sábado, 30 de janeiro de 2016

Lewis < Morse

Foto de dois wasted men em momento inspiracional: Reboliço. Depois de Inspector Lewis, o Reboliço assiste aos episódios de Inspector Morse. Pela ordem, portanto, inversa à da narrativa da série. Mas como gosta de descobrir a verdade do que o velho Lewis conta sobre o antigo chief-detective, vendo-o (a Lewis) em novo!

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Lazarus

Olhem cá para cima, estou no céu
Tenho cicatrizes que não se vêem
Tenho drama, não mo podem roubar
Agora todos sabem quem sou

Olhem cá para cima,
estou em perigo
Já nada tenho a perder
Estou tão no alto, a cabeça a andar à roda
Deixei cair o telemóvel

Não é mesmo coisa minha...?

Quando cheguei a Nova Iorque
Vivia que nem um rei
Depois gastei o que tinha
Andava à tua procura

Ou assim ou de maneira nenhuma
Já sabes, ficarei livre
Como aquele pássaro azul
Não é mesmo coisa minha...?

Ah, ficarei livre
Como aquele pássaro azul
Ah, ficarei livre
Não é mesmo coisa minha...?

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Moinhos na Poesia (77)

(Foto da página inicial da canção "Grilos e grilões", de Sidónio Muralha: Reboliço, encantado. O volume chama-se Bichos, bichinhos e bicharocos, é uma edição facsimilada da 1ª, de 1949, com textos de Muralha, ilustrações de Júlio Pomar, então com 23 aninhos, e inclui as pautas - e um CD, nesta reedição - de Francine Benoit; saiu na althum, em co-edição com a Centauro e o Museu do Neo-Realismo de Vila Franca da Xira, em 2010. A cantiga é uma alegoria sobre a opressão dos fracos pelos fortes: do mais neo-realista que existir poderia.)

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

(Cada vez que contamos uma história esquecemo-la mais e mais.)

Em 1925, Mikhail Bulgakov escreveu uma novela alegórica chamada Coração de Cão. (Só viria a ser publicada em 1987, e em Portugal teve, pelo menos, três edições - a primeira, nos Estúdios Cor, sem data de publicação, mas certamente anterior a 87 e feita, provavelmente, a partir de uma versão que circulava clandestina; as mais recentes na Vega, em 2008 e na Alethêia, em 2014.) A história de Bulgakov tem pouco a ver com o filme de Laurie Anderson, mas os títulos coincidem e a realizadora faz, nisso, mais uma remissão a uma constelação de obras que iluminam o céu canino do filme. Onde o perfeito texto de Bulgakov é satírico, dorido de denúncia, de comunidade, dá o olhar de Anderson uma visão privada, íntima e doce. É um filme sobre contar histórias, ao passo que o livro de Bulgakov é uma das muitas histórias que podem ser contadas.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

MaNi

O MaNi chegou há uns dias, desmamado cedo, os olhinhos ainda como ensonados, pequeno o tempero da alma, vagus blandus animal - da raça do Sorna, mas pêlo ao contrário: mormente escuro e marcado, sobre os olhos, castanho melaço; o colar, extremo de patas e ponta da cauda caídos em balde de cal e a ponta do focinho como quem permanentemente roubasse a nata fresca do prato do leite. Anda a farejar tudo o que é formiga à volta da casa; rói as ervas como se fossem os mais saborosos ossos, o mais apetecível biscoito. Cheira os cheiros da Luca, do Sorna, do Petaner e dos vizinhos caninos todos. Porque não cabe em si é que cresce um bocadinho cada hora. O Reboliço olha-o, desconfiado do que virá a ser aquela forma patuda e ansioso por ver-lhe o porte mais imponente e poder, por fim, fazer-se entender. Olá, sou o Reboliço. Diz-me: o que pensas fazer da vida?

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Luca (14/11/2004-8/12/2015)

(Foto, re-publicada: Reboliço há uns anos bons, no Poço Novo, a lembrar o Sorna e a Luca, que foi ontem ter com ele ao céu dos cães. Boas viagens, queridos, queridos amigos.)

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

O Reboliço é um nefelibata (92)

NUVENS

Ao dobrar de uma curva da estrada, encontro o fotógrafo celeste. Imóvel ao lado do tripé, braços cruzados sobre o peito, espera que o vento misture de tal modo luz e sombra que a cor do céu possa entrar toda inteira no breve enquadramento da máquina fotográfica. Assim que me aproximo, começa a procurar nos bolsos e, franzindo um pouco os olhos (creio que cada vez mais lhe custa ver ao perto), vai tirando imagem sobre imagem: pedaços de céu com grandes massas de nuvens muito brancas, ou azuis como os montes ao longe, ou levemente pintadas de vermelho e cor-de-rosa como os frutos do verão. «Não é bonito, isto?», pergunta. Depois voltamos a olhar para as fotografias, com a surpresa de quem vai à janela olhar o céu e se dá conta de estar a ver um pormenor do universo: «quanto mais as nuvens nos parecerem imóveis, mais nos movemos nós, viajantes de uma nave imensa. Como se não houvesse nenhum vento e, sabe-se lá porquê, a Terra começasse a rodar ligeiramente mais depressa».

