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quinta-feira, 3 de maio de 2018

Neptuno, Oceano, os tesouros.

(Foto do Neptuno com cabelo e patas de caranguejo, no mosaico do século IV da villa romana de Hemsworth, que pode ser visitado no museu de Dorset Museum: Bronwen Riley‏, a quem o Reboliço agradece a autorização para reproduzir aqui a imagem deste primo do Oceano farense, que acaba de ser considerado, com justiça, com justiça, tesouro português. Coisa que o Reboliço já sabia que era, nem teve nunca a mais pequenina sombra de dúvida.)

terça-feira, 1 de maio de 2018

Começa Maio

(Foto do raio de sol, do jarro e das folhas, escondidos atrás da ruína de tijolos das abandonadas fábricas do Vale de Santarém: Reboliço, caminhando de cestinho cheio de flores de sabugueiro e coração quente.)

domingo, 29 de abril de 2018

Sob o Olhar de Neptuno

(Foto da capa de Sob o Olhar de Neptuno, de Manuel de Freitas, edições 50Kg, Porto, Abril de 2018:
Reboliço, a pensar como é bom receber prendas dos amigos aniversariantes.)

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Domingo, o Reboliço continua na serra.


Setembro

"Entra, Setembro," pensa o Reboliço. "Entra agora, que me vou pela serra. Apanho a NacionalDois, já vejo as casas com paredes de cal e pedra do Ameixial, as marafadas das curvas, os regatos que vão secando, o tráfego escasso, déu-em-déu até Almodôvar, e dali, de salto no Complementar Itinerário, até Pax Julia. Ali está a casa do Moinho destelhada, os figos a amadurecer ao sol, o moinho suspirando e a terra a ressequir. Entra, Setembro. Deixa vir manso o Outono, mas que traga uma pouca de água, alguma coisa que sacie esta sede."

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Rosetta

(Imagem do écran: Reboliço, a ver nele a praia de um escuro mar.)

Há muitos, muitos anos, o Reboliço ouvia falar sobre uma "pedra de Roseta," espécie de talismã de historiadores e linguistas. Aparecia como coisa mítica, de que só conhecia imagens, más reproduções - nada que chegasse à magia do nome, que o fazia associar rosa e pedra numa mesma sequência. Depois veio a vê-la no museu. Hoje pode vê-la quando quer: passar como se fosse o dedo pela superfície, aproximar como se fosse o olho para melhor ver como se fossem aumentadas as incisões que nela existem. Tacto, olhar, converge tudo, por cablagens misteriosas e mágicas duplas numéricas, para a tela de um bendito, magnífico computador.

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Fonte da Pipa

O Reboliço lembra-se da primeira vez que visitou os jardins e, por fora, o palácio da Fonte da Pipa. Ia no grupo da escola primária, com a sua Dona Antónia a comandar. O passeio teria sido por um Inverno como o de agora - além dos desenhos que se fizeram do palácio, teve de desenhar as flores das amendoeiras. Talvez por isso aquele palácio, tão fora da vila, tão excêntrico, sempre lhe estivesse associado, na ideia, ao que mais elementarmente, para si, definia o Algarve. Ardeu hoje de madrugada, com chamas de fogo. Morreu - ficou só paredes, sem as torres, sem os tectos pintados nem as colunas decoradas, as escadarias vastas, as janelas de muitos feitios, o sentido que faziam os muretes enfeitados com as cores dos cacos cerâmicos que, anos depois da visita inicial, lhe faziam lembrar os de um parque-jardim em Barcelona. Morreu, foi-se de vez, depois de há uns anos o terem meio escondido atrás de um longo muro de pedra, a bordejar a propriedade. Morrera já um pouco quando ao portão, distante da entrada uns 100 metros, lhe tinham estacionado dois gigantes de pedra que sussurravam a quem passasse "vai-te daqui." A vida do palácio eram os fantasmas que se dizia morarem ali e que hoje devem ter endoidecido, sem abrigo para assombrar.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Natacha




