quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Ir de cantiga em cantiga

Depois desta notícia, estoutra:
"A presente base de dados disponibiliza, aos investigadores e ao público em geral, a totalidade das cantigas medievais presentes nos cancioneiros galego-portugueses, as respetivas imagens dos manuscritos e ainda a música (quer a medieval, quer as versões ou composições originais contemporâneas que tomam como ponto de partida os textos das cantigas medievais). A base inclui ainda informação sucinta sobre todos os autores nela incluídos, sobre as personagens e lugares referidos nas cantigas, bem como a 'Arte de Trovar', o pequeno tratado de poética trovadoresca que abre o Cancioneiro da Biblioteca Nacional."

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Olhar o céu, olhar o chão.

(Fabulosa foto de um cemitério em Jerusalém: G.C.L. O Reboliço agradece, em admiração e em memória de todos os santos.)

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

"Cedo"

Ruas desertas - águas paradas.
Feridas abertas, portas fechadas:

Cidade antiga - minha cidade.
Que queres que diga,
Se já é tarde...

Neste degredo triste e sombrio,
O teu segredo - quem o ouviu?

Dizes que é cedo, mas tenho medo -
E sinto frio.

Rua das Trinas, ao longe o rio.
Escadas e esquinas - um assobio.

Velhas meninas com tristes sinas num bar vazio.

Lixo no cais - o casario.
Coisas banais, um cão vadio:

Desço a calçada, não penso em nada -
E sinto frio.

Jornais, revistas, truques e manhas.
Vagos turistas:
Chuva e castanhas,

Ouve-se um canto triste e cansado.
Parece um pranto: dizem que é fado

Rua do Ouro, chego ao Rossio.
Não sei se choro, não sei se rio.

Subo a avenida -
Estou tão perdida, está tanto frio!

Cidade antiga - dizes que é cedo...
Que queres que diga, se não te entendo?

Mas vou ouvindo e repetindo,
Mesmo não querendo,

Até que, cedo, minha cidade,
Sem frio nem medo, que Deus te guarde
Com teu segredo.

Contigo aprendo que nunca é tarde.

domingo, 30 de outubro de 2011

O Reboliço é um nefelibata (58)


(Fotos das nuvens: F. - obrigada! Foto da Bécassine a apontar para as nuvens, ao lado do P'tiprance, que pensa em como caiu delas: Reboliço, grato à I. pela lembrança doce.)

sábado, 29 de outubro de 2011

Unir o tracejado

O Reboliço lembra-se deste sábado no ano passado: a casa do moinho cheia de gente, tudo encafuado perto da lareira a abrigar-se da chuva, do vento e do frio. Um susto fora de casa, o barulho, as gotas grossas. Este ano, teve uma festa de anos peripatética, como disse Dona Renata, na cidade ensolarada, sem vento nem sombra de chuva. De um ponto a outro da cidade, entre amigos, entre risos, entre bolos, velas mágicas e sopros de muitos desejos - fez uma linha, de manhã à noite. Mesmo com os pontos que não se viram com os olhos de ver.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

"na forma normal da letra redonda"

Onde Fernando pede licença para publicar Camilo.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Um só plano

O Reboliço senta-se à frente do monitor, bem mandado. Descobre que a Madalena Fragoso sonha o que vê; acha os números, as relações entre o que é veloz e o que é o vagar, e ainda tem olho para a música. Brava moça, brava cabeça.
(O Reboliço lembra-se de outro adormecido belo.)

domingo, 23 de outubro de 2011

Ruim que só ele

"O Jimmy Stuart dizia que deixara de fazer filmes por já não gostar de se ver no ecrã. Eu cá sou mais do género 'estou que pareço uma porcaria, mas vamos lá ver onde isto vai parar.'"
Tom Waits, The Guardian.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Isto é muito, muito bom.

O Reboliço nem pensa duas vezes e põe-se a rodopiar de feliz. Quer lá saber que lhe chamem cão doido! Doidice, loucura, é o ódio. Vêm-lhe à ideia uns versos: "É urgente o humor - é urgente um barco no ar." Não, não era outra coisa.

