixar em definitivo uma preferência, nenhuma escolha, pois não a tenho. São os Doors e quem conhece bem o Reboliço sabe como é.
Ouço as canções naquela voz, as teclas de Manzarek, o baixo de Krieger e a bateria de John Densmore. Lembro-me que poderia, sim, poderia - ter aqui nas Cartas um daqueles quadrinhos com sinal de play para as pôr a tocar. Sim, poderia. Mas prefiro pintar em palavras vagas e pequeninas a música dos Doors. Prefiro, aqui, indecidir-me sobre se haveria de chamar a este post "A malta é estranha", ou "O fim [de tudo]", "Têm-te visto, os meu olhos", ou "À espera do sol", ou "Sim, o rio sabe", ou "Não tocar a terra" - "Uma oração americana", ou "Mocinha, estás perdida". Prefiro não deixar em definitivo uma preferência, nenhuma escolha, pois não a tenho. São os Doors e quem conhece bem o Reboliço sabe como é.
terça-feira, 10 de abril de 2007
A morte do Sol
Lembro-me de ter ficado encantada com uma parede do Whitney cheia de riscos a lápis, feitos aparentemente ao acaso, mas com a magia de terem sido desenhados a partir de resultados de equações matemáticas complexas e divertidas de resolver. LeWitt afirmou que “na arte conceptual, a idea ou o conceito é o aspecto mais importante da obra. O projecto e as decisões são feitos antes, e a execução é uma questão rotineira, indiferente. A ideia transforma-se na máquina que faz a arte.” (Traduziu cá o je.)
segunda-feira, 9 de abril de 2007
O vento de Espanha
O Ángel deu notícias, para dizer que andou de visita a outros moinhos. Assim vistos de longe, parecem mais complicadinhos que o do Reboliço. Obrigada, amigo! Semeaste a curiosidade: o Reboliço já não deixa de pensar em viajar até à terra da Dulcineia.
>
Moinho
domingo, 8 de abril de 2007
Da aldeia
O Reboliço acabou de tomar um chazinho de erva cidreira. A Perdida perdeu-se de mimos e ladrava, gania, revirava-se, bailava, cheirava, gania outra vez, uma doideira! O domingo de Páscoa é assim, devagarinho e com folar de ovo cozido no forno a lenha.
(Foto da prima Luísa, com a sua retratadeira nova.)
sábado, 7 de abril de 2007
Adenda
Provados e aprovados: bombom com recheio de vinho tinto de Pias; bombom com aguardente da Vidigueira; bombom com alecrim; barra de chocolate branco com hortelã pimenta. Depois de um valente cozido e acompanhados de chá de folha de limoeiro e hortelã da ribeira. Uma confusão de narizes!
sexta-feira, 6 de abril de 2007
Lambusices
Anda um canito a invejar as bombonneries da moda nas transversais da Broadway, a saliva a escorrer-lhe do focinho e os dólares da carteira, à procura do melhor chocolate nas prateleiras das lojas com os rótulos mais exóticos; a impacientar-se com as horas de abertura e os exclusivos de vendas das marcas mais arredias quando, afinal, o melhor está à porta do moinho. Que vergonha, Reboliço. Quase ano e meio depois de aberta é que vais dar com a Mestre Cacau... Se o objectivo, além do sabor magnífico da pastinha bem temperada, é contrariar a globalização, haverá armas mais imponentes do que os bombons com medronho, bombons com mel "Monte do Mato" (de Mértola), trufas de alecrim ou bombons com vinho tinto de Pias? Vinho de Pias, Reboliço! Falem-lhe agora de "wine and chocolate pairing"!...
(Esta manhã, o Reboliço passeara por Faro com a dona da Pamá. Foram à descoberta da nova loja de chocolates, na Praça dos Poetas. Lojinha discreta, a Mundo do Chocolate só comercializa a pasta em nomes internacionais. O Reboliço embeiçou-se por tulipas, margaridas e jarros com amêndoas de chocolate, coisa de fabrico italiano. Muita inglesada, suiços e normandos. De tugas, nada.)
(Esta manhã, o Reboliço passeara por Faro com a dona da Pamá. Foram à descoberta da nova loja de chocolates, na Praça dos Poetas. Lojinha discreta, a Mundo do Chocolate só comercializa a pasta em nomes internacionais. O Reboliço embeiçou-se por tulipas, margaridas e jarros com amêndoas de chocolate, coisa de fabrico italiano. Muita inglesada, suiços e normandos. De tugas, nada.)
