segunda-feira, 16 de abril de 2007
Canito q.b.
sábado, 14 de abril de 2007
A avenida do pôr-do-sol
Ouço as canções naquela voz, as teclas de Manzarek, o baixo de Krieger e a bateria de John Densmore. Lembro-me que poderia, sim, poderia - ter aqui nas Cartas um daqueles quadrinhos com sinal de play para as pôr a tocar. Sim, poderia. Mas prefiro pintar em palavras vagas e pequeninas a música dos Doors. Prefiro, aqui, indecidir-me sobre se haveria de chamar a este post "A malta é estranha", ou "O fim [de tudo]", "Têm-te visto, os meu olhos", ou "À espera do sol", ou "Sim, o rio sabe", ou "Não tocar a terra" - "Uma oração americana", ou "Mocinha, estás perdida". Prefiro não deixar em definitivo uma preferência, nenhuma escolha, pois não a tenho. São os Doors e quem conhece bem o Reboliço sabe como é.
terça-feira, 10 de abril de 2007
A morte do Sol
segunda-feira, 9 de abril de 2007
O vento de Espanha
domingo, 8 de abril de 2007
Da aldeia
(Foto da prima Luísa, com a sua retratadeira nova.)
sábado, 7 de abril de 2007
Adenda
sexta-feira, 6 de abril de 2007
Lambusices
(Esta manhã, o Reboliço passeara por Faro com a dona da Pamá. Foram à descoberta da nova loja de chocolates, na Praça dos Poetas. Lojinha discreta, a Mundo do Chocolate só comercializa a pasta em nomes internacionais. O Reboliço embeiçou-se por tulipas, margaridas e jarros com amêndoas de chocolate, coisa de fabrico italiano. Muita inglesada, suiços e normandos. De tugas, nada.)
Seguir a lua
A lua no caminho
quarta-feira, 4 de abril de 2007
Moinhos na poesia (10)
Luz,
luz espumejante
sobre a planície, íngreme,
montanha de brilho, fundo
marulhar,
voam tempestades,
respirando relâmpagos, a terrível parede
ergue-se até ao céu.
Desci
pela duna
vindo do mar,
pela terra de aluvião nua de árvores,
sem sombra, sem sonho, fui
com os ceifeiros, o moinho erguia-se
hirto e velho. Agora, as velas
cinzentas agarram os ares.
Silencioso, sobe e domina a terra.
Com as garças levanta
voo, grande no fundo dos céus
brancos. Bravio, da distância
responde-lhe o brilho do olhar
do inverno.
Coração, pássaro dos gelos,
com espinhas e barbatanas
faz o teu ninho na caverna,
no sangue sussurrante.
Fica com as gentes da planície, filhas e
filhos, com as pequenas sombras
de canções e danças, fica e
ergue uma erva de Novembro
contra a neve.
(Johannes Bobrowski, Como um Respirar, Antologia Poética, Sel., trad., intr. e notas de João Barrento, 1990, Lisboa, Cotovia, pp. 24-27. Obrigada, meu primo!)
terça-feira, 3 de abril de 2007
sábado, 31 de março de 2007
A planície, por Charles Péguy
"Março, marçagão, manhã de Primavera, tarde de focinho de cão."
"Mandaste regar as alfaces... Olha, a massa é que não levedou." Focinho de cão logo de manhã, pensa o Reboliço. Vale mais hoje o outro ditado: "Março, marçagão, manhã de Inverno, tarde de Verão."
quinta-feira, 29 de março de 2007
terça-feira, 27 de março de 2007
quarta-feira, 21 de março de 2007
Cidades do coração
No dia da poesia
Escolho um poema de um dos poetas que mais recentemente tive o prazer e a honra de conhecer. Além de poeta, é uruguaio e plantador de oliveiras. Aldo Mazzucchelli.
Los yndios charrúas
*
estamos hablando con precisión
de los seres nombrados que
"discurrían vagos por este pays"
limitado por unas piedras húmedas al sur
y después/
un alambrado de siete hilos al noreste
(que toquetea el viento a lo largo)
a continuación del cual da comienzo el Brasil.
la esencia lamida de los yndios
puro papel con nervaduras, extirado
en el salto oscurito de una ella
en un pie sobre el otro en Hospital
y decidido a borrarle las huellas
(no encontrar su odio):
estro que queda de un harapo lúgubre.
