quarta-feira, 28 de junho de 2017

Cotovia

No blogue da editora Cotovia, começa a publicar-se amanhã, e ao folhetinesco ritmo semanal, a peça mais recente de José Maria Vieira Mendes, Max e René. Um monólogo e um cão.
O Reboliço, que gosta muito de ler o que escreve o Zé Maria, já nem dorme descansado, de curioso. (Já sabe que começa assim:

MAX 1 O meu nome é Max e mandaram-me para o quarto sem jantar, sem sopa, sem nada, eu sozinha sem reflexo e sem representação e desapareço.
)

quinta-feira, 22 de junho de 2017

(Um espaço interior)

21

Um espaço interior
criei
nestes poemas

onde estalam os móveis
e os sentidos

onde as ideias
a meia-luz
respiram

e a vida
as imagens
não se reflectem

nos vidros

(António Reis, Poema Quotidianos, Lisboa, Portugália - Colecção Poetas Hoje, com prefácio de Eduardo Prado Coelho, p. 23. Quando se anuncia para daqui a três semanas a reedição, na Tinta-da-China. deste precioso livro de poemas.)

sábado, 17 de junho de 2017

Moinhos na poesia (84)

"Sangue Latino"

Jurei mentiras e sigo sozinho,
assumo os pecados
Os ventos do norte não movem moinhos
E o que me resta é só um gemido
Minha vida, meus mortos, meus caminhos tortos,
Meu sangue latino,
minha alma cativa
Rompi tratados, traí os ritos
Quebrei a lança, lancei no espaço
Um grito, um desabafo
E o que me importa é não estar vencido
Minha vida, meus mortos, meus caminhos tortos,
Meu sangue latino,
minha alma cativa.

(Ney Matogrosso, colosso de homem que ontem o embasbacado Reboliço ouviu e viu cantar e bailar na Praça da República, em Beja.)

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Não dá

A poesia não dá / Poetry Doesn’t Pay
Estão sempre a dizer-me:
Sabes, os teus poemas,
tens mesmo ali qualquer coisa,
isto é, mesmo.

Quando liga o homem da renda,
ajoelho-me e, pela
caixinha da consciência digo-lhe,

'Quem fala é alguém,
chamada local, sabia
que tenho qualquer coisa aqui nos meus poemas?
É o que me dizem.'

'O que quero são as catorze libras
e dez pence, deixe lá a poesia.'

'Mas não percebe,
tenho aqui qualquer coisa.'

'Se não me aparece depressa
com as catorze libras e dez pence,
aparece-lhe é qualquer coisa aí na rua,
a que um bocadinho de neve há de dar cor.'

'Mas.'

'Mas nada,
não me pode pagar com poemas, nem com rezas,
nem piadas do seu marido,
nem fotografias dos filhos
de camisolas cor de bom limão,
tricotadas pela tia da avó morta,
que tinha amnésia e crupe.

‘Eu cá sou da Companhia,
queremos lá saber da poesia,
ou das amnésicas tias mortas!’

‘Mas as pessoas dizem-me.’

‘Mentiras.’

‘Se não se tiver catorze libras e
dez pence, não se tem nada
além da luz da escassa lua.’
(Tradução: AIS)

People keep telling me:
Your poems, you know,
you’ve really got something there,
I mean really.

When the rent man calls,
I go down on my knees, and through
the conscience box I tell him,

‘This is somebody speaking,
short distance, did you know
I have something here with my poems?
People keep telling me.’

‘All I want is fourteen pounds
and ten pence, hold the poesy.’

‘But don’t you realise
I’ve got something here.’

‘If you don’t come across
with fourteen pounds and ten pence soon
you’ll have something at the side of the road,
made colourful by a little snow.’

‘But.’

‘But nothing,
you can’t pay me in poems or prayers,
or your husband’s jokes,
or with photographs of your children
in lucky lemon sweaters
hand-made by your dead grand aunt
who had amnesia and the croup.

‘I’m from the Corporation,
what do we know or care about poesy,
much less grand amnostic dead aunts?’

‘But people keep telling me.’

‘They lie.’

‘If you don’t have fourteen pounds
and ten pence, you have nothing
but the light of the penurious moon.’

Rita Ann Higgins, Goddess of the Mervue Bus, 1986


A eles, a eles!

