Tanta nuvem que não é nuvem, mas manta de água a não querer sair e a tapar dos nossos olhos o céu. Uma manta de brincar, alevantada pelos sopros do mundo para ficarmos a olhar, divertidos, o que se passa debaixo dela. O Reboliço vê e lê as nuvens sobre Bruxelas. Vê as mulheres que se auxiliam no lugar onde a humidade falta e a humidade sobra. Tanta coisa bela, Reboliço, que te dão a ver.
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
domingo, 9 de outubro de 2011
Abatido um homem
Rihanna canta que não tinha intenção de lhe fazer mal. Johnny Cash, Johnny Cash atirou só para o ver morrer. Não, não: a menina chama Peggy Sue à arma com que atirou para ouvir que rima com twenty-two; o bom do ex-inmate quer rimar die com cry, nada mais. Mas lá de onde está deveria ser capaz de fazer chegar ao Reboliço uma versão - grandiosa, como todas as que fez - de "Man Down". Não se melindre a Rihanna, Rihanna, que o seu sotaque caribenho é mel para os ouvidos de um canito.
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
O Apartamento
- Rafa, desceste à terra?
- É que estou morto, sim, Reboliço, mas ainda me mata a curiosidade.
- Então? O que se passa?
- Soube que o meu dono voltou a acertar. Tu viste, não foi?
- Vi e gostei muito de ver. Ele traduziu, adaptou para teatro (que aquilo tinha sido cinema e pronto), e encenou.
- E os actores, que tal vão?
- Excelentes, o C.C. Baxter, a Fran e Mr Sheldrake. Boa companhia, Rafa. E na banda sonora, além das sirenes da cidade, ouve-se o nosso latido, claramente ouvido.
- Quem me dera ir ver...
- É que estou morto, sim, Reboliço, mas ainda me mata a curiosidade.
- Então? O que se passa?
- Soube que o meu dono voltou a acertar. Tu viste, não foi?
- Vi e gostei muito de ver. Ele traduziu, adaptou para teatro (que aquilo tinha sido cinema e pronto), e encenou.
- E os actores, que tal vão?
- Excelentes, o C.C. Baxter, a Fran e Mr Sheldrake. Boa companhia, Rafa. E na banda sonora, além das sirenes da cidade, ouve-se o nosso latido, claramente ouvido.
- Quem me dera ir ver...
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
Jonathan Mak Long
É o nome do moço, nefelibata como o Reboliço, que desenhou uma das imagens que andam a circular a propósito da morte de Steve Jobs. Em 99% dos casos em que o Reboliço a viu circular, à imagem, andava órfã de criador. Mundos imperfeitos, mundos imperfeitos.
h...
(Nos aparelhos da Apple, o "O" do título do post é uma maçãzinha dentada. Nanja nos outros. O mundo não é perfeito, Steve, por mais que se queira.)
>
Óbito,
Steve Jobs
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
Tarde de Verão
O Reboliço aproveita a moleza no dia de feriado: a calma das ruas, a cidade a alentar por baixo do sol de um Outubro licencioso. Prepara a mesa para o almoço. É a mesma mesa de duas abas, tampo de fórmica e pernas de ferro preto que se abria no pino do Verão para acrescentar à habitual, quando apareciam de surpresa os muitos primos, imaginada logo a alegria da tarde na praia ou nos pinheiros, o tacho de arroz com todos, o cheiro a pimento assado. Quando, volta não volta, se ouvia a mãe na cozinha: "Deixem-se de andar gansejando aqui à minha roda e vão mas é pôr a mesa!"
>
Família
Ainda lá está
(Foto de um pormenor da exposição "Imagens das Cartas", no Bartleby: Teresa Valente. Obrigada!
O Bartleby abre às Quintas, Sextas e Sábados, das 22h às 02h e esta exposição pode ser vista até dia 20 deste mês.)
domingo, 2 de outubro de 2011
O Reboliço é um nefelibata (57)
(Foto: Reboliço. A verdade é que havia uma bolha de água, de condensação, do lado de lá da janela. Quem fotografou quis tê-la no centro do triângulo de mar que os pedaços de terra e as falripas de nuvens - a sair de Lisboa - faziam.)
