sexta-feira, 28 de setembro de 2007
O Isa no mar de Helsínquia
- Hum?... Quem é?
- Sou eu.
- Tiaga!!! Raios, onde é que tens andado, que não te deixas ver?
- Por aqui, fazendo nada. Olha, estive de conversa com os gatos de Barcelona. Contaram-me das coisas lindas que o Isa viu.
- Ah!, verdade? Mostra.
- Toma:
quinta-feira, 27 de setembro de 2007
Para lá do vulcão
terça-feira, 25 de setembro de 2007
Neptuno
terça-feira, 18 de setembro de 2007
Caminito
...............................que juntos un día nos viste pasar,
...............................he venido por última vez
...............................he venido a contarte mi mal.
...............................Caminito que entonces estabas
...............................bordado de trébol y juncos en flor,
...............................una sombra ya pronto serás
...............................una sombra lo mismo que yo.
...............................Desde que se fué
...............................triste vivo yo,
...............................caminito amigo
...............................yo tambien me voy.
...............................Desde que se fué
...............................nunca más volvió,
...............................seguiré sus pasos,
...............................caminito, adiós.
...............................Caminito que todas las tardes
...............................feliz recorría cantando mi amor,
...............................No le digas si vuelve a pasar
...............................Que mi llanto tu huella regó.
...............................Caminito cubierto de cardos,
...............................la mano del tiempo tu huella borró.
...............................Yo a tu lado quisiera caer
...............................y que el tiempo nos mate a los dos.
Foto: Reboliço
Para o Pai.)
quinta-feira, 13 de setembro de 2007
O Reboliço colecciona calendários (1)
quarta-feira, 12 de setembro de 2007
Monotonia e uniformidade
Do mais objeccionável, pois claro.)
Magrelli
It deepens like a coastal shelf.
Get out as early as you can,
and don't have any kids yourself.
Philip Larkin
Se tudo o que cresce e arde é brasa,
o amor é visão da pira.
Pensa no Verão,
que nasce a perder sangue
numa sorridente hemorragia de luz.
Aquilo que te é caro morre, aquilo que morre
é-te caro, se algo te é caro é porque morre. E eis o corolário:
"Aquilo que te é caro é apenas a sua morte."
É de noite, no quarto dos meus filhos.
Deitado, junto a eles ouço-os pigarrearem.
Um bosque no escuro. Pousam
sobre os meus ramos o peso quente e vivo da voz,
um peso-voo trepidante.
Ou deverei crer que sejam só as pontas
incandescentes de um fogo meio gasto,
desfeito, meio frio, de um tição
já negro e mudo, já mudo,
meio morto?
(Valerio Magrelli, 1957- , traduzi do italiano, que encontrei publicado no nr. 6 da revista Mantis, p. 22. Gostei da vertigem dos versos 6 a 8.)
terça-feira, 11 de setembro de 2007
segunda-feira, 10 de setembro de 2007
Outro post longo [Eh! os poemas são assim, vou fazer o quê?...]
en écoutant la voix d'un carillon d'Anvers...
Assim comecei, em francês, pensando em Rodenbach
quando fiz para o Brasil uma fuga... de Bach!
No Rio de Janeiro já eu prosseguira,
pondo em cada verso ouro e safira
e a esmeralda desses pássaros-moscas
que melificam entre as áureas sestas foscas
que temem os que temem o cruel vómito negro.
Já ali não existe febre amarela. Alegro-me!
Et pour cause. Pan-americanizei
com um vago temor e muito pouca fé
na terra dos diamantes e da alegria
tropical. Encantou-me ver a vera maxixa,
mas vi também grande núcleo cordial
de almas cheias de amor, de sonhos, de ideal.
E se fazia um calor atroz, também havia
todas as consequências e vantagens do dia,
em panorama igual ao dos quadros e até
igual ao que imaginar se pudera... Basta.
Meu ditirambo brasileiro é ditirambo
que seu marido aprovaria. Arcades ambo.
tão fecundo, tão grande, tão rico, tão formoso,
apesar da Tijuca e do céu opulento,
apesar desse foco vivaz de pensamento,
apesar de Nabuco, embaixador, e
dos delegados panamericanos que
fizeram o possível por fazer coisas boas,
saboreei o ácido do saco das minhas penas;
quero dizer, adoeci. A neurastenia
é um dom que me veio com a minha obra primeira.