(Rosa Maria Martelo, A Porta de Duchamp, Lisboa, Averno, 2009, p. 14.)

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Moinhos na Poesia (76)

Romance Alentejano

I

Talham os moinhos
A sua farinha coleante
Irrequietos sulcam os heróis
Searas usurpadas
Passeando o sólido hálito
Pelas veredas lunares dos olivais.

Uma metalurgia de gestos
Dilui os seus perfis de jade
Pressinto-lhes na voz
A sabedoria imolada
Carótida que o bárbaro dedo esmaga.

(Carlos Eurico da Costa, enviado por divina, amiga mão.)

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

O Reboliço colecciona calendários (32)

(E tem uma colecção de amigos que sim senhor! Muito obrigada, menino Alfarrabista.)

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Não abandonar a comédia

O Reboliço ouve falar pessoas como Jon e Tracy: Jon Stewart não abandonou a comédia; esta é a razão por que, desde logo, é inteligente e cómico e um bom exemplo.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Ondas do mármore

(Foto do sub-inspector Hathaway a contemplar a estátua mortuária de Percy Bysshe Shelley, em Oxford: Reboliço. O corpo do poeta aparece reclinado, como terá dado à costa perto de Viareggio, depois de uma tempestade em que naufragou. O Reboliço vê os episódios de Inspector Lewis como quem assistisse ao serviço religioso e ouvisse, dos poetas, "Fazei isso em memória de mim.")

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

"To sleep, perchance to dream"

O Reboliço vê o capítulo inicial da série policial Lewis, adaptação da tragédia Hamlet, e pensa na permanência das histórias.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Hino mundial contra a violência doméstica (ou "Jamé, mané!")

O Reboliço escuta a voz madura, gutural, e pensa na energia jovem que sai dela. Salvé, Elza!

Cadê meu celular?
Eu vou ligar prum oito zero
Vou entregar teu nome
E explicar meu endereço
Aqui você não entra mais
Eu digo que não te conheço
E jogo água fervendo
Se você se aventurar

Eu corro solto o cachorro
E, apontando pra você
Eu grito: péguix guix guix guix
Eu quero ver
Você pular, você correr
Na frente dos vizinhos
Cê vai se arrepender de levantar
A mão pra mim

Cadê meu celular?
Eu vou ligar prum oito zero
Vou entregar teu nome
E explicar meu endereço
Aqui você não entra mais
Eu digo que não te conheço
E jogo água fervendo
Se você se aventurar

Eu corro solto o cachorro
E, apontando pra você
Eu grito: péguix guix guix guix
Eu quero ver
Você pular, você correr
Na frente dos vizinhos
Cê vai se arrepender de levantar
A mão pra mim

E quando o samango chegar
Eu mostro o roxo no meu braço
Entrego teu baralho
Teu bloco de pule
Teu dado chumbado
Ponho água no bule
Passo e ofereço um cafezim
Cê vai se arrepender de levantar a mão pra mim

Cadê meu celular?
Eu vou ligar prum oito zero
Vou entregar teu nome
E explicar meu endereço
Aqui você não entra mais
Eu digo que não te conheço
E jogo água fervendo
Se você se aventurar

Eu corro solto o cachorro
E, apontando pra você
Eu grito: péguix guix guix guix
Eu quero ver
Você pular, você correr
Na frente dos vizinhos
Cê vai se arrepender de levantar
A mão pra mim

E quando tua mãe ligar
Eu capricho no esculacho
Digo que é mimado
Que é cheio de dengo
Mal acostumado
Tem nada no quengo
Deita, vira e dorme rapidim
Você vai se arrepender de levantar a mão pra mim

Cê vai se arrepender de levantar a mão pra mim
Cê vai se arrepender de levantar a mão pra mim
Cê vai se arrepender de levantar a mão pra mim
Cê vai se arrepender de levantar a mão pra mim

Mão, cheia de dedo
Dedo, cheio de unha suja
E pra cima de mim? Pra cima de muá? Jamé, mané!

Cê vai se arrepender de levantar a mão pra mim

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Moinhos na Poesia (75)

A CALMA

O sol caustica a prumo a rústica devesa!
Exala-se da terra um bafo ardente; o gado,
Sedento, mal resfolga à sombra do montado,
Nas fulvas crispações dessa fornalha acesa.