>
Fotos,
Nefelibata
Antes de começar
"Errol's book made simple. (Some principles.)
OK. I'll stick with the book."
"O livro do Errol, simplificado. (Alguns princípios.)
OK. Vou ficar só com o livro."
- All photographs are posed.
- The intentions of the photographer are not recorded in a photographic image. (You can imagine what they are, but it's pure speculation.)
- Photographs are neither true nor false. (They have no truth-value.)
- False beliefs adhere to photographs like flies to flypaper.
- There is a causal connection between a photograph and what it is a photograph of. (Even photoshopped images.)
- Uncovering the relationship between a photograph and reality is no easy matter.
- Most people don't care about this and prefer to speculate about what they believe about a photograph.
- The more famous a photograph is, the more likely it is that people will claim it has been posed or faked.
OK. I'll stick with the book."
(Onze tweets de Errol Morris a 1 de Outubro de 2011, sobre o seu mais recente livro, Believing is seeing [Observations on the Mysteries of Photography]. Outras impressões de Morris a propósito, nesta entrevista.
- Todas as fotografias são encenadas.
- As intenções do fotógrafo não ficam registadas numa imagem fotográfica. (Podemos imaginar quais sejam, mas será pura especulação.)
- As fotografias não são verdadeiras nem falsas. (Não têm valor de verdade.)
- As falsas crenças agarram-se às fotografias como moscas a papel mata-moscas.
- Existe uma relação causal entre uma fotografia e aquilo de que é uma fotografia. (Mesmo em imagens trabalhadas num programa como o Photoshop.)
- Não é coisa fácil revelar a relação entre uma fotografia e a realidade.
- A maioria das pessoas não quer saber disto e prefere especular sobre aquilo em que acreditam a propósito de uma fotografia.
- Quanto mais famosa for a fotografia, mais provável é dizerem dela que é falsa ou encenada.
OK. Vou ficar só com o livro."
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
Isto não é a Experimenta Design '11
(Retrato de Otelo Fabião com a sua genuína obra, em 2008: José Barry. Not Experimenta.)
- Reboliço, já acabaram os telegramas. Kaput. Nicles, já não há.
- Mas toda a gente compreende o que quer dizer mensagem telegráfica, Luca. Vê lá se recebes: Galáxia McLuhan. Palavras/palavras. P/ nosso conhecimento. E outras cartas.
- Espera, espera lá! Mas onde é que tu vais com essa pressa toda? Nem é teu costume, Reboliço. Anda cá já!
- Mas toda a gente compreende o que quer dizer mensagem telegráfica, Luca. Vê lá se recebes: Galáxia McLuhan. Palavras/palavras. P/ nosso conhecimento. E outras cartas.
- Espera, espera lá! Mas onde é que tu vais com essa pressa toda? Nem é teu costume, Reboliço. Anda cá já!
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
The tortoise
She advances
like a
patterned stone
ab-
ove
old sand.
like a
patterned stone
ab-
ove
old sand.
(Reboliço e Marco A. Osório, 24 de Setembro de 2011.
Workshop de poesia do Dia Europeu das Línguas, Instituto Britânico.
Obrigado, Alfredo. Obrigado, David Herberto.)
domingo, 25 de setembro de 2011
Anúncio
(Cartaz da exposição: Mana Gabriela. Tão agradecido que está o Reboliço.
A inauguração é esta sexta, dia 30, às 22h30. No Bartleby Bar.
A ideia de expor imagens das Cartas do Meu Moinho foi da Inês.
A escolha das que se haverão de mostrar foi do Vasco.
Obrigada ao Miguel e ao Manuel, do Bartleby, e às lindas da BlocoD.)
A inauguração é esta sexta, dia 30, às 22h30. No Bartleby Bar.
A ideia de expor imagens das Cartas do Meu Moinho foi da Inês.
A escolha das que se haverão de mostrar foi do Vasco.