Tenho vivido tão mal, e tão bem, como e tanto!Tão bom comedor guardo sob meu manto!
E tão bom bebedor sob esta capa!
Provei bocados de cardeal e de papa!...
E espremi o úbere cerebral tantas vezes,
que estou grave. Isto é muito ruído e poucas nozes,
ao que dizem doutores de sapiência suma.
As doenças vão-se, em ilusão e espuma.
Receitam-me que não faça nada, não pense em nada,
que me retire no campo a ver a madrugada,
mais as calhandras e com Garcilaso, e com
o sport. Bravo! Sim. Bem. Muito bem. E o La Nación?
E o meu trabalho diário e preciso e fatal?
Não se sabe que sou cônsul, como Stendhal?
É preciso que o médico que tal receite dê
também o livro de cheques do Crédit Lyonnais,
e mande um automóvel devorador de vento,
onde se passeie o meu egrégio aborrecimento,
farto de profilaxia, de ciência e de verdade.
de Buenos Aires, não sem ter escutado
mister Root a bordo do Charleston sagrado;
mas a convalescência durou pouco. Que digo?
A emoção, o entusiasmo e o lembrar amigo,
o banquete do La Nación, que foi estupendo,
as minhas velhas seringas com seu pânico estrondo,
e esse fervor portenho, esse perpétuo arder,
e o milagre de graça que brota na mulher
argentina, e minhas ânsias de gozar essa terra,
puseram-me de nuevo com os nervos em guerra.
E regressei a Paris. Regressei ao inimigo
terrível, centro da neurose, umbigo
da locura, foco de todo o surmenage
onde faço muito bem o papel de sauvage
fechado na minha cela da rue Marivaux,
confiando só em mim e resguardando o eu.
E se o resguardei, senhora, que não fui
o que chamam os parisienses uma pêra!
Ao meu canto me vêm buscar as intrigas,
as pequenas misérias, as traições amigas,
e as ingratidões. A minha maldita visão
sentimental do mundo aperta-me o coração,
e assim qualquer malandro me explorará a gosto.
Sou assim. Podem-me enganar com calma. É justo.
Por isso os astutos, despachados, dizem que
não conheço o valor do dinheiro. Já sei!
Que ando, nefelibata, pelas nuvens... Entendo.
Que não sou homem prático na vida... Estupendo!
Sim, confesso: sou inútil. Não trabalho
para arrancar a outro a sua pitança; não desço
para levar a vida sórdida de certos adivinhadores.
Não poupo em seda, nem em champanhe, nem em flores.
Não combino subtis pequenezas, nem quero
tirar da boca o pão ao companheiro.
Compraz-me ver em colos brancos os diamantes.
Gosto de gentes de maneiras elegantes,
de palavras finas e nobres ideias.
Pessoas sem higiene nem urbanidade, de feios
traços, avaros, torpes, ou malignos e rudes,
deixam, confesso, os meus entusiasmos mudos.
Não conheço o valor do ouro... Sabem esses
que tal dizem o amargo do jugo dos meus sisos,
do suor da minha alma, do meu sangue, da minha tinta,
do pensamento na obra e da idea prenhe?
Acaso nasci filho de milionário?
Terei tido Cirineu no meu Calvário?
Hoje, eis-me aqui em Maiorca, la terra dels foners,
como diz Mossen Cinto, o grande Catalão.
E desde aqui, senhora, os meus versos a ti vão,
perfumados de sal marinho e flor de limoeiro,
ao suave alento das ilhas Baleares.
Há um mar tão azul como o Partenopeo.
E o azul celestial, vasto como um desejo,
o tecto cristalino brune com sol de ouro.
Aqui tudo é alegre, fino, são e sonoro.
Barcas de pescadores sobre o mar tranquilo
descubro do terraço da minha villa,
que se alça entre as flores do seu jardim fragrante,
com um monte atrás e o mar diante.
na Plaza Mayor. (Que Coppée, não é verdade?)
Roço-me num núcleo crespo de mulherama,
que vem pela carne, a fruta, as ramas.
As maiorquinas usam uma saia modesta,
lenço na cabeça e a trança nas costas.
As que vi ao passar, bem visto.
E as que não a levem não se enojem por isto.