Do lado de fora das salas, casinhotas de madeira entre os pinheiros, o Reboliço observa o desplante, o atrevimento com que a gata Natacha* invade uma aula e se deixa ficar, quase duas horas inteiras, para desfrute de alunos, impaciência da professora e beleza, afinal, de todos. Olha de fora, o Reboliço, e vê-a procurar o canto mais morno do lugar: onde entra a réstia do sol da manhã, onde um colo de calor se lhe oferece, onde o aparelho que bafora o ar aquecido ronrona. Olha de fora e ouve a voz da professora, esforçada entre as deleitadas risadas e a desatenção do grupo, ler, a propósito, Vítor Silva Tavares: "Gosto e não gosto de gatos. Gato felino, gosto; gato gordo, não gosto; gato maluco, gosto; gato molenga, não gosto. Gato é companhia. Cão também, mas gato é outra companhia, companhia especial. Gato não é amigo, não é fiel; gato é egoísta, é ditador; gato não lambe botas, não arremelga o olho; gato é senhoria, é sua excelência, é mimalho, é lascivo. E tem ronha, tem muita ronha: faz das patas algodão ou garra, conforme a sua conveniência."(**) Ouve a voz que lê e observa a Natacha, gata melíflua, dengosa no que lhe convém, que é o ameno da sala a escondê-la do frio da rua - e vê-a a escapar-se, indiferente, mal lhe foge o sol do vão da porta, para outra sala com gente e calor.
(Fotos da gata sobre uma das mesas da sala de aula e do corredor entre as salas, no campus pinheiral: Reboliço)


(*)"Natacha" foi o nome que ganhou a gata porque o dia em que fez a sua aparição marcou o aniversário da aluna com aquela graça.
(**) Vítor Silva Tavares, "o gato", in revista Cão Celeste, nº 9, Julho de 2016, p. 123.
Originalmente publicado no jornal Diário Popular, 19/6/1963.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Moinho de Pastor

A livraria Paralelo W avisa que está de férias até 29 deste mês. E, para ilustrar o tempo de pausa, mostra uma das muitas e muito lindas fotografias que Artur Pastor fez de moinhos portugueses. Esta, reproduzida em baixo, foi feita na praia da Apúlia, no Alto Minho, entre os anos de 1950 e 1962. Por um acaso, não muito longe (mas tão distante no tempo) de onde o Reboliço passou os dias da Romaria da Senhora da Agonia.


(Poderiam ser apanhadores de sargaço, o homem e a mulher que se vêem à esquerda, em baixo, e que ajudam a entender a grandeza da duna-sopé de moinho - não fosse o volume do que carregam tão estendido na direcção do céu; não fosse, apesar de tudo, transportável sobre aqueles corpos.)

domingo, 10 de abril de 2016

Para que serve a poesia?

O Reboliço gosta muito de ler poemas e de falar sobre ler poemas. Serve-lhe o gosto, portanto, a poesia. E o palato ansioso: com azeite, mel, queijo, cavacas, borrachões e outras doçuras beirãs que ganhou em troca de leituras.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

(Pensei que vos perdera)

(A foto da capa da última Em Cena é do Vasco Célio. As restantes, a ilustrar o artigo, são do Reboliço, nas terras do Norte.)

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Era um toldinho pequenino às risquinhas vermelhinhas

(Foto do toldo de madeira sobre a praia atlântica: Reboliço, a veranear onde veraneou Antero de Quental.)

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Outro, outro pressentimento

(Foto do quadro de Gerolamo Induno, de título enganador, exposto na Pinacoteca de Brera: Reboliço. Diz a explicação junto à imagem que se trata de um "Triste Pressentimento". Explica que, "num quarto em grande desordem, uma jovem acaba de acordar e contempla, apreensiva, aquilo que é, provavelmente, um pequeno retrato do seu amado, jovem patriota na frente de batalha". Ora, vendo o pormenor do que segura a linda e desarrumada menina, é muito óbvio que está antes a ler as notícias do dia no telefone portátil.
[É a segunda imagem, no menu inferior; a página demora alguns segundos a abrir, mas o zoom que permite impressiona.])

