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terça-feira, 1 de maio de 2018

Começa Maio

(Foto do raio de sol, do jarro e das folhas, escondidos atrás da ruína de tijolos das abandonadas fábricas do Vale de Santarém: Reboliço, caminhando de cestinho cheio de flores de sabugueiro e coração quente.)

sábado, 22 de outubro de 2016

Moinhos com vento

(Fotografia: Eduardo Hernandez-Pacheco; parte de um conjunto de diapositivos realizados em Portugal [talvez na região Oeste] entre 1917 e 1942. Fonte: Centro Português de Fotografia)

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Droooning

O Reboliço ouve um zumbido, mosca, mosquito?, lá abre um olho, nada de ver. Fecha outra vez os dois olhos, suspira fundo e, nisso, ergue-se-lhe e desce-lhe o peito, o focinho sobre as patas. Quer continuar a dormir, mas o zumbido cresce, fica um ruído mecânico: não é insecto. Levanta uma orelha, depois a outra, abre os dois olhos no segundo em que o focinho aponta para o céu, e vê como uma estranha libélula grande. "Um drone," recorda. Desce o focinho, as orelhas, cerra os olhos, franze o cenho e tenta readormecer.

Lá em cima, as patas e o corpo do boneco movimentam-se pelo ar. No chão, alguém que o comanda estuda os terrenos e vai carregando num botão: clicclicclic.

(Foto do Moinho Grande, do quadrado de implantação, terreno em volta, árvores, poço e outras construções: João Pereira, para o grupo As Paredes de Beja também têm Sentimentos. Obrigada pela autorização.)

domingo, 14 de agosto de 2016

Fogo no nicho

(Na aldeia, em pequeno o Reboliço dormia no quarto maior, interior, com o mano e a mana. Uma cama grande para elas, uma mais pequenina para ele. A porta de duas lâminas dava para o corredor que vinha da mercearia e ia para o quintal. Quando se arranjou a casa, disse a mãe aos pedreiros: "Descubram-me aí os nichos que o quarto tinha, de quando eu era moça." A mãe, antes, então, ali dormira com a mana dela: um dos nichos, pequeno, de frente para a porta, começava ao metro e meio de altura e tinha menos disso até terminar, um pouco mais de largura e de profundidade igual. Servia como se fosse mesa de cabeceira. O outro, mais alto, começava mais em baixo na parede e era como que fechado por um pano ao alto. Ali se guardava a roupa das meninas da casa. Os nichos haviam sido cobertos e durante anos ninguém se lembrou deles. Até que a mãe pediu aos pedreiros que os devolvessem à casa. No Verão, a telha de vidro deste quarto tem de ser tapada de papéis [quando havia a mercearia, era papel manteiga, o mesmo onde se faziam as contas ou embrulhava o pão, com o que se fazia os cartuchos para o feijão e o grão], ou o calor mata a gente. Quando bate ali de manhã, alguma fresta entre o papel, o vidro e a alvenaria do telhado deixa passar o sol que não se quer dentro de casa e projecta, no nicho grande, a labareda.)

terça-feira, 26 de julho de 2016

Dia dos Avós

(Foto de pés de tomate de Inverno ao sol de Verão: Reboliço. O pequeno Matias - que já foi mais pequeno... - dizia hoje que queria saber quem tinham sido os bisavós dos bisavós da mãe dele. Ufffff... O Reboliço nem dá conta dos bisavós que teve, quanto mais dos bisavós deles. Foi à varanda, afastou os dois pés de tomateiros - pesados dos frutos, já quinze esferas de tamanhos diferentes - e semeou uma árvore genealógica. Se brotar, será daqui a algum tempo.)

quinta-feira, 12 de maio de 2016

#WITHOUTSHOES

O que não falta no mundo são marcas de produtos a publicitar o que se vende, nem estratégias de mercado, pensa o Reboliço. Também há cada vez mais gente a fazer fotografias e a mostrá-las pelas telas de telefones e outros zingarelhos. Em contrapartida, demasiada gente no mundo vive uma vida inteira sem saber o que seja um telefone, ou sem poder utilizar coisas dessas, assim como há ainda (muita, muita) gente descalça. No meio de tudo o que há, a TOMS, uma empresa que vende sapatos, lembrou-se de fazer campanha para calçar crianças que não têm sapatos: "mostre os seus pés descalços e, por cada imagem, calçaremos uma criança". A campanha pretende oferecer até 100.000 pares de sapatos a crianças em dez países. Escolheram o passado dia 10 para "sensibilizar para o problema", e nesse dia o Instagram encheu-se (ainda mais) de pés descalços, que o Reboliço se encantou de ver. Entre eles, não estranhou que duas belas patinhas aparecessem com o fundo de um moinho com papoilas nos campos provençais - eis aqui, com a permissão da autora da imagem, @Elisaparkranger:



