quinta-feira, 30 de março de 2006
quarta-feira, 29 de março de 2006
"Autobiografia"
"Amo a vida ferozmente, tão desesperadamente, que não me pode advir daí algum bem: refiro-me aos dados físicos da vida, ao sol, à erva, à juventude: é um vício mais tremendo que o da cocaína, pois não me custa nada e existe com uma abundância desmedida, sem limites: e eu devoro, devoro... Como irá acabar, não faço ideia..."*
O Reboliço ouve as palavras que Pasolini escreveu em 1960, numa nota que lhe pediram para uma "recolha de perfis de realizadores italianos". Cá para mim, pensa o Reboliço, o tipo andou a sondar-me o pensamento.
* Traduzida por Manuel Braga da Cruz e publicada em Pier Pasolini, Últimos Escritos, Coimbra, Centelha, 1977.
terça-feira, 28 de março de 2006
Rescaldo
O Reboliço ainda está a recuperar da estreia. Correu muito bem e muito mal. A casa estava cheia (de amigos, na maioria, claro) e o trabalho foi elogiado, principalmente o de cenografia (a ver se trago para aqui fotos do palco). Também houve quem apontasse as pechas e sugerisse melhorias. Isso foi muito bom. O trabalho da equipa toda - os actores, o pessoal do som, das luzes, dos figurinos, das imagens - foi excelente. Mas houve ainda muito nervosismo, e isso foi o pior. Esta sexta, a trupe segue para Vale Judeu. Ninguém nos conhece ali, serão bem mais críticos. Brrrrrrrrrrrr...
sábado, 25 de março de 2006
quinta-feira, 23 de março de 2006
À atenção da Lagarta
Olha, Lagartinha: eu sei que parece estranho, assim um ser canino e respeitável como sou, dar-se com uma coisa que raia o verme, ainda por cima de tom esverdeado. Acontece que me encanto facilmente, e cedo às paixões com uma dedicação que por vezes condeno nos outros. A verdade é que tenho gostado muito da tua companhia e apetece-me desejar-te que sejas por muito tempo, e bom.
PS: A Tiaga manda cumprimentos à Meme. Anseia pelo dia em que se conhecerão. O que queres?, esta minha namorada tem um bocado o espírito de "compadrio". Gatos...
PS2: Já agora - achas que se lhe der um duche de água fria lhe passam as frescuras? É que já não a posso ouvir! Temos dormido em quartos separados...
PS: A Tiaga manda cumprimentos à Meme. Anseia pelo dia em que se conhecerão. O que queres?, esta minha namorada tem um bocado o espírito de "compadrio". Gatos...
PS2: Já agora - achas que se lhe der um duche de água fria lhe passam as frescuras? É que já não a posso ouvir! Temos dormido em quartos separados...
à ÚLTIMA da HORA!
Notas para esquecer
peça em três Actos de João Tátá Regala e Ana Soares
inspirada em textos de Patrick Süskind, Frances Yates, Jonathan D. Spence e Albert Camus
pelos actores do Teatro Análise de Loulé: Andreia Santa-Rita, Maria João Catarino e Pedro Paulino

estreia dia 25 de Março
sábado
21.30h
Casa da Cultura de Loulé
(inserida na Mostra de Teatro de Loulé Cenários, decorrente no mês de Março, por todo o concelho)
peça em três Actos de João Tátá Regala e Ana Soares
inspirada em textos de Patrick Süskind, Frances Yates, Jonathan D. Spence e Albert Camus
pelos actores do Teatro Análise de Loulé: Andreia Santa-Rita, Maria João Catarino e Pedro Paulino

estreia dia 25 de Março
sábado
21.30h
Casa da Cultura de Loulé
(inserida na Mostra de Teatro de Loulé Cenários, decorrente no mês de Março, por todo o concelho)
Isto não é normal...
O Reboliço chegou a casa e foi confrontado com a verdade. Depois de ter visto tanto Espaço 1999, tanta Invasão dos Profanadores, tanto Soylent Green e tanto Totó na Lua, ainda se surpreende: a Tiaga, afinal, é um caracol. Seja, pensa o Reboliço. Seja. (Foto: Reboliço)
quarta-feira, 22 de março de 2006
Luz interior
O professor de yoga diz ao Reboliço: "Hoje, a nossa meditação é feita com o olhar interior fixo num raio de sol que sai de entre os nossos olhos. Uma luz intensa e projectada, na horizontal, à nossa frente." O Reboliço mantém os olhos fechados. Procura o raio de sol, a luz intensa. Nada. Escuro total. A lâmpada devia estar fundida.
