O Reboliço pensa que há passadeiras com sorte.
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
- Reboliço, tu já foste ao Louvre?
- Não, nunca fui. Já estive em Paris um par de vezes, mas faz-me espécie meter-me no meio de tanta gente.
- És um bocado tonto; eu cá gosto é de animação, de multidões.
- Assim serás tu, Luca. Eu cá é mais bolinhos em casa e chocolate quente. De preferência a olhar para os museus sentado de cauda quieta: visito o Louvre, o Prado, vejo o que andam a fazer no Metropolitan, no MoMA, que sei eu...
- Já percebi que sabes é pouco. Adeus, vou ver o museu do Poço Novo, que estão a crescer espargos ali naquele lado e agriões no outro, e quando lhes dá o sol aquilo é mais lindo que um Monet!
- Não, nunca fui. Já estive em Paris um par de vezes, mas faz-me espécie meter-me no meio de tanta gente.
- És um bocado tonto; eu cá gosto é de animação, de multidões.
- Assim serás tu, Luca. Eu cá é mais bolinhos em casa e chocolate quente. De preferência a olhar para os museus sentado de cauda quieta: visito o Louvre, o Prado, vejo o que andam a fazer no Metropolitan, no MoMA, que sei eu...
- Já percebi que sabes é pouco. Adeus, vou ver o museu do Poço Novo, que estão a crescer espargos ali naquele lado e agriões no outro, e quando lhes dá o sol aquilo é mais lindo que um Monet!
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
Uma noite bem dormida
(Foto do conjunto de lençolinhos de flanela, numa montra da cidade: Reboliço, a puxar os cavalos.)
domingo, 19 de dezembro de 2010
O Reboliço é um nefelibata (40)
(Foto da "luz de milagres" do fim da tarde, visto do Palácio da Fonte da Pipa sobre o mar algarvio: Reboliço. Por hábito, pensa que os entardeceres mais bonitos acontecem em Outubro e em Janeiro. Este é dezembrino e foi milagreiro.)
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Fotos,
Nefelibata
sábado, 18 de dezembro de 2010
O Reboliço é um nefelibata (39)
Hoy vuelvo a la frontera -
Otra vez he de atravesar.
Es el viento que me manda,
Que me empuja a la frontera
Y que borra el camino
Que detrás desaparece - que detrás desaparece.
Me arrastro bajo el cielo
Y las nubes del invierno -
Es el viento que las manda
No hay nadie que las pare.
A veces combate despiadado,
A veces baile
Y a veces… nada - a veces baile y a veces nada.
Hoy cruzo la frontera -
Bajo el cielo,
Bajo el cielo.
Es el viento que me manda
Bajo el cielo de acero.
Soy el punto negro que anda
A las orillas de la suerte - a las orillas de la suerte.
Otra vez he de atravesar.
Es el viento que me manda,
Que me empuja a la frontera
Y que borra el camino
Que detrás desaparece - que detrás desaparece.
Me arrastro bajo el cielo
Y las nubes del invierno -
Es el viento que las manda
No hay nadie que las pare.
A veces combate despiadado,
A veces baile
Y a veces… nada - a veces baile y a veces nada.
Hoy cruzo la frontera -
Bajo el cielo,
Bajo el cielo.
Es el viento que me manda
Bajo el cielo de acero.
Soy el punto negro que anda
A las orillas de la suerte - a las orillas de la suerte.
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
O Reboliço é um sentimental
(Hip-foto da capa da melhor tradução para língua inglesa que conhece, da epopeia Kalevala: Reboliço, a fazer figas.)
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Passarinhos e passarões passarão
O Reboliço gosta de se pôr à varanda, patas da frente sobre o parapeito, as de trás muito esticadas a dar-lhe altura, o focinho adiantado a cheirar o céu e as penas que vão ficando para trás do voo. Segue os movimentos aos pássaros, girando a cabeça e tentando não piscar os olhos quando o sol lhe dá de frente. Assim como gosta de lhes saber os nomes, os tamanhos, as famílias. Se possuísse fortuna, teria comprado um livrito de curiosidades como este. Como é pata-rapada, contenta-se, muito contente, com isto, isto e mais isto (obrigada, Maradona).
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
- Luca, Luca, já viste o teu primo americano em chocolate?
- Hã? Quem?
- O Bo.
- Mostra-me lá.
- Boooh!
- Hã? Quem?
- O Bo.
