segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

O Reboliço é um nefelibata (67)

   Love is a seeking for a way of life; the way that cannot be followed alone; the resonance of all spiritual and physical things. Children are not only of flesh and blood — children may be ideas, thoughts, emotions. The person of the one who is loved is a form composed of a myriad mirrors reflecting and illuminating the powers and thoughts and the emotions that are within you, and flashing another kind of light from within. No words or deeds may encompass it.
   Friendship is another form of love — more passive perhaps, but full of the transmitting and acceptance of things like thunderclouds and grass and the clean granite of reality.
   Art is both love and friendship, and understanding; the desire to give. It is not charity, which is the giving of Things, it is more than kindness which is the giving of self. It is both the taking and giving of beauty, the turning out to the light the inner folds of the awareness of the spirit. It is the recreation on another plane of the realities of the world; the tragic and wonderful realities of earth and men, and of all the inter-relations of these.
   I wish the thundercloud had moved up over Tahoe and let loose on you; I could wish you nothing finer.

   O amor é um procurar um modo de vida; o modo que não se pode seguir a sós; o eco de todas as coisas espirituais e físicas. Os filhos não são só de carne e osso — podem ser ideias, pensamentos, emoções. A pessoa de quem é amado é uma forma composta de uma miríade de espelhos, que reflectem e iluminam as forças e os pensamentos e as emoções que estão dentro de nós, e assim brilham com outro tipo de luz, desde dentro. Não há palavras nem actos que o compreendam.
   A amizade é outra forma de amor — mais passiva, talvez, mas cheia da transmissão e da aceitação das coisas, como uma nuvem de trovoada e a relva e o limpo granito da realidade.
   A arte é ao mesmo tempo amor e amizade, e compreensão; o desejo de dar. Não é caridade, que é a dádiva das Coisas, é mais do que gentileza, que é a dádiva de si mesmo. É o receber e o dar da beleza, o virar na direcção da luz as pregas interiores da consciência do espírito. É o recriar, num outro plano, das realidades do mundo; as trágicas e maravilhosas realidades da terra e dos homens, e de todas as relações entre estas coisas.
   Oxalá a nuvem de trovoada esteja por cima do Tahoe e chova agora sobre ti; não poderia desejar-te nada mais belo.
Ansel