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quarta-feira, 3 de novembro de 2010

(O Reboliço saúda o regresso de quem sabe dizer: queimo.)



Mantê-la mantê-la a todo custo
eu ainda sei ler, minha mãe
eu ainda sei ler, meu pai
estou mantendo ainda
ainda tenho algumas horas no dia
ainda sonho em fazer canções
e mesmo quando me apaixono insanamente
e desejo fontes de juventude boca a boca
(na praça clóvis minha carteira foi batida)
e mesmo quando endoideço aos vôos flutuantes perseguida por
galgos que me brincam e acalantam minha insônia
forçada de doideira
(chega um pouco pra lá, meu amor, se afasta um pouco)
e mesmo quando as lentes se perdem (e as palavras)
ainda sei ler, meu pai
ainda sei ler, minha mãe
ainda sei dizer: queimo,
e não arder simplesmente
(Ana Cristina César, Antigos e soltos: poemas e prosas da pasta rosa, p. 330-331.)

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

"Terceira noite: sei que posso escrever. Alguns erros dactilográficos, nada mais. Sintaxe perfeita. Qualquer rapidez, qualquer noite. No entanto, sou avassalada por velha preguiça, velha self-pity, indulgência. Não era mais a mesma, no então queria sêlo [sic]. Velha Ana! E boba."