Tinha que deixar aqui um poema, hoje. Um soneto seria demasiado indiscreto.
“Maximus, to Himself”
I have had to learn the simplest things
last. Which made for difficulties.
Even at sea I was slow, to get the hand out, or to cross
a wet deck.
The sea was not, finally, my trade.
But even my trade, at it, I stood estranged
from that which was most familiar. Was delayed,
and not content with the man’s argument
that such postponement
is now the nature of
obedience,
that we are all late
in a slow time,
that we grow up many
And the single
is not easily
known
It could be, though the sharpness (the achiote)
I note in others,
makes more sense
than my own distances. The agilities
they show daily
who do the world’s
businesses
And who do nature’s
as I have no sense
I have done either
I have made dialogues,
have discussed ancient texts,
have thrown what light I could, offered
what pleasures
doceat allows
But the known?
This, I have had to be given,
a life, love, and from one man
the world.
Tokens.
But sitting here
I look out as a wind
and water man, testing
And missing
some proof
I know the quarters
of the weather, where it comes from,
where it goes. But the stem of me,
this I took from their welcome, or their rejection, of me
And my arrogance
was neither dismissed
nor increased,
by the communication
2
It is undone business
I speak of, this morning,
with the sea
stretching out
from my feet
(Charles Olson, 1953)
I have had to learn the simplest things
last. Which made for difficulties.
Even at sea I was slow, to get the hand out, or to cross
a wet deck.
The sea was not, finally, my trade.
But even my trade, at it, I stood estranged
from that which was most familiar. Was delayed,
and not content with the man’s argument
that such postponement
is now the nature of
obedience,
that we are all late
in a slow time,
that we grow up many
And the single
is not easily
known
It could be, though the sharpness (the achiote)
I note in others,
makes more sense
than my own distances. The agilities
they show daily
who do the world’s
businesses
And who do nature’s
as I have no sense
I have done either
I have made dialogues,
have discussed ancient texts,
have thrown what light I could, offered
what pleasures
doceat allows
But the known?
This, I have had to be given,
a life, love, and from one man
the world.
Tokens.
But sitting here
I look out as a wind
and water man, testing
And missing
some proof
I know the quarters
of the weather, where it comes from,
where it goes. But the stem of me,
this I took from their welcome, or their rejection, of me
And my arrogance
was neither dismissed
nor increased,
by the communication
2
It is undone business
I speak of, this morning,
with the sea
stretching out
from my feet
(Charles Olson, 1953)
Os finlandeses são doidos...
... por Guareschi, Lagartinha! Só lamentam nunca ter escrito um episódio chamado "Don Camillo e Peppone na Carélia" ;)
segunda-feira, 20 de março de 2006
[sem título]
Puxou a porta para si e fechou-a à chave. Respirou fundo, como costumava fazer quando saía de casa, e desceu as escadas. Descia devagar. Era dos poucos luxos a que se dava, sair de casa com tempo para não ter se apressar. Podia, assim, observar todos os cantos das ruas que atravessava todos os dias, desde que viera trabalhar para aquela cidade.
Costumava chegar a horas. Entrava no vestiário, despia a blusa e enfiava por cima da saia a bata verde clara. Desde que arranjara o emprego, deixara de usar roupa verde fora das horas de serviço. Abominava aquele tom, que não escolhera, de dias gastos nos corredores e quartos que não conhecia. Via entrarem e saírem as pessoas - em dias de maior tédio, imaginava o que faziam, de onde teriam vindo e para que lado da rua seguiriam quando saíssem. Alguns tipos já lhe eram como que familiares - dessa familiaridade da repetição quotidiana, do hábito estéril. Havia o homem gordo com pavor dos espaços fechados, que subia as escadas a arfar, mais suado e lento a cada um dos cinco andares - e a sua mulher, que insistia para usarem o elevador enquanto resmungava atrás dele; as mulheres turistas, que chegavam por dez dias e raramente ficavam mais de dois ou três e saíam quase sempre com cara de caso; as famílias com os filhos adolescentes, engordados a batatas fritas e maionese. Via-os entrarem e saírem, limpava-lhes os sacos de lixo, recolhia-lhes as toalhas emporcalhadas no chão manchado das casas de banho, fazia-lhes as camas que já não eram deles, desmanchava-lhes os lugares das almofadas. Naqueles quartos, quando podia lá entrar, via-lhes o rasto: o fim das presenças, o começo das ausências. Via as ausências dobrarem a esquina dos dois corredores a seguir ao átrio do elevador e entrarem, quase à socapa, mesmo antes de os quartos estarem vazios. Via-as como se lhes conseguisse tocar.