- Mostra-me lá.
- Boooh!
O Reboliço é um nefelibata (38)
(Foto da ave solitária no céu pós-pluvial desta manhã, sobre Faro: Carla Brazão, outra nefelibata. Mais nuvens dali, por aqui.)
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
A avenida no feriado
O Reboliço assoma-se à janela, a medo, por conta dos relâmpagos. Ver, vê muito pouco: mas o céu cinza-azulado, baixo como o tecto de uma cave, faz ressoar os barulhos à sua volta. Ouve a água no asfalto a saltar para um lado e para o outro dos pneus, quando passa um carro; ouve três ou quatro moços pequenos a jogar à bola nos intervalos das bátegas, aflitos por aproveitar cada minuto; ouve a missa na televisão da vizinha, a Dona Mimi que entoa os cânticos por cima do som da caixa e comove a desafinar. São sons muito limpos, muito claros, que os faz assim a água a brilhar no asfalto como o húmido no focinho de um cão e o baixo que o céu está.
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Cantar nas obras
Além do ritmo temporariamente contagiante da cantiga dos Unit Four Plus Two, o Reboliço achou muito curioso ver as obras do que viria a ser o Barbican Centre, em Londres, como cenário de betão e barro.
domingo, 5 de dezembro de 2010
Viajo porque preciso, volto porque te amo
Uma das coisas de que mais gosto em Viajo porque preciso, volto porque te amo é a voz do geólogo quando se exalta e foge do tom da estrada. É o que acontece à câmara: fora da estrada, soluça mas fica mais firme, sabe o que quer mostrar. Isso e as falhas tectónicas que se acumulam no caderno de viagem.
"Syntax was winning."
O Reboliço lê sobre as potencialidades da pesquisa electrónica aplicada à História e ao conhecimento da literatura e da cultura vitorianas. Pensava que não fosse tamanha novidade. Até os receios lhe parecem fora deste tempo; mas talvez, afinal, não seja assim.
sábado, 4 de dezembro de 2010
"L'angelo siammo noi"
(Foto da estrutura desenhada e arrumada no espaço por Carlo Scarpa, no início dos anos 50 do século passado, para exibir no Museu Regional de Palermo, no Palazzo Abatellis, o manto de lápis-lazuli de Antonello da Messina, a mão em recato e o olhar da Virgem que parece querer retardar a Anunciação: Reboliço, de um lado para o outro, de um lado para o outro.)
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
Parole palermitane
(Fotos de palavras sobre paredes, bancos e portadas no mais puro dos bairros palermitanos: Reboliço, a ler.)
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Fotos,
Onde andei
Enquanto o Reboliço dormia,...
... o Castelo voltou a ser iluminado de bons espíritos, bailarinos e de graça!
terça-feira, 30 de novembro de 2010
Oh...
O Reboliço vai sentado num autocarro siciliano. Espreita por cima do ombro da senhora da frente, que lê o jornal, e vê, ao alto, a fotografia de um homem grande, de óculos redondos e barba branca cortada rente. É o adeus a Mario Monicelli, que se suicidou - um homem velho e doente que se lançou de uma janela. Livre, pensa o Reboliço. Indomesticável pelas paredes de um hospital, pelos muros de uma igreja, por lágrimas num funeral.
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
O Reboliço é um nefelibata (37)
Nuvens
Borreguinhas brancas,
numa azul colina.
Quando o vento pára,
nenhuma se arrima.
Quando o vento sopra,
vão devagarinho.
Borreguinhas brancas,
vão por que caminho?
(Poema mal-vertido para português pelo Reboliço: Christina Rossetti, lembrada aqui. Foto das borreguinhas brancas na colina azul que cobria a Casa da Música: Reboliço, a tiritar de frio.)
domingo, 21 de novembro de 2010
Pedaços de gente
O Reboliço anda arisco. Chega, toca, foge, raspa-se, bole, pouco descansa, num rebuliço que o deixa tonto. Mas, quando passa no largo da Sé, acalma-se com o silêncio e antecipa a visão que na praça a seguir se estende, de cima a baixo, pela parede do Museu Regional: grande, bonita, a mão do Otelo aponta uma pedra, uma das muitas que ele apanha nas areias das praias, entre os galhos das florestas, na beira das estradas onde mora.
(Foto do cartaz da exposição "Algarve Visionário Excêntrico Utópico": Cunhadão, que também anda por ali, depois de ter andado por outro lado.)
