Por estes dias, preparo-me para o Maio. É simples a preparação: mentalizo-me de que passarei o dia sem pensar em nada, concentrada apenas no tempero dos caracóis e em que haja manteiga para o pão. É certo que estará sol, talvez haja vento. Haverá cores diferentes nos campos, isso também é uma certeza. Só uma contrariedade me aflige, por estes dias: o último relatório do moinho fala de escassez de caracóis. Este ano, no moinho, só dos grandalhões, e não muitos... Mesmo assim, estes pensamentos libertam-me.
quarta-feira, 27 de abril de 2005
Torcícolo
De vez em quando, uma tensão mais forte obriga-nos a manter pontos de vista quase imutáveis. Desde ontem que mal mexo o pescoço. Entenda-se como se entender, o resultado é sempre triste - mas resolve-se!
terça-feira, 26 de abril de 2005
Quatro dias
Quatro, quatro dias sem escrever uma única linha! Ao contrário do Variações, diria que, neste caso, a culpa É do sol, É da praia, É do mar. Bem, salvou-se o cinema - tive a grande sorte de ver A Costa dos Murmúrios e de ter com a Margarida Cardoso uma conversa inteligente sobre a sua sensibilidade ao livro e à história de Lídia Jorge. Além disso, outro bónus: por causa da Beatriz Batarda, mal cheguei a casa, corri a rever A Caixa.
No domingo, passei uns momentos no moinho. Poucos, mas o suficiente para o Sorna me deixar as calças cheias da sua baba de boas-vindas, misturada com a areia onde se deita, ao fresco, a guardar a porta do moinho. Só coisas boas...
No domingo, passei uns momentos no moinho. Poucos, mas o suficiente para o Sorna me deixar as calças cheias da sua baba de boas-vindas, misturada com a areia onde se deita, ao fresco, a guardar a porta do moinho. Só coisas boas...
sexta-feira, 22 de abril de 2005
Fim-de-semana no Algarve
Faz calor, o céu está azul e o vento bole pouco. Este deve ser o primeiro fim-de-semana estival numa primavera confusa com a estação que veio antes. Quase não houve chuva, a dita prima dormia ainda e custou a despertar. Agora, passou logo a vez ao verão. Mas as noites ainda são suas.
quarta-feira, 20 de abril de 2005
Açores 5 (Praia da Espalamaca, 12 de Setembro)
....Ontem segui da caldeira para o vulcão dos Capelinhos. Na verdade, saí da caldeira e fui até à praia da Fajã. Aí, apanhei três seixos. Levei uma toalha que encontrei na bagageira do Twingo, mais a faca de cabo que lá estava (não sei porquê, mas peguei nela quando agarrei na toalha). E sentei‑me nas pedras da praia, que não tinha areia, a comer e a olhar para as ondas que sovavam as rochas e deixavam piscininhas de brincar. Gostei de estar ali e foi dali, depois, que segui para o vulcão. Tenho reparado que há por toda a ilha muitas casas à venda.
....Quando parei o carro frente ao vulcão, estava lá outro, um Fiesta branco dos novos. Contrastava com o chão negro, a areia castanho‑escura e preta, o farol enegrecido e o castanho‑vermelho‑escuro da encosta do vulcão. Sentia-me ensonada e, mesmo com as pernas ao sol forte das 3 da tarde, deitei‑me no banco de trás e dormitei. Quem quer que tenha trazido o Fiesta entrou nele e abalou (abriram‑se e fecharam‑se duas portas, portanto eram no mínimo duas pessoas) e fiquei sozinha naquele outro sítio desabitado. Quando saí do carro fazia um vento forte que afastava depressa as nuvens e nunca deixava o cenário escurecer por completo. Pensei em levar dali uns bocados de lava solidificada, embora já tivesse no saco as pedras que trouxera da praia da Fajã (enquanto escrevo, a ventania atira para o caderno grãos de areia estranha, preta, cinzenta e prateada. Só o toque, fino, se assemelha ao da areia branca das praias que conheço). Tentei descer até à praia, mas escorregava sempre e tive medo de cair em cima das pedras pontiagudas que a lava deixou.
....Regressei pelas traseiras do farol, também em ruínas: percebi dali que caminhava ao nível do segundo piso do edifício, e que a lava e a areia tinham enterrado todo o resto até à base, deixando ver apenas a cantaria superior das janelas que julgo serem as térreas. Achei medonho imaginar o momento daquela invasão (1957?) e dei por mim a pensar na impotência e na ausência de vontade que fizeram com que se deixassem assim, tal como ficaram, aquelas paredes mortas, iguais ao dia em que perderam a vida (o caderno, a roupa, a mala, o corpo, tenho tudo sarapintado de pontinhos pretos – a areia daqui quer marcar presença visível).
....Quando me afastei do vulcão, segui pela estrada e fui ver o Varadouro. Queria conhecer a praia e as termas. Destas, tudo encerrado e em silêncio. Da praia, uma pequena enseada bonita, também deserta e silenciosa (à minha frente, o Pico torna‑se verde a meio, é o sol a descobrir‑se‑lhe antes de as nuvens lhe encerrarem o topo; para a esquerda, desenha‑se muito nítido o recorte de São Jorge, mas de negro mais esbatido pela distância, por alguma névoa e pelo semicerrado ventoso dos meus olhos), vejo uma rampa de largada de barcos e é por aí que me aproximo da água.
