quinta-feira, 15 de março de 2007
Too darn hot
Para fingir que se cura uma gripe
"Antigamente quando as pessoas tinham gripe costumavam fazer chá das brasas.
Também se utilizavam poejos secos para fazer chá e adoçava-se com mel.
Uma outra maneira de curar a gripe era, ao deitar, beber vinho quente com açúcar ou café quente com bastante aguardente."
SOBRE O PRODUZIR PENSAMENTO À MEDIDA QUE SE FALA (III e última parte)
terça-feira, 13 de março de 2007
Aforismo
JCF e WB na K :-)
Ao sol
"Querida Tiaga,
Já conto os dias que faltam para o meu regresso. Ao menos, a chuva foi-se e o sol começou a brilhar. Agora, o calor obriga a encurtar as minhas saídas com a Wicker. Ou a iniciá-las mais cedo, pela fresquinha. De tarde, procuro um cantinho menos quente, como certas salas da biblioteca. Em casa, passo o tempo a beber água. Assim que me apanho na rua, o que mais gosto de fazer (sei que odiarias ver-me nessas figuras, mas sou canito, o que queres?) é rebolar-me na relva acabada de regar.
Envio-te um boneco da Wicker, quando um destes domingos fomos de passeio no seu Mustang preto. E deixa-te de ciumeiras, que não tens razão para tal.
Ora, como diria o avô, até que Deus queira, que é tempo mais certo.
Lambedelas, patadinhas e assim.
Teu,
Reboliço."
segunda-feira, 12 de março de 2007
Tanto, imenso (10)
You can be sure that I will never
Stop believing
The blushing rose will climb
Spring ahead or fall behind
Winter dreams the same dream
Every time
You can never hold back spring
Even though you've lost your way
The world keeps dreaming of spring
So close your eyes
Open you heart
To one who's dreaming of you
You can never hold back spring
Baby
Remember everything that spring
Can bring
You can never hold back spring
(Tom Waits, no disco do meio)
quinta-feira, 8 de março de 2007
Mais notas sobre o escândalo
*Ambas concordam, e eu com elas, que "é imperdível pelo prazer de ver bem representar".
**As aspas são mesmo para dizer do desconforto com o chamar-lhe "real"; será mais "real"/verdadeiro do que o construído no caderno de Barbara? Não, certamente, para Barbara. Talvez um psicanalista ajudasse nisto, mas falo apenas de um filme.
Filosofia canina
"Vim pela Rua da Princesa [...] sem me dar de um cão que, ouvindo os meus passos na rua, latia de dentro de uma chácara. Não faltam cães atrás da gente, uns feios, outros bonitos, e todos impertinentes. Perto da Rua do Catete, o latido ia diminuindo, e então pareceu-me que me mandava este recado: 'Meu amigo, não lhe importe saber o motivo que me inspira este discurso; late-se como se morre, tudo é ofício de cães, e o cão do casal Aguiar latia também outrora; agora esquece, que é ofício de defunto.'"
(No belíssimo Memorial de Aires, entrada do dia 18 de Setembro [de 1888])
(Mas gosto ainda mais desta versão) Tanto, imenso (9)
In all the things you say
What comes is better than what came before
And you'd better come come, come come to me
Better come come, come come to me
Better run, run run, run run to me
Better come
Oh I do believe
In all the things you say
What comes is better that what came before
And you'd better run run, run run to me
Better run, run run, run run to me
Better come, come come, come come to me
You'd better run
(transformada, como só ela sabe, por Chan Marshall)
quarta-feira, 7 de março de 2007
Tanto, imenso (8)
Pa papa papa papa
Pa papa papa papa
Pa papa papa papa
I found a reason to keep living
Oh and the reason, dear, is you
I found a reason to keep singing
Oh and the reason, dear, is you
Oh I do believe
If you don’t like things you live
For some place you never gone before
Pa papa papa papa
Pa papa papa papa
Pa papa papa papa
Pa papa papa papa
Honey, I found a reason to keep living
And you know the reason, dear it’s you
And I’ve walked down life’s lonely highways
Hand in hand with myself
And I realized how many paths have crossed between us
Oh I do believe
You’re all what you perceive
What come is better that what came before
Oh I do believe
You’re all what you perceive
What come is better that what came before
Pa papa papa papa
Pa papa papa papa
Pa papa papa papa
Pa papa papa papa
And you’d better come, come come, come to me
Come come, come to me
(Lou Ree/Velvet Underground)
terça-feira, 6 de março de 2007
Zuuummmm!... Zuuuummmmm!...