Canta, refresca o ouvido a água na represa
Da azenha e ao longe a voz dum melro fatigado
Quebra, de quando em quando, o silêncio pesado
Da sesta, que adormenta em roda a natureza -

Arquejam, bico aberto, as galinhas e os patos;
E eu que, a escorrer suor, abro os olhos a custo,
Esperguiço-me, acordo, e artista como um grego,

O meu olhar pagão vê, através dos matos,
Mover-se o corpo nu, elástico, robusto,
Dum filho do moleiro a chapinhar no pego.


(António de Macedo Papança, Conde de Monsaraz, Musa Alentejana, 1908. Obrigada, Rui!)

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Moinhos na Poesia (74)

Carregar um fardo colina acima,
Remar contra a corrente um bote;
Sem vento fazer girar um moinho;
Cavalgar derreado cavalo,
Tentar ler sem luz nenhuma,
Buscar, noite cerrada, o trilho,
É tudo isto e pior ainda
Viver, e de bolsos vazios.


To bear a burden up a hill,
To row a boat against the tide;
Without the wind to work a mill;
Upon a jaded horse to ride,
To strive to read without a light,
To search our way at dead of night,
All this it is, and something worse,
To live, and with an empty purse.

Henry Stebbing (1799-1883) pelas mãos amigas do MM - muito obrigada.
Tradução: AIS

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Moinhos na Poesia (73)


MOVENDO A MÓ

Evidentemente, apenas preciso
de comparar o silêncio do céu
com o ruído da terra.

Evidentemente, nenhum barulho
das coisas visíveis corresponde
ao movimento dos astros ou
dos anjos.

Mas os planetas, cujo círculo
se desloca para o céu da boca,
rangem, como se fosse um gemido.

Lembram-me um corpo a cujo abraço
se regressa, por fim, como o trigo
deitado na roda do moinho:

e onde reconheço o calor das mãos,
o murmúrio do vento nos ouvidos,
o espasmo do amor no cansaço da pedra.
(Nuno Júdice, Meditação em Ruínas, Lisboa, Quetzal, 126.)

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Esse Cabelo

(Foto montagem do marcador e de um, entre todos os belíssimos parágrafos de Esse Cabelo, de Djaimilia Pereira de Almeida: Reboliço, a ler.)

"Um dia, um livro alimentar-me-á a mim como se mostrasse a alguém um álbum antigo dizendo que até era bonita, como as Testemunhas de Jeová diziam à avó Maria da Luz para a consolar. Talvez nesse dia me seja claro como toda a infância é um álbum de infância - no dia em que o livro for o meu oxigénio e eu já não me lembrar do que nele conto, e a pieguice da memória for ultrapassada pela pieguice do fim. E acabarei nessa vaidade comigo mesma, folheando o livro, vaidade que é o fim de se ser um indivíduo, enquanto à nossa volta alguém se atabalhoa para nos dar à boca um copo de água, uma toalha húmida, uma palhinha, um termómetro, por entre frascos vazios, treva, fedor e comandos de televisão; enquanto se festeja um aniversário e a consciência me segreda que já chega, basta, ide para casa." (59-60)

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Moinhos na Poesia (72) / O Reboliço colecciona calendários (31)


A LUCIDEZ DE SANCHO PANÇA

Ainda hoje, ao encontrar um inimigo
de outrora, abominável assassino,
cumprimentei-o alegremente:
Olá, moinho de vento! Reconheço
agora a tua verdadeira natureza
e não te enfrento porque já não carrego
as armas e a loucura de um velho.
Funciona sempre, amigo, sê
o que verdadeiramente és: moinho
do amanhã, o que transforma a água
em fogo, o que torna leves e aprazíveis
estes nossos ares pestilentos.
(Daniel Francoy, Calendário, edições Artefacto, Lisboa, 48.)

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Moinhos na Poesia (71)

I

Na praia sob um chapéu à Hockney
eu vi uma história da guerra
o sol que me caía no corpo também caía
no vosso corpo

sobre a praia sob o chapéu de listas
verdes e azuis mal se distinguindo a luz
do verde e do azul sendo sempre aos que
passavam só azul, apenas verde como

vós, perfeitos corpos imperfeita coisa
de dizer. Um,
era a própria corrida que lançava sobre
a Costa a leve penugem negra como só

aos trinta anos ainda têm os portugueses.
O outro não era tão bonito
era bonito, lembrando a cada um a guerra
a guerra a guerra puta que pariu
e mais às áfricas, com menos uma perna era

levado sob a areia
que o vento levemente erguia
com um braço sobre o outro entrando o
mar.

Ainda havia uma criança, algumas bichas
e um moinho de papel que depois comprei.

