Mas dois que alto lá com eles: In Harm's Way e Advise and Consent (com certeza um dos primeiros filmes a introduzir numa intriga política o tema da homossexualidade, e talvez por isso mesmo com alguma dificuldade em gerir duas linhas narrativas fortes). Otto Preminger embrulhadinho em Saul Bass (num e noutro os genéricos são tão bons como o próprio filme) e com recheio de actores maiores. Vão lá ver as listas.
domingo, 31 de agosto de 2008
O que se aprende nesta vida...
Explica Caetano Veloso que o samba de Noel Rosa "Feitiço da Vila" tem uma letra racista. Ouço-o com muita atenção, concordo mais ou menos ao seguir verso a verso, mas hesito quando se diz
..............O sol na Vila é triste, samba não assiste
..............Porque a gente implora:
..............Sol, pelo amor de Deus, não venha agora
..............Que as morenas vão logo embora.
Ouvida a lição, os acordes de Caetano sobre a melodia de Vadico, e de novo a versão de Martinho da Vila, o Reboliço fecha os olhos, imagina que é uma morena a gingar a anca e a arrastar os pés e pensa "Bendito sambinha, ah!, ritmo bendito!..."
..............O sol na Vila é triste, samba não assiste
..............Porque a gente implora:
..............Sol, pelo amor de Deus, não venha agora
..............Que as morenas vão logo embora.
Ouvida a lição, os acordes de Caetano sobre a melodia de Vadico, e de novo a versão de Martinho da Vila, o Reboliço fecha os olhos, imagina que é uma morena a gingar a anca e a arrastar os pés e pensa "Bendito sambinha, ah!, ritmo bendito!..."
terça-feira, 26 de agosto de 2008
Cores!
(Foto: Isa, na sua passagem este Julho pelo Bairro Alto. Entretanto, aproveitou para me prometer levar-me a provar outra boa orxata, a do Tio Che.)sábado, 23 de agosto de 2008
Livraria Pátio de Letras
É neste sofá, com a luz do sol a dar-lhe e a suavizá-la o guarda-sol, que me posso sentar a ler o que houver na nova livraria de Faro. Ampla, limpa, só com coisas boas.quinta-feira, 21 de agosto de 2008
Para a aula de amanhã
"Vejam agora, moços, perante o trecho que acabamos de ler, como é fácil aprender as regras como que instintivas que levaram à sua realização. Perante o que já está, podemos notar, por exemplo, que certas palavras concordam com outras em género e número, que um sujeito (aquilo a que se convencionou chamar 'sujeito') não pode estar no plural se o verbo estiver no singular, etc. etc. Ora o Homem, para falar e depois para escrever, não atendeu a essas regras - foi depois de um longo caminho, na altura em que as coisas do falar já estavam, essencialmente, como estão hoje, que certos sujeitos, chamados os Gramáticos, começaram a tentar descobrir como tais coisas tinham sido conseguidas. A língua não é um relógio: é uma árvore; arranjam-se as peçazinhas diferentes, combinam-se de acordo com o plano geral e pronto - aí está um relógio pronto a roubar-nos tempo; mas com uma árvore - fia de outro modo: ninguém, nenhum senhor botânico se atreveu a dizer: enterre-se uma raiz, pegue-se num tronco, abram-se-lhe ramos, enfeitem-nos de folhas, percorram-na de seiva; não, senhor: nascida a árvore, olhou-se para ela e reparou-se como era composta. O mesmo, insisto, se dá com a língua."
(Sebastião da Gama, Diário, 1958 [3ª edição, 1967], edições Ática, pp. 276-277. Alguém comprou este exemplar dois dias antes do Natal de 67, começou a lê-lo a 1 de Fevereiro de 68 e terminou a leitura quarenta dias depois. Deixou anotações a lápis, discretíssimas.)
(Sebastião da Gama, Diário, 1958 [3ª edição, 1967], edições Ática, pp. 276-277. Alguém comprou este exemplar dois dias antes do Natal de 67, começou a lê-lo a 1 de Fevereiro de 68 e terminou a leitura quarenta dias depois. Deixou anotações a lápis, discretíssimas.)
- Viste aquilo, Reboliço?!
- O que foi?