....Quando parei o carro frente ao vulcão, estava lá outro, um Fiesta branco dos novos. Contrastava com o chão negro, a areia castanho‑escura e preta, o farol enegrecido e o castanho‑vermelho‑escuro da encosta do vulcão. Sentia-me ensonada e, mesmo com as pernas ao sol forte das 3 da tarde, deitei‑me no banco de trás e dormitei. Quem quer que tenha trazido o Fiesta entrou nele e abalou (abriram‑se e fecharam‑se duas portas, portanto eram no mínimo duas pessoas) e fiquei sozinha naquele outro sítio desabitado. Quando saí do carro fazia um vento forte que afastava depressa as nuvens e nunca deixava o cenário escurecer por completo. Pensei em levar dali uns bocados de lava solidificada, embora já tivesse no saco as pedras que trouxera da praia da Fajã (enquanto escrevo, a ventania atira para o caderno grãos de areia estranha, preta, cinzenta e prateada. Só o toque, fino, se assemelha ao da areia branca das praias que conheço). Tentei descer até à praia, mas escorregava sempre e tive medo de cair em cima das pedras pontiagudas que a lava deixou.
....Regressei pelas traseiras do farol, também em ruínas: percebi dali que caminhava ao nível do segundo piso do edifício, e que a lava e a areia tinham enterrado todo o resto até à base, deixando ver apenas a cantaria superior das janelas que julgo serem as térreas. Achei medonho imaginar o momento daquela invasão (1957?) e dei por mim a pensar na impotência e na ausência de vontade que fizeram com que se deixassem assim, tal como ficaram, aquelas paredes mortas, iguais ao dia em que perderam a vida (o caderno, a roupa, a mala, o corpo, tenho tudo sarapintado de pontinhos pretos – a areia daqui quer marcar presença visível).
....Quando me afastei do vulcão, segui pela estrada e fui ver o Varadouro. Queria conhecer a praia e as termas. Destas, tudo encerrado e em silêncio. Da praia, uma pequena enseada bonita, também deserta e silenciosa (à minha frente, o Pico torna‑se verde a meio, é o sol a descobrir‑se‑lhe antes de as nuvens lhe encerrarem o topo; para a esquerda, desenha‑se muito nítido o recorte de São Jorge, mas de negro mais esbatido pela distância, por alguma névoa e pelo semicerrado ventoso dos meus olhos), vejo uma rampa de largada de barcos e é por aí que me aproximo da água.
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Açores,
Onde andei
terça-feira, 19 de abril de 2005
O Reboliço e o R12
.....Sem grande definição, mas isto ainda é do final dos anos 80. É na rua do moinho, claro. A construção sem reboco que se vê à esquerda era o pombal. Tinha mesmo pombos! Era cada arrozinho...
.....Devia ser numa tarde de Verão: o Reboliço tinha estado deitado à sombra do carro, mas o calor começou a apertar. Levantou-se, ouvia-se-lhe o chocalhinho que levava ao pescoço e, sempre a tinir, entrou na casa. Foi para a cozinha e deve-se ter deitado em frente à lareira: no Verão, como não se acende o lume, às vezes passa ali uma aragem que a chaminé conduz.
.....Dentro do carro, a carga típica: uma alcofa e uma cadeira.
.....Devia ser numa tarde de Verão: o Reboliço tinha estado deitado à sombra do carro, mas o calor começou a apertar. Levantou-se, ouvia-se-lhe o chocalhinho que levava ao pescoço e, sempre a tinir, entrou na casa. Foi para a cozinha e deve-se ter deitado em frente à lareira: no Verão, como não se acende o lume, às vezes passa ali uma aragem que a chaminé conduz.
.....Dentro do carro, a carga típica: uma alcofa e uma cadeira.
Automóveis parados na berma da auto-estrada
Seguia, como sempre, a abrir. Sempre, sempre à pressa. Dentro do carro era onde punha os pensamentos a correr mais depressa, reavaliava o que fizera durante o dia ou iria ainda fazer. Habituara-se a ligar o rádio numa estação adequada a essa velocidade do espírito: rock mais pesado ou, em casos extremos, o relato do futebol.
Desacelerou para sair da autoestrada e topou com dois automóveis encostados à berma, cada um com os quatro piscas ligados. "Shit! Mais uns que bateram, é todos os dias... A minha sorte foi ter passado agora, senão daqui a pouco já tinha fila. É isto, uma roleta-russa: saber se chego cedo a casa ou não depende da fortuna, do fado, do destino." Nestas alturas, blasfemava, usava em silêncio todos os nomes torpes que conhecia e dedicava-os, nesse silêncio, a quem quer que fosse que estivesse a contribuir para lhe atrasar a vida. Nunca, por nunca, deixava de se pensar como vítima daquilo que estava a acontecer aos outros.
Aproximava-se dos dois carros e, dentro do seu pensamento, à medida que os via mais de perto, as invectivas iam soando com mais volume. A estrada avançava para trás. Praguejou ainda mais, ao ver que estavam demasiado perto da saída da estrada. Teria de meter a mudança abaixo, não poderia sair a desacelerar, da maneira a que se habituara: lenta, suavemente. Praguejava, a música batia-lhe os compassos dos impropérios, cerrava as mãos sobre o volante e contraía os músculos do queixo, contrariada.
