Mostrar mensagens com a etiqueta Bob Dylan. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Bob Dylan. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Dylan - de novo, mas não só

De novo, pensa o Reboliço, Bob Dylan. Mas embrenha-se no artigo do New York Times e dá-se conta de que não é só o homem-tema que o atrai: ali descreve-se uma aula, descreve-se a disposição de uma matéria de estudo, um método de pesquisa. (Pouco tem a ver com investigação científica, a não ser onde ciência é, afinal, saber.)

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

No vermelho

O Reboliço continua no vermelho (natalino, se calhar), enquanto relê um dos primeiros livros que comprou com dinheiro seu, há mais de trinta anos, numa livraria de Faro que já não há quase há tanto tempo.




Na última página, não numerada, da introdução - sem indicação de autor -, remete-se para outra escrita ainda:


quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Três vivas para o Senhor Dylan!

(O Reboliço republica a sua versão de "Long and Wasted Years," belíssimas, tempestuosas palavras do mais recente prémio Nobel da Literatura)

Passou tão longo tempo
Desde que nos tivemos amor e almas verdadeiras
Houve um dia, um dia breve, em que fui o teu homem

Ontem à noite ouvi-te falar enquanto dormias
A dizer coisas, minha querida, que não deverias
És capaz de ter de ir presa, um destes dias

Haverá um lugar aonde possamos ir?
Alguém que possamos visitar?
Talvez seja contigo igual ao que é comigo

Não vejo a família há vinte anos
Coisa difícil de entender, às tantas já estão mortos
Perdi-lhes o rasto desde que perderam a terra

Agora ginga, querida, berra e dança
Já sabes do que se trata
Seja como for, o que fazes aqui ao sol?
Não sabes que pode dar-te cabo da moleirinha?

O meu inimigo afocinhou no pó
Caiu morto na estrada e perdeu o brilho
Foi brutalmente atropelado, ficou espatifado
Morreu em desgraça, tinha um coração de ferro

Uso óculos escuros a tapar-me os olhos
Há ali segredos que não consigo ocultar
Anda cá, minha querida,
Olha, e desculpa lá se te ofendi, sim?

Dois comboios vão lado a lado, quarenta milhas de distância
Descem a linha do Oriente
Não tens de te ir embora
Só vim ter contigo porque és minha amiga

Acho que enquanto estava de costas
Atrás de mim todo o mundo ardia
Já passou algum tempo
Desde que atravessámos aquele tão longo corredor

Chorámos era uma manhã gelada e fria
Chorámos porque se nos despedaçava a alma
Lá se vão as lágrimas
Lá se vão estes longos, anos perdidos

(Tempest, 2013)

terça-feira, 15 de abril de 2014

"I'm not there" (Ainda. É só amanhã.)

(Mais uma sessão imperdível, no Museu da Música.)

terça-feira, 9 de abril de 2013

O bardo. (O mais novo.) Amanhã.

(Still do clip de Subterranean Homesick Blues,
de D. A. Pennebaker, parte inicial
do seru filme Don't Look Back, de 1965.)


quarta-feira, 13 de março de 2013

Rejubilemos!

Sim? E, enquanto não há fumo branco sobre se o bardo estará ou não presente num certo e determinado momento de refeição do corpo - que não da mente, que essa permanentemente tem alimentada - vamos lendo, de lusamente ler, o que quis dizer em "Long and Wasted Years". Sim?


Passou tão longo tempo
Desde que nos tivemos amor e almas verdadeiras
Houve um dia, um dia breve, em que fui o teu homem

Ontem à noite ouvi-te falar enquanto dormias
A dizer coisas, minha querida, que não deverias
És capaz de ter de ir presa, um destes dias

Haverá um lugar aonde possamos ir?
Alguém que possamos visitar?
Talvez seja contigo igual ao que é comigo

Não vejo a minha família há vinte anos
Coisa difícil de entender, às tantas já estão mortos
Perdi-lhes o rasto desde que perderam a terra

Agora ginga, querida, berra e dança
Já sabes do que se trata
Seja como for, o que fazes aqui ao sol?
Não sabes que pode dar-te cabo da moleirinha?