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Na oficina do tio Pardal

O sapateiro Miguel levanta a cabeça do trabalho e cumprimenta. É de manhã cedo, mas já coseu e remendou sapatos e fez um cinto novo. Quando chegou, deu água e alpista aos pássaros. "Este canta que se regala", comenta o Reboliço - "Mas é canto novo, tem estado muito calado: morreu-lhe o companheiro, só anteontem é que voltou a cantar", diz o tio Chico, encostado ao balcão. A gaiola do canário desentristecido fica mesmo por cima da cabeça do sapateiro Miguel. "O outro ainda não se manifestou." O outro é outro canário, enfiado numa gaiola igual, do lado oposto do balcão, que trouxeram para substituir o finado. "Temos de os pôr assim afastados, sem se verem, senão não cantam," explica o tio Manuel Pardal, levantando o queixo da bengala. "Está tão calado...", diz o Reboliço. "Ainda está estranho", responde o tio Chico. "Tem de se habituar ao novo apartamento."

terça-feira, 25 de março de 2014

Com toda a palavra (11)

(Foto da gravura com texto manuscrito da folha avulsa da livraria do Convento de Santa Clara de Coimbra: Reboliço, a pensar na razão para não se comer pêras, conselho que pesa tanto quanto o da virtude, o da temperança e o da mortificação. Ganhou uma fome de pêras, que só visto.)

domingo, 16 de março de 2014

Pass(e)ar em Paris

(Hip-foto de uma página de Passages Couverts Parisiens, de Jean-Claude Delorme e Anne-Marie Dubois, sobre fotografias de Martine Mouchy: Reboliço, a desenterrar material bibliográfico de profunda investigação, já com 13 anos, mas para usufruto local e actual, com grande regozijo e melhores companhias. A história das "passagens de Paris" conta-se todos os dias - em maio de 2001, por exemplo, a "Galerie Vivienne" estava quase ao abandono. Hoje é um mimo. Essa e outras. Com congressos e beberetes, vendas privadas de alta moda e gente a passar lá dentro, luz do céu a cair pelo envidraçado dos tectos e as almas dos lugarinhos escondidas atrás dos relógios e das tabuletas das lojas, a olharem para os flâneurs turistas e a trocarem gargalhadas.)

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Bem-vindo à praia da gente, pequeno.

(Foto da embarcação "Maria Gabriela", na praia do Sul da Ilha, Florianópolis, Santa Catarina: Reboliço, que a tinha guardada para quando a mana desse a nós o pequeno Nicolau. Apressadinho, o maroto, encheu a praia do mundo de gente a puxar por ele.)

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Com toda a palavra (10)

(Foto da dança de palavras no Museu da Língua Portuguesa de São Paulo: Reboliço, rejoicing. Que em língua portuguesa é rejoyceando, uma palavrinha de corredor com luzes infinitas e cores aos rodopios.)

sexta-feira, 19 de julho de 2013

A paisagem é o resto

(Foto do cenário desde a janelinha do valente Intercidades Lisboa-Covilhã, de bancos cor de rosa e automatic vending machines, carruagem de primeira com wc avariado, menos apelativa que a de segunda, gente com cestos, alcofinhas, garrafões, quase em nada galinhas presas por patas e asas, o universo todo apeado no Fundão: Reboliço, a olhar para a Estrela.)

terça-feira, 25 de junho de 2013

Neruda Neruda

O Reboliço pensa: as coisas que um canito aprende... A meio dos passos que o levaram a Praga, descobre, por voz amiga, que o poeta chileno tinha próprio nome que parecia checo - e que o checo escritor nome quase hispânico havia. Ora. Neruda, Neruda.