segunda-feira, 31 de dezembro de 2007
terça-feira, 25 de dezembro de 2007
Quadras de Natal (uma ao Menino, outras não)
Na véspera de Natal, o Reboliço amanheceu a ouvir a rádio. Sonhava que era um marinheiro num navio das Descobertas, vindo de lugares diferentes, a regressar às costas lusitanas (aí por Sines, ou outra areia). Quando abanou a cabeça e coçou com genica, uma e depois a outra, as orelhas, ainda ouviu: "Venho da ilha dos vidros, / Da praia dos diamantes; / Ando no mundo perdido / Pelos teus olhos brilhantes. // Pelos teus olhos brilhantes, / Pelo teu rosto de prata. / Ter amores não me custa, / Deixá-los é que me mata." Voltou a abanar a cabeça, mas em desaprovação daquela moral duvidosa.
À noite espreitou a igreja. O madeiro deste ano na aldeia não era um, mas muitos madeiros pequenos, espalhados em desordem pelo adro. Não o chamavam. Rodeou o fogo e esgueirou-se entre os pés dos homens, em pé ao fundo da igreja, acotovelados junto à porta. Nos degraus do altar, cantava um coro de mulheres: "Entre as portas da igreja / Está uma mulher cosendo. / Está cosendo a camisinha / Para o Menino em nascendo." Ficou a pensar que os gerúndios, em sendo assim cantados, até não parecem mal.
À noite espreitou a igreja. O madeiro deste ano na aldeia não era um, mas muitos madeiros pequenos, espalhados em desordem pelo adro. Não o chamavam. Rodeou o fogo e esgueirou-se entre os pés dos homens, em pé ao fundo da igreja, acotovelados junto à porta. Nos degraus do altar, cantava um coro de mulheres: "Entre as portas da igreja / Está uma mulher cosendo. / Está cosendo a camisinha / Para o Menino em nascendo." Ficou a pensar que os gerúndios, em sendo assim cantados, até não parecem mal.
Moinhos na poesia (11)
O cão do vizinho António entregou estes versos ao Reboliço. São sobre um moinho de água, mas ficam. Torna sempre!
(René Char, Furor e Mistério, Relógio d'Água, Lisboa. Versão portuguesa de Margarida Vale de Gato. O original terá sido composto em 1948 e foi publicado pela Gallimard em 1962 como Fureur et Mystère.)
"Le Moulin"
Un bruit long qui sort par le toit;
Des hirondelles toujours blanches:
Le grain qui saute, l'eau qui broit,
Et l'enclos où l'amour se risque,
Etincelle et marque le pas.
"O Moinho"
Um silvo que sai pelo telhado;
As andorinhas sempre brancas;
O grão que salta, a água que mói.
E o recinto onde o amor se arrisca,
Marca o passo e faísca.
(René Char, Furor e Mistério, Relógio d'Água, Lisboa. Versão portuguesa de Margarida Vale de Gato. O original terá sido composto em 1948 e foi publicado pela Gallimard em 1962 como Fureur et Mystère.)
sexta-feira, 21 de dezembro de 2007
Festas
A esquilinha a tinir, foge para fugires à chuva, Reboliço. Está limpo o piso do moinho, mas suspeito que não haverá grandes moendas nem cozeduras este Natal: o vento é caprichoso, o lume estará na lareira da casa, sim, mas o forno é na rua, à rijeza. Enrosca-te e dorme.
quarta-feira, 19 de dezembro de 2007
For the record (2)
As gargalhadas que tenho dado à conta do impagável Eddie Izzard juntam-se-me na memória às loucas e grandes performances de David Benson e, lá atrás, aos espantosos monólogos de Ruth Draper. (Era só para não me esquecer.)
Os dois dentinhos da frente
Ando na Net à procura da versão de "All I Want for Christmas is My Two Front Teeth" (Don Gardner, 1944) pelos Chipmunks. Em iutubinho que fosse, ou coisa parecida. Ouvi-a há muitos, muitos anos na rádio (uma galáxia quase distante) mas agora não a dou achada. O mais delicioso que encontro é isto.
terça-feira, 18 de dezembro de 2007
Bocejo
O Mano quer ajudar a animar as Cartas. "Olha, eu acho que uma boa discussão, ou sugestão, podia ser imaginar como pode ser uma canção da Carla dedicada ao Nicolas." "Ó pá," chateia-se o Reboliço, "mas o que é que as Cartas têm a ver com o Nicolas e a Carla, pá?! E não quero cá interactivices." O Mano insiste: "Não, mas podias fazer escalões e, assim, por ser Natal, todos ganhavam! E depois mandava-se para eles. Haviam de gostar." O Reboliço está nos limites. "Que engenho!... Tu não quererás concorrer ao Nobel?" "Hum... O papai Nobel é alguma coisa ao papai Noel?"
domingo, 16 de dezembro de 2007
100?
Há um novo opúsculo da Dafne à espera de ser desembarcado: um texto de Guilherme Wisnik sobre a obra de Oscar Niemeyer. (O Reboliço lembra-se, com saudade, que no Brasil dizem "ôscá". É bonito.)
terça-feira, 11 de dezembro de 2007
Este mundo é para mais um homem
A Mana ficou hoje a saber o que a Luca já sabia: que ali na casa agora vingam os machos. Os quatro brutinhos da Luca já saem para a rua, comem torrões de terra no banho de leite e ganem como gente grande quando não dão o rabo alçado para saírem sozinhos da caixa. O que aí vem (que há-de ser bípede, humana coisa) quanto demorará até abrir os olhos e mostrar-se ao Reboliço?
quinta-feira, 6 de dezembro de 2007
Existe uma cidade de ouro
There is a city of gold
Far from the rat-race that eats at your soul
Far from the madness and the bars that hold
There is a city of gold.
There is a city of light
Raised up in heaven, and the streets are bright
Glory to God, not by deeds or by might
There is a city of light.
There is a city of love
Surrounded by stars and the power above
Far from this world and the stuff dreams are made of
There is a city, city of love.
There is a city of grace
You drink holy water in a sanctified's place
one's afraid to show their face
There is a city, a city of grace
There is a city of peace
Where all destruction will cease
When the mighty have fallen and there's no police
There is a city, a city of peace
There is a city of hope
Across the ravines by the green sunlit slope
All I need is an axe and a rope
To get to the city of hope.
I'm headed for the city of gold
Before it's too late, before it gets too cold
Before I'm too tired, before I'm too old
I'm headed for the city of gold
There is a city of gold

Far from the madness and the bars that hold
There is a city of gold.
There is a city of light
Raised up in heaven, and the streets are bright
Glory to God, not by deeds or by might
There is a city of light.
There is a city of love
Surrounded by stars and the power above
Far from this world and the stuff dreams are made of
There is a city, city of love.
There is a city of grace
You drink holy water in a sanctified's place
one's afraid to show their face
There is a city, a city of grace
There is a city of peace
Where all destruction will cease
When the mighty have fallen and there's no police
There is a city, a city of peace
There is a city of hope
Across the ravines by the green sunlit slope
All I need is an axe and a rope
To get to the city of hope.
I'm headed for the city of gold
Before it's too late, before it gets too cold
Before I'm too tired, before I'm too old
I'm headed for the city of gold
There is a city of gold

(Foto: Reboliço. Música: Bob Dylan, cantado por The Dixie Hummingbirds)
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