"Ô ia io, ia io!..." (Post em memória e em dedicatória)

Bruxelles

Plates-bandes d'amarantes jusqu'à
L'agréable palais de Jupiter.
- Je sais que c'est Toi qui, dans ces lieux,
Mêles ton bleu presque de Sahara!

Puis, comme rose et sapin du soleil
Et liane ont ici leurs jeux enclos,
Cage de la petite veuve!...
Quelles
Troupes d'oiseaux, ô ia io, ia io!...

- Calmes maisons, anciennes passions!
Kiosque de la Folle par affection.
Après les fesses des rosiers, balcon
Ombreux et très bas de la Juliette.

- La Juliette, ça rappelle l'Henriette,
Charmante station du chemin de fer,
Au coeur d'un mont, comme au fond d'un verger
Où mille diables bleus dansent dans l'air!

Banc vert où chante au paradis d'orage,
Sur la guitare, la blanche Irlandaise.
Puis, de la salle à manger guyanaise,
Bavardage des enfants et des cages.

Fenêtre du duc qui fais que je pense
Au poison des escargots et du buis
Qui dort ici-bas au soleil.
Et puis
C'est trop beau! trop! Gardons notre silence.

- Boulevard sans mouvement ni commerce,
Muet, tout drame et toute comédie,
Réunion des scènes infinie
Je te connais et t'admire en silence.
(Jean-Arthur Rimbaud, que morreu faz hoje centivintanos.)

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Oh...

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Por isso...

Os adjectivos mais usados por Machado de Assis nas suas obras são bom, grande e melhor. Eis a razão, Reboliço, eis a razão do amor que lhe tens.

Nova antiga maravilha

O Consejo Superior de Investigaciones Científicas, que fica em Espanha, tem uma biblioteca de manuscritos árabes, hebraicos e aljamiados (que é como quem diz, documentos em que se usa o alfabeto árabe para transcrever línguas românicas, como o latim, o português ou o castelhano mais antigos), do século XVI mas não apenas. Como ficar é um verbo que já não se usa nestes contextos, porque as bibliotecas vão deixando de estar sossegadas e os livros passam a habitar muitas nuvens, as fronteiras de Espanha apagaram-se - apagam-se os limites dos países, dos horários de funcionamento, até das condições de acesso. É clicar (eis um verbo que se usa) aqui e começar a folhear.


(Descoberta que fez o Reboliço na mesma data em que se disponibiliza, a preço promocional até 11/11/11, uma aplicação da Biblioteca Britânica que permite explorar - explorar, eis outro verbo que se usa - cinquenta e oito manuscritos reais. Por exemplo, só um exemplo para ilustrar, que qualquer um é ilustrado, iluminado: o Livro de Salmos que encomendou Henrique VIII, anotado por seu régio punho.)

domingo, 16 de outubro de 2011

Dia de acção de blogues

O tema deste ano é paparoca. O Reboliço é muito amigo de comer e gostaria de viver num alegre lugar onde todas as pessoas e todos os canitos pudessem comer sempre que devesse ser e aquilo que lhes apetecesse, porque é o que se leva e o que nos há-de levar desta vidinha.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Post dedicado

(Foto: Reboliço. Para a I., a G., a I., a C., a C., a S., a A. - e a V.! Olhai para cima, olhai para cima.)

iznotmeizyou

Faz hoje um ano preciso que se começou a publicar no lugar maravilhoso chamado iznotmeizyou. O Reboliço revels.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Em escuros lugares

Levantámo-nos cedo,
Lavámos o rosto,
Caminhámos pelos campos,
Montámos cruzes.
Passámos
As montanhas do demo
A caminho do Inferno,
E alguns de nós regressaram,
E alguns não voltaram.

Pelos campos e pelas florestas,
Sob a lua, sob o sol,
Mais um Verão passou por nós
E nunca um homem,
Nunca uma mulher
Revelou os segredos deste mundo.

Então os nossos mancebos esconderam-se
Com as armas, entre o pó
E nos lugares escuros.
Os nossos mancebos esconderam-se com as armas,
Entre o pó e nos lugares escuros.
Os nossos mancebos esconderam-se com as armas,
Nas florestas e nos lugares escuros.
Polly Jean Harvey, "In the dark places", Let England shake, 2011. Pobre minha tradução.

