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quarta-feira, 1 de abril de 2009

Saudinha!


To be free-minded and cheerfully disposed, at hours of meat, and of sleep, and of exercise, is one of the best precepts of long lasting. As for the passions, and studies of the mind; avoid envy, anxious fears; anger fretting inwards; subtle and knotty inquisitions; joys and exhilarations in excess; sadness not communicated. Entertain hopes; mirth rather than joy; variety of delights, rather than surfeit of them; wonder and admiration, and therefore novelties; studies that fill the mind with splendid and illustrious objects, as histories, fables, and contemplations of nature.
Francis Bacon, "Of Regiment of Health," Essayes or Counsels Civill and Morall, First published in 1597, Newly Written in 1625.

[Estar de cabeça livre e com disposição feliz às horas de comer carne, de dormir e de fazer exercício é um dos melhores preceitos para uma vida longa. Quanto às paixões e aos estudos da mente; evite-se a inveja, os medos angustiados; a raiva contida; subtis e enredadas inquirições; alegrias e entusiasmos em excesso; tristeza guardada para si. Alimentem-se esperanças: contentamento mais do que alegria; variedade de deleites, mais do que abuso deles; espanto e admiração, e por isso novidades; estudos que encham a mente de objectos esplêndidos e ilustres, como histórias, fábulas e contemplações da natureza.
Francis Bacon, "Da Regulação da Saúde," Ensaios ou Conselhos Civis e Morais. Publicado a primeira vez em 1597, Reescrito em 1625.]

[T]he pleasures of the fancy are more conducive to health, than those of the understanding, which are worked out by dint of thinking, and attended with too violent a labour of the brain. Delightful scenes, whether in nature, painting, or poetry, have a kindly influence on the body, as well as the mind, and not only serve to clear and brighten the imagination, but are able to disperse grief and melancholy, and to set the animal spirits in pleasing and agreeable motions.
Joseph Addison, "The Pleasures of the Imagination," Spectator, June 1712.

[Levam mais à saúde os prazeres da imaginação caprichosa que os da compreensão, trabalhados por força do pensamento e ajudados por labor demasiado violento do cérebro. Cenas que deleitem, seja na pintura seja na poesia, têm uma influência doce sobre o corpo, assim como sobre a mente, e servem não apenas para arejar e iluminar a imaginação, como para fazer dispersar a dor e a melancolia, e para dispôr em movimentos agradáveis e prazerosos os espíritos animais.]
Joseph Addison, "Os Prazeres da Imaginação," Spectator, Junho de 1712.

segunda-feira, 18 de setembro de 2006

Epígrafes

Ao longo dos anos (já conto mais de dez, credo...) tenho escolhido, alternadamente, duas epígrafes para acrescentar às bibliografias das disciplinas de Literatura que ensino. Pensei muito nelas quando as escolhi a primeira vez, mas depois interiorizei-as, ou seja, passaram para uma espécie de esquecimento que me permite agir com elas entranhadas e tê-las, afinal, sempre presentes. Uma é de Francis Bacon, num ensaio que escreveu sobre o estudo, e diz assim: "A leitura faz o homem completo; a conversa, o homem preparado; a escrita, o homem preciso." A outra epígrafe é de Stanley Cavell, num dos livros em que anda à procura da felicidade, e diz: "Gostaria de sublinhar que a maneira de ultrapassar correctamente, filosoficamente, a teoria é deixar que o objecto ou a obra que nos interessa nos ensine como havemos de a considerar."
Ambas as frases me deixam perplexa, isto é, silenciosa a pensar e a estranhar que não se reflicta mais ainda sobre as questões que levantam. Até na diferença de estilos que estabelecem: a primeira, típica de uma viragem de século (o XVI para o XVII) ansiosa pelo assentar da poeira de novas e admiráveis descobertas (Bacon é contemporâneo de Shakespeare, que, por volta de 1611, haveria de escrever na sua peça derradeira, pela boca de Miranda, a frase que ainda hoje ressoa, "O brave new world / That has such people in't!"), é um aforismo. Assertiva, sem dúvidas aparentes. Orientadora dos novos seres do novo mundo. Um pilar de sabedoria, pois.
Na segunda, Cavell já conta parte da longa história do conhecimento humano. Introduz a frase com uma proposição da sua vontade individual; pretende chamar a atenção para um aspecto (entre vários) da maneira de conhecer. Mas, no fundo, não deixa de ser assertivo. E de vincar com precisão (a mesma precisão que Bacon dizia que se atingiria pela escrita) a solução para uma dúvida (Como abordar um objecto de estudo?). Ora, como é característico dos nossos tempos epistemológicos, a solução passa pelo enredar de interrogações - o que quer Cavell dizer com "ultrapassar a teoria"? Em que é que essa ultrapassagem é necessária? O que é uma ultrapassagem "correcta" da teoria? E como é que "correcta" é um sinónimo tão transparente de "filosófica"? Tudo isto ainda antes de se pensar no que significa "deixar que o objecto" decida, nos mostre, como se há-de olhar para ele. Mais do que incómodas, são perguntas estimulantes. E é esse estímulo que gosto de encontrar no primeiro dia de aulas. É hoje.