O meu inimigo afocinhou no pó
Caiu morto na estrada e perdeu o brilho
Foi brutalmente atropelado, ficou espatifado
Morreu em desgraça, tinha um coração de ferro

Uso óculos escuros a tapar-me os olhos
Há ali segredos que não consigo ocultar
Anda cá, minha querida,
Olha, e desculpa lá se te ofendi, sim?

Dois comboios vão lado a lado, quarenta milhas de distância
Descem a linha do Oriente
Não tens de te ir embora
Só vim ter contigo porque és minha amiga

Acho que enquanto estava de costas
Atrás de mim todo o mundo ardia
Já passou algum tempo
Desde que atravessámos aquele tão longo corredor

Chorámos era uma manhã gelada e fria
Chorámos porque se nos despedaçavam as almas
Lá se vão as lágrimas
Lá se vão estes longos, anos perdidos

(Bob Dylan, in Tempest, 2012. Tradução: AIS.
Sobre o disco, escreveu Aldo Mazzucchelli "Mercurio en el barro".)

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Da tradução


Eri la più carina
un'eterna miss liceo
il trofeo per torneo
erano i romeo
che dietro di te facevano corteo
e tu insultavi tutti
senza scrupoli
indossavi uomini come abiti
con la tua bellezza li rendevi
deboli servili ed arrendevoli
poi quando ti stancavi
li buttavi tipo straccio vecchio
dei loro sentimenti
non ti curavi e amavi solo
la persona riflessa
nel tuo specchio.

Così sei cresciuta
giudicando tutto dall'aspetto
pensando che la confezione
centri con la qualità del prodotto
in base a questo hai scelto i tuoi amici
persino il tuo compagno
era bello quindi era degno
di far parte del regno
d'apparenza di cui
in testa tu avevi il disegno
era come un sogno
vi sposaste a giugno
a settembre lui ti mostrò il suo pugno
dimmi ora come ci si sente
ad essere insultata ignorata
a essere picchiata
da una mano ubriaca
ora che anche il tuo specchio
non ti vuole più vedere
ora che la tua bellezza
sta nel fondo di un bicchiere
dimmi come ci si sente.

How does it feel? Dimmi come ci sente.
How does it feel? A stare sempre da sola.
To be on your own.
Nè direzione nè casa. With no direction home.
Una completa sconosciuta. A complete unknown.
Come una pietra scalciata. Like a rolling stone.

Tu volevi chiudere
tutti i diversi fuori
su questo hai investito
tutte le energie
e i tuoi averi
ricordo il tuo concetto di straniero
dicevi questo non è il posto
loro son maleducati sporchi
ci portan via lavoro.

Difendevi la tua ottusità
come un tesoro
quello il tuo sentiero
che non ti ha portato a sentire
che il terreno su cui
ogni giorno camminiamo noi
non lo possediamo lo occupiamo
e non è italiano africano
è un dono che è stato fatto
ad ogni essere umano
i confini le barriere le bandiere
sono giunti dopo aiutando
l'odio la guerra e il razzismo
a fare il loro gioco
dimmi come ti senti
ora che non ci sono più confini
e le frontiere sono aperte
e che hai dovuto appendere
al chiodo la tua camicia verde
la bandiera più non serve
ora che hai speso tutto
e sei ridotta all'elemosina
finalmente sai che
non c'è colori razza
ma solo anima
ora tu sei l'emarginata
evitata scalciata ignorata
quando chiedi qualche moneta
ora che non hai più una proprieta
che ti dia un identità sventoli
soltanto la bandiera della povertà.

How does it feel? Dimmi come ci sente.
How does it feel? A stare sempre da sola.
To be on your own.
Nè direzione nè casa. With no direction home.
Una completa sconosciuta. A complete unknown.
Come una pietra scalciata. Like a rolling stone.

