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quarta-feira, 14 de junho de 2017

As mulheres do fim do mundo

O Reboliço encantam-no as vozes femininas. A Janis Joplin, por exemplo, a quem o produtor Paul Rothchild disse, pouco antes de ela morrer, sozinha num quarto de hotel, que dali a 30 anos estaria a gravar o seu melhor álbum. Ou a Elza Soares, que já gravou tantos dos seus melhores álbuns 30 anos depois, 30 anos depois, 30 anos depois, e segue, acariciando a cabeça lisa de um malandro, garantindo, de punho fechado, que ele vai se arrepender de levantar a mão para ela e cantando que "daria a sua vida a quem lhe desse o tempo".

quarta-feira, 30 de março de 2016

Janis

Que nome é esse, Janis?, interroga-se o Reboliço. Lembrou-se dela a propósito de um Bobby McGee que com ela entrou num dia de chuva na boleia de um camião, em Baton Rouge (coisa de esborratar e passar a mão suja, encarnada, sobre os jeans já gastos, ou a suja bandana encarnada) e seguiu para o Kentucky antes de ir para Oeste à procura do sol e de um lar - achou-o em Salinas, perto do Pacífico. Vai uma mulher à boleia com um homem e cantam, eles mais o camionista, os blues de alguns dias de estrada - I was holding Bobby's hand in mine. Vai a mulher, segue viagem e "deixa-o escapar", que achou - o homem achou - o lugar que procurava para assentar. Em 1970. A verdade é que quem ficaria a residir e se furtaria à viagem seria uma mulher. Foi assim que Kris Kristofferson imaginou quando escreveu a canção: Bobby foi a mulher que lhe aqueceu as noites, soube dos seus segredos, e, "Bobby clapping hands" ao som das canções que ambos cantaram com o camionista, recusou seguir viagem. Na versão de Janis (Janis, que nome é o teu?), a de uma mulher sobre um homem, a liberdade - não ter nada a perder - não vale nada se não for livre, se não for de graça; na do homem sobre uma mulher, o nada nada vale, mas é de graça. Há na escolha da mulher a possibilidade de um preço a pagar pela liberdade, que passa a ser diferente de não ter nada a perder. Quando o homem canta, porém, é um dado adquirido que a liberdade não tem qualquer custo. 
(E a propósito de George, nome certo de cão.)

sábado, 15 de agosto de 2009

How much wood would a woodchuck chuck if a woodchuck could chuck wood?

O Reboliço pensa: "Não me venham com os oculinhos da Janis nem com o lencinho na cabeça do Hendrix. Cool a sério, freak a valer era a indumentária do Alan Wilson: camisa castanha de cornucópias-ou-lá-o-que-é e calças de bombazine cor de mel."
Começou faz hoje quarenta anos, e há quase trinta e nove escaparam-se estes três: o Wilson a 3 de Setembro, o Hendrix a 18 do mesmo mês e a Joplin a 4 de Outubro. Não foi do que traziam vestido nem do que tocaram no festival. Tocou-lhes a eles.