Obrigada ao Miguel e ao Manuel, do Bartleby, e às lindas da BlocoD.)
sábado, 24 de setembro de 2011
"aquela mistura de absurdos, surpresa e perplexidade, num tremor de revolta a estrebuchar"*
O Reboliço não sabe o que mais o surpreende: se as imagens mostradas, se a possibilidade da descoberta (descoberta?), se a semelhança com a ideia que tem do que se passa no cérebro para ver, aquela mistura, se o facto de ser tudo a cores. A cores?
*Marlowe a perguntar aos que o ouvem, no Nellie, se conseguem ver Kurtz só do que ele lhes conta, da narrativa que diz ser como tentar contar um sonho.
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
(Post dedicado)
O Outono chegou, pensa o Reboliço. Passa na rua um casal que se beija em dois sorrisos largos, mais adiante um pai despede-se do filho, para o dia, vai cada um para o seu lado da esquina - o moço segue, argolinha de prata na orelha, calças descaídas até cada uma das meias coxas de pré-adulto. O sol aparece entre a timidez das nuvens e o final do dia fica tisnado de muitas cores-de-rosa. O Reboliço escapa-se às sombras, faz ao contrário do que lhe é hábito nos dias de calma: vai pelo lado da luz e sabe que as folhas das árvores se atiram ao chão para descansar.
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Todos os nomes
Now somewhere in the black mountain hills of Dakota
There lived a young boy named Rocky Raccoon,
And one day his woman ran off with another guy,
Hit young Rocky in the eye, Rocky didn't like that.
He said "I'm gonna get that boy".
So one day he walked into town,
Booked himself a room in the local saloon.
There lived a young boy named Rocky Raccoon,
And one day his woman ran off with another guy,
Hit young Rocky in the eye, Rocky didn't like that.
He said "I'm gonna get that boy".
So one day he walked into town,
Booked himself a room in the local saloon.
Rocky Raccoon checked into his room
Only to find Gideon's bible.
Rocky had come equipped with a gun
To shoot off the legs of his rival;
His rival it seems had broken his dreams
By stealing the girl of his fancy.
Her name was Magill and she called herself Lil
But everyone knew her as Nancy.
Now she and her man who called himself Dan
Were in the next room at the hoe down.
Rocky burst in and grinning a grin,
He said Danny boy this is a showdown.
But Daniel was hot - he drew first and shot
And Rocky collapsed in the corner.
Only to find Gideon's bible.
Rocky had come equipped with a gun
To shoot off the legs of his rival;
His rival it seems had broken his dreams
By stealing the girl of his fancy.
Her name was Magill and she called herself Lil
But everyone knew her as Nancy.
Now she and her man who called himself Dan
Were in the next room at the hoe down.
Rocky burst in and grinning a grin,
He said Danny boy this is a showdown.
But Daniel was hot - he drew first and shot
And Rocky collapsed in the corner.
Now the doctor came in stinking of gin
And proceeded to lie on the table.
He said Rocky you met your match.
And Rocky said, Doc it's only a scratch
And I'll be better doc as soon as I am able.
And proceeded to lie on the table.
He said Rocky you met your match.
And Rocky said, Doc it's only a scratch
And I'll be better doc as soon as I am able.
Now Rocky Raccoon he fell back in his room
Only to find Gideon's bible
Gideon checked out and he left it no doubt
To help with good Rocky's revival.
Only to find Gideon's bible
Gideon checked out and he left it no doubt
To help with good Rocky's revival.
terça-feira, 20 de setembro de 2011
Papéis velhos (2)
(Foto do clip amarfanhado de uma revista, com Jean Marais e Josette Day, em La Belle et la Bête [1946]: Reboliço, desconfiado.)
domingo, 18 de setembro de 2011
Duas chaminés
(Foto da sombra da chaminé da casa da amassaria, sobre a parede do monte: Reboliço, a estraçalhar as saudades, a ver o sol esforçar-se, como sempre, por chegar à porta da frente do moinho.)
sábado, 17 de setembro de 2011
This is just to say
É só para dizer
Que comi
as ameixas
que estavam
na geleira
e que
provavelmente estavas a
guardar
para o pequeno-almoço
Perdoa-me
estavam deliciosas
tão doces
e tão frescas
Que comi
as ameixas
que estavam
na geleira
e que
provavelmente estavas a
guardar
para o pequeno-almoço
Perdoa-me
estavam deliciosas
tão doces
e tão frescas
(Tradução minha.)