We got up early,
Washed our faces,
Walked the fields
And put up crosses.
Passed through
The damned mountains,
Went hellwards,
And some of us returned,
And some of us did not.

In the fields and in the forests,
Under the moon and under the sun
Another summer has passed before us,
And not one man has,
Not one woman has
Revealed the secrets of this world.

So our young men hid
With guns, in the dirt
And in the dark places.
Our young men hid with guns,
In the dirt and in the dark places.
Our young men hid with guns
In the forests and in the dark places.
And not one man has
And not one woman has
Revealed the secrets of this world.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Duas sugestões para quem está em Lisboa, ou de passagem na cidade:

Até 20 de Outubro (de quinta a sábado, das 22h às 02h) ainda se pode ver nas paredes do Bartleby Bar a mostra de fotografias das Cartas.  

Até 6 de Novembro (de terça a sábado, às 21h30; aos domingos às 16h00) é possível e muito aconselhável ver a adaptação para teatro de O Apartamento, de Billy Wilder e I. A. L. Diamond, feita por Jorge Fraga.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

"um trabalho colectivo do grupo de teatro ÁDÓQUE"


(Fotos do LP, vinilnovíssimo, d'A Festa da Malta: Reboliço, exultante com o reencontro [através da Beat Records] e intrigado sem saber por que cargas de água não existe uma reedição. Arranjos das fotos: Mana. Em uníssono ao telefone: "Nove. Oito. Sete. Seeeis. Cinco. Quatro, três, dois, um! - E eeeeeu? - Tu éz um zero, menos que um!")

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Tanta coisa, F.!

Tanta nuvem que não é nuvem, mas manta de água a não querer sair e a tapar dos nossos olhos o céu. Uma manta de brincar, alevantada pelos sopros do mundo para ficarmos a olhar, divertidos, o que se passa debaixo dela. O Reboliço vê e lê as nuvens sobre Bruxelas. Vê as mulheres que se auxiliam no lugar onde a humidade falta e a humidade sobra. Tanta coisa bela, Reboliço, que te dão a ver.

domingo, 9 de outubro de 2011

Abatido um homem

Rihanna canta que não tinha intenção de lhe fazer mal. Johnny Cash, Johnny Cash atirou só para o ver morrer. Não, não: a menina chama Peggy Sue à arma com que atirou para ouvir que rima com twenty-two; o bom do ex-inmate quer rimar die com cry, nada mais. Mas lá de onde está deveria ser capaz de fazer chegar ao Reboliço uma versão - grandiosa, como todas as que fez - de "Man Down". Não se melindre a Rihanna, Rihanna, que o seu sotaque caribenho é mel para os ouvidos de um canito.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

O Apartamento

- Rafa, desceste à terra?
- É que estou morto, sim, Reboliço, mas ainda me mata a curiosidade.
- Então? O que se passa?
- Soube que o meu dono voltou a acertar. Tu viste, não foi?
- Vi e gostei muito de ver. Ele traduziu, adaptou para teatro (que aquilo tinha sido cinema e pronto), e encenou.
- E os actores, que tal vão?
- Excelentes, o C.C. Baxter, a Fran e Mr Sheldrake. Boa companhia, Rafa. E na banda sonora, além das sirenes da cidade, ouve-se o nosso latido, claramente ouvido.
- Quem me dera ir ver...

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Jonathan Mak Long

É o nome do moço, nefelibata como o Reboliço, que desenhou uma das imagens que andam a circular a propósito da morte de Steve Jobs. Em 99% dos casos em que o Reboliço a viu circular, à imagem, andava órfã de criador. Mundos imperfeitos, mundos imperfeitos.

h...

(Nos aparelhos da Apple, o "O" do título do post é uma maçãzinha dentada. Nanja nos outros. O mundo não é perfeito, Steve, por mais que se queira.)