segunda-feira, 25 de abril de 2016

Liberdade

(Foto da pintura do pequeno Matias no chão da terra: Mana Gabriela. O sobrinho primeiro do Reboliço nasceu da Mana Gabriela e do Vasco - nem um nem outro eram nascidos quando foi do 25 de Abril, nem, por necessidade, os filhos deles. O Mano João, que é gémeo da Gabriela, igual - e os filhos dele e da Angela nascem também em liberdade. O Reboliço, apesar de já nascido havia naquela data três anos e meio, não guarda memória do dia. Mas dos que vieram depois, da alegria de celebrar aquilo que começou por ser só uma palavra, depois foi conceito e agora é o mote de uma vida, o que mais o alegra é isto de ter dedos cheios de tinta e perceber que do corpo de um canito a uma expressão dele se pode fazer o caminho sem constrangimentos, sem peias, com sorrisos e risos de ir às lágrimas. Por coincidência igual de feliz, repara ainda, o Dia da Liberdade é também o Dia Mundial dos Penguins.)

segunda-feira, 29 de junho de 2015

(Pensei que vos perdera)

(A foto da capa da última Em Cena é do Vasco Célio. As restantes, a ilustrar o artigo, são do Reboliço, nas terras do Norte.)

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Fiesta Lost, Fiesta Regained

Na ampla sala de convívio, o Reboliço anunciara a amigos, conhecidos, amigas e seus maridos, que no passado dia 21, depois de muitas voltas, à ideia e à cidade-aldeia, denunciara na esquadra PSP mais próxima da sua residência o furto da viatura Ford Fiesta, branco, amado e bem corrido, que o acompanha há uns 20 anos (dos quase 26 que tem de vida) e tem dois pares de jantes que alto lá com elas, conforme aparece no boneco do Instagram. E mais pedia que, se por aí o vissem, perdido, perneta, e desolado de saudades, lhe dessem notícia. Hoje, pela hora de almoço, quase uma semana passada em paradeiro desconhecido, reapareceu o automóvel. Acto contínuo à comunicação, o Reboliço tratou de imaginar a história com aquilo que ainda não sabe: quem é a pessoa que o levou, porque quis ou teve de levar aquele bicho logo, de entre todos os que diariamente dormem na rua (isso até talvez saiba:  o depósito de combustível estava cheio, o carro é velho e, por isso, fácil de arrombar e de pôr a rodar); ou o que fará com ele depois de o ter de novo nas mãos (está na capital, não se sabe ainda bem em que condições, tirando que lhe rebentaram a coluna da direcção e deve ter batidas que não iam "de origem")... Enfim, muita coisa. Mas há, para lá das incertezas, factos certos-certos - e que são melhores nesta história toda do que em qualquer ficção que se invente: o Sr. Agente da Polícia de Segurança Pública que comunicou a reaparição, com acentuado sotaque alentejano, é o Agente Esperança. Donde o Reboliço conclui que a esperança comanda a vida. Ou melhor, que a esperança é a última a entrar em cena. Não. Bolas. Que quem tem esperança não merece castigo. Desorientado, o Reboliço pediu ajuda para acertar com o ditado e ganhou, além de um dichote novo ("Agente Esperança Olho-vivo encontra carro perdido", que lhe mandou o JJ), uma linda quadra, essa aí de baixo, oferecida pelo Cão do Vizinho António (A.M.F.). Graças, dá o canito - graças às orações do pessoal, ao santo Antoninho, a Nossa Senhora das Cousas Perdidas e, principalmente, sobretudo e acima de tudo, à PSP.

Quem espera sempre alcança,
Diz o povo e é certinho!
Foi-se a coluna e a mudança,
Mas apareceu o carrinho!

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Ano primeiro - ano segundo


(Foto dos moços da alegria no moinho, altaneira testemunha: Vasco Célio. Faz um ano hoje, estava o trigo já alto, verde lindo, as papoilas vermelhavam e sobreviviam, por amoroso cuidado da mãe, à chacina de ervas, as favas iam direitinho da terra para a panela, casca e tudo, de tenras. E o Reboliço, num rebuliço feliz, atava as patinhas, num nó cerrado, às patinhas do companheiro amado.)

domingo, 12 de abril de 2015

O Reboliço é um nefelibata (73)

(Foto: Reboliço, encantado a ver na parede do Moinho Grande o espelho do céu com nuvens. Foi o raio do sol que, no Dia dos Moinhos Abertos, transformou cal, pedra e areia em superfície reflectora.)

