quarta-feira, 30 de maio de 2007
Ok, já entendi.
terça-feira, 29 de maio de 2007
Que bom, poder continuar a ouvir...
segunda-feira, 28 de maio de 2007
Estatuária... hum... xunga, não?
"Morangos silvestres"
(Encontrei esta sugestão no número de Junho da San Francisco Magazine.)
sábado, 26 de maio de 2007
sexta-feira, 25 de maio de 2007
Ei-lo, para que se compare com esta versão
La luna vòlta agli anni in cui da un cuore
nuovo traeva più bagliori che dai vetri,
nella violenza
silente per dolore di vedermi
arreso, guadagna con cieca lentezza
la vecchie strade. E, ancora, qualque vetro
quaggiù ne brucia, e qualche pista
sfregata dal vento, di terra nuda.
Ma è nel cielo che si ammassa, come
– perché io sono stanco – fosse stanca
e delusa tutta la terra, la gran luce;
e solo il cosmo n’è investito, non più
queste nostre contrade; se un riverbero
un misero riflesso ancora ha vita
è per significare che la luna
è vòlta verso dove non c’è vita.
quinta-feira, 24 de maio de 2007
Bullying?
Poderia ter sido "para escapar aos abusos dos colegas". Ou não? A sério, pergunto.
quarta-feira, 23 de maio de 2007
O Deserto dos Tártaros (ou, Ainda não me cansei)
A lua voltada para o tempo em que, de um coração
novo, arrancava mais lampejos do que vidros,
na violência do silêncio, quase
silente pela dor de ver-me
tomado, ganha com cega demora
a estrada velha. E, outra vez, algum vidro
aqui em baixo arde, e alguns trilhos
varridos pelo vento, de terra nua.
Mas é no céu que se amontoa, como
- porque estou cansado - se estivesse cansada
e desiludida toda a terra, a grande luz;
só o cosmos dela é invadido, já não
estes nossos bairros; se uma reverberação
um mísero reflexo tem vida ainda
é para significar que a lua
está voltada para onde não há vida.
terça-feira, 22 de maio de 2007
Fellini avant-la-lettre
HILDA. I want my kingdom.
(Henrik Ibsen, The Master Builder)
segunda-feira, 21 de maio de 2007
Do Mano, com licença dele, a propósito disto
epá, olha, é só para dizer que fui ao teu blogue e vi lá a poesia com temperatura e som do pasolini - claro que ele tinha que ir fazer filmes a certa altura - mas também com poucas palavras faz mais do que um filme... (o villanova artigas - um arquitecto brasileiro magnífico que já foi à vida (à morte) dizia que admirava imenso os poetas por conseguirem com poucas palavras dizer o que aos arquitectos leva muitos tijolos a contar)e então, como estou a preparar uma aula, voltei às minhas escritas directas em italiano, e não consegui reistir à foleira correcção de revisor de textos com chapeuzinho e tudo.pois a "afa" é difícil de traduzir, mas acho que puseste bem, a afa é o abafado das manhãs de verão insuportável quando se sua imenso só de pensar.depois o stupore é espantoso! é assim uma exclamação, nunca tinha pensado em paralisia mas também poderia dar porque ficava ainda mais forte: a força paralisada da intensidade de um espanto!tu trocaste intacta ainda e alegria virgem e lá terás as tuas razões fonéticosincráticas...mas é realmente bom!acho que a poesia é incrível, e acho mesmo que nunca a vou querer conhecer toda porque tenho medo de a perder.
Desmaiar
"I disappear,
I lost control,
My body's moving,
On it's own.
I watch myself,
Walk away,
A poor spirit,
took my place."
(The Faint )
domingo, 20 de maio de 2007
Do misterioso alentejano
"A fálica torre de menagem [de Beja] funciona bem em relação ao resto do país, pois, como notou um amigo meu, este não possui, à semelhança de Nova Iorque (Estátua da Liberdade), França (Torre Eiffel) e Inglaterra (Big Ben) um símbolo que o identifique de imediato. Mas há um senão: o pacence não pode afastar-se muito e deixar de ver a torre, que logo o invade uma grande saudade, o desejo intenso de voltar; isso está bem patente nas modas, em que, só por passar o Tejo, já cantam 'chora por mim que eu choro por ti, já deixei o Alentejo' e outras coisas do género. O Eduardo Lourenço deveria escrever outro Labirinto da Saudade somente para esclarecer isto."