- O homem que deu o salto mais longo. Viste como ele correu para o salto? Estão sempre a criticar a maneira como corro, de pernas torcidas uma à frente da outra... Agora vejam bem aquelas imagens e fiquem a saber porque é que eu corro assim. Não é atabalhoado meu!
- Ah, não? É o quê, Luca, é o quê?, perguntou o Reboliço à malandreca.
- É elegância, ora. Eu cá e o Nelson Évora somos assim como as panteras ou o leopardo das neves.
- O que foi?
- O homem que deu o salto mais longo. Viste como ele correu para o salto? Estão sempre a criticar a maneira como corro, de pernas torcidas uma à frente da outra... Agora vejam bem aquelas imagens e fiquem a saber porque é que eu corro assim. Não é atabalhoado meu!
- Ah, não? É o quê, Luca, é o quê?, perguntou o Reboliço à malandreca.
- É elegância, ora. Eu cá e o Nelson Évora somos assim como as panteras ou o leopardo das neves.
terça-feira, 19 de agosto de 2008
Moinho de A-dos-Ruivos
Num blogue de criação recente (para o qual me chamou a atenção a Adriana), vê-se um moinhito lindo, de barra azul como este e cantarinhas nas cordas das velas. Parece que é dos que ainda resistem, na costa Oeste. Longa vida, ao moinho e ao blogue!
domingo, 17 de agosto de 2008
Escreve Teixeira de Pascoaes a páginas 148 de O Penitente:
"Só os poetas conhecem o mundo, e podem falar dele, nas suas obras. Só eles, de alma e corpo, têm um fantasma, que é o viandante de todos os espaços. Esse fantasma, nas outras criaturas, não lhes sai para fora das células, entretido somente a olhar por elas. A inspiração é o espírito essencial do ser aflorado na nossa consciência, para agir na Eternidade e no Infinito."
Onze folhas adiante,
"Trihamos a terra e o céu. A areia do Deserto fica debaixo dos nossos pés; e a nossa fronte prolonga-se nas ideias que dela voam, na de infinito, por exemplo, se é que fazemos alguma ideia do infinito."
(Quem fala na primeira citação? E quem fala, na segunda? Vi algumas vezes a letra de Pascoaes, as maiúsculas e as minúsculas; de cada vez que a vi, quis ser a ponta dos dedos daquele homem, estar na mão dele comandada e saber, entre as veias, a carne e os nervos, o que o levava a desenhar um i grande ou um i pequeno.)
sábado, 16 de agosto de 2008
O que aí vem
sexta-feira, 15 de agosto de 2008
Melhoramentos

O Reboliço saiu do carro já a farejar - cheirou de um lado, cheirou do outro, foi seguindo a calçada em frente à casa, concentrado, o focinho agarrado ao chão e as orelhas espetadas. "Hum... a figueira grande está crescida." Mais à frente, reparou: "O poço tem um caramanchão novo. Para a trepadeira." Mas era do lado da estrada que vinha a novidade maior*.Orxata / horchata
Há um bom par de anos, o Isa levou-me a provar a melhor orxata de xufla da sua cidade. A bebida é valenciana, mas a que provei num café em Barcelona deve ser difícil de melhorar. Agora que ele está de férias, e para me redimir do pouco que o vi este Verão, experimento seguir a receita (e, à falta de chufa, terei de seguir o modo mexicano, com arroz).
segunda-feira, 11 de agosto de 2008
Visão diferenciada
Abro a Film Comment deste bimestre (Jul/Ago: recebo-a sempre com atraso e ainda bem) e dou de caras com o que não aparece na versão online do artigo sobre Manoel de Oliveira (que referira aqui). O que lá não aparece é o rosto do realizador como nunca pensei vê-lo impresso nas páginas de lugar nenhum, mas como, na verdade, muitas vezes já o vi. Foi simples seguir o nome do fotógrafo que teve a magnífica ousadia, Olivier Roller, e encontrar as ditas fotos.
domingo, 10 de agosto de 2008
sexta-feira, 8 de agosto de 2008
Alegria + Saúde
Em sopa cor-de-rosa, por exemplo, ou em palhinha, crua, na salada. Só na Cozinha há receitas em barda. E mais umas quantas na Comidinha Boa da BBC. Beets galore!