O Reboliço sempre se espanta com as qualidades da tecnologia - as dos bichos como ele não o surpreendem tanto, se tanto o encantam. Quando soa o telefone e é chamada de determinado dono, o toque que a faz distinguir de todas as outras é o grasnar de um pato, e soa alto. A vista de almoço trouxera um companheiro, o Iron. É um bicho de caça, um dinamarquês grande, como lhe chamam. Cinza escuro, cor de ferro, elegância pura de corrida, treinado em cheiros e sons de bicheza de mato. Estava a família muito descansada a terminar um cafezinho e Iron refastelava-se, pacífico e obediente, dormitando no chão da sala do apartamento urbano, na enfiada da aragem que a varanda, àquela hora, ainda deixava entrar. No meio da paz, o telefone grasna e foi um microssegundo: Iron disparado, seta direita, orelhas em riste, faro no máximo do regulador, correndo cada canto da casa, cada divisão, querendo divisar - o pato.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

As mulheres do fim do mundo

O Reboliço encantam-no as vozes femininas. A Janis Joplin, por exemplo, a quem o produtor Paul Rothchild disse, pouco antes de ela morrer, sozinha num quarto de hotel, que dali a 30 anos estaria a gravar o seu melhor álbum. Ou a Elza Soares, que já gravou tantos dos seus melhores álbuns 30 anos depois, 30 anos depois, 30 anos depois, e segue, acariciando a cabeça lisa de um malandro, garantindo, de punho fechado, que ele vai se arrepender de levantar a mão para ela e cantando que "daria a sua vida a quem lhe desse o tempo".

domingo, 14 de maio de 2017

Extra! Extra!

O Miguel Martins tem um novo blogue. Extingue O Único Verdadeiro Deus Vivo e abre um "Extra Light", suave cachimbo de milho (o que pode significar que abandona, até ver, a vida olímpica e segue uma outra, humílima via). Vá por onde for, que seja permitido ao Reboliço continuar a segui-lo.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

"Sinais de fogo, os homens se despedem"

(O Reboliço escuta, outra vez, as vozes do Rodrigues e do Jorge, no quarto da pensão da Figueira, quando o primeiro conta da descoberta do mundo.)
"Eu julgava que o mal era uma coisa que havia em mim, uma raiva que me enchia, uma miséria que cobre toda a gente. Mas agora sei que não é. Não está dentro de mim, nem me enche, nem cobre todos. Não existe. Estás a ouvir? Não existe. E, se ele não existe, como posso eu adorar seja quem for que me salve? Não há de que salvar, não há quem salvar, não há quem salve. Não existe.
- Então o que é que existe?
- Tudo o que não tem importância. Só o que não tem importância existe."
(Jorge de Sena, Sinais de Fogo, ed. Asa, p. 223.)

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Uma elegia

A CHUVA JOGA À CORDA NAS JANELAS DE MAPUTO, MEU CARO BB
Não sei se foi de mansinho ou se o biltre
do anjo te levou na canastra. Mas não cheguei
a contar-te o flash-back com o meu tio linotipista 
que ao megafone te chamava, “pede-se a presença
no refeitório do bandarilheiro Armando!”. 
Quarenta anos depois, em entrevista
que te fiz, ébrios como aqueles centauros
que se mergulhavam no mel, segundo o Plínio,
descobri-te humilde, inseguro, ansioso
por confidenciares que tomavas o teu romance
por uma bodega – ou menos nutrido que qualquer bodegón 
de castiço andaluz – e que a vida tem sótãos &
armadilhas para os bandarilheiros que anseiam
tornar-se "matadores". Também eu, também a mim,
meu querido Armando (no 25 de Abril estava
a tentar safar o couro do açougueiro Dias 
– atraía-me filha, a justiça não usava rímel ¬-
em risco de ser linchado porque, clamava a turba,
oferecia os piores chouriços aos nossos libertadores)
me calhou descobrir aos cinquenta e oito
que a poesia simplesmente me evadia do trabalho físico
e que a escolhi contra os cem metros obstáculos
ou o Cristo nas argolas e na mira de que ela obtivesse
junto das miúdas o efeito hílare do papagaio
que repetisse “o mangalho”em trinta e duas línguas.
Se depois melhorou (o que eu duvido) 
foi porque a caneta exercida a (torr)esmo
pode vir a pesar tanto como o arado
que sulca a terra pedregosa e ai o alheado labor
do espírito desata a transpirar
e topa que lhe aderiram à lâmina detritos de osso,
nódulos de sangue e as garatujas em sémen
de cães que se imitam na fosforescência
e rabiam em círculos num truncado horizonte de sílabas,
pelo fito vão de lamber a própria piça
ao primeiro espanejar do vento
nas asas do anjo. Nada
de muito dignificante, meu caro, cacos
peneirados na rede da astúcia,
mais vaidade que polpa
no momentâneo trajecto entre os astros.
Desta vez atingiu-te a cornada e pressinto
que dispensavas ter já o céu por vizinho,
pois preferias o riso, o escandido relance
da vizinha que te media o papillon;
sentires que a tua voz cava
subia ao terraço para te indignares com palavras
que atiravas como brasões à multidão.
Partilhámos algumas garrafas, trocámos acenos
e ouriços (o fado e outras despercepções
nos separavam) mas a maldita usura
do tempo… igualou-nos.
A chuva joga à corda nas janelas de Maputo,
e, arreliado, ouço o baque-baque
das bátegas a acordar o tique-taque
que me constela as veias.
Isto anda tudo ligado, diria o Guerra Carneiro,
outro iracundo capaz de uma gentileza milenária.
Chove nas vidraças, certamente um breve
aguaceiro, como tu, como eu, como nós,
os encanzinados que tristemente
não chegam a integrar o cartel dos "matadores".