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Tarde de Verão

O Reboliço aproveita a moleza no dia de feriado: a calma das ruas, a cidade a alentar por baixo do sol de um Outubro licencioso. Prepara a mesa para o almoço. É a mesma mesa de duas abas, tampo de fórmica e pernas de ferro preto que se abria no pino do Verão para acrescentar à habitual, quando apareciam de surpresa os muitos primos, imaginada logo a alegria da tarde na praia ou nos pinheiros, o tacho de arroz com todos, o cheiro a pimento assado. Quando, volta não volta, se ouvia a mãe na cozinha: "Deixem-se de andar gansejando aqui à minha roda e vão mas é pôr a mesa!"

Ainda lá está

(Foto de um pormenor da exposição "Imagens das Cartas", no Bartleby: Teresa Valente. Obrigada!
O Bartleby abre às Quintas, Sextas e Sábados, das 22h às 02h e esta exposição pode ser vista até dia 20 deste mês.)

domingo, 2 de outubro de 2011

Sabor a casa

O Miguel Pires voltou (como sempre volta e espero que continue a voltar) ao Algarve. E fotografou em duas levas. A praça de Loulé e tudo.

O Reboliço é um nefelibata (57)

(Foto: Reboliço. A verdade é que havia uma bolha de água, de condensação, do lado de lá da janela. Quem fotografou quis tê-la no centro do triângulo de mar que os pedaços de terra e as falripas de nuvens - a sair de Lisboa - faziam.)

Antes de começar

"Errol's book made simple. (Some principles.)
  1. All photographs are posed.
  2. The intentions of the photographer are not recorded in a photographic image. (You can imagine what they are, but it's pure speculation.)
  3. Photographs are neither true nor false. (They have no truth-value.)
  4. False beliefs adhere to photographs like flies to flypaper.
  5. There is a causal connection between a photograph and what it is a photograph of. (Even photoshopped images.)
  6. Uncovering the relationship between a photograph and reality is no easy matter.
  7. Most people don't care about this and prefer to speculate about what they believe about a photograph.
  8. The more famous a photograph is, the more likely it is that people will claim it has been posed or faked.
Terribly sorry if this all seems pretentious, but it's the stuff I think about.
OK. I'll stick with the book."

(Onze tweets de Errol Morris a 1 de Outubro de 2011, sobre o seu mais recente livro, Believing is seeing [Observations on the Mysteries of Photography]. Outras impressões de Morris a propósito, nesta entrevista.

"O livro do Errol, simplificado. (Alguns princípios.)

  1. Todas as fotografias são encenadas.
  2. As intenções do fotógrafo não ficam registadas numa imagem fotográfica. (Podemos imaginar quais sejam, mas será pura especulação.)
  3. As fotografias não são verdadeiras nem falsas. (Não têm valor de verdade.)
  4. As falsas crenças agarram-se às fotografias como moscas a papel mata-moscas.
  5. Existe uma relação causal entre uma fotografia e aquilo de que é uma fotografia. (Mesmo em imagens trabalhadas num programa como o Photoshop.)
  6. Não é coisa fácil revelar a relação entre uma fotografia e a realidade.
  7. A maioria das pessoas não quer saber disto e prefere especular sobre aquilo em que acreditam a propósito de uma fotografia.
  8. Quanto mais famosa for a fotografia, mais provável é dizerem dela que é falsa ou encenada.
Lamento profundamente se tudo isto parecer pretensioso, mas é sobre coisas destas que penso.
OK. Vou ficar só com o livro."

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Isto não é a Experimenta Design '11

(Retrato de Otelo Fabião com a sua genuína obra, em 2008: José Barry. Not Experimenta.)
- Reboliço, já acabaram os telegramas. Kaput. Nicles, já não há.
- Mas toda a gente compreende o que quer dizer mensagem telegráfica, Luca. Vê lá se recebes: Galáxia McLuhan. Palavras/palavras. P/ nosso conhecimento. E outras cartas.
- Espera, espera lá! Mas onde é que tu vais com essa pressa toda? Nem é teu costume, Reboliço. Anda cá já!

