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sexta-feira, 11 de setembro de 2009

O Reboliço sonhou com as torres. Estava uma bela tarde de Verão. Sentou-se numa das inúmeras cadeiras de PVC azuis com almofadas de cores diferentes, na praça do World Trade Center, e esperou entrarem os quinze ou vinte moços para dançar. A estrela da ocasião era Bill Shannon, também conhecido como "Crutchmaster", que estaria no palco entre os rapazes da francesa Compagnie Käfig. Nem sequer era grande admirador de breakdance, o Reboliço, mas estava ali perto e decidiu ficar. Não ficou surpreendido quando percebeu que os próprios companheiros de palco de Shannon se rendiam, boquiabertos, à sua versatilidade. Aquilo que nele era para ser fraqueza tornava-se, admiravelmente, no seu trunfo.
O Reboliço lembra-se desse dia, da praça ampla e de se sentir descansado perante aquela novidade.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

É o Dia da Terra, por todo o universo.


............
Voam palavras sem parar
............como chuva num copo de papel -
............deslizam ao passar,
............ao escorregar
............por todo o universo.
............Charcos de dor, ondas de alegria
............vagueiam no meu pensamento aberto
............possuem-me e acariciam-me.

............jai guru deva OM
............Nada mudará o meu mundo.
...............

............Imagens de luz quebrada
............dançam diante de mim como milhões de olhos
............que me chamam sem parar
............por todo o universo.
............Erram pensamentos como
............vento inquieto numa caixa de correio -
............atropelam-se, cegos,
............no caminho que fazem
............por todo o universo.

............jai guru deva OM
............Nada mudará o meu mundo.
...............

............Sons de risos, sombras de vida
............ecoam nos meus ouvidos abertos
............excitam-me e convidam-me.
............Sem limites, imorredoiro, o amor
............brilha à minha volta como milhões de sóis
............chama-me sem parar
............por todo o universo.

............jai guru deva OM
............Nada mudará o meu mundo.
...............
............jai guru deva
............jai guru deva

(As palavras de John Lennon são de 1968. Os Beatles gravaram primeiro a versão simples. A oficial, de 1969, ficou com arranjos mais sofisticados. Em 1975, David Bowie cantou-a em Young Americans e já lhe tirou o refrão em sânscrito.)

quinta-feira, 5 de março de 2009

Sono uno / che è nato in una città piena di portici nel 1922.

..........
..........La diversità chi me fece stupendo
..........e colorò di tinte disperate
..........una vita non mia, ancora mi fa
..........sordo ai comuni istinti, fuori dalla
..........funzione che rende gli uomini servi
..........e liberi. Morta anche la povera
..........speranza di rientrarvi, sono solo,
..........per essa, coscienza.
..........E poiché il mondo non è più necessario
..........a me, io non sono più necessario.

..........A diversidade que me fez estupendo
..........e coloriu de tons desesperados
..........uma vida não minha, faz-me ainda
..........surdo aos comuns instintos, fora da
..........função que torna os homens servos
..........e livres. Morta até a pobre
..........esperança de reentrar nela, sou apenas,
..........por essa, consciência.
..........E pois que o mundo não é mais necessário
..........a mim, eu não sou mais necessário.


Pier Paolo Pasolini. Uma maravilha, o original. Um arremedo pobre, a volta que lhe dei em português, à conta de dificuldades com "rientrarvi" (cujo "-vi" quer dizer "nalguma coisa" e que deve referir-se a "-la / funzione che rende gli uomini servi / e libri") e com "per essa," que parece referir-se a "povera esperanza," mas não fica muito claro. O resultado só não está pior porque teve a grande ajuda do Mano e da Dona Angelita. Obrigada!

Faria hoje oitenta e sete anos, o passaroco Pasolini.

Até com os genéricos dos filmes fazia poemas!
(A melodia é de Ennio Morricone.)

domingo, 11 de janeiro de 2009

Diário de professor

Faz hoje sessenta anos que um professor nascido em Vila Nogueira de Azeitão começou a registar num diário as notas das aulas de Português que deu na Escola Veiga Beirão, em Lisboa. A minha primeira aula de Português a seguir à Escola Primária não foi dada por Sebastião da Gama, mas ficou-me na memória pelo texto dele que a professora nos deu a ler, numa sala que, tirando isso, era fria e escura. A Associação Cultural Sebastião da Gama chama a atenção para a publicação, durante 2009, das Obras Completas do escritor, professor e poeta. O primeiro volume será precisamente o Diário, que sairá pela primeira vez em edição integral.
(Imagem digitalizada da primeira página do Diário. Associação Cultural Sebastião da Gama, Vila Nogueira de Azeitão)

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

domingo, 30 de março de 2008

(Deixei passar os três anos)

1. "Il faut inventer le coeur des choses, si l'on veut un jour le découvrir." - que é como quem diz que primeiro tem de se tapar o que se quer destapar, que nunca se deixa de brincar ao agora está lá, agora não está.

2. "le meilleur poète est distrait ou fasciné" - que é como quem diz não viste o degrau porque estavas a fazer poesia da boa; foi só pena não a teres escrito.
(1. e 2.: Jean-Paul Sartre, pp. 372 e 373)

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Primeira ninhada

"Já está tudo encaminhado," pensa o Reboliço ao carregar no botanito da máquina fotográfica. "Dos nove que nasceram na noite de São Martinho, há oito sobreviventes, o que é uma percentagem bonita."
- Sorna, anda cá. Já os viste?- Já vi, sim, mas de longe. A Luca está no recobro e não quero interrompê-lo. O tolo do Petaner, para espanto meu, também se armou em respeitoso.
- Sabes, Sorna? Acho que está convencido de que é o pai.
- Não serei eu a estragar-lhe a ilusão. Assim como assim, será o pai social, ou não?

sexta-feira, 11 de maio de 2007

"Ah, that's the old redhead. No bitterness, no recrimination, just a good swift left to the jaw."

Faz este sábado cem anos que nasceu Katherine Hepburn. Para comemorar, revejo pela enésima vez (mas pela primeira no Stanford Theatre...) The Philadelphia Story. Além da ruiva, foi neste filme que aprendi a palavra "yare". O que não implica que tenha interiorizado as propriedades do conceito.

terça-feira, 28 de novembro de 2006

O do tigre

- Tiaga, chove a gente: gatinhas e canitos, já viste?
- Ainda tu estavas enroscado no teu sono e já eu estava à janela, a ver as gotas em carrinhos de choque pela janela abaixo. Sabes quem faria hoje anos, se estivesse vivo?
- Quem?
- O William Blake.
- Não me digas! O do tigre?
- Esse mesmo. 249.
- Hum... Já se está mesmo a ver o que para aí vem. Parabéns, então.