Seguir a lua
Seguia no banco de trás do carro, como tantas vezes – as mais delas – nas viagens pela planície. Em pequena, quando viajava com os irmãos no banco de trás, as duas viagens eram muito distintas: para Norte, saíam de casa num fim de tarde qualquer e iam rabiando o caminho todo. A maneira de sossegarem era a mãe pô-los a cantar: “Quero ir para o Altinho, que eu daqui não vejo bem / Quero ver o meu amor, se ele adora mais alguém...”. À vinda, de noite cerrada, sossegavam. Aninhada entre os irmãos, depois de dormitar uns minutos, mexia o corpo de maneira a fitar uma das janelas e, por ela, a lua. Ia seguindo o redondo, mais ou menos fechado, nas poucas curvas que o Renault12 fazia. Via a lua ora num lugar ora noutro – às vezes tinha que esticar o pescoço para a enquadrar de novo na janela e arriscava desadormecer de um todo.
>
Moinho
A lua no caminho
No caminho da aldeia para o moinho, via-se a lua. Galgara havia pouco o horizonte e era vermelha, um salpico de sangue mal espalhado nas costas de uma mão. Mais adiante na estrada, desavermelhara e subira. Uma nuvem cobria-lhe o topo. “Está mais amarela agora.” “Pois a lua é como os olhos do Sorna”, disse o pai. “Logo quando acorda, tem os olhos muito vermelhos. É uma espécie de Sorna, a lua.” Chegados ao moinho, já ela se levantava acima da torre do castelo, à sua esquerda. A nuvem, afinal, era o minguante a começar já a dentar-lhe a coroa.
quarta-feira, 4 de abril de 2007
Moinhos na poesia (10)
"Moinho de Vento"
Luz,
luz espumejante
sobre a planície, íngreme,
montanha de brilho, fundo
marulhar,
voam tempestades,
respirando relâmpagos, a terrível parede
ergue-se até ao céu.
Desci
pela duna
vindo do mar,
pela terra de aluvião nua de árvores,
sem sombra, sem sonho, fui
com os ceifeiros, o moinho erguia-se
hirto e velho. Agora, as velas
cinzentas agarram os ares.
Silencioso, sobe e domina a terra.
Com as garças levanta
voo, grande no fundo dos céus
brancos. Bravio, da distância
responde-lhe o brilho do olhar
do inverno.
Coração, pássaro dos gelos,
com espinhas e barbatanas
faz o teu ninho na caverna,
no sangue sussurrante.
Fica com as gentes da planície, filhas e
filhos, com as pequenas sombras
de canções e danças, fica e
ergue uma erva de Novembro
contra a neve.
(Johannes Bobrowski, Como um Respirar, Antologia Poética, Sel., trad., intr. e notas de João Barrento, 1990, Lisboa, Cotovia, pp. 24-27. Obrigada, meu primo!)
Luz,
luz espumejante
sobre a planície, íngreme,
montanha de brilho, fundo
marulhar,
voam tempestades,
respirando relâmpagos, a terrível parede
ergue-se até ao céu.
Desci
pela duna
vindo do mar,
pela terra de aluvião nua de árvores,
sem sombra, sem sonho, fui
com os ceifeiros, o moinho erguia-se
hirto e velho. Agora, as velas
cinzentas agarram os ares.
Silencioso, sobe e domina a terra.
Com as garças levanta
voo, grande no fundo dos céus
brancos. Bravio, da distância
responde-lhe o brilho do olhar
do inverno.
Coração, pássaro dos gelos,
com espinhas e barbatanas
faz o teu ninho na caverna,
no sangue sussurrante.
Fica com as gentes da planície, filhas e
filhos, com as pequenas sombras
de canções e danças, fica e
ergue uma erva de Novembro
contra a neve.
(Johannes Bobrowski, Como um Respirar, Antologia Poética, Sel., trad., intr. e notas de João Barrento, 1990, Lisboa, Cotovia, pp. 24-27. Obrigada, meu primo!)
terça-feira, 3 de abril de 2007
Subscrever:
Mensagens (Atom)