Um dia depois, em catadupa de questionação filosófica, acrescentou que "os alentejanos procuram nos outros a figura do pai e fazem-no de uma maneira incoscientemente maternal, que consiste em encostarem-se uns aos outros, balancearem-se em conjunto, cantando umas canções arrastadas, que são as canções de embalar que lhes faltaram na infância. Depois, porque, desconhecendo eu por onde esteve Descartes, mas supondo que, se esteve em Espanha foi o
mais próximo daqui, então como explicar este outro atavismo que é o constante anti-cartesianismo [dos alentejanos], no constante dizer, mesmo quando estão em maus lençois, 'Não tem dúvida'? [...] Quanto à questão da linguagem, os sucessores de Lacan teriam muito material com o estudo das mulheres que falavam com as galinhas, e aqui temos mais questões: não só está provado que elas falam mais e eles menos [...], mas porquê as galinhas? Haverá alguma identificação com o outro feminino?Porque me parece que o galo é tratado de maneira diferente, para pior... E a forma do pão?Não criarão, subconscientemente, a forma arredondada como substituto/projecção do seio? E o que dizer da popia?"
O resto do dia - qual!, o resto da vida! - o Reboliço andou intrigado com a questão derradeira. O que dizer da popia?...
sexta-feira, 18 de maio de 2007
Pasolini (outra vez)
Ogni giorno è l'ultimo
nello stupore dell'afa mattutina,
delle fresche voci: e a cosa importa
essere chiari, dentro, per soffrirla
nella intera estensione del suo tempo
se l'ora della vita è sempre l'ultima?
L'averla troppo sofferta, e quindi
consumata: ecco perché vivo nel miracolo
di vederla ancora intatta. Nessuno
sa più di me goderla con tanto infantile
e femminile abbandono, ma nessuno
sente più di me quella vergine gioia
come un sacrilegio.
V
Cada dia é o último
na paralisia da manhã quente,
das vozes frescas: e que importará
ser lúcido, por dentro, para sofrê-la
na inteira extensão do seu tempo,
se a hora da vida é sempre a última?
Tê-la por demais sofrido, e assim
consumido: eis porque vivo no milagre
de vê-la ainda intacta. Ninguém
mais do que eu sabe gozá-la com tão infantil
e feminino abandono, mas ninguém
sente, mais do que sinto, essa alegria virgem
como um sacrilégio.
(Atrevi-me a traduzir um dos poemas póstumos, que transcrevi daqui.)
quinta-feira, 17 de maio de 2007
quarta-feira, 16 de maio de 2007
Ainda sobre The Man Without Qualities
(A certa altura, leio que "If Ulrich had been asked to say what he was really like he would have been at a loss, for like so many people he had never tested himself other than by a task and his relation to it", p.157. Acompanho a leitura com flores de hibiscus, secas e adocicadas.)
Alarme...
segunda-feira, 14 de maio de 2007
Moinho de água
sábado, 12 de maio de 2007
sexta-feira, 11 de maio de 2007
"Ah, that's the old redhead. No bitterness, no recrimination, just a good swift left to the jaw."
Barnett Newman
*"as a glow brings out a haze, in the likeness of one of these misty halos that sometimes are made visible by the spectral illumination of moonshine", escreveu Conrad.
sábado, 5 de maio de 2007
For the record
quarta-feira, 2 de maio de 2007
De noite
I Do My Best Alone at Night
I do my best alone at night
alone with the secrets my lamp has
set free from the day that asks too much
bent over a labor never finished
the combinations of solitaire. What then
if the solitaire always defeats me
I have the whole night. Somewhere
chance is sleeping in the cards. Somewhere
a truth has been said once already
then why worry? Can it ever
be said again? In my absentmindedness
I will listen to the wind at night
to the flutes of the Corybants
and to the speech of the men who wander forever
(Gunnar Ekelöf, traduzido por Robert Bly)