Até que passou junto deles. Dois automóveis, um atrás do outro, com os quatro piscas ligados. Entre os dois carros, um rapaz e uma rapariga afagavam-se, com pressa, com os gestos rápidos da velocidade que não tinham. Dentro do seu carro em andamento, as mãos caíram-lhe do volante, o queixo libertou-se e o pensamento, por uns segundos, ficou silencioso.
Desacelerou para sair da autoestrada e topou com dois automóveis encostados à berma, cada um com os quatro piscas ligados. "Shit! Mais uns que bateram, é todos os dias... A minha sorte foi ter passado agora, senão daqui a pouco já tinha fila. É isto, uma roleta-russa: saber se chego cedo a casa ou não depende da fortuna, do fado, do destino." Nestas alturas, blasfemava, usava em silêncio todos os nomes torpes que conhecia e dedicava-os, nesse silêncio, a quem quer que fosse que estivesse a contribuir para lhe atrasar a vida. Nunca, por nunca, deixava de se pensar como vítima daquilo que estava a acontecer aos outros.
Aproximava-se dos dois carros e, dentro do seu pensamento, à medida que os via mais de perto, as invectivas iam soando com mais volume. A estrada avançava para trás. Praguejou ainda mais, ao ver que estavam demasiado perto da saída da estrada. Teria de meter a mudança abaixo, não poderia sair a desacelerar, da maneira a que se habituara: lenta, suavemente. Praguejava, a música batia-lhe os compassos dos impropérios, cerrava as mãos sobre o volante e contraía os músculos do queixo, contrariada.
Até que passou junto deles. Dois automóveis, um atrás do outro, com os quatro piscas ligados. Entre os dois carros, um rapaz e uma rapariga afagavam-se, com pressa, com os gestos rápidos da velocidade que não tinham. Dentro do seu carro em andamento, as mãos caíram-lhe do volante, o queixo libertou-se e o pensamento, por uns segundos, ficou silencioso.
quinta-feira, 14 de abril de 2005
Açores 4 (Farol da Ponta da Ribeirinha, 11 de Setembro)
....Esta manhã acordei passava pouco das 6. São as cinco horas de sono, não consigo ainda mais do que isto. Como ontem me deitei à uma e tal... Tinha jantado em casa de amigos. Esta manhã, portanto, madruguei. Mas fiquei na cama até às 9. Saí depois de ter visto um filme com o James Stewart e a Maureen O’Hara, The Rare Breed. Ainda não tomei o pequeno‑almoço mas tenho estado a comer bolachas e já bebi um chá dos meus. O que eu queria escrever não era isto.
....O mais provável é que esqueça estas imagens: a estradinha estreita ladeada por canavial e hortênsias e tudo verde, atrás e à frente. Depois, o azul do oceano, vasto, grande, com o Pico a aproximar‑se. É um gigante, aquela montanha, e de feitio feminino: escondem‑no as nuvens quase sempre, mas espreita, volta e meia, a mostrar só a ponta, pontiaguda, ou a deixar nada mais do que perceber a forma do seu extremo. É macho, mas feminino.
....O farol é uma ruína, certamente derrubado pelo sismo de 1998. Apetece‑me entrar, mas parec ser perigoso. Não há pedaço de muro que não esteja rachado, não há uma parede intacta e nenhum vidro nas janelas. Também não há ninguém aqui. De quantos em quantos minutos, ouve‑se um motor na estrada ao longe, a uns 2km. De resto, só o piar das gaivotas, as cigarras quase imperceptíveis, de tão constante que é o seu canto, e o ruído do vento nas folhas das canas. Não há ruídos do mar, o vento não vem de lá. À volta, de vez em quando, soa o chocalho do gado.
....Por cima das nuvens que rodeiam o Pico o sol queima o Faial, forte, inclemente (e sei o que isso significa, aqui). Vim até cá no carro do Gil. Vou dar a volta ao farol.
....Afinal, não passo da cancela, um tosco barrote de madeira cheio de pregos, atravessado sobre dois pedaços desconjuntados de muro. Agora lamento não ter trazido a máquina fotográfica. A descontinuidade das paredes, a desarmonia dos tijolos, à vista entre os azulejos das paredes, a intimidade das madeiras nas janelas, aquele – este – abandono, talvez se imprimissem o suficiente para, daqui a uns anos, eu reencontrar a sensação que agora me despertam. Mas sei que nunca seria assim, e que só este vento permanecerá para varrer de mim todas as lembranças e qualquer imagem. Sigo para os Cedros. Pretendo circundar a ilha. Ao sair reparo num aparelho de medição meteorológica. Como as leituras devem ser enviadas por via electrónica, a sensação de abandono não se altera.
....Estou no meio da ilha, a 7km da Caldeira. Cheira a bosta de vacas e aqui elas pastam sem o limite do fio electrificado. Olha‑se para o mar, lá em baixo, e só se vê erva verde, os arbustos de hortênsias só com as folhas, e pedras; nem um muro branco, nem um telhado. A estrada é de cascalho negro. Verde, verde, verde, o mar e o céu.