(João Miguel Fernandes Jorge, Obra Poética, volume 3,
Editorial Presença, Lisboa, 1988, p. 129. 
* Em Direito de Mentir [Arcádia, Lisboa, 1978, p. 63],
onde foi publicado inicialmente, os versos 13 e 14 deste poema são:
"aos trinta anos ainda têm os portugueses / ah! oh! o outro não era tão bonito". 
Direito de editar.)

sábado, 5 de setembro de 2015

Para a Inês, no dia do seu aniversário


(Foto: Reboliço em Vale de Rocins, a pensar que ainda ali não esteve com a Inês. Na noite em que a conheceu, havia fumo e escuro numa cave na cidade. Mas nela sentiu o vento são, nuvens boas e o chão de andar caminho longo a passear. Desde essa noite dia, já ela o levou a cometer os mais belos desvios de que se lembra. Que muito mais tempo se mantenha, muitos céus e muitos versos.)

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

O Reboliço é um nefelibata (91)


(Instafoto do moinho dos Açores, a dar a ver nuvens onde só havia céu azul: Anam222. Obrigada!)

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Moinhos na poesia (70)

Nos ares nada está quedo,
Faz vento que mete medo,
Turva poeira arrepia.


Uiva o Diabo, assobia...


E o vento as coisas embrulha
Que nem palha na debulha.

Folhas, ao sopro daninho,
Gaivotam reviravoltas
Que nem velas de moinho.

Andam Diabos às soltas...


Ramos cá, ramos além,
Sofrem tratos de polé,
E mal um homem se tem
Firme e senhor de seu pé.


- Ó passarinho, não fujas!
- Poisa nos ramos mais altos!?
Até no bico das corujas
A Natureza dá saltos.

(Afonso Duarte, 1884-1958)

Oh...

Boa viagem, Ana.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

"Mise-au-point"

Casada a rica prima com seu Zé (e amadrinhada!), terminado mais um dos muitos trabalhos de casa, coçado o pêlo do lombo e contemplada a formosa Ria, senta-se o Reboliço a ouvir sobre como se deve dar nome aos gatos.

terça-feira, 30 de junho de 2015

segunda-feira, 29 de junho de 2015

"O mamute malhadinho"

                      com a sua lã       cheirava tudo a novinho
                        de carneiro       como vida a estrear
   cheirou as ondas do mar       vinham as ondas e iam
mais ou menos em Janeiro      era o mar, mamute, era o mar

(Versos: FRD para o Simba. O Reboliço agradece a permissão de publicar, que lhe encantam as cantigas a cães.)

(Pensei que vos perdera)

(A foto da capa da última Em Cena é do Vasco Célio. As restantes, a ilustrar o artigo, são do Reboliço, nas terras do Norte.)

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Oh!...

Não eras do Brunei
mas dançavas com a graça que Sena
soube ver e amplificaste o gesto
Sob a chuva, sob a areia
Sobre as tábuas, sobre o palco

terça-feira, 23 de junho de 2015

Daqui a alguns dias logo se vê

(Imagem: Pormenor de ilustração de Adriana Molder para a capa do Averno 082)

terça-feira, 16 de junho de 2015

Moinhos na Poesia (69)

C. V.

A madrinha lia em voz alta, aos serões,
A Toutinegra do Moinho. Lágrimas furtivas
deslizavam nas faces das meninas.
No cache-pot pintado com lírios Arte-Nova
murchavam os lilases do quintal.
Quando nos anos sessenta emigrei,
descobri que afinal “La Fauvette du Moulin”,
de Emile Richebourg, cantava noutros prados
longe dos moinhos do Guadiana.

A infância refugiada nos cadernos,
a casa vendida, os lilases-da-Pérsia decepados 
fizeram prédios feiíssimos e caros no quintal
e as meninas da casa que restaram
estão agora nos retratos sempre lindas
e os moinhos para sempre submersos.
(O Reboliço agradece muito à Fernanda Dias, autora destes versos,
que lhos deu como se fossem "uma papoula ou um malmequer".)

segunda-feira, 8 de junho de 2015

THE MORBID ANATOMY OF SOME OF THE MOST IMPORTANT PARTS OF THE HUMAN BODY

Novos poemas da Inês Dias , numa revista à ESC:ALA com mais letras e retratos lá dentro.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Fiesta Lost, Fiesta Regained

