Mostrar mensagens com a etiqueta Stanford. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Stanford. Mostrar todas as mensagens

domingo, 5 de outubro de 2008

Breukvlak

O título enigmático deste post é o título original do novo romance de Eelco Runia. Vou recebê-lo no correio daqui a dias e não o poderei ler, pois não leio neerlandês. Mas, diz o Eelco, estou no livro. Escreveu-o a partir da experiência de Stanford em 2007 - quando o conheci - e do blogue* que durante o período que lá passou escreveu, a pedido do filho. As palavras que me enviou a descrever o livro dizem-me, por enquanto, mais sobre aspectos da narrativa de blogues e parecem-me muito acertadas:

It is a rather strange book I guess: a kind of philosophical experiment with myself in the form of a weblog. What attracted me in the weblog-form was that it is a break with retrospective narration - not just the hero, but the narrator as well are fundamentally ignorant of what is to come. The weblog-form also enabled me to juxtapose narration (or at least description) with essayism (in Musil's sense). As such it is the record of an obsession - it shows not the stylized, purified end-products (articles, books, lectures) of an obsession but its working, in ‘real time’, on a day to day basis.

(*Compreensivelmente, o blogue foi desligado. Deixou de estar em linha pública. Nos posts em que remetia para ele, o link envia agora para a mensagem do Blogger a avisar que não tenho ordem de entrada. Deixa ver se o livro terá fotografias; se não, chapéu!, lá se foi um bocadinho importante da iconografia destas Cartas.)

domingo, 13 de janeiro de 2008

"Public service"

Dear Friends,

We are pleased to announce that Entitled Opinions will be starting up again next week. While the final schedule has yet to be confirmed by the KZSU programming department, we expect to have our regular time slot, namely Tuesday from 5 to 6 pm. Our first show will feature a discussion with historian Philippe Buc on the topic of religion and violence. That will be followed by a conversation with Orhan Pamuk, winner of the 2006 Nobel Prize for literature. Other guests include historian Aron Rodrigue (on the Ottoman empire); archaeologist Michael Shanks (on the origins of agriculture); classical scholar Andrea Nightingale (on love and beauty in Plato); philosopher and historian Hayden White (on the vocation of the Humanities); literary critic Laura Wittman (on the poet A.R. Ammons), and others. Unless you hear from us otherwise, our first show will air on January15.
(...)
Meantime, you can listen to the entire archive of the show on our website http://www.stanford.edu/dept/fren-ital/opinions/, or through iTunes.

sábado, 5 de maio de 2007

For the record

Ontem assisti a um coloquio bastamente interessante - o clima na literatura. As coisas que se inventam...

segunda-feira, 30 de abril de 2007

Uma pedra no caminho

(Se clicarem sobre a imagem, ela engrandece-se - e as letrinhas.)

sexta-feira, 16 de março de 2007

Despedidas da Munchkinland

Esta noite despeço-me do ciclo de filmes de terror no Stanford Film Theatre. Para relembrar a temporada em Cornell em 2005, verei o The Body Snatcher inicial, o de 45 com Bela Lugosi* e Boris Karloff. A Lagarta diz que o filme é lindo!

*Ontem ao sair do jantar, perante o néon do cinema, foi lindo ouvir o David Marno, um mocinho húngaro, dizer na sua língua natal o nome do dito cujo.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

Caprichos

Ando às voltas com Caprichos. Os de Goya e os dos traços gravados pela caprichosa Paula Rego. Tudo por mor do "Second Order Observer"*.

*Explicado assim no sumário da disciplina: "Self-Reflexivity Historicized, or the Emergence of the Second-Order Observer—(Same as COMPLIT 259.) The origin of self-reflexivity as a habit and institution typical of intellectuals. Focus is on historical case studies from Western literatures and cultures since the Renaissance, based on a conceptual apparatus concerning the second-order observer, mainly derived from the work of Niklas Luhmann. Readings in original and translation include Descartes, Rousseau, Schlegel, Hegel, Gracián, and de Goya. 3-5 units, Win (Gumbrecht, H)" Até me passo...

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

Ursprung, ou seja, "começo"

Ontem foi dia de palestra. Philip Ursprung sobre "land-art". Havia tempo que não pensava em Robert Smithson nem via imagens da Spiral Jetty. Enquanto seguia a voz de Ursprung e olhava para a espiral, fotografada de helicóptero, fugiu-me o pensamento para uma cena descrita no diário de David Wojnarowicz. Era sobre a urgência que sentia de fugir da cidade, de deixar Manhattan e de se meter numa paisagem industrial qualquer, afundado num lago até ao pescoço. Até a pele começar a engelhar e ele ter de regressar. Assim como quem se lembra, de repente, que está vivo.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

Sábado passado (Palo Alto)

(Comecei a usar o "Docs and Spreadsheets" do Google, que tem caracteres com acentos. Ainda nao descobri foi as cedilhas. "Nobody's perfect...")