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
As delícias

(Foto-oferta para o Reboliço: F., já no meio da terra mas de sombra nas águas, "Ah, que giro...". Merci, merci!)
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
Foi bonito.
A voz de Manoel de Oliveira e o texto do Evangelho segundo São Mateus sobrepõem-se às imagens do pão, na tela da sala Luís de Pina: "A que é semelhante o reino dos céus? - O reino dos céus é semelhante ao fermento que uma mulher tomou e escondeu em três medidas de farinha, até ficar tudo levedado."
A parábola fala do fermento que se multiplica em pão, da fé que se espalha entre os homens. Na sala, multiplicados por oito, estão Luís, o moleiro que na tela joeirava o trigo e se escusava à câmara, e Adelaide, a antiga mulher vestida de negro: quatro netos, três bisnetos, um trineto.
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
"Abrir os cofres", abrir as arcas
Hoje ao fim da tarde (19h30), na sala Luís de Pina da Cinemateca Portuguesa, serão exibidos os documentários O Pão, de Manoel de Oliveira (versão de 1964), As Palavras e os Fios, de Fernando Lopes (1962), Nocturno, de Jacinto Ramos (1962) e O Fogo e o Aço, de António Ruano (1966). O filme de Oliveira mostra imagens, captadas ainda na década de 50, de um moinho em Beja onde, durante pouco tempo, laborou o bisavô Luís. Lá aparece, a joeirar o trigo e a carregar uma saca, sob o olhar de uma gata pequenina. A bisavó Adelaide também se vê, ao lado do moinho, num exterior de postal ilustrado. Entre outras moendas, novas na altura, e já antigas. Os três outros filmes serão iguais mimos e a sessão será apresentada pelo Professor Paulo Miguel Martins.
terça-feira, 13 de setembro de 2011
Pudim de ovos
(Foto do pudim de ovos feito pela D. Maria Ermelinda, zelosa e nonagenária quituteira, que lamentou ter tido a visita de uma amiga enquanto o pudim cozinhava - "Distraiu-me um bocadinho.": Reboliço, segundos antes de comprovar o equilíbrio entre açúcar só q.b., gordura pouca, sabor dos ovos, leveza sobre a língua. Obrigada, Cristina e Gonçalo!)
domingo, 11 de setembro de 2011
- Sabes o que significa isto que a tia traz ao pescoço, pequeno Matias? - O bichinho abana a cabeça, que não, meio a estranhar.
- É o símbolo da paz, meu sobrinho. Sabes o que é a paz? - Novo aceno, de um lado para o outro.
- A paz, meu amor, é quando gostamos das outras pessoas e lhes queremos sempre bem e queremos bem para nós também. Percebes?
- Pa' b'incarem com o Matias?
- Para brincarem com o Matias, isso mesmo.
- É o símbolo da paz, meu sobrinho. Sabes o que é a paz? - Novo aceno, de um lado para o outro.
- A paz, meu amor, é quando gostamos das outras pessoas e lhes queremos sempre bem e queremos bem para nós também. Percebes?
- Pa' b'incarem com o Matias?
- Para brincarem com o Matias, isso mesmo.
>
Matias
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Le néphélibate bureaucrate (4)
(Quadd-foto da janela do bureau: Reboliço, a arrancar e a fazer fósquinhas à F., que lhe ensinou a mexer no Quadd e anda a passar frio sem meias de jeito.)
Indignação
O Reboliço está indignado. Pensa que, se não houver em breve um esclarecimento e uma retractação dos senhores da Wordpress responsáveis pela suspensão do utilíssimo lugar de informação sobre o cinema português que é o blogue do Paulo Cunha, se estará perante um grave motivo para greves, petições públicas e pedidos de audiência às autoridades superiores.