(E, já que estou com as mãos no jornal, aqui ficam a few more reasons to take it easy. Obrigada, meu querido.)
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
- Olha lá, Reboliço, podes explicar-me por que cargas de água é que o horizonte nas tuas fotografias da praia aparece sempre a descer?
- És esquisita, tu. Não percebes que aquilo é o redondel da Terra, que é redonda?
- Sim, sim, abelha... Se calhar é mesmo por cargas de água, o mar a pesar mais de um lado que do outro.
- És esquisita, tu. Não percebes que aquilo é o redondel da Terra, que é redonda?
- Sim, sim, abelha... Se calhar é mesmo por cargas de água, o mar a pesar mais de um lado que do outro.
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
Uma onda

- E então, Reboliço?, dizes-me hoje o que vem a ser uma onda?
- Se te disser que é uma coisa que a gente ataca, abraça, pontapeia, rasga, salta, fura, amarra, agarra, um lugar que enrola, guarda a gente, que faz fecharem-se os olhos de tontura e encher os pulmões de não sei o quê... percebes o que é?
- Hum... Acho que nem por isso. É assim como uma corda das velas do moinho?
- Seria antes uma vela. Mas para que estou eu a explicar-te, Luca? Há quanto tempo não te levam a ver o mar?
>
Caninos e felinos,
Férias,
Fotos,
Mano
terça-feira, 5 de agosto de 2008
Composição
- E como foram as tuas férias, Reboliço? - O canito mal percebeu a pergunta, que a Luca fez enquanto fugia atrás do Petaner a ladrar.
- Olha, nada más. Li um livro, do mais engraçado e certeiro, sobre Portugal. Escrito por um holandês que vive cá. Li dois clássicos brasileiros. Vi no cinema o joker do Heath Ledger (divertiu-me à grande o filme todo, ainda que me irrite um nadinha o Christian Bale) e do sofá três maravilhas com o James Stewart (no ano em que teria feito cem anos): Mr Smith Goes to Washington, de 1939, Winchester 73 (talvez o menos forte dos três, mas ainda assim uma obra-prima) e Broken Arrow, ambos de 1950. E revi, com muita alegria, dois com a Judy Holliday. Revisitei um templo em S. João de Gatão. E ajudei a criar um blogue. Além disso, aprendi o que é uma onda.
- É obra, Reboliço! -, admirou-se a Luca, agora deitada no terraço a arfar o final da tarde. - E é curioso: falas dessa alegria como uma coisa que te desse muita saúde.
- E dá, Luca, não há nada de admirável nisso mas a alegria dá saúde. Assim como a saúde dá alegria, olha para ti!...
- Humhum... Agora diz-me, o que é uma onda?
- Isso logo fica para outro post, perguntadeira.
- Olha, nada más. Li um livro, do mais engraçado e certeiro, sobre Portugal. Escrito por um holandês que vive cá. Li dois clássicos brasileiros. Vi no cinema o joker do Heath Ledger (divertiu-me à grande o filme todo, ainda que me irrite um nadinha o Christian Bale) e do sofá três maravilhas com o James Stewart (no ano em que teria feito cem anos): Mr Smith Goes to Washington, de 1939, Winchester 73 (talvez o menos forte dos três, mas ainda assim uma obra-prima) e Broken Arrow, ambos de 1950. E revi, com muita alegria, dois com a Judy Holliday. Revisitei um templo em S. João de Gatão. E ajudei a criar um blogue. Além disso, aprendi o que é uma onda.
- É obra, Reboliço! -, admirou-se a Luca, agora deitada no terraço a arfar o final da tarde. - E é curioso: falas dessa alegria como uma coisa que te desse muita saúde.
- E dá, Luca, não há nada de admirável nisso mas a alegria dá saúde. Assim como a saúde dá alegria, olha para ti!...
- Humhum... Agora diz-me, o que é uma onda?
- Isso logo fica para outro post, perguntadeira.
Desabafo
O Reboliço desperta do torpor da tarde e pensa: "Rai's parta, já é Agosto..." Conhecendo-o como se conhece, dir-se-ia que o comentário, desusado nele, vem do enfado com que encara as férias - sempre mais amolecedoras do que o tempo que não é de férias. Nada disso. Agosto, este ano, é mês de trabalho. Rai's parta, e já é!
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