....A 5km da Caldeira, a paisagem muda. À minha frente está uma névoa cinzenta, o vento arrefece e a vegetação torna‑se baixinha, só de tufos e musgo. O ar é fresco, quase frio, e mal consigo ver o mar. Estou dentro de uma nuvem.
....Paro o carro. De acordo com o mapa, faltam ainda 3km para a caldeira, mas a estrada termina aqui. Fecho as portas e subo por uma escadinha de pedra, apenas alguns degraus. Antes de ver, adivinho a surpresa. Uau! Um alguidar gigante, forrado a erva fresquinha e muito verde‑viva, cheio até metade de suco esverdeado, uma tigela larga à minha frente, de verde e algumas poucas paredes esbranquiçadas, batidas em demasia pelo vento. Ao meio, lá em baixo, será assim como julgo que é a lua: crateras mais pequenas, miniaturas daquela onde estão, intermitentemente iluminadas pelo sol, à medida que o vento leva os farrapos de nuvem que querem tapar este cenário. É difícil imaginar sítio mais ermo, mais recolhido e, ao mesmo tempo, mais invulnerável e mais desolado. Só, mas forte por isso.
....Do meu lado esquerdo (sul?) desce uma nuvem para dentro da cratera maior. Quer descer, mas antes de meio começa a dissipar‑se. A nuvem ataca agora desde o centro, sobre o centro, e tenta descer, teimosamente, em direcção ao núcleo iluminado da caldeira. Vencem o sol e a luz, e a nuvem desaparece de novo, persiste apenas em tentar descer a vertente oeste. Ali vem ela, do outro lado agora. A placa diz da proibição de descer ao fundo da caldeira – mas é uma tentação difícil de vencer. Não me importaria de passar ali uma noite, protegida pelas suas paredes mas com a sensação permanente de que, a qualquer momento, elas poderiam apertar‑me contra si, esmagar‑me ou cuspir‑me, ou então deixar‑me ali, impávidas perante a pressão das nuvens de chumbo sobre um corpo pequeno. Notas sobre a caldeira: 2km de diâmetro, profundidade média de 400m; resultou do abatimento de um grande aparelho vulcânico e formou‑se por violentas erupções plinianas (da era do plioceno? Não faço ideia.) ou sub‑plinianas, que cobriram mais de metade da ilha com pedra‑pomes. Deve ter sido um daqueles espectáculos!
....O mais provável é que esqueça estas imagens: a estradinha estreita ladeada por canavial e hortênsias e tudo verde, atrás e à frente. Depois, o azul do oceano, vasto, grande, com o Pico a aproximar‑se. É um gigante, aquela montanha, e de feitio feminino: escondem‑no as nuvens quase sempre, mas espreita, volta e meia, a mostrar só a ponta, pontiaguda, ou a deixar nada mais do que perceber a forma do seu extremo. É macho, mas feminino.
....O farol é uma ruína, certamente derrubado pelo sismo de 1998. Apetece‑me entrar, mas parec ser perigoso. Não há pedaço de muro que não esteja rachado, não há uma parede intacta e nenhum vidro nas janelas. Também não há ninguém aqui. De quantos em quantos minutos, ouve‑se um motor na estrada ao longe, a uns 2km. De resto, só o piar das gaivotas, as cigarras quase imperceptíveis, de tão constante que é o seu canto, e o ruído do vento nas folhas das canas. Não há ruídos do mar, o vento não vem de lá. À volta, de vez em quando, soa o chocalho do gado.
....Por cima das nuvens que rodeiam o Pico o sol queima o Faial, forte, inclemente (e sei o que isso significa, aqui). Vim até cá no carro do Gil. Vou dar a volta ao farol.
....Afinal, não passo da cancela, um tosco barrote de madeira cheio de pregos, atravessado sobre dois pedaços desconjuntados de muro. Agora lamento não ter trazido a máquina fotográfica. A descontinuidade das paredes, a desarmonia dos tijolos, à vista entre os azulejos das paredes, a intimidade das madeiras nas janelas, aquele – este – abandono, talvez se imprimissem o suficiente para, daqui a uns anos, eu reencontrar a sensação que agora me despertam. Mas sei que nunca seria assim, e que só este vento permanecerá para varrer de mim todas as lembranças e qualquer imagem. Sigo para os Cedros. Pretendo circundar a ilha. Ao sair reparo num aparelho de medição meteorológica. Como as leituras devem ser enviadas por via electrónica, a sensação de abandono não se altera.
....Estou no meio da ilha, a 7km da Caldeira. Cheira a bosta de vacas e aqui elas pastam sem o limite do fio electrificado. Olha‑se para o mar, lá em baixo, e só se vê erva verde, os arbustos de hortênsias só com as folhas, e pedras; nem um muro branco, nem um telhado. A estrada é de cascalho negro. Verde, verde, verde, o mar e o céu.
....A 5km da Caldeira, a paisagem muda. À minha frente está uma névoa cinzenta, o vento arrefece e a vegetação torna‑se baixinha, só de tufos e musgo. O ar é fresco, quase frio, e mal consigo ver o mar. Estou dentro de uma nuvem.