domingo, 4 de março de 2007
A Lua
Passagem de testemunhos, os olhares
4.2/Richter (Segura-te, canito...)
Go west
Paradise is there
You'll have all that you can eat
Of milk and honey over there
You'll be the brightest light
The world has ever seen
Sun-baked slender heroine
Of film and magazine
Go west
Paradise is there
You'll have all that you can eat
Of milk and honey over there
You'll be the brightest light
The world has ever seen
The dizzy height of a jet-set life
You could never dream
Your pale blue eyes
Strawberry hair
Lips so sweet
Skin so fair
You're future bright
Beyond compare
It's rags to riches
Over there
San Andreas Fault
Moved its fingers
Through the ground
Earth divided
Plates collided
Such an awful sound
San Andreas Fault
Moved its fingers
Through the ground
Terra cotta shattered
And the walls came
Tumbling down
Oh promised land
Oh wicked ground
Build a dream
Tear it down
Oh promised land
What a wicked ground
Build a dream
Watch it all fall down
quinta-feira, 1 de março de 2007
Famous!
- Mas que culpa tenho eu, diz-me, que culpa, se foi a mim que entrevistaram e puseram no jornal do burgo?...
- Nao e justo. E que nao e nada justo!... Uma felina a ajeitar-se o dia inteiro, a lamber o pelo ate brilhar mais que a luz do Sol, a lavar orelhas, espacos interdigitais, e outros terminados em ais, e este arremedo de canino e que me sai no jornal!
À noitinha
quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007
A Mana (e outra gente do peito) no Teatro (o T.A.L.)
A nova produção baseada na Mensagem de Fernando Pessoa pode ser vista:
a 3 de Março no Cine-Teatro Louletano
a 18 de Março na Nave do Barão
a 30 de Março no Monte Seco
(acho que a Nave do Barão deve ser o sítio mais cool para se ver a Mensagem.)
Agora, o que interessa mesmo mesmo, por ser completamente inédito e inspirador, são as
"Histórias de Terror para Crianças" (uuuuhhhhhuuuuu!..........), inspiradas no conto "O Elfo da Rosa", de Hans Christian Andersen. Vão lá ver, foi a Mana que encenou:
a 25 de Março no Barranco do Velho
a 1 de Abril em Benafim
a 15 de Abril na Tôr
(mais info aqui)
Tempestade de granizo
- O que foi?
- Assoma-te aqui à janela!
- Dah!... Tu estás no outro lado da América, cão despistado...
- Mas está a cair uma granizada monumental! Até parece aqueles dias no moinho...
- Vai dormir, vai...
