terça-feira, 22 de maio de 2007
Fellini avant-la-lettre
HILDA. I want my kingdom.
(Henrik Ibsen, The Master Builder)
segunda-feira, 21 de maio de 2007
Do Mano, com licença dele, a propósito disto
epá, olha, é só para dizer que fui ao teu blogue e vi lá a poesia com temperatura e som do pasolini - claro que ele tinha que ir fazer filmes a certa altura - mas também com poucas palavras faz mais do que um filme... (o villanova artigas - um arquitecto brasileiro magnífico que já foi à vida (à morte) dizia que admirava imenso os poetas por conseguirem com poucas palavras dizer o que aos arquitectos leva muitos tijolos a contar)e então, como estou a preparar uma aula, voltei às minhas escritas directas em italiano, e não consegui reistir à foleira correcção de revisor de textos com chapeuzinho e tudo.pois a "afa" é difícil de traduzir, mas acho que puseste bem, a afa é o abafado das manhãs de verão insuportável quando se sua imenso só de pensar.depois o stupore é espantoso! é assim uma exclamação, nunca tinha pensado em paralisia mas também poderia dar porque ficava ainda mais forte: a força paralisada da intensidade de um espanto!tu trocaste intacta ainda e alegria virgem e lá terás as tuas razões fonéticosincráticas...mas é realmente bom!acho que a poesia é incrível, e acho mesmo que nunca a vou querer conhecer toda porque tenho medo de a perder.
Desmaiar
"I disappear,
I lost control,
My body's moving,
On it's own.
I watch myself,
Walk away,
A poor spirit,
took my place."
(The Faint )
domingo, 20 de maio de 2007
Do misterioso alentejano
"A fálica torre de menagem [de Beja] funciona bem em relação ao resto do país, pois, como notou um amigo meu, este não possui, à semelhança de Nova Iorque (Estátua da Liberdade), França (Torre Eiffel) e Inglaterra (Big Ben) um símbolo que o identifique de imediato. Mas há um senão: o pacence não pode afastar-se muito e deixar de ver a torre, que logo o invade uma grande saudade, o desejo intenso de voltar; isso está bem patente nas modas, em que, só por passar o Tejo, já cantam 'chora por mim que eu choro por ti, já deixei o Alentejo' e outras coisas do género. O Eduardo Lourenço deveria escrever outro Labirinto da Saudade somente para esclarecer isto."
Um dia depois, em catadupa de questionação filosófica, acrescentou que "os alentejanos procuram nos outros a figura do pai e fazem-no de uma maneira incoscientemente maternal, que consiste em encostarem-se uns aos outros, balancearem-se em conjunto, cantando umas canções arrastadas, que são as canções de embalar que lhes faltaram na infância. Depois, porque, desconhecendo eu por onde esteve Descartes, mas supondo que, se esteve em Espanha foi o
mais próximo daqui, então como explicar este outro atavismo que é o constante anti-cartesianismo [dos alentejanos], no constante dizer, mesmo quando estão em maus lençois, 'Não tem dúvida'? [...] Quanto à questão da linguagem, os sucessores de Lacan teriam muito material com o estudo das mulheres que falavam com as galinhas, e aqui temos mais questões: não só está provado que elas falam mais e eles menos [...], mas porquê as galinhas? Haverá alguma identificação com o outro feminino?Porque me parece que o galo é tratado de maneira diferente, para pior... E a forma do pão?Não criarão, subconscientemente, a forma arredondada como substituto/projecção do seio? E o que dizer da popia?"
O resto do dia - qual!, o resto da vida! - o Reboliço andou intrigado com a questão derradeira. O que dizer da popia?...
sexta-feira, 18 de maio de 2007
Pasolini (outra vez)
Ogni giorno è l'ultimo
nello stupore dell'afa mattutina,
delle fresche voci: e a cosa importa
essere chiari, dentro, per soffrirla
nella intera estensione del suo tempo
se l'ora della vita è sempre l'ultima?
L'averla troppo sofferta, e quindi
consumata: ecco perché vivo nel miracolo
di vederla ancora intatta. Nessuno
sa più di me goderla con tanto infantile
e femminile abbandono, ma nessuno
sente più di me quella vergine gioia
come un sacrilegio.
V
Cada dia é o último
na paralisia da manhã quente,
das vozes frescas: e que importará
ser lúcido, por dentro, para sofrê-la
na inteira extensão do seu tempo,
se a hora da vida é sempre a última?