António Cabrita
(Publicado no seu mural de Facebook em 11-05-2017.
A lembrar Baptista-Bastos, falecido dois dias antes.)

domingo, 7 de maio de 2017

O Reboliço é um nefelibata (95)

CANÇÃO DE MAIO

Em certos dias maio
é um touro de chuva
e o lume dum raio
atravessa uma nuvem

Porém rapidamente
acaba a trovoada
e uma névoa quente
sai da terra molhada

Em terra corre o touro
que de maio é o signo
e de tarde o besouro
ao calor zune estrídulo

Num muro branco voga
paciente o caracol
como alguém que se afoga
num mar com muito sol

Gastão Cruz, Rua de Portugal, Assírio e Alvim, 2002, p. 33.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Rosetta

(Imagem do écran: Reboliço, a ver nele a praia de um escuro mar.)

Há muitos, muitos anos, o Reboliço ouvia falar sobre uma "pedra de Roseta," espécie de talismã de historiadores e linguistas. Aparecia como coisa mítica, de que só conhecia imagens, más reproduções - nada que chegasse à magia do nome, que o fazia associar rosa e pedra numa mesma sequência. Depois veio a vê-la no museu. Hoje pode vê-la quando quer: passar como se fosse o dedo pela superfície, aproximar como se fosse o olho para melhor ver como se fossem aumentadas as incisões que nela existem. Tacto, olhar, converge tudo, por cablagens misteriosas e mágicas duplas numéricas, para a tela de um bendito, magnífico computador.

terça-feira, 2 de maio de 2017

"casa fechada"

depois, de uma caixa de laca tiraste retratos
amarelecidos, tua mãe, de cabaia, numa festa,
os tios viajados, sorridentes,
num país invernoso, com chapéus.

passeios de domingo, tua avó contigo ao colo,
solenes casamentos, parentes de nomes esquecidos,
com folhos  laços a multidão das primas.

nas paredes da casa tantos anos fechada
fenece o papel ingénuo com grinaldas 
brinquedos, a espada do bisavô, o copo de prata,
o travesseiro de faiança, tudo me mostras.

como num sonho choro com as pontas dos dedos,
inventariando o teu bazar de mágoa.


(Fernanda Dias, Rio de Erhu, Fábrica de Livros, p. 30.)

sábado, 22 de abril de 2017

"Faro, 1952"

O café, do outro lado a livraria
essa a meta da tarde
quando esfria a pele sem que
frio fique o dia,
as linguagens regressam às cúpulas
de folhas
e os treze nocturnos ainda nos esperam
sob o inerte
torreão do fim da infância,
escutaremos alguns
no pobre piano íntimo, o sexto
repetido como alma dos
dias,
percorremos a rua
até onde entra nela a aragem da ria,
e o café dum lado, do
outro a livraria,
à porta o chapéu largo e a barba
branca
dum poeta do passado
Gastão Cruz, Rua de Portugal, Assírio e Alvim, 2002, p. 31.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Moinhos na poesia (83)

...
com os profetas dando às costas e aos desertos
síria não perdeu a fome
os estrangeiros que vieram     fosse de onde fosse
foi para que os de cá enfunassem mais tarde as caravelas
deitassem ao vento os moinhos de quixote
as invasões soltaram os predadores
para seguirem     de cristo ao peito     o trilho das especiarias
sem as malhas prateadas dos guerreiros médios
ei-los
que foram ao saque
à conquista do pavor dos conquistados
autos das barcas se fizeram aos mares com ouros na volta
e dos reinados     dos senhores reinadios     ficaram os castelos
e o eco das heráldicas
dos ourives ainda se fala e dos ornatos de manuel nos pelourinhos
as calçadas desaguando em naus flutuando com primor
entre os guinchos de cordame e papagaios
...

Abel Neves, Úsnea, Averno, 2015, 57.

terça-feira, 11 de abril de 2017

Moinhos na poesia (82)

RECORDAÇÃO

O Nordeste sopra,
O mais querido entre os ventos
Pra mim, pois promete fogoso
Espírito e boa viagem aos navegantes.
Vai pois agora e saúda
O belo Garona,
E os jardins de Bordéus
Ali onde na margem escarpada
Segue o atalho e para o rio
Lá baixo cai o regato, enquanto em cima
Contempla um nobre par
De carvalhos e choupos argênteos;


Ainda me lembro bem, e como
Inclina os largos cumes
O bosque de olmos, por sobre o moinho,
Enquanto no pátio cresce uma figueira.
Em dias de festa vão
As mulheres morenas por ali
Em chão de seda,
No mês de Março,
Quando a noite é igual ao dia,
E por sobre os atalhos vagarosos,
Pesadas de sonhos dourados,
Passam brisas embaladoras.