*
usaban falditas de algodón
para taparse las vergüenzas
del ombligo a las rodillas.
cada uno, y que se hable de lo suyo
–no es lo mismo que mirar
las plantitas autóctonas del y t a p e b ý–.
cada señor estudioso del alma ajena
y que el espejo refleje tal parte de la líquida luz
–no es lo mismo que estar
en cuclillas en la cuchilla más al vueste.
*
la ventaja de haver sido yndio
en Uruguay:
la inexistencia. Pedacito de hoja
ceibo cedrón algarrobo aruera
tala espinillo espartero coronilla
ahí es donde el alma ahuesa
el cuerpo afila
ay van los muertos en la procesión.
individuos ignotos
cualquiera idea acerca de los yndios es pecado
salvo respirar la misma costa larga y lenta.
*
trágica filosofía platensis
especificada siempre a lo ancho
curva envuelta en aire blanco
lechosidad de la provincia de pasaje.
usted que viene aquí siempre van para otro sitio
aquí me quedo mirándole
más móvil que nosotros pero ahíto de ideas.
por esta parte respiramos la aruera
nos hartamos de inconsútil veneno
específicamente en comunicación con la crucera.
*
desde la ventana se ve una casa
blanca iluminada con manchas negras.
las manchas negras son árboles nocturnos.
si encaja la imagen es la noche
lo que queda. La casa huirá.
Quedan las manchas.
Ah de las manchas!... y como los yndios. Si son indescriptibles
son permanentes y verdaderas.
terça-feira, 20 de março de 2007
"Life's a bitch - and then you die"
Grande post!
domingo, 18 de março de 2007
Tanto, imenso (11)
[...]
You know I love you baby
More than the whole wide world
I'm your woman
You know you are my pearl
Let's go out past the party lights
We can finally be alone
Come with me and we can take the long way home
Come with me, together we can take the long way home
Come with me, together we can take the long way home
(Norah Jones)
sábado, 17 de março de 2007
Turns out...
sexta-feira, 16 de março de 2007
Despedidas da Munchkinland
Para a Tatita
Anjo da guarda
Que me protege
De noite e de dia
Eu não o vejo
Eu não o ouço
Mas sinto sempre a sua companhia
Eu tenho um guarda
Que é um anjo
Que me protege
De noite e de dia
Não usa arma
Não usa a força
Usa uma luz com que ilumina a minha vida
Ele não, não usa arma
Ele não, não usa a força
Usa uma luz com que ilumina a minha vida
(António Variações)
quinta-feira, 15 de março de 2007
Too darn hot
Para fingir que se cura uma gripe
"Antigamente quando as pessoas tinham gripe costumavam fazer chá das brasas.
Também se utilizavam poejos secos para fazer chá e adoçava-se com mel.
Uma outra maneira de curar a gripe era, ao deitar, beber vinho quente com açúcar ou café quente com bastante aguardente."
SOBRE O PRODUZIR PENSAMENTO À MEDIDA QUE SE FALA (III e última parte)
terça-feira, 13 de março de 2007
Aforismo
JCF e WB na K :-)
Ao sol
"Querida Tiaga,
Já conto os dias que faltam para o meu regresso. Ao menos, a chuva foi-se e o sol começou a brilhar. Agora, o calor obriga a encurtar as minhas saídas com a Wicker. Ou a iniciá-las mais cedo, pela fresquinha. De tarde, procuro um cantinho menos quente, como certas salas da biblioteca. Em casa, passo o tempo a beber água. Assim que me apanho na rua, o que mais gosto de fazer (sei que odiarias ver-me nessas figuras, mas sou canito, o que queres?) é rebolar-me na relva acabada de regar.
Envio-te um boneco da Wicker, quando um destes domingos fomos de passeio no seu Mustang preto. E deixa-te de ciumeiras, que não tens razão para tal.
Ora, como diria o avô, até que Deus queira, que é tempo mais certo.
Lambedelas, patadinhas e assim.
Teu,
Reboliço."
segunda-feira, 12 de março de 2007
Tanto, imenso (10)
You can be sure that I will never
Stop believing
The blushing rose will climb
Spring ahead or fall behind
Winter dreams the same dream
Every time
You can never hold back spring
Even though you've lost your way
The world keeps dreaming of spring
So close your eyes
Open you heart
To one who's dreaming of you
You can never hold back spring
Baby
Remember everything that spring
Can bring
You can never hold back spring
(Tom Waits, no disco do meio)
quinta-feira, 8 de março de 2007
Mais notas sobre o escândalo
*Ambas concordam, e eu com elas, que "é imperdível pelo prazer de ver bem representar".