Houve um dia em que chegou a casa mais fatigada do que era habitual. Adormeceu sobre o cansaço, sem o esfregar para fora da pele, e atrasou-se a acordar, na manhã seguinte, com o peso do dia anterior ainda a carregar as mantas sobre o seu corpo. Nessa manhã, fez o caminho para o trabalho sem olhar para os pormenores da rua. Não viu o cão, hesitante entre dois carros, nem os rostos irritados dos condutores que evitaram o acidente. Quando deu por isso, já o pano verde lhe enganava a roupa.
Foi percorrendo corredores sem pensar, só com o eco distante da rispidez do patrão - e a sua própria voz, quase um riso, a querer afogar esse eco. Andou todo o dia na luta entre riso e eco, um eco abafado e um riso que se tornava mais audível e claro. Não regressaria àquele sítio, decidiu. Preferia abandonar-se à vida nas ruas, cujos pormenores já conhecia bem. Deixou a casa e passou a habitar os passeios, os seus domínios. Às vezes, algum homem que a abordava trazia no olhar a recordação de flores - de malmequeres deixados sobre camas mal refeitas, em quartos incógnitos de hotéis.
Costumava chegar a horas. Entrava no vestiário, despia a blusa e enfiava por cima da saia a bata verde clara. Desde que arranjara o emprego, deixara de usar roupa verde fora das horas de serviço. Abominava aquele tom, que não escolhera, de dias gastos nos corredores e quartos que não conhecia. Via entrarem e saírem as pessoas - em dias de maior tédio, imaginava o que faziam, de onde teriam vindo e para que lado da rua seguiriam quando saíssem. Alguns tipos já lhe eram como que familiares - dessa familiaridade da repetição quotidiana, do hábito estéril. Havia o homem gordo com pavor dos espaços fechados, que subia as escadas a arfar, mais suado e lento a cada um dos cinco andares - e a sua mulher, que insistia para usarem o elevador enquanto resmungava atrás dele; as mulheres turistas, que chegavam por dez dias e raramente ficavam mais de dois ou três e saíam quase sempre com cara de caso; as famílias com os filhos adolescentes, engordados a batatas fritas e maionese. Via-os entrarem e saírem, limpava-lhes os sacos de lixo, recolhia-lhes as toalhas emporcalhadas no chão manchado das casas de banho, fazia-lhes as camas que já não eram deles, desmanchava-lhes os lugares das almofadas. Naqueles quartos, quando podia lá entrar, via-lhes o rasto: o fim das presenças, o começo das ausências. Via as ausências dobrarem a esquina dos dois corredores a seguir ao átrio do elevador e entrarem, quase à socapa, mesmo antes de os quartos estarem vazios. Via-as como se lhes conseguisse tocar.
Houve um dia em que chegou a casa mais fatigada do que era habitual. Adormeceu sobre o cansaço, sem o esfregar para fora da pele, e atrasou-se a acordar, na manhã seguinte, com o peso do dia anterior ainda a carregar as mantas sobre o seu corpo. Nessa manhã, fez o caminho para o trabalho sem olhar para os pormenores da rua. Não viu o cão, hesitante entre dois carros, nem os rostos irritados dos condutores que evitaram o acidente. Quando deu por isso, já o pano verde lhe enganava a roupa.
Foi percorrendo corredores sem pensar, só com o eco distante da rispidez do patrão - e a sua própria voz, quase um riso, a querer afogar esse eco. Andou todo o dia na luta entre riso e eco, um eco abafado e um riso que se tornava mais audível e claro. Não regressaria àquele sítio, decidiu. Preferia abandonar-se à vida nas ruas, cujos pormenores já conhecia bem. Deixou a casa e passou a habitar os passeios, os seus domínios. Às vezes, algum homem que a abordava trazia no olhar a recordação de flores - de malmequeres deixados sobre camas mal refeitas, em quartos incógnitos de hotéis.
domingo, 19 de março de 2006
É oficial!