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
O Reboliço é um nefelibata (56)
O Reboliço nunca se tinha posto a imaginar como seria um céu de nuvens no Equador, por exemplo.
terça-feira, 6 de setembro de 2011
Le néphélibate bureaucrate (3)
O Reboliço viaja para o bureau de Mercedes com chauffeur. Finíssimo, ele mais umas poucas dezenas de burocratas, felizes com os raios de sol que a cidade acolhe. Senta-se no banco sintético forrado de triângulos às cores, pegas de pvc, botões de stop para o motorista fazer o que lhe pedem, e pedem pouco, barras de metal, conversas à lacerda, caixotes empinados, luvas de boxe e chapéus de côco. Nas horas mais cínicas, acciona o hino das cínicas horas, fecha os olhinhos e deixa-se embalar.
>
Bureau,
Kanye West
sábado, 3 de setembro de 2011
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
Eurydice
(Hip-foto da perdida Eurydice, prestes a tornar-se transparente: Reboliço, na varanda ao sol a ver as sombras.)
domingo, 28 de agosto de 2011
sábado, 27 de agosto de 2011
Da tradução (post dedicado aos alunos da Pós em Editoriação, Univ. Cândido Mendes)
Devemos celebrar as traduções felizes.
Como o Précis de décomposition
de Cioran, convertido
em Breviário de apodrecimento.
Em momentos de máxima insegurança cultural
a arte de traduzir ergue-se
como última forma de conhecimento.
Agora que a torre da história
sofre assédios que podem ser os definitivos
temos de recorrer aos especialistas
e aos que traduzem
sem precipitação e com audácia
intuindo o sentido final dos escritos.
Para compreender tudo
o que se passa nestes anos,
basta este livro
de Arnaldo Momigliano
que trata de uma outra época:
The Alien Wisdom, que alguém traduziu
de forma tão bela por A sabedoria
dos bárbaros.
(Poema de Juan Antonio González Iglesias, versão de LP, citada a partir do seu blogue Do Trapézio Sem Rede, título que é ainda outra descrição do que é traduzir. In Del lado del amor - Poesía reunida (1994-2009), Visor, Madrid, 2010, p. 309.)
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Com toda a palavra (7)
(Foto do stencil sobre lioz, num prédio da Av. da República em Lisboa: Reboliço, a propósito de nadadores.)
>
Fotos
Palavras (inglesas) em vias de extinção
"Other words on the list include 'wittol' – a man who tolerates his wife's infidelity, which has not been much used since the 1940s."
>
o que li
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
Melanciómetro*
- Antigamente, Luca, não era preciso nada disso.
- Então como é que sabias se as melancias estavam boas para comer?
- O lavrador que as ia apanhar à terra, ou que as ia comprar, dava um carolo no bico de uma das botas que levava calçadas; a melancia que lhe soasse debaixo dos dedos como o som que eles faziam na bota era a melancia que estava madurinha, pronta a comer.
- Ora, é a mesma coisa: é pelo som que se mede a madurez da melancia, Reboliço.
- Hum... Não deixa de ser bem visto, não senhor... Será cómico ir à praça e ver o pessoal a equilibrar os aparelhinhos em cima das melancias!
- Então como é que sabias se as melancias estavam boas para comer?
- O lavrador que as ia apanhar à terra, ou que as ia comprar, dava um carolo no bico de uma das botas que levava calçadas; a melancia que lhe soasse debaixo dos dedos como o som que eles faziam na bota era a melancia que estava madurinha, pronta a comer.
- Ora, é a mesma coisa: é pelo som que se mede a madurez da melancia, Reboliço.
- Hum... Não deixa de ser bem visto, não senhor... Será cómico ir à praça e ver o pessoal a equilibrar os aparelhinhos em cima das melancias!
(*Nome do aparelhinho, segundo o pai. Dúvida do Reboliço: diz-se melanciómetro, melancinómetro ou melancímetro?)
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
O Reboliço é um nefelibata (55)
(Foto das nuvens em Manaus, sobre o Rio Negro, a acompanhar mais um belo retrato de Alexandra Lucas Coelho: Jordi Burch/Kameraphoto. O Reboliço deleita-se, como se fechasse os olhos e se achasse estirado numa daquelas espreguiçadeiras, lombo sobre a lona branca, olhos no branco das nuvens. Obrigada, Jordi!)
domingo, 21 de agosto de 2011
"A minha musa não é nenhum cavalo,"
... escreveu Nick Cave à MTV, para se escusar a receber o prémio de Melhor Artista Masculino em 1996. Não senhor, cavalo nenhum.
