... n'A Minha Serra!
quarta-feira, 30 de abril de 2008
sexta-feira, 25 de abril de 2008
Feriado no Poço Novo
O Reboliço acordou cedo a pensar que seria bom dar a alvorada a toda a gente na casa e chamá-los para irem passear. Fazia uma manhã esplendorosa e o vento do meio do dia ainda não se levantara. Mas, como imaginou que o maldissessem se ladrasse ou fizesse qualquer ruído, amalhou-se de novo, focinho aninhado entre as patas, e ferrou mais uma hora. Quando, já ia o sol alto, começou o passeio, estava a energia matinal em curva a descer. As flores das mariolas, as folhas verdes, as alfarrobas a amadurecer nos ramos, até o castanho da terra, tudo é mais baço a partir do meio da manhã. É pela fresca que o viço acode e se tem ainda a limpidez do sereno.quarta-feira, 23 de abril de 2008
Double Indemnity
Ia ver um thriller e acabei por ver um filme sobre a permanência da amizade e... (hugh!... esta frase estava tão bem quando hoje me apareceu entre a insónia!...) e nada. Foi só isso. Isso e as costas de Fred MacMurray a cortarem de alto a baixo, pelo meio, a carruagem de um comboio. Isso e aqueles fósforos auto-inflamáveis que poderiam explodir nos bolsos. (Fica assim, no tom de outras notas, que não costumo usar neste lugar. E num instante rápido: o "sono" do post anterior só por coincidência veio a ter a ver com o tempo entre ele e este.) Que filme!
quinta-feira, 17 de abril de 2008
"Vou dormir um bocadinho"
Dito assim isto, a meio do dia, por alguém a quem se quer, faz sair um sorriso de alívio - uma sensação morna de descanso. É como se nós mesmos, por contaminação, por contágio amoroso de pensamentos, repousássemos.
domingo, 13 de abril de 2008
(Foto: Reboliço no regresso e no rescaldo de Turismo Infinito. Ansioso por rever outras nuvens, num céu de tela.)terça-feira, 8 de abril de 2008
Balada de um Homem Magro [que ganhou um Pulitzer especial]
You walk into the room
With your pencil in your hand
You see somebody naked
And you say, "Who is that man?"
You try so hard
But you don't understand
Just what you'll say
When you get home
Because something is happening here
But you don't know what it is
Do you, Mister Jones?
You raise up your head
And you ask, "Is this where it is?"
And somebody points to you and says
"It's his"
And you say, "What's mine?"
And somebody else says, "Where what is?"
And you say, "Oh my God
Am I here all alone?"
Because something is happening here
But you don't know what it is
Do you, Mister Jones?
You hand in your ticket
And you go watch the geek
Who immediately walks up to you
When he hears you speak
And says, "How does it feel
To be such a freak?"
And you say, "Impossible"
As he hands you a bone
Because something is happening here
But you don't know what it is
Do you, Mister Jones?
You have many contacts
Among the lumberjacks
To get you facts
When someone attacks your imagination
But nobody has any respect
Anyway they already expect you
To just give a check
To tax-deductible charity organizations
You've been with the professors
And they've all liked your looks
With great lawyers you have
Discussed lepers and crooks
You've been through all of
F. Scott Fitzgerald's books
You're very well read
It's well known
Because something is happening here
But you don't know what it is
Do you, Mister Jones?
Well, the sword swallower, he comes up to you
And then he kneels
He crosses himself
And then he clicks his high heels
And without further notice
He asks you how it feels
And he says, "Here is your throat back
Thanks for the loan"
Because something is happening here
But you don't know what it is
Do you, Mister Jones?
Now you see this one-eyed midget
Shouting the word "NOW"
And you say, "For what reason?"
And he says, "How?"
And you say, "What does this mean?"
And he screams back, "You're a cow
Give me some milk
Or else go home"
Because something is happening here
But you don't know what it is
Do you, Mister Jones?
Well, you walk into the room
Like a camel and then you frown
You put your eyes in your pocket
And your nose on the ground
There ought to be a law
Against you comin' around
You should be made
To wear earphones
Because something is happening here
But you don't know what it is
Do you, Mister Jones?
("Ballad of a Thin Man," 1965)
For the record (3)
Hoje, a minha canção favorita, neste disco, é esta. Costuma ser esta. (Mas a de Tom Waits não poderia ser outra senão esta. Right?)
segunda-feira, 7 de abril de 2008
O milho pesado
Encontro em A Cidade e as Serras parte de uma frase que me soa a uma cena estática do filme Jaime: "muitas vezes (...) avaliara o grão espalhado pelas salas sonoras." No filme de António Reis não há qualquer som a acompanhar a cena. É uma sala escura numa casa pobre, ao contrário do "robusto casarão de granito" que Zé Fernandes visitara. No meio da sala, iluminado com foco directo e só, uma mancha de grãos de milho, a cor amarelo-torrada num contraste liso com o castanho do soalho. No meio da mancha, um guarda-chuva preto aberto. Não é mais do que isso: um graneiro sem ninguém, a que fugiu quem ali se podia abrigar da chuva; um guarda-chuva esquecido a deixar o azar aberto num graneiro escuro e silencioso. Isto é: como a mesma coisa, uma sala de grão, pode ser mostrada com tons tão diferentes. O exaltado ribombar da paródia serrana de Zé Fernandes, turista blasé numa Paris entediante, e a dolorosa ausência de Jaime Fernandes, homem das Beiras exilado numa casa de saúde mental de Lisboa durante os últimos trinta e um anos da sua vida.
quarta-feira, 2 de abril de 2008
(Parabéns, Luísa!)

O Reboliço espreguiçou-se depois de despertar do sono da noite. Abriu muito a boca, esticou o lombo e afastou o quanto pôde as patas traseiras das da frente, esticado, esticado, esticado. Então, sentado nas de trás, coçou com uma das dianteiras a orelha esquerda e sacudiu a cabeça. Seguiu para a cozinha, à busca do que beber e comer. Assim que olhou para o canto do chão, mesmo abaixo da janela, viu o que o fez dar o jeito de pôr a cabeça só um bocadinho de lado, em quase sorriso: na haste das onze orquídeas, cinco delas já estavam completamente abertas. "Coisa curiosa... Não é onde dá o sol que mais depressa se floresce."
(Foto: Reboliço)
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