Na ampla sala de convívio, o Reboliço anunciara a amigos, conhecidos, amigas e seus maridos, que no passado dia 21, depois de muitas voltas, à ideia e à cidade-aldeia, denunciara na esquadra PSP mais próxima da sua residência o furto da viatura Ford Fiesta, branco, amado e bem corrido, que o acompanha há uns 20 anos (dos quase 26 que tem de vida) e tem dois pares de jantes que alto lá com elas, conforme aparece no boneco do Instagram. E mais pedia que, se por aí o vissem, perdido, perneta, e desolado de saudades, lhe dessem notícia. Hoje, pela hora de almoço, quase uma semana passada em paradeiro desconhecido, reapareceu o automóvel. Acto contínuo à comunicação, o Reboliço tratou de imaginar a história com aquilo que ainda não sabe: quem é a pessoa que o levou, porque quis ou teve de levar aquele bicho logo, de entre todos os que diariamente dormem na rua (isso até talvez saiba:  o depósito de combustível estava cheio, o carro é velho e, por isso, fácil de arrombar e de pôr a rodar); ou o que fará com ele depois de o ter de novo nas mãos (está na capital, não se sabe ainda bem em que condições, tirando que lhe rebentaram a coluna da direcção e deve ter batidas que não iam "de origem")... Enfim, muita coisa. Mas há, para lá das incertezas, factos certos-certos - e que são melhores nesta história toda do que em qualquer ficção que se invente: o Sr. Agente da Polícia de Segurança Pública que comunicou a reaparição, com acentuado sotaque alentejano, é o Agente Esperança. Donde o Reboliço conclui que a esperança comanda a vida. Ou melhor, que a esperança é a última a entrar em cena. Não. Bolas. Que quem tem esperança não merece castigo. Desorientado, o Reboliço pediu ajuda para acertar com o ditado e ganhou, além de um dichote novo ("Agente Esperança Olho-vivo encontra carro perdido", que lhe mandou o JJ), uma linda quadra, essa aí de baixo, oferecida pelo Cão do Vizinho António (A.M.F.). Graças, dá o canito - graças às orações do pessoal, ao santo Antoninho, a Nossa Senhora das Cousas Perdidas e, principalmente, sobretudo e acima de tudo, à PSP.

Quem espera sempre alcança,
Diz o povo e é certinho!
Foi-se a coluna e a mudança,
Mas apareceu o carrinho!

terça-feira, 26 de maio de 2015

"Arrodeado de flôr"

O Reboliço se gosta de ouvir as vozes dos escritores!

segunda-feira, 25 de maio de 2015

terça-feira, 19 de maio de 2015

"que és santo nome"

Estranha o Reboliço que, não sendo o tempo das azeitonas, ainda a engrandecer no ramo, se tenha ido lembrar da avó Adelaide. A avó Adelaide, mais justamente bisavó, era a mãe do avô Chico, o moleiro do Moinho Grande. Morreu já o Reboliço tinha uns sete ou oito anos - por isso se lembra dela. Lembra-lhe a sua figura, curvada velhinha vestida de preto, lenço na cabeça sempre, meias a cobrir o que a saia não tapasse, sapatos gastos no fim da pessoa, e o xaile, de grossa renda também negra, a acentuar a moldura. Já passava dos noventa e pouco falava - com os outros, que consigo mesma era uma ladainha permanente, de "Hum-hum. Hum-hum", como se fosse um baloiço a pender-lhe da voz, uma sílaba a descer quando a outra subia, todo o dia, ora sentada numa cadeira dentro da casa, ora de roda das oliveiras, ao rabisco, mesmo quando já não havia senão caroços velhos, restos de frutos desprezados que as mãos mais apressadas tinham deixado fora das sacas de serapilheira. Andava ao rabisco, la glâneuse. O que apanhava a avó Adelaide? Algum mal veria nos pequenos bagos escuros, que fazia entrecortar os sons de voz com o esconjuro "Jesus, que és santo nome de Jesus!, que és santo nome de Jesus!" Onde pusesse o santo nome de Jesus não entrava, cria ela, mal nenhum.
(Obrigada, Zé.)

terça-feira, 12 de maio de 2015

Do ouro do dia

Ou–

Sair para o jardim que vai secando,
Ou– repousar, verdejante, sob os ramos que enxameiam –
A questão repousa no seu próprio equilíbrio
E o azul pesa a sua grande indiferença.
Droit de Seigneur: a luz do sol, brotando,
Aqui, ou sobre os antigos Montes Malvern,
Escolherá Copérnico e Ptolomeu.

Virar a primeira página do imenso por ler,
Ou– vaguear por uma margem há muito conhecida –
Os dedos sabem, ao mexer-se, por onde ir,
E levaremos deles a curiosa atenção
Até perto do coração; observe-se o voo do canário
Que deve explorar mansões de ar e de luz,
Que o seu amarelo vivo é definitivo.

Seguir o curso da sombra monte acima,
Ou– erguer os olhos até ao deslumbre do céu aberto –
Acordamos com coros cerimoniais, damos com
Cada folha de erva a resolver a questão de Hamlet:
Um gato velho, ébrio com o orvalho do rebordo,
Estas flores, meio abertas e apropriadas.
Numa manhã de maio, o mundo é de ouro.


