domingo, 2 de março de 2008

A luz do dia

"Era una giornata straordinariamente bella. Dopo quel passaggio di nuvole 'mitiche' cui ho già accennato, era tornato il sereno, e il sole splendeva liberamente senza che nulla si frapponesse tra la città e la sua luce. Ora, era proprio questa luce, appunto, la cosa straordinaria. E non lo dico per <...> poesia: ma perché - in questo particolare caso - la bellezza della luce è in qualche modo proprio in funzione del mio racconto. Succede spesso, effettivamente, che la luce sia cosí assoluta, quieta, profonda - rendendo il colore del cielo di un azzurro perfetto - anche se appena un po' velato, chiaro, quasi marino - da dare l'impressione di non appartenere al presente, ma a un passato miracolosamente riapparso."

(Era um dia extraordinariamente belo. Depois daquela passagem de nuvens 'míticas' que já assinalei, regressara o sereno, e o sol brilhava livremente sem que nada se interpusesse entre a cidade e a sua luz. Ora, era mesmo esta luz, precisamente, a coisa extraordinária. E não o digo por poesia: mas porque - neste caso particular - a beleza da luz está, de um qualquer modo próprio, em função da minha narrativa. Sucede muitas vezes, de facto, que a luz é assim tão absoluta, quieta, profunda - a deixar a cor do céu de um azul perfeito - mesmo se apenas um pouco velado, claro, quase marinho - a dar a impressão de não pertencer ao presente, mas a um passado miraculosamente reaparecido.)

Pier Paolo Pasolini, "Appunto 3a; Prefazione posticipata" a Petrolio, Torino, Einaudi, 1992, p. 16
Tradução minha.