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
Let's Go, Girl!
Inspiradas pela boa loucura do Xana e de homoestéticos afins, a Mara e a Ursula duplicam-se, espelham-se, revelam-se, põem-se a andar no projecto Let's Go Girl. O Reboliço gosta muito das imagens, das frases, dos filmezinhos delas.
(Foto das neo-homeostéticas a correr sob as nuvens: Mara Barth e Ursula Mestre.)
(Foto das neo-homeostéticas a correr sob as nuvens: Mara Barth e Ursula Mestre.)
terça-feira, 16 de novembro de 2010
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
Três poetas brasileiros
VELHOS
Descendo a rua Mato Grosso
Em Higienópolis
Nesta manhã de segunda
Diviso no sentido contrário
O poeta Roberto Piva
Um dos mais importantes
Vivos
Deste país
Estou à direção de meu carro
E acabava de observar
Pelo contador de quilometragem
O número 85358
Me parece muito
Muitos quilômetros rodados
E me chamou a atenção pela simetria
Meu carro está ficando velho
Eu estou ficando velho
O Roberto Piva
De camiseta estiva branca e bermuda azul
Tem Alzheimer e caminha meio bambo
Pela calçada da rua Mato Grosso
Em Higienópolis
É um grande poeta
Um monumento municipal
Desta cidade que ele viu
Crescer da província ao estrelato
No Japão seria um Tesouro Nacional Vivo
Justamente, estava a caminho
Do Centro Cultural Tomie Ohtake
Em Pinheiros
E aqui estou agora
A Tomie Ohtake é nonagenária
Vim pegar no Setor de Documentação
Fotos nas quais apareço com o Saramago
No vernissage de sua exposição
Em Dezembro passado
O José está bem velho
Perdeu alguns centímetros desde a última vez que o vi
Conheço-o há 25 anos e não tenho
Fotos com ele
Quando o conheci ninguém queria saber muito dele
Mas ele escreve prosa de ficção
Muito boa
E hoje é o Nobel da língua
Portuguesa
O Robero Piva
Escreve poesia
Boa também
Mas ao contrário do número no painel
Do meu carro que está ficando velho
Não há simetria entre
Prosa e poesia
Nesta manhã de verão
Descia
Tropegamente
A rua Mato Grosso
Em Higienópolis
SP 2 II 09
Descendo a rua Mato Grosso
Em Higienópolis
Nesta manhã de segunda
Diviso no sentido contrário
O poeta Roberto Piva
Um dos mais importantes
Vivos
Deste país
Estou à direção de meu carro
E acabava de observar
Pelo contador de quilometragem
O número 85358
Me parece muito
Muitos quilômetros rodados
E me chamou a atenção pela simetria
Meu carro está ficando velho
Eu estou ficando velho
O Roberto Piva
De camiseta estiva branca e bermuda azul
Tem Alzheimer e caminha meio bambo
Pela calçada da rua Mato Grosso
Em Higienópolis
É um grande poeta
Um monumento municipal
Desta cidade que ele viu
Crescer da província ao estrelato
No Japão seria um Tesouro Nacional Vivo
Justamente, estava a caminho
Do Centro Cultural Tomie Ohtake
Em Pinheiros
E aqui estou agora
A Tomie Ohtake é nonagenária
Vim pegar no Setor de Documentação
Fotos nas quais apareço com o Saramago
No vernissage de sua exposição
Em Dezembro passado
O José está bem velho
Perdeu alguns centímetros desde a última vez que o vi
Conheço-o há 25 anos e não tenho
Fotos com ele
Quando o conheci ninguém queria saber muito dele
Mas ele escreve prosa de ficção
Muito boa
E hoje é o Nobel da língua
Portuguesa
O Robero Piva
Escreve poesia
Boa também
Mas ao contrário do número no painel
Do meu carro que está ficando velho
Não há simetria entre
Prosa e poesia
Nesta manhã de verão
Descia
Tropegamente
A rua Mato Grosso
Em Higienópolis
SP 2 II 09
(Horácio Costa, in Quando o meu generoso coração falhar, Arqueria, 2009, s. pp.
Livrito cor de vinho-rosa trazido dentro de um envelope negro , nº 54 de 60 exemplares. No lugar do costume.)