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

"Quis hunc nostrum chamaeleonta non admiretur?"

(Foto do animalejo frente à mão de M.: Reboliço, a analisar riscas e escalas)

"Disse-me um poeta moçambicano, que havia encontrado numa ilha do Equador um camaleão que, anichando-se no ombro dos aedos quando bordam no vento as ravinas da memória, segregam missangas para o enfeite das raparigas. Residirá aqui a razão do que me pedem: que passeie pelo ombro dos poetas com a vocação do refratário, ébrio nos mantos da miragem?

Há uma genealogia da mimesis que talvez tenha em Pico della Mirandola o príncipe de uma nova dinastia. Para este florentino da Renascença o homem não reflete passivamente o cosmos e investe na tutela do seu destino: já não admite uma essência pré-determinada, assume-se numa vontade de ser. Aqui se nutre a sua fascinante asserção de que o homem é um camaleão."

(António Cabrita, "O eco são todas as vozes", prefácio a
O Bosque Sagrado, realização: Jorge Sousa Braga, António
Ferreira, Álvaro Magalhães, Porto, Gota de Água, 1986, p. 11.)

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Pelos começados

(Foto dos dois páussros saídos da casca, mais do ovo de recuerdo - que já lá está há quase dois meses e não há meio de o descartarem - no ninho da mãe Laranjinha: Reboliço, encantado com o afã, os gorjeios de papos cheios e os regurgitares para entregar no bico aberto a papa, com os banhos de água fresca, as sacudidelas de penas e o olhar e olhar, mirar e remirar com a cabecinha de lado para não pisar nenhum, o saltinho breve e o amanhar de penas, da mãe, sabe lá quem vê o que vai debaixo da asa, debaixo do colo quente e dos trinadinhos muito baixos, para não acordar quem come mesmo a dormir.)

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Era um toldinho pequenino às risquinhas vermelhinhas

(Foto do toldo de madeira sobre a praia atlântica: Reboliço, a veranear onde veraneou Antero de Quental.)

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Moinhos britadores na Cidade Infinita

(Foto das ruínas de moinhos britadores - que, enfim, britar é moer - no conjunto mineiro da Moitinha, Minas de São Domingos: uma de muitas feitas por Duarte Belo, de um dos muitos documentos que vai erguendo na sua Cidade Infinita. Muito obrigada pela permissão de reproduzir.)

sexta-feira, 6 de junho de 2014

O Reboliço é um nefelibata (89)

(Foto do prédio a esfarrapar as nuvens ontem à tarde, na Rodrigo da Fonseca, cidade grande: Miguel Pires, generoso, a pensar, com certeza, em fios de abóbora gila que querem ser labaredas. Obrigada!)

domingo, 27 de abril de 2014

Trigo grado

(Foto das espigas de trigo, digo, triticale, que é um híbrido mestiço de mistura entrelaçada de centeio e de trigo-trigo: Reboliço, em grande confusão de cabeça por mor das combinações. O moinho, lá atrás, não se torce nem se amolga, porque está o céu claro, porque os caules estão rijos e direitos, porque vê as ondas do trigal como se fossem um mar de verdades. Olha para as espigas, quando há espigas, para os girassóis, quando há girassóis, para a terra vazia nos anos de pousio, e permanece. It abides, que é um verbo de que o Reboliço gosta muito, por ter o som que tem, por querer dizer o que diz.)

quinta-feira, 17 de abril de 2014

"Ways of Seeing"

(Créditos da foto de Helen Keller com Charles Chaplin no set de Sunnyside, 1919: Roy Export Company / Cineteca di Bologna. É favor clicar sobre a imagem para a ver maior. Muito obrigada.)

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Dia dos Moinhos Abertos

(Foto do Moinho Grande com vedações, vides, postes e cabos de luz, as árvores, o topo de um dos moinhos velhos, o topo dos silos, e nuvens ao longe: Sharon Sykes, da província de Saskatchewan, no Canadá, uma das províncias de pradarias - nas suas palavras, "similar ao Alentejo", sem moinhos de vento mas com "old wooden grain elevators", que se equiparam a estes moinhos no serem "ícones culturais". A Sharon vive perto, avista e admira o Moinho Grande quando passa na estrada, mas não tinha ainda conseguido vê-lo por dentro. Foi este domingo, com muito gosto. Thank you!)

terça-feira, 25 de março de 2014

Com toda a palavra (11)

(Foto da gravura com texto manuscrito da folha avulsa da livraria do Convento de Santa Clara de Coimbra: Reboliço, a pensar na razão para não se comer pêras, conselho que pesa tanto quanto o da virtude, o da temperança e o da mortificação. Ganhou uma fome de pêras, que só visto.)