Tê-la por demais sofrido, e assim
consumido: eis porque vivo no milagre
de vê-la ainda intacta. Ninguém
mais do que eu sabe gozá-la com tão infantil
e feminino abandono, mas ninguém
sente, mais do que sinto, essa alegria virgem
como um sacrilégio.
(Atrevi-me a traduzir um dos poemas póstumos, que transcrevi daqui.)
quinta-feira, 17 de maio de 2007
quarta-feira, 16 de maio de 2007
Ainda sobre The Man Without Qualities
(A certa altura, leio que "If Ulrich had been asked to say what he was really like he would have been at a loss, for like so many people he had never tested himself other than by a task and his relation to it", p.157. Acompanho a leitura com flores de hibiscus, secas e adocicadas.)
Alarme...
segunda-feira, 14 de maio de 2007
Moinho de água
sábado, 12 de maio de 2007
sexta-feira, 11 de maio de 2007
"Ah, that's the old redhead. No bitterness, no recrimination, just a good swift left to the jaw."
Barnett Newman
*"as a glow brings out a haze, in the likeness of one of these misty halos that sometimes are made visible by the spectral illumination of moonshine", escreveu Conrad.
sábado, 5 de maio de 2007
For the record
quarta-feira, 2 de maio de 2007
De noite
I Do My Best Alone at Night
I do my best alone at night
alone with the secrets my lamp has
set free from the day that asks too much
bent over a labor never finished
the combinations of solitaire. What then
if the solitaire always defeats me
I have the whole night. Somewhere
chance is sleeping in the cards. Somewhere
a truth has been said once already
then why worry? Can it ever
be said again? In my absentmindedness
I will listen to the wind at night
to the flutes of the Corybants
and to the speech of the men who wander forever
(Gunnar Ekelöf, traduzido por Robert Bly)
segunda-feira, 30 de abril de 2007
sábado, 28 de abril de 2007
Estilhaços
quarta-feira, 25 de abril de 2007
"Francisco, levar-te-ei cravos vermelhos"
segunda-feira, 23 de abril de 2007
sábado, 21 de abril de 2007
sexta-feira, 20 de abril de 2007
O dia da heresia
terça-feira, 17 de abril de 2007
Dafne
Deve ser em nome da beleza, das transformações e do amor ao que é belo que existe a editora Dafne. A última notícia dela dá conta de um quarto opúsculo - todos os quatro estão disponíveis para "desembarque", na expressão muito feliz dos editores, aqui. E por aí se vai também a outros lugares.
segunda-feira, 16 de abril de 2007
Para acabar de vez com os chats
tchau final
over and out
roger
ok
talk
by
end
Canito q.b.
sábado, 14 de abril de 2007
A avenida do pôr-do-sol
Ouço as canções naquela voz, as teclas de Manzarek, o baixo de Krieger e a bateria de John Densmore. Lembro-me que poderia, sim, poderia - ter aqui nas Cartas um daqueles quadrinhos com sinal de play para as pôr a tocar. Sim, poderia. Mas prefiro pintar em palavras vagas e pequeninas a música dos Doors. Prefiro, aqui, indecidir-me sobre se haveria de chamar a este post "A malta é estranha", ou "O fim [de tudo]", "Têm-te visto, os meu olhos", ou "À espera do sol", ou "Sim, o rio sabe", ou "Não tocar a terra" - "Uma oração americana", ou "Mocinha, estás perdida". Prefiro não deixar em definitivo uma preferência, nenhuma escolha, pois não a tenho. São os Doors e quem conhece bem o Reboliço sabe como é.
terça-feira, 10 de abril de 2007
A morte do Sol
segunda-feira, 9 de abril de 2007
O vento de Espanha
domingo, 8 de abril de 2007
Da aldeia
(Foto da prima Luísa, com a sua retratadeira nova.)
sábado, 7 de abril de 2007
Adenda
sexta-feira, 6 de abril de 2007
Lambusices
(Esta manhã, o Reboliço passeara por Faro com a dona da Pamá. Foram à descoberta da nova loja de chocolates, na Praça dos Poetas. Lojinha discreta, a Mundo do Chocolate só comercializa a pasta em nomes internacionais. O Reboliço embeiçou-se por tulipas, margaridas e jarros com amêndoas de chocolate, coisa de fabrico italiano. Muita inglesada, suiços e normandos. De tugas, nada.)