Livrito cor de vinho-rosa trazido dentro de um envelope negro , nº 54 de 60 exemplares. No lugar do costume.)
sábado, 13 de novembro de 2010
"Insónia"
Suporto bem os dias cinzentos. O céu está baixo,
sim, e a distância que me separa
daqueles que amo é como daqui à Oceania,
na origem do arco-íris, no tempo da juventude,
mas tal como roubaram o sobretudo a quem morre de frio,
ou a tábua de salvação ao náufrago que se afoga,
roubaram aos insones a chave da tenebrosa fortaleza,
de cujas altas torres se avista a terra,
mesmo na obscuridade, quando o planeta se afunda sob os gritos
de sofrimento. Há tempos, há muito tempo, uma fresca
mão pousava na minha testa. Uma voz dizia: Dorme!
Havia alguém.
Pentti Holappa, in Poesia no Porto Santo, org. Pen-Club Português, edição-DRAC/Madeira, 2000; sem indicação de tradutor).
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
terça-feira, 9 de novembro de 2010
O medo é como um sonho acordado
Como se a Terra corresse
Inteirinha atrás de mim,
O medo ronda-me os sentidos
Por baixo da minha pele.
Ao esgueirar-se viscoso,
Escorre pegajoso
E sai –
Pelos meus poros,
Pelos meus ais.
E penetra-me nos ossos
Ao derramar-se sedento
Nas entranhas sinuosas,
Entre as vísceras mordendo.
Salta, espalha-se no ar,
Vai e volta, delirante,
Tão delirante...
É como um sonho acordado
Esse vulto besuntado
A revolver-se no lodo,
No deslizar de uma larva,
Emergindo lá ao fundo.
Tenho medo, ó medo,
Leva tudo, é teu
Mas deixa-me ir.
Arrasta-me à côncava funda
Do grande lago da noite,
Cruzando as grades de fogo
Entre o Céu e o Inferno
Até à boca escancarada,
Esfaimada,
Atrás de mim,
Atrás de mim...
É como um sonho acordado
Esses olhos no escuro
Das carpideiras viúvas
Pelo pai assassinado,
Esventrado por seu filho
Que possuiu lascivo
A sua própria mãe
E sua amante.
Meu amor, quando eu morrer,
Ó linda,
Veste a mais garrida saia;
Se eu vou morrer no mar alto,
Ó linda,
Eu quero ver-te na praia.
Mas afasta-me essas vozes,
Linda.
Tens medo dos vivos
E dos mortos decepados
Pelos pés e pelas mãos
E pelo pescoço e pelos peitos
Até ao fio do lombo –
Como te tremem as carnes,
Fernão Mendes.
Inteirinha atrás de mim,
O medo ronda-me os sentidos
Por baixo da minha pele.
Ao esgueirar-se viscoso,
Escorre pegajoso
E sai –
Pelos meus poros,
Pelos meus ais.
E penetra-me nos ossos
Ao derramar-se sedento
Nas entranhas sinuosas,
Entre as vísceras mordendo.
Salta, espalha-se no ar,
Vai e volta, delirante,
Tão delirante...
É como um sonho acordado
Esse vulto besuntado
A revolver-se no lodo,
No deslizar de uma larva,
Emergindo lá ao fundo.
Tenho medo, ó medo,
Leva tudo, é teu
Mas deixa-me ir.
Arrasta-me à côncava funda
Do grande lago da noite,
Cruzando as grades de fogo
Entre o Céu e o Inferno
Até à boca escancarada,
Esfaimada,
Atrás de mim,
Atrás de mim...
É como um sonho acordado
Esses olhos no escuro
Das carpideiras viúvas
Pelo pai assassinado,
Esventrado por seu filho
Que possuiu lascivo
A sua própria mãe
E sua amante.
Meu amor, quando eu morrer,
Ó linda,
Veste a mais garrida saia;
Se eu vou morrer no mar alto,
Ó linda,
Eu quero ver-te na praia.
Mas afasta-me essas vozes,
Linda.
Tens medo dos vivos
E dos mortos decepados
Pelos pés e pelas mãos
E pelo pescoço e pelos peitos
Até ao fio do lombo –
Como te tremem as carnes,
Fernão Mendes.
Fausto Bordalo Dias, "Como um Sonho Acordado", Por Este Rio Acima.