Or

To step out into the drying garden,
Or rest greenly under the swarming branches –
The question rests in its own equipoise
And blue weighs out its great indifference.
Droit de Seigneur: the springing sunlight,
Here, or upon the antique Malvern Hills,
Will choose Copernicus, and Ptolemy. 

To turn the first page of the great unread,
Or idle down a long-familiar margin –
The fingers know direction as they move,
And we will take their curious attention
Closely to heart; observe the Brimstone’s flight
Who must explore mansions of air and light,
For his crisp yellow is definitive. 

To follow shadow’s course along the hill,
Or lift the eyes to dazzles of plain sky –
We wake to ceremonial chorus, find
Each blade of grass resolving Hamlet’s question:
An old cat, fuddled in the border dew,
These flowers, half-opened and appropriate.
On a May morning, the word is golden.

Peter Scupham (1981)
Tradução: AIS

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Moinhos na Poesia (68)

Moinho sem Velas

Meu moinho abandonado,
meu refúgio de inocente,
meu suspiro impertinente,
meu social transtornado.

Meu sussurro de oceano,
meu ressoar de caverna,
minha frígida cisterna,
minha floresta de engano.

Minha toca de selvagem,
meu antro de vagabundo,
minha torre sobre o mundo,
minha ponte de passagem.

Meu atributo coitado,
meu tanger de hora serena,
rolo de pedra morena,
silêncio petrificado.

(António Gedeão, sugerido por MM - obrigada!)

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Ano primeiro - ano segundo


(Foto dos moços da alegria no moinho, altaneira testemunha: Vasco Célio. Faz um ano hoje, estava o trigo já alto, verde lindo, as papoilas vermelhavam e sobreviviam, por amoroso cuidado da mãe, à chacina de ervas, as favas iam direitinho da terra para a panela, casca e tudo, de tenras. E o Reboliço, num rebuliço feliz, atava as patinhas, num nó cerrado, às patinhas do companheiro amado.)

terça-feira, 28 de abril de 2015

Reis sobre Oliveira

Quando, em 1963, se mostrou pela primeira vez Acto da Primavera, viu-se o filme que Manoel de Oliveira foi construindo, a partir do maravilhamento que o contaminou a encenação de uma Paixão de Cristo na aldeia de Curalha (Trás-os-Montes) - no que foi assistido, entre outros, por António Reis, por sua vez maravilhado aprendiz e visionário.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Esta noite: noite cerrada - noite aberta

 
(O desenho do touro, capa do livro lindo lido, é da Bárbara Assis Pacheco.
Como na feira, haverá rifas da sorte.)

domingo, 19 de abril de 2015

Renascida fénix

Quando se pensava (porque o autor assim, também, terá pretendido que se pensasse) que morrera num incêndio, eis que revive In Ballast to the White Sea. O Lowry que é e não é.

"O que disse a velha"

Vou-te contar. Havia um jardim ao lado da bomba. Terra inculta que me deram.
O meu pai fazia canteiros. Derivações de carreiros. Padrões geométricos.
Recortes. Bolbos da minha mãe. A textura da terra.
Pedra. O cheiro da água. Eu podia semear fosse o que fosse.

Vou-te contar. Havia um lago. Rugas de lama. Cachorrinhos que ali se afogavam.
Arrastados para a margem. Sacalhadas que se rasgavam. Sem salvação.
Nomes que lhes dei. Devolvidos à água. Cada pequeno splash.
As espirais alargavam. O meu rosto em rugas.

Vou-te contar. Havia uma garça-real. Constante. Regressava.
Pernilonga. Crescia por cima da água. Cortina de salgueiros.
Tudo quieto. Uma coroação de plumas.
Inflexões de música. Nada se mexia.

Vou-te contar. Havia colinas. Luz. Néctar de trevos.
Mais flores do que nomes. Carregava braçadas.
Quebrava os estames. Cheirava a Verão.
Correias no meu pescoço. Tornozelos. Os ossos dos pulsos. Sem nada saber.

Vou-te contar. Havia um rapaz. Olhos como o céu.
Olhos como os do meu pai. Crianças imaginadas. Quartos emprestados.
Quartos pintados. Histórias inventadas.
Histórias. Futuros. Não sabíamos nada.

Vou-te contar. Havia um homem. Veias sob a pele.
Ossos. Mal estavam ali. Respiração descontínua.
Luz verde num écrã. O bip intermitente.
Luz falsa. Música falsa. Uma pessoa a morrer.

Vou-te contar. Tinha-lhe visto o rosto na mortalha.
A correr e a sangrar. Feridas nas mãos dele.
Imagens no vidro. De cores e de chumbo.
Rostos nas estátuas. Uma cruz sobre o coração dele. A luz sempre a apagar-se.