....Paro o carro. De acordo com o mapa, faltam ainda 3km para a caldeira, mas a estrada termina aqui. Fecho as portas e subo por uma escadinha de pedra, apenas alguns degraus. Antes de ver, adivinho a surpresa. Uau! Um alguidar gigante, forrado a erva fresquinha e muito verde‑viva, cheio até metade de suco esverdeado, uma tigela larga à minha frente, de verde e algumas poucas paredes esbranquiçadas, batidas em demasia pelo vento. Ao meio, lá em baixo, será assim como julgo que é a lua: crateras mais pequenas, miniaturas daquela onde estão, intermitentemente iluminadas pelo sol, à medida que o vento leva os farrapos de nuvem que querem tapar este cenário. É difícil imaginar sítio mais ermo, mais recolhido e, ao mesmo tempo, mais invulnerável e mais desolado. Só, mas forte por isso.
....Do meu lado esquerdo (sul?) desce uma nuvem para dentro da cratera maior. Quer descer, mas antes de meio começa a dissipar‑se. A nuvem ataca agora desde o centro, sobre o centro, e tenta descer, teimosamente, em direcção ao núcleo iluminado da caldeira. Vencem o sol e a luz, e a nuvem desaparece de novo, persiste apenas em tentar descer a vertente oeste. Ali vem ela, do outro lado agora. A placa diz da proibição de descer ao fundo da caldeira – mas é uma tentação difícil de vencer. Não me importaria de passar ali uma noite, protegida pelas suas paredes mas com a sensação permanente de que, a qualquer momento, elas poderiam apertar‑me contra si, esmagar‑me ou cuspir‑me, ou então deixar‑me ali, impávidas perante a pressão das nuvens de chumbo sobre um corpo pequeno. Notas sobre a caldeira: 2km de diâmetro, profundidade média de 400m; resultou do abatimento de um grande aparelho vulcânico e formou‑se por violentas erupções plinianas (da era do plioceno? Não faço ideia.) ou sub‑plinianas, que cobriram mais de metade da ilha com pedra‑pomes. Deve ter sido um daqueles espectáculos!
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Efemérides importantes
Há 6 meses, nascia a Luca. Quando tinha um mês, era isto:

(Foto: Mana, na nova BlocoD)
Há uma semana, mudei-me. Ainda não tive de dormir de tampões nos ouvidos, e isso é o melhor sinal. Doce, doce lar...
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Fotos
quarta-feira, 13 de abril de 2005
Fotografias mentirosas
...."Vejo, outra vez, as fotografias que tirei em Trás-os-Montes. Quase todas mentem." Escreveu António Reis, ainda só poeta, em 1969. Depois, abalançou-se a fazer filmes, talvez à procura da "verdade" que não reencontrara nas fotografias.
....Lembrei-me dele a propósito dos meus "Açores". Releio o que escrevi e não vejo ali grande verdade. Ontem, na estrada que faço quase diariamente do trabalho para casa, e perante o espanto que também é quase diário ao ver o sol dar nas árvores, nas mesmas de sempre, a luz invadir quase sempre as mesmas casas e as mesmas veredas, quis descrever o que via. Subitamente, pareceu-me muito mais difícil descrever (fotografar por palavras) aquilo que conheço melhor. Apesar disso, e por estranho que seja, não encontro verdade no contrário - e, agora que, como o Reis, olho outra vez para as "fotografias que tirei" nos Açores, vejo nelas pouco, muito pouco do que o meu olhar recorda.
....Lembrei-me dele a propósito dos meus "Açores". Releio o que escrevi e não vejo ali grande verdade. Ontem, na estrada que faço quase diariamente do trabalho para casa, e perante o espanto que também é quase diário ao ver o sol dar nas árvores, nas mesmas de sempre, a luz invadir quase sempre as mesmas casas e as mesmas veredas, quis descrever o que via. Subitamente, pareceu-me muito mais difícil descrever (fotografar por palavras) aquilo que conheço melhor. Apesar disso, e por estranho que seja, não encontro verdade no contrário - e, agora que, como o Reis, olho outra vez para as "fotografias que tirei" nos Açores, vejo nelas pouco, muito pouco do que o meu olhar recorda.
Açores 3 (Tarde de 10 de Setembro, 2003)
Residência Lima, Horta, Faial
....Hoje visitei a cidade. Além das igrejas abandonadas ou em obras – a das Angústias, visivelmente vítima do último grande tremor de terra, em 1998, tem o nome mais apropriado. Mas até o observatório, em funcionamento, parecia abandonado, sem ninguém lá em cima, sem sequer um carro a denunciar uma presença escondida, tal a maneira como esse sentimento contamina todos os edifícios que não sejam casas de habitação ou lojas. Muito provavelmente, seria da hora (3 da tarde), mas o observatório estava fechado e vazio.
....A Horta vive acima de tudo da paisagem que a rodeia (Raul Brandão escrevia que o Faial só tem de bonito a vista para o Pico). Deve ser assim com todas as povoações desta ilha, que dispensam o atractivo do património arquitectónico em vista do turismo que a natureza lhes assegura. Nem a gastronomia é forte, embora se pague bem - ou ando com azar, e o certo é que a maioria dos restaurantes estava fechada para férias... Hoje comi carne de vaca assada. ....Acompanhada de batatas fritas (das congeladas, enfim...). O molho da carne era qualquer coisa com canela, e a consistência do bicho era tenrinha. O queijo da entrada, do Pico, era bom. Dos cinco trocinhos de carne comi três, o que, ainda assim, abona em favor do prato. Têm sido assim, estes dias: calmos, sem compromissos, com muito descanso pelo meio e pouquíssimo esforço. Tem‑me apetecido escrever mais mas, quando estou perto de caneta e papel, passa‑me a vontade, e não me obrigo.
