sábado, 30 de junho de 2007

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Do obsoleto e da inoperância

A propósito disto, relembro o importantíssimo e utilíssimo conceito de obsoleto. O obsoleto que faz falta.

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Itália vs. França

A senhora Clio Bittoni, Primeira Dama italiana, foi atropelada. Por um Fiat Panda.

Cunhadão!

A mais recente exposição do Vasco Célio, com novas fotografias de Marrocos (feitas já este ano), abriu ontem ao público. Está na cerca do Convento Espírito Santo, em Loulé, até Agosto.

Jogo triplo

Entra-se nesta exposição de fotografias de Marrocos como num jogo de três fases comutáveis entre si, sem que a uma tenha necessariamente de se seguir nenhuma outra. Chame-se-lhe, aleatoriamente, Fase "invasão", Fase "lonjura" e Fase "presença".

"Invasão" - O olhar invade o espaço entre a realidade fixada e um hiper-realismo, que perverte essa ideia de real e lhe atribui um traço de ficção, de invenção, quase de abstracto. É através desta brecha que a mão humana, o olho, oferece a aura às imagens fotografadas, invade a máquina e impede que predomine na fotografia a frieza do mecânico.

"Lonjura" - A distância das paisagens quebra os espaços, divide-os em sombras e em luz. Cria-se nessa divisão uma outra oposição entre fundo e forma, que fica entre ou atrás do que divide os planos. Marcam-se as diferenças de luz ou de abertura/fechamento.

"Presença" - Nestas imagens, o fotógrafo nunca está sozinho. A paisagem não é desolada. Mesmo quando não está explícita a figura humana, a sua presença restou nas tendas, nas pegadas à beira lago, nos trilhos dos Jeeps que rasaram a árvore de copa estendida.

(Texto que escrevi para a apresentação das fotografias)

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Há dias...

... em que a Tiaga respode por Carolina. Ou por qualquer outro nome que lhe chame, desde que tenha uma lata de comida na mão.

terça-feira, 26 de junho de 2007

Escrever

"Às vezes é um desafio muito lindo! E escrever ou pintar é uma razão forte para eu estar aqui, sobretudo pintar, agora abandonei mais a escrita, porque a escrita tens que dizer que dia é, se é de dia se é de noite, se estás apaixonado da vizinha de cima, que horas são?, se te dói o fígado, se tens medo da morte, são tudo coisas muito chatas"
(Mário Cesariny, Autografia)

sexta-feira, 22 de junho de 2007

De costas

(Foto: Reboliço)
A Tiaga insistiu: "Reboliço, tira-me lá uma fotografia ao cachaço. Por mais que consiga girar a cabeça, nunca tenho uma perspectiva directa e clara do que pareço de costas. Mostra-me." Quando carregou no botanito, já ela se preparava para se virar, incapaz de conter a vontade de expor os olhos à máquina fotográfica. Danada!...

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Mais (ainda/outra vez) Rorty

Depoimentos sobre o filósofo, de gente tão diferente como Brian Eno e Stanley Fish. Aqui, por via de uma boa alma.

terça-feira, 19 de junho de 2007

Bramante

Foi aluno de Mantegna. Dos nomes que o Renascimento italiano deixou, nenhum é de homem menor. A Dafne edita, no oitavo volume das Sebentas da História da Arquitectura Moderna , o estudo de Domingos Tavares sobre Donato Bramante.

segunda-feira, 18 de junho de 2007

"O patinho nada..." / "Pela estrada fora, eu vou..."

Sento-me na sala de um primeiro andar, baixo, a dar para uma rua empedrada. As janelas, de portadas altas, estão abertas e entram por elas todos os ruídos da rua. Do lado de lá do passeio há uma loja de brindes; à porta, dois daqueles bonecos mecânicos que solavancam e dão música a troco de um ou dois Euros. Volta e meia, aparece uma criança (turistas, por regra), choraminga, puxa pela mão de quem a leva, insiste, e conquista o lugar no dorso do minúsculo avião ou da abelha gigante. A música começa, engasgada, no ponto em que o fim do crédito anterior interrompera o gozo de outro puto. Rouca, muito suja, a voz da cantiga é incómoda na rua onde, tirando esse barulho, só se ouvem pedaços soltos de conversas. O único a reclamar, alto e bom som, é um cão, sempre o mesmo podengo de patas curtas: mal a cantiga se vomita, desata a uivar, a ganir com quanta força tem. Assim como se pedisse misericórdia, como se ameaçasse a Terra de algum cataclismo se alguém voltar a tocar aquele inferno.

sábado, 16 de junho de 2007

P.A.

O Reboliço foi espreitar um encontro de poetas. Chegou no momento das apresentações.
"Olá. Eu sou a Ana e há três dias que não escrevo."
Ouviu aquilo, virou as patinhas e foi-se embora dali.

terça-feira, 12 de junho de 2007

Abalone / "Blanco"

me vejo no que vejo como entrar por meus olhos um olho mais límpido me olha no que eu olho é minha criação isso que vejo perceber é conceber águas de pensamentos sou a criatura do que vejo

(Fotos: Reboliço; poema "Blanco": Octavio Paz, vertido para português por Haroldo de Campos)

segunda-feira, 11 de junho de 2007

- 1

Desta maneira acolhedora, desafiadora, confrontadora, Richard Rorty fala, entre muitos assuntos, sobre "buracos" das suas próprias teses. Entrevistas com ele, agora só em mesinha de pé-de-galo. Chapéu!...

(O Reboliço pensa: "Se com os filósofos morressem as suas ideias, às vezes daria jeito: fugiria de alguma gente o pragmatismo que morde sem bem governar." A verdade é que, de filosofia humana, o Reboliço não entende nada. Nem quer.)

quarta-feira, 6 de junho de 2007

Lane's tapes


(Foto: Eelco Runia)
Lane: Desculpa lá, o meu sistema de organização de fitas não será dos mais eficazes no que toca à poupança de espaço. Mas ainda o prefiro aos iPods e quejandos. Se não te importas, põe os pés mais para ali, assim sempre posso ter à vista o que quero ouvir durante a viagem. Hum... olha, já que estás desse lado, agarra-me aí na dos Highland Weavers, essa em cima, à direita. É a mais adequada à ocasião.
(O Lane vive entre o Estado do Vermont e Palo Alto, meio tempo sozinho numa costa e meio tempo com as duas filhas na outra. Quando está na Califórnia, o tempo desanuviado dá-lhe para organizar uns valentes barbecues, maneira de se manter próximo e de apertar os chamados "nós da vizinhança". Estive em duas dessas ocasiões e por aí fiquei a saber de quem procura novos planetas e de quem aproveita as mensagens da mãe no atendedor de chamadas para gravar comédia. Foi no carro do Lane que o Eelco me deu boleia para o aeroporto.)

sábado, 2 de junho de 2007

Nada

Hoje apetecia-me ir a uma festa com muita gente, onde não conhecesse ninguém e pudesse dançar a noite inteira até que o tempo se esquecesse de mim e eu pudesse ficar só com a música, o som muito alto e bonito.