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quarta-feira, 21 de março de 2012

Oh...

I limèun

Sì par quàtar vìntquàtar,
piò utènta, piò zinquentòt,
zéinch par òt quarènta
déu i è andè da rnèl
però u n'éva fat nuvènta.
Insómma st'an i mi liméun
tra béll e bròtt
i n'à fat dusentquarenta.

A vagh a chéul ma tótt
a stagh tra i mi líméun.

 La polética più gnént
o ciap za dò curtlèdi.
Niént dùni, niént putèni,
via i parént.
Quàtar fioridéuri quàtar stasòun.
A vagh a chéul ma tótt
a stagh tra i mi liméun.
(Tonino GuerraI bu, 1972.
O poema, escrito em romagnolo, diz assim:

Os limoeiros

Seis vezes quatro são vinte e quatro,
mais oitenta, mais cinquenta e oito,
cinco vezes oito são quarenta,
dois adoeceram
mas ainda deitaram noventa.
Ou seja, este ano os meus limoeiros,
entre os bons e os ruins,
deram duzentos e quarenta.

Ao Inferno toda a gente,
fico entre os limoeiros.

Basta de política,
duas vezes me apunhalaram,
nem mulheres, nem sequer putas,
a família, ao Inferno.
Quatro florescências quatro estações.
Ao Inferno toda a gente,
fico entre os limoeiros.)

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Moinhos na poesia (27)


Eu abandono Roma
Os camponeses abandonam a terra
As andorinhas abandonam a minha aldeia
Os fiéis abandonam as igrejas
Os moleiros abandonam os moinhos
Os montanheses abandonam os montes
A graça de Deus abandona os homens
Alguém abandona tudo

(Tonino Guerra, abertura de O Livro das Igrejas Abandonadas,
tradução de José Colaço Barreiros, Assírio e Alvim, Lisboa, 1997.)