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domingo, 8 de março de 2009

"- Como foi o seu encontro com Soljenitsine, com quem fez O Nó?
- Foi uma grande honra. Não esperava encontrar-me com Soljenitsine, porque ele é muito solitário. Mas ele tinha visto os meus filmes e quis conhecer-me. Telefonou-me e perguntou se nos podíamos encontrar. Eu fiquei agitado, disse que não tinha tempo. Mas depois encontramo-nos e falámos longamente. Estivemos de acordo em muitas coisas, noutras não, mas gostei muito do encontro."
(Excerto da entrevista de Augusto M. Seabra a Aleksandr Sokurov, Público, 21/07/1999. A propósito disto.)

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Trás-os-Montes (restaurado)

.....Vi ontem a cópia que a Cinemateca restaurou do filme Trás-os-Montes (António Reis e Margarida Cordeiro). O som tem algumas melhorias, apenas. A imagem tem a cor bem tratada, sim senhor. Mas o que sempre me intriga - e ontem, de novo, me pareceu que havia cenas que antes não vira -, é que de cada vez que o vejo há nele momentos que é mesmo como se os visse pela primeira vez. Não sei se é só da minha má memória (mas agrava-se isto quando reparo que a cópia exibida ontem tem 100 minutos, ao passo que na ficha do filme a duração é de 110 minutos - gralha?).
.....André Bazin escreve a certa altura (num texto curto sobre L'Espoir, o filme de Malraux), acerca da diferença entre livros e filmes: "Une phrase absconse se relit, une séquence trop elliptique est définitivement perdue." Se pensar que não vejo Trás-os-Montes em casa, com o comando do leitor de video na mão, faz todo o sentido. O ensaio de Bazin mostra como o cinema, ao contrário do que se pensa, é uma arte não elíptica, que "não aguenta a descontinuidade. Apesar da sua estrutura retalhada em 'planos', o discurso cinematográfico tende cada vez mais a evitar a ruptura." Penso na minha experiência com este e os outros filmes de António Reis e concluo que Bazin está certo: é quem vê que instaura nos filmes as cisões, as elipses, os rasgões no tecido. Nada disso está lá.
(Recordo que o mesmo aconteceu ao ver um filme como A Arca Russa, de A. Sokurov, coisa filmada num plano único, sem cortes nenhuns de montagem.)

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

4 meses, moço lindo!

(Matias e Francisco, neto e avô. Foto: Reboliço, depois de ter revisto o filme Pai e Filho, que o fez dormir, e recordado Mãe e Filho, que agora receia rever, de Aleksandr Sokurov. As imagens assim desfocadas e a sépia fazem filmes muito bonitos e nostálgicos. Mas onde quer que entre o Matias não cabe nostalgia nenhuma, porque aquele sorriso dá cabo de qualquer névoa, de qualquer sensação menos boa. É grande rapaz!)