segunda-feira, 31 de agosto de 2009
O Reboliço é um nefelibata (14)
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Desorientado
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
domingo, 23 de agosto de 2009
sábado, 22 de agosto de 2009
Dia 3
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Dia 1
Reboliço, de focinho no ar, distraído pelos guindastes,
e de focinho no chão, a passar nas ruas com cuidado
para não pisar os enfeites de sal colorido.)
Reboliço, de focinho meio no ar, distraído pelas nuvens.)
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
terça-feira, 18 de agosto de 2009
Tanta tinta
.............Ah! menina tonta,
.............toda suja de tinta
.............mal o sol desponta!
.............(Sentou-se na ponte,
.............muito desatenta…
.............E agora se espanta:
.............Quem é que a ponte pinta
.............com tanta tinta?…)
.............A ponte aponta
.............e se desaponta.
.............A tontinha tenta
.............limpar a tinta,
.............ponto por ponto
.............e pinta por pinta…
.............Ah! menina tonta!
.............Não viu a tinta da ponte!
(O Reboliço lembra-se de saber de cor, de ler num livro da Escola Primária, este poema da Cecília Meireles, mas sem os dois versos que abrem a terceira estrofe. Ou é traição da sua memória, ou pensa que talvez aquela sintaxe contrariasse demasiado a norma do português europeu para aparecer num manual escolar. Seja como for, na mesma leva, recorda-se de versos sobre uma bailarina e apercebe-se que são também da Cecília, da colectânea que editou em 1964, Ou Isto ou Aquilo - que, a propósito, era também o título de um dos poemas cantado por Eugénia Melo e Castro, parece-lhe, num programa infantil que passava na televisão portuguesa. Nada sobre esta interpretação nem este programa na net, mas entre as orelhas atentas do Reboliço ainda soam os acordes balançados da cantiga.)
domingo, 16 de agosto de 2009
Das bandas desenhadas
sábado, 15 de agosto de 2009
How much wood would a woodchuck chuck if a woodchuck could chuck wood?
Começou faz hoje quarenta anos, e há quase trinta e nove escaparam-se estes três: o Wilson a 3 de Setembro, o Hendrix a 18 do mesmo mês e a Joplin a 4 de Outubro. Não foi do que traziam vestido nem do que tocaram no festival. Tocou-lhes a eles.
Florestas
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
"Conchas, pedrinhas"
Cordoama em pequenino. Legenda: Mano)
terça-feira, 11 de agosto de 2009
Chamar os bois pelos nomes
(Que é como quem diz, à maneira de Oliver Sacks, que se um gajo não souber ordenar e dar nomes às coisas da vida, como é que vai saber viver neste mundo e compreendê-lo? Anda, anda, acaba a confundir garrotes com gatos, sem saber qual há-de desatar e a qual há-de fazer festinhas.)
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Escritos à mão
Adenda, em 1 de Outubro: algum Pessanha já está. Aqui.
O Reboliço é um nefelibata (13)
domingo, 9 de agosto de 2009
Ampelografia
Da varanda ouvem-se desde cedo, desde a noite, os foguetes na freguesia em festa,
os poucos carros do domingo e, agora, o piar feio das gaivotas
e um recado atirado para o lado de lá do Jardim Público:
"Olha - se fores a casa, tira o frango. Tira o frango para fora.")
sábado, 8 de agosto de 2009
Companheiros de latidos
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
O Figo
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
Support the local artists (3)
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
terça-feira, 4 de agosto de 2009
Alforrecas
Lembrou-se hoje das alforrecas a propósito de um artigo sobre arquitectura para animais - ou melhor, arquitectura dos lugares onde os homens metem os animais que querem ver em segurança. Lembrou-se, no momento em que encerram uma parte lindíssima do zoológico do Bronx, que tinha lá estado e gostado de estar, há uns quinze anos. Esta casota, agora, é muito bonita - já viste, Charlotte?
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
Marquesa de Pombal, gata fadista (excerto)
Por isso mesmo, durante os meus longos passeios pelo bairro mais característico e de disposição mais irregular da cidade, pude ver muitos gatos a caminhar felizes pelas ruas, ou a descansar no interior das casas desabitadas. E, se o postal típico de Alfama mostra uma velhota assomada à janela, também podemos ver na mesma situação uma quantidade de gatos, gatos nostálgicos, gatos urbanos, gatos do porto, gatos de Alfama, gatos fadistas.
A natureza nostálgica da alma lisboeta parece estar feita também para adorar o gato. Um animal que esconde tanta saudade detrás dos seus olhos teria de ser adorado neste país, e de facto assim acontece.
[...]
E, se Lisboa e a alma portuguesa parecem comungar na perfeição com a figura do gato, o mesmo se pode dizer da banda sonora oficial da cidade, ou seja, o fado. Os gatos de Alfama parece que pensam em fados jamais escritos, parecem carregar dentro de si a música da saudade. Cada gato é um fado irrepetível. E o fado é também um gato de Alfama, ainda que, na verdade, nunca tenha escutado um único fado que mencionasse os gatos de Lisboa. Quem sabe se os letristas não quiseram deixar aos gatos dos bairros populares o lugar que mais gostam de ocupar: o lugar mais discreto, silencioso e oculto que exista. Por exemplo, entre os versos de um fado, escondido em cada espaço em branco ou em cada frase por terminar: na obscuridade do silêncio, os olhos de um gato.