O Sorna mudou-se para o Algarve. Vai viver com a Luca e os seus dois concubinos, o Lucky Luke e o Flick. O Reboliço pensa que, se o tivessem deixado escolher, o Sorna teria preferido um destino de reforma mais sossegado, sem adolescentes loucas e despenteadas a tornarem-lhe os dias desapacientados. Mas o que há-de ele fazer? Ao princípio, sonhará muitas vezes com a sua prima Perdida, de quem nem se despediu em termos. Depois disso, olhará para a tonta da Luca com condescendência e suspirará: ai, a juventude...
sábado, 18 de março de 2006
Bem-vindo, primo!
O Reboliço está muito contente. O Tó-Mané encontrou as Cartas e há-de dar outros contributos. É a memória do moinho, de idades, corações e dias diferentes.
Ao lume
Uma: Tira-te lá daí, tu não sabes acender isso. Dá-me cá esse banco.
Outra: Sim, não descansaste enquanto não apanhaste o banquinho. Mas não dás isso aceso.
Uma: Dou, sim, hás-de ver.
Outra: Deixa ver o canudinho, que tu nem isso sabes soprar!
Uma: Era o que faltava, já vais ver como isto acende.
Outra: Isto é da lenha, que não presta.
Uma: Sim, pois. Tu é que não sabes acender um lume como deve ser.
Ele: Não tarda nada, o lume acende-se sozinho, só para não vos estar a ouvir.
[...]
Uma: Ora aqui têm, um belo lume aceso!
Outra: Sim, mas ficaste acabada...
Outra: Sim, não descansaste enquanto não apanhaste o banquinho. Mas não dás isso aceso.
Uma: Dou, sim, hás-de ver.
Outra: Deixa ver o canudinho, que tu nem isso sabes soprar!
Uma: Era o que faltava, já vais ver como isto acende.
Outra: Isto é da lenha, que não presta.
Uma: Sim, pois. Tu é que não sabes acender um lume como deve ser.
Ele: Não tarda nada, o lume acende-se sozinho, só para não vos estar a ouvir.
[...]
Uma: Ora aqui têm, um belo lume aceso!
Outra: Sim, mas ficaste acabada...
Ameixeiras
No moinho, as ameixeiras estão em flor – em flor é maneira de dizer: há uma flor imensa, grande, cheia, larga, em cima de um magro tronco que costuma dar ameixas. A chuva fez rebentar também uma das tulipas plantadas há mais de seis anos, quando morreu o avô. Isso e "ervaçum" que nunca mais acaba.
>
Moinho
quinta-feira, 16 de março de 2006
Olhos bem fechados
Fechamos os olhos de maneira diferente, quando é para dormir e quando é para pensar num desejo? E para cheirar o ar, como faz o Reboliço nos dias em que a humidade se sente mais pesada ou o Inverno começa a desaparecer e a alfazema se derrama?
(A Tiaga acorda e finge alguma perturbação, ao reparar no olhar atento do Reboliço: "Ficas proibido de me ver dormir.")
(A Tiaga acorda e finge alguma perturbação, ao reparar no olhar atento do Reboliço: "Ficas proibido de me ver dormir.")
Sua Paternidade
Para o dia farrusco que está, o Reboliço acordou muito bem disposto. Pensou em como será o fim-de-semana, de visita ao moinho. Por esta altura, terão começado a florir as ervas nos campos e ainda verdejarão muito brilhantes, do orvalho, de alguma chuva ou da cacimba. No domingo, dedica-se a Sua Paternidade. Exclusiva e agendadamente. Com denodo, afinco e zelo. Apetece-lhe escrever isto. Algumas convenções ainda lhe merecem respeito.
quarta-feira, 15 de março de 2006
segunda-feira, 13 de março de 2006
A primeira vez
A Tiaga chegou à porta do quarto, olhou para o Reboliço e pôs a cabecinha à banda (um gesto muito canino que ela tem), sentada a fixá-lo. Ao fim de pouco tempo, em menos de um segundo desfez a pose calma, lançou-se em salto e foi aninhar-se ao lado dele. Agachou-se, enrolou a cauda já quieta e olhou-o com um verde-olhos muito docinho. Estendeu a ponta cor-de-rosa do nariz e esperou que ele lhe afagasse o pêlo do pescoço. Então, começou a ronronar, semicerrando os olhos e abrindo um deles de vez em quando, só para confirmar que aquelas festinhas também a ele davam prazer. É que os cães não ronronam como os gatos, é preciso espreitar.