.... Vou sair de novo. Dormitei quase uma hora. Chegou à residência um casal conversador – ou nem tanto, mas as janelas abertas, concupiscentes, ajudam à invasão de privacidades. Agora, um deles está a lavar os dentes. Será possível, só pelo som da água a correr e da escova, distinguir se é o homem ou a mulher? O tempo está abafado, uns 26º quase insuportáveis com a humidade. Mas o vento sopra forte. Vou até ao Peter’s.
....Hoje visitei a cidade. Além das igrejas abandonadas ou em obras – a das Angústias, visivelmente vítima do último grande tremor de terra, em 1998, tem o nome mais apropriado. Mas até o observatório, em funcionamento, parecia abandonado, sem ninguém lá em cima, sem sequer um carro a denunciar uma presença escondida, tal a maneira como esse sentimento contamina todos os edifícios que não sejam casas de habitação ou lojas. Muito provavelmente, seria da hora (3 da tarde), mas o observatório estava fechado e vazio.
....A Horta vive acima de tudo da paisagem que a rodeia (Raul Brandão escrevia que o Faial só tem de bonito a vista para o Pico). Deve ser assim com todas as povoações desta ilha, que dispensam o atractivo do património arquitectónico em vista do turismo que a natureza lhes assegura. Nem a gastronomia é forte, embora se pague bem - ou ando com azar, e o certo é que a maioria dos restaurantes estava fechada para férias... Hoje comi carne de vaca assada. ....Acompanhada de batatas fritas (das congeladas, enfim...). O molho da carne era qualquer coisa com canela, e a consistência do bicho era tenrinha. O queijo da entrada, do Pico, era bom. Dos cinco trocinhos de carne comi três, o que, ainda assim, abona em favor do prato. Têm sido assim, estes dias: calmos, sem compromissos, com muito descanso pelo meio e pouquíssimo esforço. Tem‑me apetecido escrever mais mas, quando estou perto de caneta e papel, passa‑me a vontade, e não me obrigo.
.... Vou sair de novo. Dormitei quase uma hora. Chegou à residência um casal conversador – ou nem tanto, mas as janelas abertas, concupiscentes, ajudam à invasão de privacidades. Agora, um deles está a lavar os dentes. Será possível, só pelo som da água a correr e da escova, distinguir se é o homem ou a mulher? O tempo está abafado, uns 26º quase insuportáveis com a humidade. Mas o vento sopra forte. Vou até ao Peter’s.
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Onde andei
terça-feira, 12 de abril de 2005
Açores 2 (15:10, 9 de Setembro de 2003)
....Acabei de falar ao telefone com o Gil, que não conheço. Tem uma voz muito simpática, e é verdade que os amigos abrem portas. Não sabia ainda se iria para o mar, esperava que lho dissessem. Ir para o mar. Sair para o mar. Ir mergulhar e ter de dormir cedo porque se vai mergulhar. Dito – escrito – assim, não parece fazer sentido. Quis escrever: os deuses foram benevolentes comigo. Benévolos? Viajo entre ilhas em dias de sol, quase nenhumas nuvens, e calor. 27º na Horta, 26º em Ponta Delgada. Um verdadeiro cenário turístico. Dormi horas e horas e horas.
....O Gil veio ter comigo ao café Lusa, frente à paragem de táxis da Horta, poucos minutos depois de falarmos e combinarmos o encontro, pouquíssimos minutos depois de eu ter chegado à cidade. Não é só a voz que é simpática, este amigo tem bom ar e, nos dias que passei na Horta fez de tudo para que eu me sentisse confortável e familiarizada com as pessoas e os sítios. No Faial guiei praticamente sempre o seu Twingo. Convivi com os seus amigos, conheci os sítios onde vive, onde trabalha, os cantos que frequenta, as pessoas com quem conversa. Fiquei com a ideia de que o Gil é uma espécie de instituição na Horta – todos o conhecem e o respeitam, e ele conhece e respeita todos. Conversa‑se com ele sobre qualquer tema, desde a literatura portuguesa (principalmente o teatro), passando pela sua especialidade, a biologia do mar, tudo o que tenha a ver com a vida. Foi um dos prémios da minha viagem, ter conhecido o Gil e a sua “trupe”.
....O Gil veio ter comigo ao café Lusa, frente à paragem de táxis da Horta, poucos minutos depois de falarmos e combinarmos o encontro, pouquíssimos minutos depois de eu ter chegado à cidade. Não é só a voz que é simpática, este amigo tem bom ar e, nos dias que passei na Horta fez de tudo para que eu me sentisse confortável e familiarizada com as pessoas e os sítios. No Faial guiei praticamente sempre o seu Twingo. Convivi com os seus amigos, conheci os sítios onde vive, onde trabalha, os cantos que frequenta, as pessoas com quem conversa. Fiquei com a ideia de que o Gil é uma espécie de instituição na Horta – todos o conhecem e o respeitam, e ele conhece e respeita todos. Conversa‑se com ele sobre qualquer tema, desde a literatura portuguesa (principalmente o teatro), passando pela sua especialidade, a biologia do mar, tudo o que tenha a ver com a vida. Foi um dos prémios da minha viagem, ter conhecido o Gil e a sua “trupe”.