**As aspas são mesmo para dizer do desconforto com o chamar-lhe "real"; será mais "real"/verdadeiro do que o construído no caderno de Barbara? Não, certamente, para Barbara. Talvez um psicanalista ajudasse nisto, mas falo apenas de um filme.
Filosofia canina
"Vim pela Rua da Princesa [...] sem me dar de um cão que, ouvindo os meus passos na rua, latia de dentro de uma chácara. Não faltam cães atrás da gente, uns feios, outros bonitos, e todos impertinentes. Perto da Rua do Catete, o latido ia diminuindo, e então pareceu-me que me mandava este recado: 'Meu amigo, não lhe importe saber o motivo que me inspira este discurso; late-se como se morre, tudo é ofício de cães, e o cão do casal Aguiar latia também outrora; agora esquece, que é ofício de defunto.'"
(No belíssimo Memorial de Aires, entrada do dia 18 de Setembro [de 1888])
(Mas gosto ainda mais desta versão) Tanto, imenso (9)
In all the things you say
What comes is better than what came before
And you'd better come come, come come to me
Better come come, come come to me
Better run, run run, run run to me
Better come
Oh I do believe
In all the things you say
What comes is better that what came before
And you'd better run run, run run to me
Better run, run run, run run to me
Better come, come come, come come to me
You'd better run
(transformada, como só ela sabe, por Chan Marshall)
quarta-feira, 7 de março de 2007
Tanto, imenso (8)
Pa papa papa papa
Pa papa papa papa
Pa papa papa papa
I found a reason to keep living
Oh and the reason, dear, is you
I found a reason to keep singing
Oh and the reason, dear, is you
Oh I do believe
If you don’t like things you live
For some place you never gone before
Pa papa papa papa
Pa papa papa papa
Pa papa papa papa
Pa papa papa papa
Honey, I found a reason to keep living
And you know the reason, dear it’s you
And I’ve walked down life’s lonely highways
Hand in hand with myself
And I realized how many paths have crossed between us
Oh I do believe
You’re all what you perceive
What come is better that what came before
Oh I do believe
You’re all what you perceive
What come is better that what came before
Pa papa papa papa
Pa papa papa papa
Pa papa papa papa
Pa papa papa papa
And you’d better come, come come, come to me
Come come, come to me
(Lou Ree/Velvet Underground)
terça-feira, 6 de março de 2007
Zuuummmm!... Zuuuummmmm!...
domingo, 4 de março de 2007
A Lua
Passagem de testemunhos, os olhares
4.2/Richter (Segura-te, canito...)
Go west
Paradise is there
You'll have all that you can eat
Of milk and honey over there
You'll be the brightest light
The world has ever seen
Sun-baked slender heroine
Of film and magazine
Go west
Paradise is there
You'll have all that you can eat
Of milk and honey over there
You'll be the brightest light
The world has ever seen
The dizzy height of a jet-set life
You could never dream
Your pale blue eyes
Strawberry hair
Lips so sweet
Skin so fair
You're future bright
Beyond compare
It's rags to riches
Over there
San Andreas Fault
Moved its fingers
Through the ground
Earth divided
Plates collided
Such an awful sound
San Andreas Fault
Moved its fingers
Through the ground
Terra cotta shattered
And the walls came
Tumbling down
Oh promised land
Oh wicked ground
Build a dream
Tear it down
Oh promised land
What a wicked ground
Build a dream
Watch it all fall down
quinta-feira, 1 de março de 2007
Famous!
- Mas que culpa tenho eu, diz-me, que culpa, se foi a mim que entrevistaram e puseram no jornal do burgo?...
- Nao e justo. E que nao e nada justo!... Uma felina a ajeitar-se o dia inteiro, a lamber o pelo ate brilhar mais que a luz do Sol, a lavar orelhas, espacos interdigitais, e outros terminados em ais, e este arremedo de canino e que me sai no jornal!
À noitinha
quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007
A Mana (e outra gente do peito) no Teatro (o T.A.L.)
A nova produção baseada na Mensagem de Fernando Pessoa pode ser vista:
a 3 de Março no Cine-Teatro Louletano
a 18 de Março na Nave do Barão
a 30 de Março no Monte Seco
(acho que a Nave do Barão deve ser o sítio mais cool para se ver a Mensagem.)