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
Le néphélibate bureaucrate (2)
(Foto das nuvens a embranquecerem ao longe: Reboliço, para assinalar o Dia Mundial da Fotografia. Segunda vez - para a T., que não desarma.)
>
Bureau,
Fotos,
Nefelibata
Fotografia = escrita iluminada
[O Reboliço assinala o Dia Mundial da Fotografia.]
LAPINHA
Para a Lorena
o último pássaro metálico
deixando para trás os portões
encerrados das lagoas.
É um tempo de aranhas
esquecidas das teias, aves
suspensas no voo, amigos
que invocam em silêncio as estações
e recordam ainda a Criação,
camada por camada.
Sobre os homens desce então
uma redoma de nuvens, que a estrela
única vem selar. Cada um risca
as fronteiras do sonho com sebes
de hortênsias ou muros de basalto,
esperando depois que as três
voltas do milhafre não o surpreendam
entre as espigas altas do mundo.
E o medo torna-se subitamente
navegável, mar de minúsculas
e carnudas conchas estendido
a nossos pés, para que possamos
sempre caminhar sobre
as águas.
São Miguel, 14 de Agosto de 2011
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
Now that Post-Modernism is Dead, My Life Feels Empty! (*)
(*Glosa do título da hilariante peça de Richard Foreman.)
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
Papéis velhos
(Foto do clip amarfanhado de uma revista, com Rodolfo Valentino e Vilma Bánky, em Son of the Sheik [1926]: Reboliço, amarfanhante.)
terça-feira, 16 de agosto de 2011
Água a cair
O Reboliço gosta de se lembrar de quando o Barranco da Corte fugia, rápido, entre as margens. Ia a correr até lá, atrás das bicicletas, o vento a zunir-lhe nas orelhas e os olhos a perderem-se pelas cores que pintalgavam a Primavera. As maiores quedas de água que conheceu foram as que davam as correntes a saltar pedras e troncos naquele leito. Hoje, já seco o barranquinho da aldeia, entretém-se no pasmo de coisas que nem sabia imaginar. (Muitas graças, F.!).
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
Trinado
(Foto da imagem do bicho passarinha, no verso da moeda de 10 Escudos caboverdianos: Reboliço, a escutar também o vento.)
sábado, 6 de agosto de 2011
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
Le néphélibate bureaucrate (1)
(Hip-foto de três folhas da planta, chamada Mimi, no parapeito do bureau, e onde se avistam também as copas das árvores da rua: Reboliço, a pensar em como se há-de livrar da Mimi, que é muito verdinha mas não, mas não.)
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
Essencial precisão terminológica, relacionada com a fauna entomológica maioritariamente activa e audível durante as noites de calma
O Reboliço, instado, procurou documentar-se. Além do ouvido da experiência, deve falar a persistente e científica voz. O grilo, ou cricket, estridula, comme ça*. A cigarra - cicada orni - faz assim. E os ralinhos também guincham. O Reboliço fecha os olhos pequeninos e abana muito depressa a cabeça, como se quisesse fazer soltar de lá de dentro os barulhos. São quase iguais, todos estridentes. Ficou grilado. Mas à conta da pesquisa descobriu esta magnífica base de dados. (Obrigada, Fernando!)
* Tem que se procurar na página o link em "night insects", no oitavo parágrafo.
terça-feira, 2 de agosto de 2011
O Reboliço é um nefelibata (54)
(Fotos do final da tarde de ontem, para poente - onde o sol se põe - e para nascente - onde nasce nos vidros dos prédios -, desde a janela da cozinha: Reboliço, em rebuliço. O Reboliço sai, vai para fora de casa, mas leva nas narinas o cheiro da resina dos pinheiros no final da tarde, o silêncio que os pardais e os andorinhões interrompem a acoitar-se, as pilhas de livros à sua frente, com espaço para estarem cada uma no seu canto da sala, o vento que varre a casa, o chão de madeira e a lonjura que vê da janela - coisas que se agarram à pele como a resina, de persistência perfumada.)
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