Tanto, imenso (7)
Que hei-de eu fazer
Eu tão nova e desamparada
Quando o amor
Me entra de repente
P´la porta da frente
E fica a porta escancarada
Vou-te dizer
A luz começou em frestas
Se fores a ver
Enquanto assim durares
Se fores amada e amares
Dirás sempre palavras destas
P´ra te ter
P´ra que de mim não te zangues
Eu vou-te dar
A pele, o meu cetim
Coração carmesim
As carnes e com elas sangues
Às vezes o amor
No calendário, noutro mês, é dor,
é cego e surdo e mudo
E o dia tão diário disso tudo
E se um dia a razão
Fria e negra do destino
Deitar mão
À porta, à luz aberta
Que te deixe liberta
E do pássaro se ouça o trino
Por te querer
Vou abrir em mim dois espaços
P´ra te dar
Enredo ao folhetim
A flor ao teu jardim
As pernas e com elas braços
Às vezes o amor
No calendário, noutro mês, é dor,
É cego e surdo e mudo
E o dia tão diário disso tudo
Mas se tudo tem fim
Porquê dar a um amor guarida
Mesmo assim
Dá princípio ao começo
Se morreres só te peço
Da morte volta sempre em vida
Às vezes o amor
No calendário, noutro mês é dor,
É cego e surdo e mudo
E o dia tão diário disso tudo
Da morte volta sempre em vida
(Sérgio Godinho, por lembrança muito oportuna do Mano)
segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007
sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007
Tanto, imenso (6)
Que amor nao me engana
Com a sua brandura
Se da antiga chama
Mal vive a amargura
Duma mancha negra
Duma pedra fria
Que amor nao se entrega
Na noite vazia?
E as vozes embarcam
Num silêncio aflito
Quanto mais se apartam
Mais se ouve o seu grito
Muito à flor das àguas
Noite marinheira
Vem devagarinho
Para a minha beira
Em novas coutadas
Junta de uma hera
Nascem flores vermelhas
Pela Primavera
Assim tu souberas
Irma cotovia
Dizer-me se esperas
Pelo nascer do dia
(Zeca Afonso [02/08/1929-23/02/1987])
quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007
A moda do chocolate
Na Vogue deste mês (que um gajo tem que aliviar a tensão kleistiana, então!...), tinha que ser (leiam a primeira frase, ali em cima), o artiguinho da praxe sobre o dito cujo. "Dark Victory". Chamam-lhe tudo. A parte mais interessante é quando Jeffrey Steingarten conta como Robert Steinberg (atenção aos apelidos), da Scharffen Berger Chocolate Maker, aqui da zona também (e do melhorio), lhe ensina a apreciar chocolate:
"He bites off a piece [morde um bocadinho], lets it melt in his tongue [deixa o bocadinho derreter-se-lhe na língua], and spreads it all over the inside of his mouth [e espalha o bocadinho derretido por todo o interior da sua boca - se isto é decente, vou ali e já venho...]. He may close his eyes [não interessa]; he may try to pretend it's not chocolate but an unknown substance [até pode tentar fingir que a coisa não é chocolate, mas uma substância desconhecida. O tanas!...] He follows the flavors as they change over the next few minutes [adoro esta: vai atrás dos sabores, enquanto se vão transformando, nos minutos seguintes]. The first sensation will probably be sweetness [a sensação inicial provavelmente será o doce - hum...], then a fruity flavor [depois, um sabor a fruta], sometimes spices such as cloves and cinnamon [especiarias, por vezes, como cravinho e canela - alô, Mana!], earthy tones [tons de terra - é, assim como o pastel para a pintura e para Belém]. The most complex chocolate will have a balance of all of these [que os chocolates mais complexos misturam isto tudo]. At the end, the mouth should feel clean [no fim, a boca deve saber a limpa], and not chalky or tasting of cocoa powder [e não a giz, nem a cacau em pó]."
(Um bocado de prosa boa para descobrir onde se refugia o discurso prescritivo das revistas dos nossos dias.)
terça-feira, 20 de fevereiro de 2007
Venha pois o que vier!
I asked my mother, what will I be
Will I be pretty, will I be rich
Here's what she said to me.
Que Sera, Sera,
Whatever will be, will be
The future's not ours, to see
Que Sera, Sera
What will be, will be.
When I was young, I fell in love
I asked my sweetheart what lies ahead
Will we have rainbows, day after day
Here's what my sweetheart said.
Que Sera, Sera,
Whatever will be, will be
The future's not ours, to see
Que Sera, Sera
What will be, will be.
Now I have children of my own
They ask their mother, what will I be
Will I be handsome, will I be rich
I tell them tenderly.