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Em dia
No editorial de Julho/Agosto da Film Comment, Gavin Smith anuncia a questão "bloggers vs. old school critics". Nas suas palavras: "O modelo tradicional de crítica de cinema, que existe desde os anos setenta e que ainda orienta esta revista, tem sofrido uma erosão constante, quer de dentro quer de fora dessa crítica. Há forças económicas, culturais e tecnológicas que inexoravelmente, e mesmo à frente dos nossos olhos, dão novas formas à paisagem da crítica. Em vez de tentar lidar com isto, muitos dos críticos da velha guarda impressa - tirando os que já firmaram uma presença online, como Todd McCarthy, Jonathan Rosenbaum e Dave Kehr, sem esquecer Roger Ebert - ainda combatem uma guerra de retórica contra os virtuais." No miolo da Film Comment, quatro páginas no número de Julho/Agosto e outras tantas no de Setembro/Outubro, Paul Brunick reflecte sobre a peleja e chama a essa reflexão "The living and the dead". Com isto, todos ganham vida. É saudável ler sobre coisas que estão em mudança e sobre como essa mudança está a ser entendida. Entender, é isso que é saudável.
(Na edição online da revista, há o bónus de uma lista de blogues sobre cinema, compilada por Brunick.)
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
(O Reboliço saúda o regresso de quem sabe dizer: queimo.)
Mantê-la mantê-la a todo custo
eu ainda sei ler, minha mãe
eu ainda sei ler, meu pai
estou mantendo ainda
ainda tenho algumas horas no dia
ainda sonho em fazer canções
e mesmo quando me apaixono insanamente
e desejo fontes de juventude boca a boca
(na praça clóvis minha carteira foi batida)
e mesmo quando endoideço aos vôos flutuantes perseguida por
galgos que me brincam e acalantam minha insônia
forçada de doideira
(chega um pouco pra lá, meu amor, se afasta um pouco)
e mesmo quando as lentes se perdem (e as palavras)
ainda sei ler, meu pai
ainda sei ler, minha mãe
ainda sei dizer: queimo,
e não arder simplesmente
(Ana Cristina César, Antigos e soltos: poemas e prosas da pasta rosa, p. 330-331.)
terça-feira, 2 de novembro de 2010
(Foto da parede derramada para dentro do copo de luz: Reboliço, com a máquina novazinha! Obrigada, Z., C., A. e E.)
>
Aniversário,
Fotos
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Edições de luxo
O Reboliço está a ficar mal habituado: primeiro, Pessoa. Agora, os moinhos de La Mancha - capa dura, gravada a ouro e tudo.
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Nesga de luz
Num corredor de hotel, portas de um lado e de outro, há uma que se destaca pelo rectângulo de luz - o sol saltou a serra, entra pela janela, deita-se no chão e no ar, quer sair corredor fora. Ilumina tudo.
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Canção pequenina
Fiz uma -niiiiiina, cançããão pequenina.
Fiz uma -niiiiiina, cançããão pequenina.
Cantei-a a noite iiiiiinteira,
enquanto ventava e chovia.
aaaaaté
que veio a manhã.
Esta canção é a minha -niiiiiina, cançããão pequenina.
Esta canção é a minha -niiiiiina, cançããão pequenina.
Cantei-a a noite iiiiiinteira,
e quando veio a manhã,
tiiiiiive que começar tudo outra vez.
A minha canção é tão, tãooooo pequeniiiiiina.
Podia agachar-me, arrastar-me,
procurar de uma parede à outra,
não acharia nadiiiiinha.
Como podes odiar uma canção tão pequeniiiiiina?
Se estivesse errada, estaria certa - não tenhas medo,
é só uma -niiiiiiina, canção pequenina.
Fiz uma -niiiiiina, cançããão pequenina.
Cantei-a a noite iiiiiinteira,
enquanto ventava e chovia.
aaaaaté
que veio a manhã.
Esta canção é a minha -niiiiiina, cançããão pequenina.
Esta canção é a minha -niiiiiina, cançããão pequenina.
Cantei-a a noite iiiiiinteira,
e quando veio a manhã,
tiiiiiive que começar tudo outra vez.
A minha canção é tão, tãooooo pequeniiiiiina.
Podia agachar-me, arrastar-me,
procurar de uma parede à outra,
não acharia nadiiiiinha.
Como podes odiar uma canção tão pequeniiiiiina?
Se estivesse errada, estaria certa - não tenhas medo,
é só uma -niiiiiiina, canção pequenina.