Vi umas camponesas com seus negros corpetes,
corpos de odaliscas, olhos de pivetes;
e um véu que lhes cai pelas costas, pelo colo,
deixando ao ar livre o obscuro cabelo.
Sobre a saia clara, um avental vistoso.
E saúdam com um bon dia tengui gracioso,
entre os cestos cheios de batatas e couves,
pimentos de cores, tomates enrubescidos,
rosadas cebolas, melões, melancias,
que falam das Arábias, das Andaluzias.
Cabaças e nabos para oferecer assuntos
a Madame Noailles e Francis Jammes juntos.
Às vezes detenho-me nesses mercados
como se respirasse sopros de ventos vastos,
como se entrasse com o bafo o mundo.
Estou diante da casa onde nasceu Ramón
Llull. E nesse instante a memória me conta
as coisas que disse a Rosa à Pimenta...
Oh, como eu diria o sublime desterro
e a luta e a glória do maiorquino de ferro!
Oh, como cantaria num canto sonoro
a vida, a alma, o numen, do maiorquino de ouro!
Dos fundos espíritos dos meus preferidos.
Seus robles filosóficos estão cheios de ninhos
de rouxinol. É outro e é irmão de Dante.
Quantas vezes pensou o seu verbo de diamante
diante da velha Sorbona de Paris sábio!
Quantas vezes vi o seu infolio e o seu astrolábio
numa bruma vaga de sonho, e quantas vezes
o ouvi falar aos árabes, qual António aos peixes,
num imaginar de pretéritas coisas
que, de tão antigas, se sentem tão formosas!
O tempo pôs-se mau. O marà fúria do ar não cessa de bramar.
O temporal não deixa que entrem os vapores. E
um yatch de luxo busca refúgio em Porto-Pi.
Porto-Pi é uma baía aqui perto, pitoresca.
Vista linda: águas belas, doce luz e terra fresca.
Ah, senhora, se fosse possível a alguns
deixar a sua Babilónia, seu Tiro, sua Babel,
para poder vir a fazer a vida inteira
nesta luminosa e esplêndida ribeira!
Há, não longe daqui, um arquiduque austríaco
que as maçãs de Ceres e as uvas de Baco
cultiva, num retiro arquiducal e egrégio.
Hospeda como um monje —e a hospedagem é régia—.
Sobre as rochas ergue-se a mansão senhorial
e a ilha lhe brinda ambiente imperial.
É um parente de Jean Orth. Um átrida
que aqui encontrou da sua vida o segredo certo.É um sábio. Aplaudamos o príncipe discreto
que aproveita à beira-mar esse segredo.
A ilha é florida e cheia de encanto em todas as partes.
Há um ar propício a todas as artes.
Em Pollensa pintou Santiago Rusiñol
coisas de flor de luz e de seda de sol.
E há uma villa de retiro espiritual, famosa:
a literata Sand escreveu em Valldemosa
um livro. Ignoro se veio aqui com Musset,
e se a vampira sofreu ou gozou, não sei.
Porque é que a minha vida errante não me trouxe a estas sãs
costas antes de as prematuras cãs
de alma e cabeza terem em mim feito a misturada
mescla de tristeza, de vida e de esperança?
Oh, que bom maiorquino me sentiria agora!
Oh, como provaria sal do mar, mel de aurora,
ao sentir como num caracol no meu crânio
o divino e eterno rumor do Mediterrâneo!
Há em mim um grego antigo que aqui descansou um dia,
depois de o deixarem louco de melodia
as sereias rosadas que atraíram a sua barca.
Quanto o meu ser respira, quanto a vista abarca,
recordo-o com os meus íntimos sentidos;
os aromas, as luzes, os ecos, os ruídos,
como em ondas atávicas me trazem lembranças
que formam os meus sonhos, vidas e esperanças.
Mas onde está aquele templo de mármore, e a gruta
onde mordi aquele seio doce como uma fruta?
Onde os homens ágeis que as pedras redondas
apanhavam para os couros das suas fundas?...
Calma, calma. Isto é muita poesia, senhora.
Agora há comerciantes muito modernos. Agora
mandam barcos prosaicos a dourada Valência,
Marselha, Barcelona e Génova. A ciência
comercial hoje é forte e arrecada tudo.
Entretanto, respiro o meu salitre e o meu iodo
brindados pelas brisas deste golfo imenso,
e a um tempo, como Kant e como o asno, penso.É o melhor.