Que Sera, Sera,
Whatever will be, will be
The future's not ours, to see
Que Sera, Sera
What will be, will be.
(A voz de Doris Day a cantar Ray Evans [1915-2007])
segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007
Duas princesas
"Tiaga, apresento-te a Maia, do lado do Atlântico (em cima). Do lado do Pacífico (em baixo), eis a Wicker. Portugal e a Califórnia. O que dizes?" "Que olhes bem para mim e te deixes dessas frescuras caninas e desinteressantes. Princesa de verdade, só eu!" O Reboliço fecha os olhos e abana o focinho. Raio de gata, pensa. Onde terei eu arranjado isto?...domingo, 18 de fevereiro de 2007
E vejo isto todos os dias...
Now, this is more like my deal...
sábado, 17 de fevereiro de 2007
A Night at the...
Para a Perla, uma papoila de olhos azuis
"De Tarde"
Naquele piquenique de burguesas,
Houve uma coisa simplesmente bela;
E que, sem ter história nem grandezas,
Em todo o caso dava uma aguarela.
Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher, sem imposturas tolas,
A um granzoal azul de grão-de-bico
Um ramalhete rubro de papoulas.
Pouco depois, em cima duns penhascos,
Nós acampámos, inda o sol se via;
E houve talhadas de melão, damascos,
E pão-de-ló molhado em malvasia.
Mas, todo púrpuro, a sair da renda
Dos teus dois seios como duas rolas,
Era o supremo encanto da merenda
O ramalhete rubro das papoulas!
sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007
quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007
Vinicius e o amor
Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso — para viver um grande amor.
Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muitas, poxa! é de colher... — não tem nenhum valor.
Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro — seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada — para viver um grande amor.
Para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenção com o "velho amigo", que porque é só vos quer sempre consigo para iludir o grande amor. É preciso muitíssimo cuidado com quem quer que não esteja apaixonado, pois quem não está, está sempre preparado pra chatear o grande amor.
Para viver um amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que não existe amor sem fidelidade — para viver um grande amor. Pois quem trai seu amor por vanidade é um desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor.
Para viver um grande amor, il faut além de fiel, ser bem conhecedor de arte culinária e de judô — para viver um grande amor.
Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito — peito de remador. É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor.
É muito necessário ter em vista um crédito de rosas no florista — muito mais, muito mais que na modista! — para aprazer ao grande amor. Pois do que o grande amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um tutuzinho com torresmo conta ponto a favor...
Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, strogonoffs — comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica e gostosa farofinha, para o seu grande amor?
Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto — pra não morrer de dor. É preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer "baixo" seu, a amada sente — e esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia — para viver um grande amor.
É preciso saber tomar uísque (com o mau bebedor nunca se arrisque!) e ser impermeável ao diz-que-diz-que — que não quer nada com o amor.
Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva oscura e desvairada não se souber achar a bem-amada — para viver um grande amor.
(Vinicius de Moraes, Para Viver Um Grande Amor, José Olympio Editora, Rio de Janeiro, 1984, p. 130.)
quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007
Caprichos
*Explicado assim no sumário da disciplina: "Self-Reflexivity Historicized, or the Emergence of the Second-Order Observer—(Same as COMPLIT 259.) The origin of self-reflexivity as a habit and institution typical of intellectuals. Focus is on historical case studies from Western literatures and cultures since the Renaissance, based on a conceptual apparatus concerning the second-order observer, mainly derived from the work of Niklas Luhmann. Readings in original and translation include Descartes, Rousseau, Schlegel, Hegel, Gracián, and de Goya. 3-5 units, Win (Gumbrecht, H)" Até me passo...
segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007
Latest
sábado, 10 de fevereiro de 2007
SOBRE O PRODUZIR PENSAMENTO À MEDIDA QUE SE FALA (II)
sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007
Ursprung, ou seja, "começo"
quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007
Amantes pré-históricos
"Ah, sim? E não têm feito mais nada, este tempo todo?"
