Mostrar mensagens com a etiqueta Sepp Gumbrecht. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Sepp Gumbrecht. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Elogio de Richardson

Qu'est-ce que la vertu? C'est, sous quelque face qu'on la considère, un sacrifice de soi-même. Le sacrifice que l'on fait de soi-même en idée est une disposition préconçue à s'immoler en réalité.
(Denis Diderot, "Éloge de Richardson", 1762.)

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Louvor da beleza intelectual

(É o segundo vídeo que aparece neste blogue, assim de chapa. O Reboliço vê e ouve com atenção - até mais ou menos os dois minutos e meio - a alegria e a razão de um dos seus mestres. Obrigada, Sepp!)

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Produção de Presença

(Foto da montra da livraria Carga Nobre, campus da PUC-Rio: Reboliço, presente.)

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

A trindade das resoluções

O Reboliço acorda quando percebe que o sol se decidiu sair das nuvens. Começa a espreguiçar-se, primeiro o focinho para diante, o cachaço, o lombo, os quadris, as patas de trás, uma de cada vez. Depois coça atrás das orelhas (soa a esquilinha, nervosa), abana a cabeça e esgravata o chão com as patas dianteiras. Ergue o focinho e fareja o ar. Mais um dia para cumprir a "liturgia não teológica do mundo," para o que é preciso ter tempo, muita folga para pensar, e que dá numa visão mais límpida da complexidade e dos contornos das coisas.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

Caprichos

Ando às voltas com Caprichos. Os de Goya e os dos traços gravados pela caprichosa Paula Rego. Tudo por mor do "Second Order Observer"*.

*Explicado assim no sumário da disciplina: "Self-Reflexivity Historicized, or the Emergence of the Second-Order Observer—(Same as COMPLIT 259.) The origin of self-reflexivity as a habit and institution typical of intellectuals. Focus is on historical case studies from Western literatures and cultures since the Renaissance, based on a conceptual apparatus concerning the second-order observer, mainly derived from the work of Niklas Luhmann. Readings in original and translation include Descartes, Rousseau, Schlegel, Hegel, Gracián, and de Goya. 3-5 units, Win (Gumbrecht, H)" Até me passo...

sexta-feira, 15 de dezembro de 2006

Prendinhas (1)

(Esta ofereci-a o ano passado. With love.)

    Era de noite. O homem estava sentado à bancada da cozinha. Levou aos lábios a espuma fria e girou o corpo mal um bocadinho, só o suficiente para ver atrás de si o grande lago, através da janela da sala. Percebia a água nos reflexos escassos, uns dedos acima do pontão de madeira, uns dedos abaixo da linha onde começavam os troncos das árvores. As mesas lá de fora tinham ainda garrafas, copos e pratos por limpar. No caminho do pontão, gravilha já escasseada entre dois traços de troncos estreitos, alguns chinelos desemparelhados e uma bola eram as ruínas visíveis dos dias anteriores. O homem olhava para essas marcas e não se sentia triste. Respirava fundo, escutava o ar a descer pelo tronco abaixo e a regressar, a ser expulso de si. Podia ouvir-se a respirar. Deixou-se ficar ali, infectado pela quase imobilidade do lago e das folhas das árvores, a ouvir em si o ar e a cerveja. Não fechou os olhos.
    Havia dois dias que tinham abalado os filhos e a mulher. Ele ficara, com mais umas semanas de trabalho à sua frente. Ainda assim, não podia queixar-se: a empresa concordara em alojá-lo numa confortável cabana à beira do lago, onde ficasse calmamente e pudesse receber a família durante os dias de férias deles. Agora, passadas as horas ruidosas e alegres, estava outra vez sozinho. Amargurava-o só um pouco a contradição em que vivia – em que sempre, de alguma maneira, vivera: o seu trabalho exigia-lhe o silêncio e o recolhimento em que destilava o olhar engenhoso sobre o seu e o pensamento dos outros; porém, sem o convívio e o riso do amor que aquela família lhe garantia, não podia ter a paz de espírito que o guiava ao silêncio.
    Era em momentos como aquele, o corpo grande sentado imóvel e sozinho numa sala vazia em frente a um lago, sem ruídos externos, sem ninguém nem nada a interromper o fio longo e fino que vislumbrava, vezes raras, entre o seu pensamento e as coisas; quando, de caneca na mão, pousava os olhos no lago e imaginava ver ainda os salpicos de água dos filhos a mergulhar, e ouvir-lhes os risos; era então que ia tomando corpo na sua alma, como a camada de neve que sobe à medida silenciosa que pousam os flocos, a ideia de que não era mais do que aquilo: um homem irremediável e agradecidamente só.

terça-feira, 7 de novembro de 2006

Produzir presença

Um - "if we approach a poet without this prejudice [to dwell with satisfaction upon the poet's difference from his predecessors] we shall often find that not only the best, but the most individual parts of his work may be those in which the dead poets, his ancestors, assert their immortality most vigorously."