Mas que me dê,
Cheia de luz escura,
Alguém a taça cheirosa,
Que eu possa repousar; pois doce
Seria entre sombras o sono.
Não é porém bom
Sem alma ser de mortais
Pensamentos. Mas é bom
Conversar e dizer
O que vai no coração, ouvir muito
De dias de amor,
E de acções que acontecem.


Mas onde estão os amigos? Belarmino
Com o companheiro? Muitos
Têm receio de ir à fonte;
Pois é no mar que começa
A riqueza. eles,
Como pintores, ajuntam
O belo da Terra e não desdenham
A guerra alada, e
Viver solitário, anos a fio, sob
O mastro sem folhas, onde não iluminam a noite
Os dias de festa da cidade,
Nem a lira nem a dança nativa.


Mas agora foram pra os Índios
Os homens,
Além no cume alteroso
Junto aos vinhedos, onde
Desce o Dordogne
E juntamente com o soberbo
Garona largo como um mar
O rio acaba. Mas o mar tira
E dá memória,
E o amor também prende diligente o olhar.
Mas o que fica, os poetas o fundam.

(Hölderlin, Poemas, Prefácio, selecção e tradução de Paulo Quintela, 2ª edição revista e muito ampliada, Atlântida. Coimbra, MCMLIX, 381-385. Composto provavelmente entre 1803/04, e publicado pela primeira vez no anuário de poesia de Seckendorf de 1808. Muito obrigada, Ana & Isabel!)

quarta-feira, 29 de março de 2017

Rilke a Hölderlin


... 
Se um tal, eterno, houve um dia, porque é que nós desconfiamos ainda do terrestre? em vez de no transitório seriamente aprender os sentimentos de qualquer
inclinação, futura no espaço?
(Rainer Maria Rilke, 1914. In Hölderlin, Poemas, Prefácio, selecção e tradução de Paulo Quintela, 2ª edição, revista e muito ampliada, Atlântida, Coimbra, 1959, s/p.)

domingo, 26 de março de 2017

Moinhos na Poesia (81)

Agora, é um ribeiro que nos acompanha e desaparece; muito embora numa fuga para trás, repetindo a verde, a branca estrada; logo, um vermelhar fumegante de telhado; viandantes que nos amaldiçoam; um cão, saltando, que arremete; mala-posta que passa, num turbilhão de poeira, furado de gestos humanos; galinhas esvoaçando; aquela presa de água, entre salgueiros; um velho perfil de moinho; uma junta de bois aterrorizada; um cavaleiro abraçado ao pescoço de uma égua que recua, aos corcovos, sobre a valeta; lavradores, curvados, no trabalho, férreas enxadas da pobreza reflectindo oiro, ao sol…
Teixeira de Pascoaes, A Beira (Num Relâmpago) / Duplo Passeio, Assírio e Alvim, p. 39. Pascoaes viajou num Isotta Fraschini entre São João de Gatão e Arganil, em Agosto de 1915. A emoção de correr, naqueles tempos, a 40km horários!

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

"EM PROPÓSITO DA TRADUÇÃO"

"Em casos muitos discute-se se tradução é para ser mais fidel a originalis ou se deve torcer a modos de encaixar na língua que traduz. As posições ambas partem aos porém da ideia de que há duas línguas, uma + uma, y que o trilho de uma a altra se debuxa em reta linha. Esta tradução não brota de ideia tal, pero de que língua há muita, mesmo que só com nome um. Ou seja, é português lusitano o destino do doc deutsch de Wedekind, mas o que é isso está em aberto. Faz-se donc uso de gramática e vocábulo recognescíveis, mixando tempos, geos, origens e por fora aí, esfocinhando-se por tirar tapete de norma, o que é idêntico a intentar ilimitar e dar força à variedade. Em não havendo linha, não se sabe adonde vai aportar a frase que vem após, e assi, ao menos, vive-se menos previsível, move-se o peso de conhecimentos sabidos e queda-se mais leve leve. Népia más que questo. É só apenas poder e aos porque poder assi, crê-se, mais bom é. Com bom, entenda-se livre."
(Nota sobre a tradução de O Despertar da Primavera, Uma Tragédia de Juventude, uma re-elaboração linguística que fez José Maria Vieira para o Teatro Praga, peça apresentada no Centro Cultural de Belém este fim-de-semana e que o Reboliço, muito contente, foi ver e aplaudiu.)