Tu vivevi in un mondo a parte
fatto di tasche piene
e di porte aperte
madre insoddisfatta della vita
e delle tue spalle coperte
non avevi mai lavorato
per mangiare
lo stesso avevi tutto ciò che si può desiderare,
giravi declamandoti infelice
a gran voce
io ti dicevo che eri fortunata
ma non ti davi pace
il tuo dramma era scoprire chi eri
ma quello è il dramma di ogni uomo
ed è più facile soffermarvici
sopra a stomaco pieno
non immaginavi quanto scotta
e quanto è dura portarsi a casa la pagnotta
ora lo sai dopo
che il papi ha fatto bancarotta,
avevi il meglio ma non lo hai apprezzato
perchè non possiedi niente
se niente ti sei guadagnato
e dimmi come ci si sente
ora che devi sudarti i beni materiali
vedi che hai poco spazio
per i problemi esistenziali
ora che sei una parte del mondo che ignoravi
sei diventata una di quelle pietre che scalciavi.


How does it feel? Dimmi come ci sente.
How does it feel? A stare sempre da sola.
To be on your own.
Nè direzione nè casa. With no direction home.
Una completa sconosciuta. A complete unknown.
Come una pietra scalciata. Like a rolling stone.

domingo, 7 de outubro de 2012

"I'm searchin' for phrases"

Ou o estranho e maravilhoso mundo literário do bardo, que bisa e trisa e nunca alisa.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Happy birthday, Bob -

- thought you might like to see yourself in a new darkness.
(Como? Não eras tu? Ah, fiz confusão. Desculpa-me. Vê lá agora.)

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

"I got a bird that whistles / I got a bird that sings"

O Reboliço segue os versos de Bob Dylan pelo Twitter. Pelo menos desde Março, publicados à velocidade de um por hora, já contou 7844 tweets, que é como quem diz quase oito mil linhas de menos de 140 caracteres cada, tudo versos criados por Dylan: umas vezes são as frases mais triviais, a condizer com o que aparece nas listas do twitador comum ("Writing up some deeds"), outras são pérolas de ritmo e som, como "The waitress he was handsome". Embora a ordem das cantigas escolhidas seja aleatória, a dos versos segue a de cada poema, do início para o fim (ou seja, o verso mais recentemente publicado é posterior, na cantiga, ao que lhe apareceu antes, e assim aumenta a sua autonomização). Há frases que sozinhas não fazem sentido, há outras que se reconhecem de imediato, por mais non-sensical. Como aparecem intercaladas com as de outros autores e temas, por vezes são como comentários ao tweet anterior. BobDylanSays que é até esgotar o manancial.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

"Can they tell you what's wrong from what's right?"*

O Reboliço ouve bocados de uma conversa. Diz um livro para o outro: "Vim só tirar o meu filho da prisão."**
** Karl Davis / Harty Taylor (Johnny Cash)

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Natal a sério

O Reboliço lembra-se de como era o Natal na sua infância: saía de casa na manhã de 24, para fazer quase duzentos quilómetros e ir para a aldeia. A casa do resto do ano ficava vazia, não tinha árvore nem presépio. Ali não era o lugar do Natal. Os lugares de Natal eram à roda do lume, um frio seco na rua e, na cama, as muitas mantas pesadas que ganhavam gotas do bafo do focinho na orla de lã. Na árvore, uns dois ou três ramos de pinheiro que o tio trazia da mata e que se armava muitas vezes no próprio dia 24 com irmãos e primos, pendurava-se sombrinhas de chocolate Regina. Eram duras de comer, demoravam-se na boca e no final sobrava um cajadinho de plástico branco. Não se ouviam sinos - nem na aldeia. Os cânticos ficavam para as Janeiras, uns dias depois. Tem ideia de uma vez se ter posto à escuta atrás da porta do quarto, à espera que chegasse o Pai Natal. Encostou com força as orelhas à madeira mas só ouviu do outro lado a voz baixa da mãe e da tia a apagar o lume e a arrumar a cozinha para se recolherem. A música que ouvia era a mesma das noites em que não se celebrava o Natal: os homens a subirem as vozes, primeiro um, depois outro, depois todos juntos, na taberna da rua da frente.