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quinta-feira, 7 de abril de 2005
Querido Sorna
Por isso andava aqui a consciência a roer-me... Já podias ter dito alguma coisa. Eu sei que adoptei o nick do Reboliço, e que lhe agradeci. Eu sei que só te chamei "cão" e não desvendei a tua identidade (mas, a certa altura, lembro-me de ter falado nalguma nobreza; sim, entre aspas, mas nobreza, raios!). Eu sei que agora, a propósito de uma flausina de meio ano, me enterneci e lhe dediquei um post. Mas, meu cão lindo, tu és único na minha vida!!! Por ti, por seres grande e atento e conheceres todos os grãos de terra do moinho, regressa o espírito do Lobito (um dia falo dele). Não te amofines, vá lá...
A cadela da minha mana
A Luca nasceu faz seis meses dia 14. Tenho com ela uma relação de amor/ódio... A coisa negra, de peito branquinho e patas quase rosa, tinha quando me veio parar às mãos uma presença dulcíssima. Como dizia o meu avô, "Tudo o que é pequenino tem graça" (rematava depois a excluir os papo-secos, coisa que, como bom padeiro, sempre abominou...). Era, sim senhora, uma delícia amorosa. Até eu, que não sou de lamechices, me derretia toda. Mas agora... Agora, cresceu!!! Mexe-se!!! Cheira mal!!! Mas, o que se há-de fazer?... Quando aquele pêlo todo deixa adivinhar os olhos, lá vai o coração mole outra vez...
quarta-feira, 6 de abril de 2005
Açores 1 (Lagoa, quase meia‑noite de 8 para 9 de Setembro, 2003)
....A Dália mora numa “casinha de bonecas”. O quarto onde durmo dá para o mar – se não me engano, para noroeste. Esta noite há claridade [a lua esteve cheia no dia 10]: lá está a Lua, quase cheia, e Marte à sua esquerda, alaranjado.
....Esta tarde a Dália levou‑me a ver a Lagoa do Fogo. A estrada até lá é de um verde – ladeada desse verde – quase inebriante [Neste mês já as hortênsias secaram e as suas pétalas não mostram o azul forte nem o rosa que encantam os turistas sobretudo em Junho e Julho, quando as explosivas florações marcam as fronteiras das terras de cultivo. Em vez dessas cores, o verde seco generaliza‑se e confunde as flores com o resto da folhagem.] . Só o negro das pedras interrompe aquele oceano ofensivo de humidade e fertilidade. À direita e à esquerda da estrada, vejo as pequenas manadas de vacas grandes, calmas, pachorrentas. E depois, a lagoa. Muito serena, nada como o fogo do seu nome. Deixa ver o mar no outro lado da ilha – finalmente entendo o significado desta expressão – e as pequenas línguas de areia quase branca a orlá‑la, antes de continuar o festival de verde. A água da lagoa não é azul, mas quase negra, do fundo e da sombra que se vai assenhorando da bacia larga. Ao meio, duas nuvens: uma península de verde, em forma a lembrar ferradura, e, acima, um bando de aves (gaivotas, rapinas?) parece imóvel, mas deve ser a distância.
....Jantamos no Borda d’Água, na vila de Lagoa, à beira da lota e do mercado do peixe, com as cantarias em restauração: a pedra negra, virada ao oceano, já é quase nada, um poro pegado, ar, sal, vento, maresia. Cáries naquelas janelas.
....(A Dália foi quem me recebeu em São Miguel. Conhece-me desde pequena e não nos víamos havia muitos anos. Quando nos reencontrámos, no aeroporto de Ponta Delgada, foi como se nos tivéssemos despedido só no dia anterior.)
....Esta tarde a Dália levou‑me a ver a Lagoa do Fogo. A estrada até lá é de um verde – ladeada desse verde – quase inebriante [Neste mês já as hortênsias secaram e as suas pétalas não mostram o azul forte nem o rosa que encantam os turistas sobretudo em Junho e Julho, quando as explosivas florações marcam as fronteiras das terras de cultivo. Em vez dessas cores, o verde seco generaliza‑se e confunde as flores com o resto da folhagem.] . Só o negro das pedras interrompe aquele oceano ofensivo de humidade e fertilidade. À direita e à esquerda da estrada, vejo as pequenas manadas de vacas grandes, calmas, pachorrentas. E depois, a lagoa. Muito serena, nada como o fogo do seu nome. Deixa ver o mar no outro lado da ilha – finalmente entendo o significado desta expressão – e as pequenas línguas de areia quase branca a orlá‑la, antes de continuar o festival de verde. A água da lagoa não é azul, mas quase negra, do fundo e da sombra que se vai assenhorando da bacia larga. Ao meio, duas nuvens: uma península de verde, em forma a lembrar ferradura, e, acima, um bando de aves (gaivotas, rapinas?) parece imóvel, mas deve ser a distância.
....Jantamos no Borda d’Água, na vila de Lagoa, à beira da lota e do mercado do peixe, com as cantarias em restauração: a pedra negra, virada ao oceano, já é quase nada, um poro pegado, ar, sal, vento, maresia. Cáries naquelas janelas.