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

The tortoise

She advances
like a
patterned stone
ab-
ove
old sand.
(Reboliço e Marco A. Osório, 24 de Setembro de 2011.
Workshop de poesia do Dia Europeu das Línguas, Instituto Britânico.
Obrigado, Alfredo. Obrigado, David Herberto.)

domingo, 25 de setembro de 2011

Anúncio

(Cartaz da exposição: Mana Gabriela. Tão agradecido que está o Reboliço.
A inauguração é esta sexta, dia 30, às 22h30. No Bartleby Bar.
A ideia de expor imagens das Cartas do Meu Moinho foi da Inês.
A escolha das que se haverão de mostrar foi do Vasco.
Obrigada ao Miguel e ao Manuel, do Bartleby, e às lindas da BlocoD.)

sábado, 24 de setembro de 2011

"aquela mistura de absurdos, surpresa e perplexidade, num tremor de revolta a estrebuchar"*

O Reboliço não sabe o que mais o surpreende: se as imagens mostradas, se a possibilidade da descoberta (descoberta?), se a semelhança com a ideia que tem do que se passa no cérebro para ver, aquela mistura, se o facto de ser tudo a cores. A cores?
*Marlowe a perguntar aos que o ouvem, no Nellie, se conseguem ver Kurtz só do que ele lhes conta, da narrativa que diz ser como tentar contar um sonho.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

(Post dedicado)

O Outono chegou, pensa o Reboliço. Passa na rua um casal que se beija em dois sorrisos largos, mais adiante um pai despede-se do filho, para o dia, vai cada um para o seu lado da esquina - o moço segue, argolinha de prata na orelha, calças descaídas até cada uma das meias coxas de pré-adulto. O sol aparece entre a timidez das nuvens e o final do dia fica tisnado de muitas cores-de-rosa. O Reboliço escapa-se às sombras, faz ao contrário do que lhe é hábito nos dias de calma: vai pelo lado da luz e sabe que as folhas das árvores se atiram ao chão para descansar.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Oh...

"... colaborou em diversas iniciativas e diplomas legislativos: Código dos Direitos de Autor e Direitos Conexos, Lei de Protecção da Música Portuguesa, Redução do Imposto sobre Importação de Instrumentos musicais, etc." Among other things.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Todos os nomes


Now somewhere in the black mountain hills of Dakota
There lived a young boy named Rocky Raccoon,
And one day his woman ran off with another guy,
Hit young Rocky in the eye, Rocky didn't like that.
He said "I'm gonna get that boy".
So one day he walked into town,
Booked himself a room in the local saloon.
Rocky Raccoon checked into his room
Only to find Gideon's bible.
Rocky had come equipped with a gun
To shoot off the legs of his rival;
His rival it seems had broken his dreams
By stealing the girl of his fancy.
Her name was Magill and she called herself Lil
But everyone knew her as Nancy.
Now she and her man who called himself Dan
Were in the next room at the hoe down.
Rocky burst in and grinning a grin,
He said Danny boy this is a showdown.
But Daniel was hot - he drew first and shot
And Rocky collapsed in the corner.
Now the doctor came in stinking of gin
And proceeded to lie on the table.
He said Rocky you met your match.
And Rocky said, Doc it's only a scratch
And I'll be better doc as soon as I am able.
Now Rocky Raccoon he fell back in his room
Only to find Gideon's bible
Gideon checked out and he left it no doubt
To help with good Rocky's revival.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Papéis velhos (2)

(Foto do clip amarfanhado de uma revista, com Jean Marais e Josette Day, em La Belle et la Bête [1946]: Reboliço, desconfiado.)

domingo, 18 de setembro de 2011

Duas chaminés


(Foto da sombra da chaminé da casa da amassaria, sobre a parede do monte: Reboliço, a estraçalhar as saudades, a ver o sol esforçar-se, como sempre, por chegar à porta da frente do moinho.)

sábado, 17 de setembro de 2011

This is just to say

É só para dizer

Que comi
as ameixas
que estavam
na geleira

e que
provavelmente estavas a
guardar
para o pequeno-almoço

Perdoa-me
estavam deliciosas
tão doces
e tão frescas
(Tradução minha.)