Agora, o que interessa mesmo mesmo, por ser completamente inédito e inspirador, são as
"Histórias de Terror para Crianças" (uuuuhhhhhuuuuu!..........), inspiradas no conto "O Elfo da Rosa", de Hans Christian Andersen. Vão lá ver, foi a Mana que encenou:
a 25 de Março no Barranco do Velho
a 1 de Abril em Benafim
a 15 de Abril na Tôr
(mais info aqui)
Tempestade de granizo
- O que foi?
- Assoma-te aqui à janela!
- Dah!... Tu estás no outro lado da América, cão despistado...
- Mas está a cair uma granizada monumental! Até parece aqueles dias no moinho...
- Vai dormir, vai...
Tanto, imenso (7)
Que hei-de eu fazer
Eu tão nova e desamparada
Quando o amor
Me entra de repente
P´la porta da frente
E fica a porta escancarada
Vou-te dizer
A luz começou em frestas
Se fores a ver
Enquanto assim durares
Se fores amada e amares
Dirás sempre palavras destas
P´ra te ter
P´ra que de mim não te zangues
Eu vou-te dar
A pele, o meu cetim
Coração carmesim
As carnes e com elas sangues
Às vezes o amor
No calendário, noutro mês, é dor,
é cego e surdo e mudo
E o dia tão diário disso tudo
E se um dia a razão
Fria e negra do destino
Deitar mão
À porta, à luz aberta
Que te deixe liberta
E do pássaro se ouça o trino
Por te querer
Vou abrir em mim dois espaços
P´ra te dar
Enredo ao folhetim
A flor ao teu jardim
As pernas e com elas braços
Às vezes o amor
No calendário, noutro mês, é dor,
É cego e surdo e mudo
E o dia tão diário disso tudo
Mas se tudo tem fim
Porquê dar a um amor guarida
Mesmo assim
Dá princípio ao começo
Se morreres só te peço
Da morte volta sempre em vida
Às vezes o amor
No calendário, noutro mês é dor,
É cego e surdo e mudo
E o dia tão diário disso tudo
Da morte volta sempre em vida
(Sérgio Godinho, por lembrança muito oportuna do Mano)
segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007
sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007
Tanto, imenso (6)
Que amor nao me engana
Com a sua brandura
Se da antiga chama
Mal vive a amargura
Duma mancha negra
Duma pedra fria
Que amor nao se entrega
Na noite vazia?
E as vozes embarcam
Num silêncio aflito
Quanto mais se apartam
Mais se ouve o seu grito
Muito à flor das àguas
Noite marinheira
Vem devagarinho
Para a minha beira
Em novas coutadas
Junta de uma hera
Nascem flores vermelhas
Pela Primavera
Assim tu souberas
Irma cotovia
Dizer-me se esperas
Pelo nascer do dia
(Zeca Afonso [02/08/1929-23/02/1987])
quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007
A moda do chocolate
Na Vogue deste mês (que um gajo tem que aliviar a tensão kleistiana, então!...), tinha que ser (leiam a primeira frase, ali em cima), o artiguinho da praxe sobre o dito cujo. "Dark Victory". Chamam-lhe tudo. A parte mais interessante é quando Jeffrey Steingarten conta como Robert Steinberg (atenção aos apelidos), da Scharffen Berger Chocolate Maker, aqui da zona também (e do melhorio), lhe ensina a apreciar chocolate:
"He bites off a piece [morde um bocadinho], lets it melt in his tongue [deixa o bocadinho derreter-se-lhe na língua], and spreads it all over the inside of his mouth [e espalha o bocadinho derretido por todo o interior da sua boca - se isto é decente, vou ali e já venho...]. He may close his eyes [não interessa]; he may try to pretend it's not chocolate but an unknown substance [até pode tentar fingir que a coisa não é chocolate, mas uma substância desconhecida. O tanas!...] He follows the flavors as they change over the next few minutes [adoro esta: vai atrás dos sabores, enquanto se vão transformando, nos minutos seguintes]. The first sensation will probably be sweetness [a sensação inicial provavelmente será o doce - hum...], then a fruity flavor [depois, um sabor a fruta], sometimes spices such as cloves and cinnamon [especiarias, por vezes, como cravinho e canela - alô, Mana!], earthy tones [tons de terra - é, assim como o pastel para a pintura e para Belém]. The most complex chocolate will have a balance of all of these [que os chocolates mais complexos misturam isto tudo]. At the end, the mouth should feel clean [no fim, a boca deve saber a limpa], and not chalky or tasting of cocoa powder [e não a giz, nem a cacau em pó]."
(Um bocado de prosa boa para descobrir onde se refugia o discurso prescritivo das revistas dos nossos dias.)


