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segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Lazarus

Olhem cá para cima, estou no céu
Tenho cicatrizes que não se vêem
Tenho drama, não mo podem roubar
Agora todos sabem quem sou

Olhem cá para cima,
estou em perigo
Já nada tenho a perder
Estou tão no alto, a cabeça a andar à roda
Deixei cair o telemóvel

Não é mesmo coisa minha...?

Quando cheguei a Nova Iorque
Vivia que nem um rei
Depois gastei o que tinha
Andava à tua procura

Ou assim ou de maneira nenhuma
Já sabes, ficarei livre
Como aquele pássaro azul
Não é mesmo coisa minha...?

Ah, ficarei livre
Como aquele pássaro azul
Ah, ficarei livre
Não é mesmo coisa minha...?

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

"He knows it's all worthwhile"

O Reboliço ia no táxi de um lado para o outro. Era um dia calmo, de fim-de-semana prolongado pelo feriado de Nossa Senhora Aparecida. Do rádio saíam músicas de melodia fácil, bem conhecidas, e ia olhando pela janela a ver passar os prédios de viés. A meio do caminho, reconheceu os acordes de "Starman", mas de algum modo distintos dos que ouvira tantas vezes por David Bowie. "É o Seu Jorge," pensou. Mas não era Seu Jorge coisa nenhuma. Eram os Nenhum de Nós, o mais curioso nome de banda que já ouvira, e a versão de 1989, com letra em português, que Seu Jorge haveria de cantar para o filme de Wes Anderson: "O Astronauta de Mármore." As bandeiradas iam caindo, o taxista martelando os dedos no volante ao ritmo da cantiga, e o assobio do Reboliço a acompanhar até ao fim da viagem.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

É o Dia da Terra, por todo o universo.


............
Voam palavras sem parar
............como chuva num copo de papel -
............deslizam ao passar,
............ao escorregar
............por todo o universo.
............Charcos de dor, ondas de alegria
............vagueiam no meu pensamento aberto
............possuem-me e acariciam-me.

............jai guru deva OM
............Nada mudará o meu mundo.
...............

............Imagens de luz quebrada
............dançam diante de mim como milhões de olhos
............que me chamam sem parar
............por todo o universo.
............Erram pensamentos como
............vento inquieto numa caixa de correio -
............atropelam-se, cegos,
............no caminho que fazem
............por todo o universo.

............jai guru deva OM
............Nada mudará o meu mundo.
...............

............Sons de risos, sombras de vida
............ecoam nos meus ouvidos abertos
............excitam-me e convidam-me.
............Sem limites, imorredoiro, o amor
............brilha à minha volta como milhões de sóis
............chama-me sem parar
............por todo o universo.

............jai guru deva OM
............Nada mudará o meu mundo.
...............
............jai guru deva
............jai guru deva

(As palavras de John Lennon são de 1968. Os Beatles gravaram primeiro a versão simples. A oficial, de 1969, ficou com arranjos mais sofisticados. Em 1975, David Bowie cantou-a em Young Americans e já lhe tirou o refrão em sânscrito.)