Seguir a lua
A lua no caminho
quarta-feira, 4 de abril de 2007
Moinhos na poesia (10)
Luz,
luz espumejante
sobre a planície, íngreme,
montanha de brilho, fundo
marulhar,
voam tempestades,
respirando relâmpagos, a terrível parede
ergue-se até ao céu.
Desci
pela duna
vindo do mar,
pela terra de aluvião nua de árvores,
sem sombra, sem sonho, fui
com os ceifeiros, o moinho erguia-se
hirto e velho. Agora, as velas
cinzentas agarram os ares.
Silencioso, sobe e domina a terra.
Com as garças levanta
voo, grande no fundo dos céus
brancos. Bravio, da distância
responde-lhe o brilho do olhar
do inverno.
Coração, pássaro dos gelos,
com espinhas e barbatanas
faz o teu ninho na caverna,
no sangue sussurrante.
Fica com as gentes da planície, filhas e
filhos, com as pequenas sombras
de canções e danças, fica e
ergue uma erva de Novembro
contra a neve.
(Johannes Bobrowski, Como um Respirar, Antologia Poética, Sel., trad., intr. e notas de João Barrento, 1990, Lisboa, Cotovia, pp. 24-27. Obrigada, meu primo!)
terça-feira, 3 de abril de 2007
sábado, 31 de março de 2007
A planície, por Charles Péguy
"Março, marçagão, manhã de Primavera, tarde de focinho de cão."
"Mandaste regar as alfaces... Olha, a massa é que não levedou." Focinho de cão logo de manhã, pensa o Reboliço. Vale mais hoje o outro ditado: "Março, marçagão, manhã de Inverno, tarde de Verão."
quinta-feira, 29 de março de 2007
terça-feira, 27 de março de 2007
quarta-feira, 21 de março de 2007
Cidades do coração
No dia da poesia
Escolho um poema de um dos poetas que mais recentemente tive o prazer e a honra de conhecer. Além de poeta, é uruguaio e plantador de oliveiras. Aldo Mazzucchelli.
Los yndios charrúas
*
estamos hablando con precisión
de los seres nombrados que
"discurrían vagos por este pays"
limitado por unas piedras húmedas al sur
y después/
un alambrado de siete hilos al noreste
(que toquetea el viento a lo largo)
a continuación del cual da comienzo el Brasil.
la esencia lamida de los yndios
puro papel con nervaduras, extirado
en el salto oscurito de una ella
en un pie sobre el otro en Hospital
y decidido a borrarle las huellas
(no encontrar su odio):
estro que queda de un harapo lúgubre.
*
usaban falditas de algodón
para taparse las vergüenzas
del ombligo a las rodillas.
cada uno, y que se hable de lo suyo
–no es lo mismo que mirar
las plantitas autóctonas del y t a p e b ý–.
cada señor estudioso del alma ajena
y que el espejo refleje tal parte de la líquida luz
–no es lo mismo que estar
en cuclillas en la cuchilla más al vueste.
*
la ventaja de haver sido yndio
en Uruguay:
la inexistencia. Pedacito de hoja
ceibo cedrón algarrobo aruera
tala espinillo espartero coronilla
ahí es donde el alma ahuesa
el cuerpo afila
ay van los muertos en la procesión.
individuos ignotos
cualquiera idea acerca de los yndios es pecado
salvo respirar la misma costa larga y lenta.
*
trágica filosofía platensis
especificada siempre a lo ancho
curva envuelta en aire blanco
lechosidad de la provincia de pasaje.
usted que viene aquí siempre van para otro sitio
aquí me quedo mirándole
más móvil que nosotros pero ahíto de ideas.
por esta parte respiramos la aruera
nos hartamos de inconsútil veneno
específicamente en comunicación con la crucera.
*
desde la ventana se ve una casa
blanca iluminada con manchas negras.
las manchas negras son árboles nocturnos.
si encaja la imagen es la noche
lo que queda. La casa huirá.
Quedan las manchas.
Ah de las manchas!... y como los yndios. Si son indescriptibles
son permanentes y verdaderas.
terça-feira, 20 de março de 2007
"Life's a bitch - and then you die"
Grande post!
domingo, 18 de março de 2007
Tanto, imenso (11)
[...]
You know I love you baby
More than the whole wide world
I'm your woman
You know you are my pearl
Let's go out past the party lights
We can finally be alone
Come with me and we can take the long way home
Come with me, together we can take the long way home
Come with me, together we can take the long way home
(Norah Jones)