Vou-te contar. Havia uma sala. Branca. Um prato branco na mesa.
Um homem à mesa. Notas na voz dele. Uma canção que eu conhecia.
Beleza nos movimentos do rosto dele. Os braços dele. Arrepio de asas.
Toca. Toca-me. Mas já tinha tocado. Esquecera-me de tudo.

Vou-te contar. Há dias insuportáveis. Planos horizontais.
Minuto a minuto. Cada longo tic. Tenho estado só.
A noite passada. O sonho da garça-real. O alcance das asas.
A ouvir-se pelo ar. Escuta. Escuta. Estou a desaparecer.

Tradução: AIS


"What The Old Woman Said"

I will tell you this. There was a garden by the pump. Fallow land given me.
My father built flowerbeds. Offshoots of paths. Geometric patterns.
Cuttings. Bulbs from my mother. The texture of earth.
Stone. The smell of water. I could grow anything.
I will tell you this. There was a pond. Wrinkles of mud. Pups that were drowned there.
Dragged to the bank. Sacksful slit open. Way beyond saving.
Names that I gave them. Returned to the water. Each small splash.
Spirals expanding. My own face rippling.
I will tell you this. There was a heron. Constant. Returning.
Stilt-leg. Growing above water. Curtain of willows.
Everything still. A crowning of feathers.
Inflections of music. Nothing was moving.
I will tell you this. There were meadows. Light. Nectar from clover.
More flowers than I could name. Armfuls I carried.
Stems that I split. Smelling of summer.
Chains on my neck. Ankles. The bones of my wrists. Knowing nothing.
I will tell you this. There was a boy. Eyes like the sky.
Eyes like my father's. Children imagined. Rooms that were borrowed.
Rooms  that were painted. Stories invented.
Histories. Futures. We knew everything.
I will tell you this. There was a man. Veins under skin.
Bones. Barely there. His stuttered breathing.
Green light on a screen. Intermittent beeping.
False light. False music. Someone was dying.
I will tell you this. I had seen his face on the shroud.
Running and bleeding. Wounds on his hands.
Pictures on glass. Coloured and leaded.
Faces on statues. A cross through his heart. Light  always fading.
I will tell you this. There was a room. White. A white plate on the table.
A man at the table. Notes in his voice. A tune that I knew.
Beauty in the movements of his face. His arms. Frisson of wings.
Touch. Touch me. But he already had. I had forgotten everything.
I will tell you this. Some days are unbearable. Horizontal planes.
Moment to moment. Each long tick. I have been lonely.
Last night. A dream of a heron. The span of his wings.
Sounding through air. Listen. Listen. I am disappearing.

domingo, 12 de abril de 2015

O Reboliço é um nefelibata (73)

(Foto: Reboliço, encantado a ver na parede do Moinho Grande o espelho do céu com nuvens. Foi o raio do sol que, no Dia dos Moinhos Abertos, transformou cal, pedra e areia em superfície reflectora.)

quarta-feira, 8 de abril de 2015

O Reboliço é um nefelibata (72)

Vieram as tempestades de Abril, luz luz luz, trovão, rasgão, trovão luz, e o Reboliço esconde o focinho debaixo das patas, a afugentar o susto. Distrai-se, entretanto, a conhecer os meios de transporte que só funcionam para lá da trovoada.

terça-feira, 7 de abril de 2015

Dia Nacional dos Moinhos

Hoje, sábado e domingo

(Cartaz: Mana Gabriela, com foto do Mano no Moinho: Cunhadão Vasco Célio.
Como não pôde ir hoje a Beja, o Reboliço ficou a olhar para os velhos moinhos de Mykonos. 500 anos e ainda a girar.)

sexta-feira, 3 de abril de 2015

(Republicação)

[Liberdade exegética]