Talvez tivesse sido por esta misteriosa relação que Pelota subiu tão decidida à televisão onde se projectava um concerto de Amália. Porque a minha Pelota de Chamberí tem, creio eu, alma portuguesa. É Condessa de Chamberí e Marquesa de Pombal, esta gata panibérica. Por isso o seu espírito é apaixonado, transversal, e está carregadinho de matizes. Por isso esta gata régia, e ao mesmo tempo carinhosa, se meteu no bolso do humano que a quis conhecer. Na sua vida anterior, Pelota foi uma mulher portuguesa. Quem sabe se chegou a ser a própria Amália, e por isso, ao recordar aquelas canções, ‘Foi Deus’, ‘Ai Mouraria’ ou a graciosa ‘Vou dar de beber à dor’, sobe ao televisor, agarrada à memória, como boa fadista. Por isso Pelota, Condessa de Chamberí e Marquesa de Pombal, quando nos volta a ver depois de uns dias de ausência (como estes que passámos em Lisboa, entre gatos de Alfama e gatos do Barreiro), não nos recebe com miados, mas com um fado, cantado a voz aguda e suave, quase entre sussurros, uma voz que, quem sabe, é a mesma que, anos atrás, iluminou as noites de meio mundo, em jorros, por frases cheias de uma melancólica poesia."
(Isaïes Fanlo, “Marquesa de Pombal, gata fadista”, Em Cena,
nº 10, Inverno/Primavera 2005, pp. 55-59. Tradução: Ana Soares.
A narrativa vai dedicada à Carole, que me mostrou que
Todos Temos o Teu Fado, onde se ouve, entre outras pérolas,
um holandês que não fala português cantar "Uma Casa Portuguesa"
e um travesti espanhol cantar o grande "Lágrima".
O video, em dedicatória cruzada, vai para o Isa, claro!)
domingo, 2 de agosto de 2009
Aprender
Adenda, em 5 de Agosto: No Drama Pessoal mostra-se um excerto do magnífico ensaio de Lourenço, "À Sombra das Acácias em Flor".
Adenda 2, em 2 de Setembro: Há mais um excerto de um dos ensaios d'Os Degraus do Parnaso, e um alerta sobre a edição, no blogue de Teresa Sá Couto.
sexta-feira, 31 de julho de 2009
A destruição do mundo
quinta-feira, 30 de julho de 2009
terça-feira, 28 de julho de 2009
O Leitor
(Foto, de telemóvel: Reboliço no cinema. Numa das sessões de Verão que o Cineclube costuma fazer ao ar livre, com a tela no pátio e a máquina a projectar desde o andar de cima dos claustros do Museu Municipal de Faro. Ia todo lampeiro, pata ligeira, à espera de chegar lá e de se sentar descansado. Mas as circunstâncias ditaram de outra maneira, e viu-se, uma vez de muitas mais, a agarrar nas bobines, a sentir a fita, a passá-la pelo circuito todo das rodas dentadas, folga em frente à lâmpada da lente, tensão em frente à lâmpada de ler o som, aperta, fecha, folga no amortecedor antes da bobine vazia, e arranca a luz, o movimento, o trepidar do motor. Ainda pensou em sentar-se mesmo - mas, e se a fita saltasse, de um frame a outro? Não. Viu O Leitor ora em pé, debruçado sobre a amurada do claustro, ora sentado no chão a tentar fixar o olhar entre as grades para perder o menos possível da tela, ora de gatas ("De gatas, Reboliço?!"). No final, antes de as luzes do pátio se reacenderem, saiu de mansinho, pata ante pata. Não quis apagar dos olhos o céu escuro cheio das estrelas, das luzinhas dos aviões e do brilho dos pardais que passavam lá fora e faziam voar consigo a luz dos candeeiros da rua.)segunda-feira, 27 de julho de 2009
Oh...
em que, ao pisar-se, o espaço se subleva
e calça devagar a diferença
desde a profunda cicatriz da treva.
Encontra. E, quando fosforece o impacto,
ajusta-se nos músculos a alterna
experiência que comove o acto
de iluminar-se sucessiva a perna.
Mas sucessiva de função estreada
em cada ponto de penumbra que usa
esclarecer a rapidez da estrada
na alheação a que essa perna induza.
E, de repente, a branca rapidez
nasce da luz solícita dos pés.
domingo, 26 de julho de 2009
O Rafael

(Desenho do catavento: Michel Subrenat-Auger.
A parte do redondel que se vê em baixo à esquerda é o topo do telhado do Moinho.)
sábado, 25 de julho de 2009
Do céu dos gatos (transmissão directa para a Xantipa)
- Sou, sim. E tu és quem?
- Sou a Tamino. Cheguei há uns dias e não conheço ninguém. Lá em baixo disseram-me que talvez te encontrasse aqui. Posso ficar contigo?