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Até aqui
Parece entristecida, mas é uma cantiga do bem, que além disso diz com vozes quentes, como esta e a da manhã que está ali fora. De cantigas, hoje, estou benzidinha.
terça-feira, 19 de outubro de 2010
"Passeata feminista"
Uma barata dispersou
a passeata.
a passeata.
(Dito por Zizo a 8/10/2010, no átrio do edifício do Centro de Artes e Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco)
domingo, 17 de outubro de 2010
Verão tardio (ou: Cão vadio)
(Foto do canídeo amigo com o Mano ao longe, na praia livre de tubarões, de água morna e de água de côco: Reboliço. Ancão.)
sábado, 16 de outubro de 2010
Anotação para um futuro próximo
Cozinhar, pelo menos uma vez por mês, um vatapá e umas migas de camarão.
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
- O que é essa comoção toda na televisão, Reboliço?
- São os mineiros chilenos que saem de debaixo da terra. Já vão uns nove resgatados.
- Ah, estou a ver... Mas o que foi que se passou?
- Conseguiram levar uma sonda até onde eles estavam, experimentaram a cápsula que trará um a um, e agora estão lentamente a trazer os mineiros para a superfície.
- Sim, já vejo. Mas... o que foi que aconteceu com esses mineiros?
- Luca!... Luca, onde é que tens andado estes dois meses, Luca?
- Uái, por aí... A correr atrás das bicicletas, a ver as borboletinhas e os lírios do campo, a tomar banho de piscina. Quase não tenho visto as notícias, parece-me sempre que está tudo bem.
- Isto passou-se há dois meses, Luca! Dois meses!
- Está bem, pronto, e agora queres que faça o quê?!
- Bem, podias sentar-te um bocadinho a meditar no que é o homem, que apesar de se especializar em guerras e máquinas de morte, é engenhoso e consegue ser solidário quando luta para salvar outros. Senta-te aqui sossegada e lê comigo os relatos. Isto é um passo gigante para a Humanidade, Luca.
- Ora precisamente: já olhaste bem para mim? Eu cá sou cão, Reboliço! Além de que tenho muito que fazer. Hoje ainda nem almocei. Fui!
- São os mineiros chilenos que saem de debaixo da terra. Já vão uns nove resgatados.
- Ah, estou a ver... Mas o que foi que se passou?
- Conseguiram levar uma sonda até onde eles estavam, experimentaram a cápsula que trará um a um, e agora estão lentamente a trazer os mineiros para a superfície.
- Sim, já vejo. Mas... o que foi que aconteceu com esses mineiros?
- Luca!... Luca, onde é que tens andado estes dois meses, Luca?
- Uái, por aí... A correr atrás das bicicletas, a ver as borboletinhas e os lírios do campo, a tomar banho de piscina. Quase não tenho visto as notícias, parece-me sempre que está tudo bem.
- Isto passou-se há dois meses, Luca! Dois meses!
- Está bem, pronto, e agora queres que faça o quê?!
- Bem, podias sentar-te um bocadinho a meditar no que é o homem, que apesar de se especializar em guerras e máquinas de morte, é engenhoso e consegue ser solidário quando luta para salvar outros. Senta-te aqui sossegada e lê comigo os relatos. Isto é um passo gigante para a Humanidade, Luca.
- Ora precisamente: já olhaste bem para mim? Eu cá sou cão, Reboliço! Além de que tenho muito que fazer. Hoje ainda nem almocei. Fui!
terça-feira, 12 de outubro de 2010
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
"Terceira noite: sei que posso escrever. Alguns erros dactilográficos, nada mais. Sintaxe perfeita. Qualquer rapidez, qualquer noite. No entanto, sou avassalada por velha preguiça, velha self-pity, indulgência. Não era mais a mesma, no então queria sêlo [sic]. Velha Ana! E boba."
(Ana Cristina César, Antigos e soltos: poemas e prosas da pasta rosa, p. 37.)
sábado, 2 de outubro de 2010
Fruta-cores
(Fotos do caju - fruta dupla, mole de escorrer suco pelos braços abaixo e rija de torrar e mordiscar já seca a sua castanha - e do sapoti a amadurecer ao sol, antes de se fazer doce como a chila ou a jaca: Reboliço, melado, picado dos muriçocas e a correr à procura da sombra.)
>
Comidinha,
Fotos,
Onde andei
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Novas ruínas
O CIAC lançou com a Gradiva uma re-edição do texto de Nelson Brissac Peixoto, Cenários em Ruínas. A mana tratou-lhe da capa.
>
Mana
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