"Pois... Dir-se-ia que não."
"E chateias-me tu a meloa pela bela vidinha que levo ainda nem três anos há!"
quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007
SOBRE O PRODUZIR PENSAMENTO À MEDIDA QUE SE FALA (I)
A ver se a gente se entende...
terça-feira, 6 de fevereiro de 2007
Tanto, imenso (5)
Perguntando por meu bem
Tendo o coração vazio
Vivo assim a dar psiu
Sabiá vem cá também
Tu que anda pelo mundo
Tu que tanto já voou
Tu que fala aos passarinhos
Alivia a minha dor
Tem pena d'eu
Tens, por favor
Tu que tanto anda no mundo
Onde anda o meu amor
Sabiá . . . á
(Luiz Gonzaga)
segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007
Tanto, imenso (4)
No[n] credi, o del mio cor dolce desio,
D'esser tu l'amor mio?
Credilo pur e se timor t'assale,
Prendi questo mio strale,
Aprimi il petto e vedrai scritto il core:
Amarilli é il mio amore!
(Giulio Caccini ouvido anteontem na Stanford Memorial Church)
quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007
Sábado passado (Palo Alto)
Obrigada, Aninhas! ;-)
("Bolas!...", pensa o Rebolico, "Agora que estou longe e' que se lembram de fazer a festa. Seja pelo melhor, apesar das alteracoes ao aspecto do mercado. Aqueles minaretes nao me convencem." O Rebolico pensa sempre em Loule como terra de festa: das janelas da casa via a banda a passar, as majoretes, o andor da Mae Soberana, o corso do Carnaval, os ciclistas... Ai que saudades, que saudades...)
quarta-feira, 31 de janeiro de 2007
No chat do Gmail, com o mano (ja tinha soidades)
2. Mano: Comprei um casaquinho de pôr.
Me: De pôr onde?
Mano: nos braços e nas costas e nos ombros, e no armário, ao colo quando se anda de comboio, por baixo de um cão quando estiver coçado, por cima do chão molhado, enquanto seca, quando for um farrapo, no lixo, quando já não der mesmo para mais nada, enfim, de pôr
Me: Ah, sim, já sei quais são.
terça-feira, 30 de janeiro de 2007
Sexta-feira passada (Monterey)
....Desta vez, então, rumámos a Sul. Escolhi eu o lugar, não me desviei da toponímia real e fomos a Monterey. Íamos também ver baleias, mas o último barco saía à uma da tarde e a essa hora estavámos nós refastelados num restaurante sobre a marina de Monterey a comer umas belas tortilhas de camarão e a gozar com uma lontra marinha que se enrolava sobre si mesma dentro da água suja do óleo dos barcos e rodeada por gotas grossas da chuva que ia caindo. Implorei ao Eelco que não ficasse de mau humor com a contrariedade, e lembrei-me que a Diana (a minha senhoria, foto dela com o seu Mustang negro aqui) dissera que o Aquarium de Monterey valia uma visita. Valeu, sim senhora (querem fotos de alforrecas? Vão aqui.)
....As viagens de automóvel (foram mais de 400km) dão para uma pessoa ter uma impressão fugidia dos lugares. Retive a imagem de algumas árvores de tronco larguíssimo, que escureciam de repente a estrada, das ondas a misturarem-se com o cinzento da chuva a cair sobre o mar, na Highway 1, de caixas de correio descoloridas e gastas em sítios ermos, ao lado de carcaças de velhos automóveis. (Fiquei a pensar onde estarão os americanos que construíram estas estradas no meio das montanhas, ansiosos por chegarem ao mar. Serão os despojados das cidades novas, os vagabundos que se sentam nas paragens de autocarro, vestidos com dois ou três pares de calças, cordel de sisal a fazer de cinto, empestados nos bancos dos jardins? Eram deles os carrinhos de mão encostados, de borco, às paredes de madeira apodrecida nestas casas fora de cidade, subúrbio, zona de compras?)