....."A Agustina Bessa-Luís pôs na boca da personagem Fanny Owen [...], durante um baile, esta afirmação: 'A alma é um vício.' Com este dito, o que teria ela querido expressar? Verdade é que eu, para mim, não atinava. Porém, soava-me bem ao ouvido. E, sem conseguir um significado plausível, a minha curiosidade não se detinha. Apesar de ninguém me explicar esta insólita afirmação, sem eu próprio lhe encontrar razão de ser, ficou-me tal dito latente até hoje. Cheguei mesmo a perguntar à própria Agustina por que razão teria ela posto na boca da Francisca tal afirmação. E que significado poderia ter. Mas a Agustina declarou-me candidamente 'Não sei. Foi coisa que me saiu ao escrever. Que se me soltou.'
.....Continuei desolado, porque o dito me tocava e me despertava uma forte curiosidade. Até que, ultimamente, me ocorreu uma certa ideia que me parecia ajustar-se a esse dizer 'A alma é um vício.' O que é que então me ocorreu? Justamente, o vício. Porque ele mesmo, pela sua característica de ser vício, dum corpo que, uma vez possuído, só com enorme dificuldade esse mesmo corpo se liberta dele. Ora, quando a personagem Francisca diz 'A alma é um vício,' teria a Agustina inconscientemente querido dizer que o corpo enquanto vivo jamais se liberta da sua própria alma. Numa tentativa de compreensão, tombei finalmente nesta ideia: o vício caracteriza-se por ser algo de que o corpo, uma vez possuído por ele, só muito dificilmente dele, vício, se liberta. E assim, de conclusão em conclusão, acabei por chegar a esta ideia peregrina: a de que a alma é a rainha dos vícios. Será assim? Mais: assim sendo, tal como agora me estou a perguntar, e dada a consciência constitutiva do dito vício, não será então que o meu cinema é o vício da minha alma?"
(Manoel de Oliveira, 15 de Janeiro de 2008. Transcrito daqui.)

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Oh!!!

Uma vez, o Mano respondeu a uma brincadeira do Cineclube de Faro, que perguntava sobre as "tiradas de engate" de que mais se gostava no cinema. Escolheu a cena de Aniki-Bóbó em que o Carlitos pergunta à Teresinha se quer ir brincar com ele. É de alegrias destas que o Reboliço se recorda quando, muito grato, recorda Manoel de Oliveira.

domingo, 29 de março de 2015

"Mas o mais enternecedor de tudo são os cães" (uma década inteira)

O Reboliço levantou-se ao chamamento dos canários: o Juninho, mais expedito, deu primeiro pelos primeiros raios de sol; depois a Laranjinha e o Branquinho. Espreguiçar espreguiçar espreguiçar, bocejar, bocejar, bocejar, acertar os relógios. A Ria, ao fundo da janela, enfeitava-se de luz e de azul - o Reboliço olhava e deixava que o calor lhe entrasse nos ossos. Os dias mais longos, a Primavera, a Páscoa a chegar: a memória levava-o, sem esforço, até dez anos antes. Ao dia em que as Cartas começaram a ser escritas. Sem surpresa, mas com o acaso do seu lado, reencontrou a edição em que pela primeira vez leu as de Daudet, lá para 1980, vertidas por Ricardo Alberty e ilustradas por Georges Beuville. E ali se viu, reconfigurado, ao fundo da página 13. Nem de propósito: comemorou.


sábado, 21 de março de 2015

"Para que serve a poesia?"

O Festival Poesia & Companhia lança a pergunta. O cão do vizinho António, sempre atento aos tópicos de pertinência, aprontou-se a responder. Isto é, a perguntar também.
(Logo mais, hoje de tarde, conversa-se sobre o tema na cidade velha, em Faro.)

                                        Perguntei-me certo dia,
                                        Depois de bem mal dormido,
                                        P´ra que serve a poesia, 
                                        Se a tudo dá mais sentido.

                                        Faz as mulheres mais bonitas?
                                        E torna o céu mais azul?
                                        E transforma esparto em fitas?
                                        E fitas de seda ern tule?

                                        Faz das estrelas diamantes?
                                        Torna belo o que está mal?
                                        E põe tudo como dantes,
                                        Quando já nada é igual?

                                        (Faz da singela silarca,  
                                        Depois de entrar em castelos, 
                                        Estando à mesa do monarca
                                        Rainha...dos cogumelos?)

                                        Decidi.-me a experimentar,
                                        P´ra que serve a poesia, 
                                        E a quem queria namorar,
                                        Escrevi versos noite e dia.

                                        Pensando chegar primeiro,
                                        A coisa não correu bem : 
                                        A moça tinha parceiro,
                                        Lá vim p´ra trás com desdém.

                                        Com um olho arroxeado,
                                        Cabeça um pouco a zumbir, 
                                        Andei assim, devastado, 
                                        Sem comer e sem dormir...

                                       Troquei as noites por dias,
                                       E a água pelo vinho,
                                       E todas as companhias, 
                                       Pelo meu andar sózinho.

                                       E quere-me cá parecer,
                                       Que depois daquele dia, 
                                       Fiquei assim sem sabêr,
                                       P´ra que serve a poesia...
A.M.F.
10-III-2015

quarta-feira, 11 de março de 2015

Pierre Gonnord

O Reboliço espanta-se com imagens das fotografias de nómadas da raia entre o Alentejo e a Extremadura. Numa galeria de Nova Iorque podem ver-se estes rostos, engrandecidos, as rugas da pele que o sol curtiu, que os ramos das árvores gravaram. E os cavalos.