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

As delícias

(Foto-oferta para o Reboliço: F., já no meio da terra mas de sombra nas águas, "Ah, que giro...". Merci, merci!)

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Foi bonito.

A voz de Manoel de Oliveira e o texto do Evangelho segundo São Mateus sobrepõem-se às imagens do pão, na tela da sala Luís de Pina: "A que é semelhante o reino dos céus? - O reino dos céus é semelhante ao fermento que uma mulher tomou e escondeu em três medidas de farinha, até ficar tudo levedado."
A parábola fala do fermento que se multiplica em pão, da fé que se espalha entre os homens. Na sala, multiplicados por oito, estão Luís, o moleiro que na tela joeirava o trigo e se escusava à câmara, e Adelaide, a antiga mulher vestida de negro: quatro netos, três bisnetos, um trineto.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

"Abrir os cofres", abrir as arcas

Hoje ao fim da tarde (19h30), na sala Luís de Pina da Cinemateca Portuguesa, serão exibidos os documentários O Pão, de Manoel de Oliveira (versão de 1964), As Palavras e os Fios, de Fernando Lopes (1962), Nocturno, de Jacinto Ramos (1962) e O Fogo e o Aço, de António Ruano (1966). O filme de Oliveira mostra imagens, captadas ainda na década de 50, de um moinho em Beja onde, durante pouco tempo, laborou o bisavô Luís. Lá aparece, a joeirar o trigo e a carregar uma saca, sob o olhar de uma gata pequenina. A bisavó Adelaide também se vê, ao lado do moinho, num exterior de postal ilustrado. Entre outras moendas, novas na altura, e já antigas. Os três outros filmes serão iguais mimos e a sessão será apresentada pelo Professor Paulo Miguel Martins.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Pudim de ovos

(Foto do pudim de ovos feito pela D. Maria Ermelinda, zelosa e nonagenária quituteira, que lamentou ter tido a visita de uma amiga enquanto o pudim cozinhava - "Distraiu-me um bocadinho.": Reboliço, segundos antes de comprovar o equilíbrio entre açúcar só q.b., gordura pouca, sabor dos ovos, leveza sobre a língua. Obrigada, Cristina e Gonçalo!)

domingo, 11 de setembro de 2011

- Sabes o que significa isto que a tia traz ao pescoço, pequeno Matias? - O bichinho abana a cabeça, que não, meio a estranhar.
- É o símbolo da paz, meu sobrinho. Sabes o que é a paz? - Novo aceno, de um lado para o outro.
- A paz, meu amor, é quando gostamos das outras pessoas e lhes queremos sempre bem e queremos bem para nós também. Percebes?
- Pa' b'incarem com o Matias?
- Para brincarem com o Matias, isso mesmo.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Le néphélibate bureaucrate (4)

(Quadd-foto da janela do bureau: Reboliço, a arrancar e a fazer fósquinhas à F., que lhe ensinou a mexer no Quadd e anda a passar frio sem meias de jeito.)

Indignação

O Reboliço está indignado. Pensa que, se não houver em breve um esclarecimento e uma retractação dos senhores da Wordpress responsáveis pela suspensão do utilíssimo lugar de informação sobre o cinema português que é o blogue do Paulo Cunha, se estará perante um grave motivo para greves, petições públicas e pedidos de audiência às autoridades superiores.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

O Reboliço é um nefelibata (56)

O Reboliço nunca se tinha posto a imaginar como seria um céu de nuvens no Equador, por exemplo.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Le néphélibate bureaucrate (3)

O Reboliço viaja para o bureau de Mercedes com chauffeur. Finíssimo, ele mais umas poucas dezenas de burocratas, felizes com os raios de sol que a cidade acolhe. Senta-se no banco sintético forrado de triângulos às cores, pegas de pvc, botões de stop para o motorista fazer o que lhe pedem, e pedem pouco, barras de metal, conversas à lacerda, caixotes empinados, luvas de boxe e chapéus de côco. Nas horas mais cínicas, acciona o hino das cínicas horas, fecha os olhinhos e deixa-se embalar.

sábado, 3 de setembro de 2011

Dog days are never over

E menos terminarão se forem assim apanhados, fixados, mostrados.