Há uma ânsia de tempo que da minha pluma flui
por vezes, como há vezes de enorme economia.
«Se há, disse, senhora, alma clara, é a minha».
Olha-me transparentemente, com o teu marido,
e guarda-me o que possas do olvido.
(Ruben Darío, 1916. Traduzido por mim, com a atenção inestimável de outro poeta.)
domingo, 9 de setembro de 2007
Outonal
en el azul; en las ardientes manos
se posan las cabezas pensativas.
¡Ah los suspiros! ¡Ah los dulces sueños!
¡Ah las tristezas íntimas!
¡Ah el polvo de oro que en el aire flota,
tras cuyas ondas trémulas se miran
los ojos tiernos y húmedos,
las bocas inundadas de sonrisas,
las crespas cabelleras
y los dedos de rosa que acarician!
En las pálidas tardes
me cuenta un hada amiga
las historias secretas
llenas de poesía;
lo que cantan los pájaros,
lo que llevan las brisas,
lo que vaga en las nieblas,
lo que sueñan las niñas.
Una vez sentí el ansia
de una sed infinita.
Dije al hada amorosa:
?Quiero en el alma mía
tener la aspiración honda, profunda,
inmensa: luz, calor, aroma, vida.
Ella me dijo: ?¡Ven!? con el acento
con que hablaría un arpa. En él había
un divino aroma de esperanza.
¡Oh sed del ideal!
Sobre la cima
de un monte, a medianoche,
me mostró las estrellas encendidas.
Era un jardín de oro
con pétalos de llama que titilan.
Exclamé: ?Más...
La aurora
vino después. La aurora sonreía,
con la luz en la frente,
como la joven tímida
que abre la reja, y la sorprenden luego
ciertas curiosas, mágicas pupilas.
Y dije: ?Más...? Sonriendo
la celeste hada amiga
prorrumpió: ?¡Y bien! ¡Las flores!
Y las flores
estaban frescas, lindas,
empapadas de olor: la rosa virgen,
la blanca margarita,
la azucena gentil y las volúbiles
que cuelgan de la rama estremecida.
Y dije: ?Más...
El viento
arrastraba rumores, ecos, risas,
murmullos misteriosos, aleteos,
músicas nunca oídas.
El hada entonces me llevó hasta el velo
que nos cubre las ansias infinitas,
la inspiración profunda
y el alma de las liras.
Y los rasgó. Allí todo era aurora.
En el fondo se vía
un bello rostro de mujer.
¡Oh; nunca,
Piérides, diréis las sacras dichas
que en el alma sintiera!
Con su vaga sonrisa:
?¿Más?... ?dijo el hada.
Y yo tenía entonces
clavadas las pupilas
en el azul; y en mis ardientes manos
se posó mi cabeza pensativa...
(Ruben Darío, 1867-1916)
quarta-feira, 5 de setembro de 2007
Mucuripe
Vão sair para pescar
Vou levar as minhas mágoas
P'ras águas fundas do mar
Hoje à noite namorar
Sem ter medo da saudade
Sem vontade de casar
Calça nova de riscado
Paletó de linho branco
Que até o mês passado
Lá no campo ainda era flor
Sob o meu chapéu quebrado
O sorriso ingênuo e franco
De um rapaz novo encantado
Com vinte anos de amor
Aquela estrela é dela
Vida, vento, vela, leva-me daqui.
(Fagner/Antonio Carlos Belchior. Com a tua pronúncia)
terça-feira, 4 de setembro de 2007
"Opúsculo com vista para o mar"
domingo, 2 de setembro de 2007
sábado, 1 de setembro de 2007
El Diablo Cojuelo
Don Cleofas, desde está picota de las nubes, que es el lugar mas eminente de Madrid; mal año para Meñipo, en los Diálogos de Luciano, te he de enseñar todo lo mas notable que á estas horas pasa en esta Babylonia Española, que en la confusión fue esotra con ella, segunda de este nombre y levantándola los edificios los techos por arte diabólica lo ojaldrado, se descubrió la carne del pastelón de Madrid, como entonces estaba patentemente, que por el rriúcho calor extivo estaba con menos celosías, y tanta variedad de savandijas racionales en esta arca del mundo que la del diluvio, comparada coa ella, fue de capas y gorras.