- Acho que podes. Nunca tenho grande companhia.
- O que é que fazes para passar o tempo? Há ratos para perseguir?
- Não muitos...
- Oh. Então, mas este céu não é para gatos?
- Não só, Tamino: aqui é tudo igual a lá em baixo. Gente e bichos tudo misturado. E já assim às vezes é um tédio - imagina se não houvesse alguns diferentes de nós!
- Hum... então e o sol, para nos estendermos a ele?
- Nada. Nem sol nem lua. É o infinito absoluto. Lembras-te de quando lá em baixo ouvias as pessoas falarem do nada, dizerem para não se pensar em nada?
- Lembro-me; fazia-me uma confusão...
- Olha, o nada é isto.
- Mas, e as latinhas de comida, quem é que as traz? E as bogas cozidas com as espinhas todas?
- Nada, Tamino. Daqui a algum tempo já nem te lembrarás disso. Agora ouço-te a dizer essas palavras e tenho uma ideia muito vaga de que já houve algum lugar onde faziam sentido.
- É muito estranho. E não dá medo?
- Estás a sentir medo?
- Não, é verdade. Estou descansada. E desapareceram-me as dores.
- Ora bem; deixa-te estar. Podes ficar aqui ao meu lado. E, se quiseres, depois iremos saltar nuvens. Isso é que é!...
sexta-feira, 24 de julho de 2009
"um dia vou chegar a um carpinteiro e pedir-lhe que me faça a cama"
"My house of my spirits"
[memória descritiva alheia]
"Gosto de andar perdido na casa refazendo caminhos que vão dar ao mesmo sítio por partes diferentes.
Cidade sénior
quinta-feira, 23 de julho de 2009
Cláudia
quarta-feira, 22 de julho de 2009
Achinha, achinha, perdi uma coisinha
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Do Mano
domingo, 19 de julho de 2009
Dias de Verão
sexta-feira, 17 de julho de 2009
Confusão de dedos de pés
quinta-feira, 16 de julho de 2009
Música para os ouvidos do Matias (4)
.....O sino pela manhã,
.....Num constante badalar,
.....Cantando diz com afã:
.....São horas de levantar.
.....Dlim-dlão-dlão-dlão-dlão-dlão!
quarta-feira, 15 de julho de 2009
"La flor del lirio real"
(Foto da estátua de Joselito em Priego de Córdoba,a que o Reboliço foi dar por obra e muita graça da Mulher do Lado,
no lugar onde foi filmado Saeta del Ruiseñor:
Reboliço.)
Moinho novo em folha
O Reboliço é um nefelibata (14)
[Parecía / un dragón. (JLB)]
Sometimes we see a cloud that's dragonish;
A vapour sometime like a bear or lion,
A tower'd citadel, a pendent rock,
A forked mountain, or blue promontory
With trees upon't, that nod unto the world,
And mock our eyes with air
"Vemos por vezes uma nuvem adragonada;
Um vapor por vezes qual urso ou qual leão,
Cidadela com torres, rocha suspensa,
Montanha aguçada, promontório azul
Com árvores em cima, a acenar ao mundo,
e a rir dos nossos olhos com o ar")
O Reboliço é um nefelibata (13)
Nubes (II)
Por el aire andan plácidas montañas
o cordilleras trágicas de sombra
que oscurecen el día. Se las nombra
nubes. Las formas suelen ser extrañas.
Shakespeare observó una. Parecía
un dragón. Esa nube de una tarde
en su palabra resplandece y arde
y la seguimos viendo todavía.
Qué son las nubes? Una arquitetura
del azar? Quizá Dios las necesita
para la ejecución de Su infinita
obra y son hilos de la trama oscura.
Quizá la nube sea no menos vana
que el hombre que la mira en mañana.
Uma versão portuguesa, de Fernando Pinto do Amaral,
está em Obras Completas III, Círculo de Leitores, Lisboa, 1998, p. 504.
terça-feira, 14 de julho de 2009
O Comportamento dos Cães
a deixar puzzles na terra.
Sorriem como chaves Yale e chamam-
-nos com línguas de cascata de bazar.
Um galgo caniveta pela relva
até onde a franja palomino do afegão
é metade pano de cena da Ópera e metade
cabelo à rufia. A cabeça
vem antes do mais, bandeada como
uma bandeja, erguida a pender para a esquerda.
O labrador bombeia água da nora,
a boxer saracoteia os quadris,
agarrada a um batente de porta, e
o lobo da Alsácia agita o sabre -
só lutam os de pêlo à escovinha.
Desportivos, coçam a comichão
como ciclistas pernetas no sprint
até casa, a mijar são atletas de barreiras,
cagam como halterofilistas e descontraem
às cavalitas uns dos outros...
segunda-feira, 13 de julho de 2009
Sobreviver para contar
(Diz Andrew Sarris sobre a idade de ouro da crítica de cinema nos Estados Unidos: "Éramos tão gloriosamente contenciosos, todos a sermos umas cabras uns para os outros [...] Todos dissemos alguma estupidez, mas parecia que os filmes eram mesmo importantes.")