(Se abordarmos um poeta sem esta ideia-feita de nos aprazer a sua diferença em relação aos poetas que o antecederam, poderemos descobrir que não só as melhores mas também as mais características partes da sua obra podem ser aquelas em que os poetas mortos, os seus antecessores, mais energicamente afirmam a sua imortalidade.)

Dois - "if the only form of tradition, of handing down, consisted in following the ways of the immediate generation before us in a blind or timid adherence to its successes, 'tradition' should positively be discouraged."

(Se a única forma da tradição, de passagem do testemunho, consistisse em seguir os trilhos da geração imediatamente anterior numa adesão cega ou tímida às suas proezas, deveria desencorajar-se definitivamente a "tradição".)

Três - "Tradition [...] involves, in the first place, the historical sense [...]; and the historical sense involves a perception, not only of the pastness of the past, but of its presence."

(Em primeiro lugar, a tradição implica o sentido histórico; e o sentido histórico implica uma percepção não apenas da qualidade passada do passado, mas da sua presença.)

T. S. Eliot sobre a tradição e o talento individual. Ou Gumbrecht avant-la-lettre.

quarta-feira, 5 de julho de 2006

Escola 1

Há um ano atrás, andava à Escola. As memórias não esmoreceram, adensaram-se. Ganhei Ibsen, ganhei Toril Moi, ganhei Wittgenstein, ganhei - sobretudo - Gumbrecht.

sexta-feira, 9 de junho de 2006

Balancinho (o balanço maior fica para outros lugares)

Terminou há poucas horas a segunda parte do curso que Hans Ulrich Gumbrecht veio dar no Programa em Teoria da Literatura. No Verão passado achei-me das pessoas com mais sorte neste mundo, ao dar-me conta de que Gumbrecht (ou Sepp, como gosta que lhe chamem) entendia na perfeição o português e não só poderia ler como veio a discutir com exacta minúcia as barbaridades que escrevi no trabalho de doutoramento. Pois bem, nasci, como diria São Carlos, "com o cuzinho para a lua" e pude assistir às duas secções deste curso - o Sepp é um professor magnífico, além de uma pessoa extraordinária. Ai, Janeiro!, vem já, para eu aprender mais sobre Kleist com esta alma!

domingo, 5 de março de 2006

Gumbrecht

Não será muito novo, mas é sempre bom ouvir o argumento, fundamentado em rigor epistemológico, de que "o ensino nas Humanidades deve ser mais inspirador do que educativo". Hans Ulrich Gumbrecht está esta semana em Lisboa (terça em Faro, na Universidade do Algarve), para ser ouvido, discutido, apanhado a exercer o que mais gosta - "riskful thinking".

sábado, 10 de dezembro de 2005

Dar a ver a leitura

(Helene Schjerfbeck, Jovem a ler, 1904)

Uma amiga trabalha no projecto de recolher imagens (na pintura de todo o mundo) do acto da leitura. Alguns dos temas em que organiza o que vai encontrando: "mulheres leitores: interiores/exteriores; leitura solitária; leitura para outro(s), etc etc". Acrescento eu, sem saber: leitores representados de costas. Continuo com esta fixação, desde que assisti na Gulbenkian a um colóquio sobre esse tema inusitado que é a representação do ser humano de costas, na pintura, no teatro, na dança. Lembro-me de conclusões empolgantes sobre o assunto; mas, acima de tudo, ficou-me a ideia de que encontrar um vértice concreto, uma ideia condutora de outras ideias para analisar a arte, é muito mais entusiasmante do que eternamente buscar (e raras vezes conseguir) os "universais", os "aparelhos teóricos mais vastos". Gumbrecht também viria a ser culpado deste meu pendor.
Diz a minha amiga que este trabalho de recolha e dispositio é fascinante. Acredito. Se alguém aí fora souber de imagens destas, diga aqui ao Reboliço. Fáxavor...