"raspar a fuligem"
Entrevista, longa e lúcida, de Maria João Seixas, a António M. Feijó. Na Pública de hoje. Só um bocadinho, o que mais me ficou a ecoar:
“Num outro poema [Wordsworth] fala de um campo de narcisos a dançarem ao vento, que suscita, de modo simpático, uma dança no seu coração de observador. Hoje, nem em jogos florais, se ainda existem, isto soaria estranho, mas há dois séculos os contemporâneos de Wordsworth viram na desmesurada repercussão de um acontecimento trivial no íntimo do autor um sinal de demência. O interessante é perceber por que seria uma trivialidade tida por sintomática de demência. Se conseguirmos perceber porquê, estamos a raspar a fuligem que nos torna ininteligível a maioria a natureza maior do acontecimento que esses versos marcam.”
sexta-feira, 10 de março de 2006
Bónus
Para contrariar a impossibilidade de me encontrar com toda a gente ao mesmo tempo quando venho à capital, um dos muitos bónus de cá vir é o mano.
"Anda cá, mana."
"Já é tarde, mano. Dorme."
"Não, quero mostrar-te uma coisa bonita. Daquelas mesmo bonitas."
"Diz lá."
"Senta-te aqui e escuta."
(Ouço a voz, quase mulher às vezes, limpa e sem tremer, de Chet Baker: We'll have a blue room. A new room for two room. Where ev'ry day's a holiday. Because you're married to me. Not like a ballroom. A small room, a hall room. Where I can smoke my pipe away. With your wee head upon my knee. We will thrive on, keep alive on. Just nothing but kisses. With mister and missus. On little blue chairs. You sew your trousseau. And robinson crusoe. Is not so far from worldly cares. As our blue room far away upstairs. Beleza...)
"Anda cá, mana."
"Já é tarde, mano. Dorme."
"Não, quero mostrar-te uma coisa bonita. Daquelas mesmo bonitas."
"Diz lá."
"Senta-te aqui e escuta."
(Ouço a voz, quase mulher às vezes, limpa e sem tremer, de Chet Baker: We'll have a blue room. A new room for two room. Where ev'ry day's a holiday. Because you're married to me. Not like a ballroom. A small room, a hall room. Where I can smoke my pipe away. With your wee head upon my knee. We will thrive on, keep alive on. Just nothing but kisses. With mister and missus. On little blue chairs. You sew your trousseau. And robinson crusoe. Is not so far from worldly cares. As our blue room far away upstairs. Beleza...)
>
Mano,
O que ouvi,
Onde andei
domingo, 5 de março de 2006
Gumbrecht
Não será muito novo, mas é sempre bom ouvir o argumento, fundamentado em rigor epistemológico, de que "o ensino nas Humanidades deve ser mais inspirador do que educativo". Hans Ulrich Gumbrecht está esta semana em Lisboa (terça em Faro, na Universidade do Algarve), para ser ouvido, discutido, apanhado a exercer o que mais gosta - "riskful thinking".
Répteis
De acordo com o seu signo do Zodíaco, o Reboliço deveria ter como animal de estimação um réptil.
sábado, 4 de março de 2006
Para a Mulher do Lado
Disseram-me que existe um "espaço paralelo ao desejo". É o espaço das palavras.
Tal é isto!
O Reboliço conformou-se: em quase doze meses de Cartas, não chegou a receber tantas atenções como a tonta da sua namorada nova. Ele é elogios por sms, comentários no blogue, saudações ao vivo e perguntas de quando a apresentará, mais convenientemente, à sociedade. E tudo isto com uma fotografiazinha em que mal se lhe vê o focinho cor-se-rosa. A flausina dorme, enroscada e indiferente, ao som da voz de Angelo Manzotti, sobre uma pilha de roupa acabadinha de tirar da corda...
quinta-feira, 2 de março de 2006
quarta-feira, 1 de março de 2006
Tiaga
A gata do Reboliço é fina: símbolo do Estado da Terra da Maria. ("Virtually all calico cats are female.")
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