Ora, o Sábado... Comecou antes, quando a Margaret (a eficientíssima secretária do Sepp), me disse que o marido tinha como hobby fazer as projeccões no cinema mais antigo de Stanford. Combinámos que ela me levaria à dita sala de cinema, que pediria ao Ernie (sim, o marido) que me mostrasse a cabina, a máquina, as bobines, essas coisas que adoro. Calhou ser no fim-de-semana em que passavam o Singing in the Rain (na versão portuguesa ficou Serenata à Chuva) mais o An American in Paris (ficou assim quase tal qual, em português). Já muitas vezes me disseram que nasci com o ditozinho virado para a lua, mas esta tarde foi especial. Nem sei por onde comece.

A sala abriu em 1925 - estão a ver a Califórnia em 1925? Imaginam uma cidade a seis horas de Hollywood em 1925? Pois eu também só tenho um niquinho da ideia do que teria sido. Traduzo alguns dados da página do Stanford Theatre, pois foram informacões que me deu o Ernie quando me fez uma visita guiada àqueles átrios, à cabina, à plateia. Em 1987, a fundacão do David Packard (o mesmo da HP, que isto é zona de riquezas da informática) comprou o edifício, procurou e encontrou fotos dos anos 20 e 30 do século passado, contratou especialistas em restauracão decorativa e fez o que se vê (numa amostrinha da plateia) aqui.

A sala é pura e simplesmente magnífica. (Só não vem em primeiro lugar na minha escala, porque ainda não recuperei do assombro de ver o Apocalypse Now! no Grand Rex em Paris, enfim...) Tem um átrio assim para o discreto, mas com frescos lindos, e uma sala contígua, de exposicões, onde se mostram cartazes de filmes dos tais anos 20, 30, 40, 50, a colheita vintage desta região.

Agora a cabine. Ai, a cabine... Anabela, eu pensava que te fazia inveja quando te disse do L'Atlantide (a propósito, has-de checkar a caixa que saiu, com três do Jacques Feyder). Qual nada! Queria era que viesses ver esta cabine, estas máquinas! Talvez algum crente fervoroso sinta arrepios assim numa catedral de Santa Sofia, ou num qualquer santuário devoto. Não foi tanto a monumentalidade (a cabine não é muito grande), mas a presenca do tempo, do outro tempo, em que primeiro se mostraram ali os filmes, em que o projeccionista ouviu dali, a espreitar pela janelinha pequenina, como deve ser, a plateia a rir, chorar, a suspirar. Foi o tempo, não tanto o tamanho dos artefactos. Tirei fotos, sim, mas não as consigo agora deixar aqui, nem mostram o que vi (diria o Reis, "todas mentem").

São duas as máquinas de projectar (mais altas que o tamanho de um homem), para não haver pausa entre bobines. As bobines são mais pequenas do que as que usamos na Europa - têm cerca de um terco do tamanho, levam no máximo meia hora de filme. Por cada filme, usam-se mais ou menos umas quatro bobines. A fonte de luz - tcharam! - é uma lâmpada de arco de carbono (traduzo à letra do inglês, mas podem ver uma imagem aqui). Se calhar é coisa já vista por muita gente, mas esta que vos escreve nunca se tinha imaginado perante tal fenómeno. O bom do Ernie dizia-me, numa voz pausada, calmo, "Esta lâmpada é mais forte do que as que agora se usam, por isso faz com que a imagem projectada seja mais nítida, mais luminosa, mais transparente." Pobres palavras inocentes... Quem conhece o filme sabe (Gilberto, Isa, LM, Anabela, Mirian, Gracinha, Cris, e só digo os fãs-fãs!) como é luminosa a sua cor, transparente a vida nele, nítidos os contrastes, os encarnados, os amarelos, os violetas (Deus!, os violetas!...). Eu conhecia o filme, sim. Vira-o uma vez na Cinemateca em Lisboa e, depois disso, vezes sem conta em DVD. Mas hoje sei que nunca os meus olhos tinham visto o Singing in the Rain. Ok, ok, deixem lá que exagere - não é para menos, a experiência foi inesquecível.

Os lápis do dito carbono que alimentam agora as máquinas do Stanford Film Theatre são os últimos fabricados nos EUA. O Ernie já lá tem abastecimento novo, vindo da ĺndia, onde ainda muitas salas usam estas lâmpadas (e compreende-se, também por isto, a magia das cores no cinema indiano). Em suma, vi a luz...

(Já agora, roam-se com o que poderei ver nos próximos fins-de-semana. E, claro, espreitem também o programa de Fevereiro do CCF ;-) )

quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

Da terra dos Munchkin

De conversa com o mano, expliquei-lhe que sim, que aqui também havia "esquilos" como encontrara em 94, da primeira vez que pisei solo americano. Ele quisera saber se havia aqui em Stanford "esquilos-leitores" como os que atravessavam a sala de poesia da biblioteca de Dartmouth College, zuniam sobre os cadeirões, os braços e as cabeças dos leitores e saíam disparados para o grande carvalho em frente a porta. A seguir, esclareci-o: não são bem-bem esquilos-esquilos, mas chipmunks, um sub-género da família dos esquilos. Não houve maneira - "A sério?! Então mas isso é tramado! Uma grande desilusão, tipo aquela de sair o Euromilhões mas sem a parte do receber*! A última vez que tive uma assim tamanha desilusão foi quando soube que Plutão não era planeta e que o Pauleta era rabeta!" (*Esta roubou-a aos mocinhos do Gato Fedorento.) Guarde-se lá mas é o decoro, que o mano só deve ter escrito aquilo para rimar...