....(A Dália foi quem me recebeu em São Miguel. Conhece-me desde pequena e não nos víamos havia muitos anos. Quando nos reencontrámos, no aeroporto de Ponta Delgada, foi como se nos tivéssemos despedido só no dia anterior.)
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Açores,
Onde andei
E que cartas são?
....Quando fui aos Açores, em Setembro de 2003 (já disse...), decidi não levar máquina fotográfica. Resisti à tentação do turista contemporâneo, a todos os ímpetos da visualidade, e quis concentrar-me na memória visual dos lugares. A ideia era treinar precisamente a memória, que em mim funciona de maneira errática, totalmente indisciplinada e quase sempre com manhas terríveis. Ora, quem conhece os Açores sabe que estar lá e não ter como registar aquelas imagens, aquela paisagem, é quase doloroso. Pois o que fiz para atenuar a dor de não poder registar as imagens em fotografia foi registá-las em palavras. Escrevi um diário de viagem - é mesmo assim que se chama porque essa expressão diz muito bem o que fiz: diariamente anotava o que ia vendo e como ia vendo enquanto viajava. Nunca cheguei a escrever em andamento, mas era frequente parar o carro no meio da estrada porque era ali, mesmo ali, que tinha de escrever o que os olhos viam e o pensamento ia transformando. (Era um diário, mesmo se o nome hoje nos parece envergonhar e dizemos "log", como deixámos de dizer termas para falar de "spas"...)
....Voltei a fazer a gracinha o ano passado, quando estive na Finlândia. Mas aí, ia avisada: os Açores eram novos, mas daquele canto nórdico já conhecia os recantos. Funcionou à mesma, e até se publicaram as notas ("Notas finlandesas", revista Em Cena nº 9). Quando regressei a este registo foi dentro do moinho, e dessa história já se conhece o final.
....Ora abalemos, então, de volta há ano e meio e às ilhas.
....Voltei a fazer a gracinha o ano passado, quando estive na Finlândia. Mas aí, ia avisada: os Açores eram novos, mas daquele canto nórdico já conhecia os recantos. Funcionou à mesma, e até se publicaram as notas ("Notas finlandesas", revista Em Cena nº 9). Quando regressei a este registo foi dentro do moinho, e dessa história já se conhece o final.
....Ora abalemos, então, de volta há ano e meio e às ilhas.
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Açores
terça-feira, 5 de abril de 2005
Ainda há quem pense que o cinema não educa a alma?
Fellini 1
Guido: E os teus espíritos, o que dizem?
Rosella: Que és livre, mas deves saber escolher. E tens de te despachar, não te resta muito tempo.
Fellini 2
Guido: A felicidade é poder dizer sempre a verdade sem magoar ninguém.
Guido: E os teus espíritos, o que dizem?
Rosella: Que és livre, mas deves saber escolher. E tens de te despachar, não te resta muito tempo.
Fellini 2
Guido: A felicidade é poder dizer sempre a verdade sem magoar ninguém.
segunda-feira, 4 de abril de 2005
Silêncio
"Todas as povoações [...] são muito silenciosas. Em geral, Portugal - tirando Lisboa e Porto - é um país muito silencioso, de um silêncio rural, delicioso, um silêncio que parece ter, para as gentes que o habitam, uma certa intimidade."
Josep Pla, 1953. (Bem aventurado...)
Mudanças
....Comecei a pensar mudar-me em Setembro de 2003. Estava nos Açores, a visitar as ilhas pela primeira vez e, desde uma arriba a olhar para a fajã que se estendia dentro do mar, imaginei a coragem das pessoas que lá vivem. Muitas delas terão nascido ali, mas outras certamente foram lá parar, por vontade ou necessidade; outras ainda terão querido sair da fajã. É que queremos sempre mudar de sítio, o difícil é que a mudança se faça...
....Pois foi agora.
....(Sobre os Açores, há-de vir mais.)
....Pois foi agora.
....(Sobre os Açores, há-de vir mais.)
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Açores,
Onde andei
sábado, 2 de abril de 2005
Parabéns, Luísa!
Saudinha da boa e muitas alegrias pela vida fora, querida prima. Sabe muito bem acarinhar aqueles de quem gostamos. Além disso, a Luísa é uma prima-irmã, do lado materno, que o meu avô tratava como se fosse sua neta. Do moinho, portanto.
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Parabéns
Cartas
Nunca tive cartas dos meus avós - de nenhum deles. Em contrapartida, quando fiz um ano os meus pais mandaram-me um postal de parabéns.
sexta-feira, 1 de abril de 2005
E à mana o que é da mana...
Foi graças à mana do Reboliço que apareceu esse documento lindo em que se vê mesmo o vento nas velas. 'brigada, mana! (Ainda por cima, o que ela me atura!...)
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Mana
Moinho Grande
(Foto do Moinho Grande: Autor não identificado)
Na rede há uma série de lugares dedicados aos moinhos. Os links para alguns dos principais estão na página da Sociedade Internacional de Molinologia, TIMS (The International Molinological Society). Em português, a Câmara Municipal de Torres Vedras tem algumas fotografias e textos interessantes; a página de João Aníbal Henriques também mostra boas imagens, ainda que os temas fotografados me entristeçam.
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