sábado, 14 de novembro de 2009

O trabalho que dá entender um cão

I got my black dog barkin'
Black dog barkin'
Yes it is now
Yes it is now
Outside my yard
Yes, I could tell you what he means
If I just didn't have to try so hard


quinta-feira, 8 de outubro de 2009

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Gostar de

O Reboliço perguntava-se quando teria começado a desaparecer o "de" da expressão "gostar de" sempre que é introduzida por uma relativa. Como em "Isso é que é um filme ø que eu gosto," que se vai ouvindo, parece-lhe, cada vez mais amiúde.
Estava entretido a interrogar-se e assoma-se-lhe à lembrança uma melodia da publicidade de há uns bons trinta anos. Era a uma marca portuguesa de jeans, mas o ritmo era o do ukelele* das pradarias do Oeste americano. Na letra, insidiosa, lá estava a muito bem posta expressão truncada:

"ol' time washing 
- blue jeans, mas já com aquele azul que a gente gosta 
e que só a lavagem dos bons velhos tempos dava: 
agora é só vestir, nem é preciso lavar, 
porque esses jeans já vêm com o azul que a gente gosta."

Quando comenta o assunto com a Luca, a doida ri-se e diz-lhe, enquanto destrói à dentada uma alfarroba esquecida, que isso é que eram cantigas. 
*Como o do esgalhadíssimo "Diamond Joe".

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Desorientado

O Reboliço lê a notícia e ri-se com os dentes todos. Vai ser um lindo serviço, conduzir com as indicações do amigo Bob Dylan. Ó, se vai.

sábado, 15 de agosto de 2009

The greatest hobo

O Reboliço já suspeitava que o Bob Dylan era amigo. Com esta história, sente-o ainda mais próximo.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Shake shake Mama

É a melhor do conjunto, sem dúvida.

sábado, 11 de abril de 2009

Música para os ouvidos do Matias (2)

No princípio, o homem deu nomes a todos os animais. Foi há muito tempo, meu sobrinho. Quando cresceres, vais saber esses nomes todos. Em português, em inglês, em italiano, nas línguas todas que quiseres aprender.

Man gave names to all the animals
In the beginning, in the beginning.
Man gave names to all the animals
In the beginning, long time ago.

He saw an animal that liked to growl,
Big furry paws and he liked to howl,
Great big furry back and furry hair.
"Ah, think I'll call it a bear."

Man gave names to all the animals
In the beginning, in the beginning.
Man gave names to all the animals
In the beginning, long time ago.

He saw an animal up on a hill
Chewing up so much grass until she was filled.
He saw milk comin' out but he didn't know how.
"Ah, think I'll call it a cow."

Man gave names to all the animals
In the beginning, in the beginning.
Man gave names to all the animals
In the beginning, long time ago.

He saw an animal that liked to snort,
Horns on his head and they weren't too short.
It looked like there wasn't nothin' that he couldn't pull.
"Ah, think I'll call it a bull."

Man gave names to all the animals
In the beginning, in the beginning.
Man gave names to all the animals
In the beginning, long time ago.

He saw an animal leavin' a muddy trail,
Real dirty face and a curly tail.
He wasn't too small and he wasn't too big.
"Ah, think I'll call it a pig."

Man gave names to all the animals
In the beginning, in the beginning.
Man gave names to all the animals
In the beginning, long time ago.

Next animal that he did meet
Had wool on his back and hooves on his feet,
Eating grass on a mountainside so steep.
"Ah, think I'll call it a sheep."

Man gave names to all the animals
In the beginning, in the beginning.
Man gave names to all the animals
In the beginning, long time ago.

He saw an animal as smooth as glass
Slithering his way through the grass.
Saw him disappear by a tree near a lake...

(Letra e Música: Bob Dylan. Copyright ©1979 Special Rider Music)

segunda-feira, 30 de março de 2009

Nada... tirando os diamantes e a ferrugem

Ouço, numa sequência que o acaso deixou na minha caixa de música, a primeira canção que Bob Dylan tornou pública do seu álbum que há-de sair daqui a umas semanas, chamada "Beyond Here Lies Nothin'" e a canção que Joan Baez escreveu e cantou sobre aquele que foi o seu companheiro entre 1962 e 1965, chamada "Diamonds and Rust".